Notas iniciais
Boa leitura

– O que aconteceu Korsak? – Jane chegou à fábrica pisando firme e acotovelando todos que ousavam aparecer em seu caminho.

– Jane? Você não deveria estar aqui.

– E Frank não deveria estar lá dentro. O que aconteceu? – Falou ao passar pela fita de segurança policial.

– Você ainda está de suspensão Jane. Você...

– FODAS o protocolo! É meu irmão lá dentro. O que tá acontecendo merda?

– Ele entrou e está sendo refém de uma louca – Kikyo resmungou ao passar pela fita se aproximando dos detetives.

– Como você sabe disso? – Korsak se virou para Kikyo muito nervoso – Quando o tenente me ligou informando que o Frank não portava há duas horas eu vim verificar e não o encontrei. Então escolhi a dedo quem deveria estar aqui agora. Ninguém mais sabe de nada. Quem é você Kikyo?!

– Calma, eu posso explicar.

– Kikyo Senkey, você é algum tipo de espiã dupla ou coisa assim? Porque não faz nem um minuto que descobrimos que é uma mulher lá dentro.

– Nem coisa assim e muito menos espiã dupla. Eu estava no whatsapp com o Frank quan..

– No que? – Korsak perguntou quase vermelho, as narinas dilatadas.

– Não interrompe Korsak. – Jane já estava furiosa – É um aplicativo de conversa. Continua Senkey.

– Eu sei o que é! Só estou surpreso que ele de vigia estava conversando num aplicativo. Não seria mais fácil ligar então?

– Ele non ligou porque non pode usar celular quando está de vigia. Mas voltando. Eu conversava com ele no Whatsapp e a conversa tava muito boa e tal até que chegou um tal de Casey procurando por você Jane. Parece que você non foi em um encontro de vocês e ele veio pra cá achando que você estava aqui.

Jane engoliu em seco.

– Como ele sabia que Frank estaria aqui? – Korsak já estava furioso novamente, as mãos quase esmagando o rádio comunicador que segurava.

– Foi o Casey que nos indicou esse lugar de acordo com as descrições da vitima.

Korsak foi chamado pelo rádio, os negociadores chegaram. Korsak quase gritou para que as duas voltasse para o lado de fora da fita policial, e Jane muito contraria e muito emburrada resolveu obedecer.

– Ah! Casey é o seu ex noivo né? – Kikyo cortou o silêncio — Menina, você tá ferrada com a Maura, ela deve tá orissada até agora. Como assim marcou um encontro com ele? Tico e teco parou de funcionar? O paraíso ficou mais apetitoso sei lá

– Kikyo! Frank, foca em Frank.

– Ok. Mas depois te meto a havaina na cara por isso, non permito que você traia Maura nem em jantares, tive trabalho demais pra unir vocês duas e non aceit...

– SENKEY!

– Desculpa, to nervosa e começo a falar demais pra non ficar mais nervosa e está tudo muito ferrado! Explicando, enton Frank escutou um choro de um bebe la dentro e entrou, como estava fora do carro conversando com Casey, non pensou em voltar e avisar pelo rádio... Aquele idiota! Segurança em primeiro lugar. Se o seu irmon se livrar dessa eu mato ele!

– Choro de bebê? – Jane estava pensativa. – Não tinha um bebe desaparecido? Acho que filho das vitimas daquele caso que me fez ficar suspensa.

– Agora você entendeu porque está tudo muito ferrado né?

– Você não pode fazer o mesmo que fez a última vez Kikyo? Você é boa na arma.

– Sou elite, preciso de altura e essa fábrica non tem janelas o suficiente. Fora que fui suspensa por aquilo.

– Então tenho que colocar a vida do meu irmão nas mãos... de um negociador?

– Do seu irmon e do seu ex noivo também. Ele tá lá dentro.

– Ah que ótimo! Tá tudo ferrado!

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– Maura, para que você já to tonto. – Esquilo reclama pela terceira vez ao ver Maura andando de um lado para o outro na sala.

– Come sua lasanha Bruno.

– Tá boa. – havia mais comida na mesa do que em seu estomago. – Não vai comer?

– Não. Estou sem apetite.

– Que isso?

– Fome. Estou sem fome.

– Esta grávida? – Esquilo arregalou os olhos

– O que? Não. Não. Não é isso. Da onde você tirou isso menino?

– Na tv as mulheres ficam assim andando de um lado pro outro e não comem e ficam grávidas por isso.

– Só desenhos pra você a partir de agora.

– Por que? Que eu fiz?

E na tentativa de fugir da fase de “por quês” de Esquilo e também na tentativa de se acalmar Maura sentou em sua mesa e abriu o notebook reclamando por ele estar lento demais, ultimamente ele sempre estava lento demais.

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Kikyo e eu ainda esperávamos do lado errado da fita policial, deveríamos ser nós lá dentro, mas não podíamos, E Korsak estava firme na decisão de não colaborar com a gente.
O negociador parecia fazer muito bem seu trabalho sentado numa cadeira confortável tomando café cubano e esperando uma solução cair do céu bem na cabeça dele... Bem que poderia cair do céu sim, e que se Deus for meu amigo será uma solução grande e pesada como um piano. Sempre amei pianos e realmente ficaria muito feliz com a melodia das teclas voando na cabeça dele, eu poderia até dançar.

– Puta la madre que o pareo!

– Ta falando espanhol agora kikyo?

– Palavron a gente aprende fácil em qualquer língua. E eu quero matar aquele careca que non faz nada além de tomar café cubano!! Ao menos matando ele eu tomo algum café cubano e posso entrar lá dentro de quebra. Non tenho mais unha pra roer, me empresta umas suas?

– Já comi quase todas vindo pra ca no carro. Tô quase tirando meu sapato e roendo as do pé.

– Acho que seu ficar mais cinco minutos olhando aquela careca brilhar e apenas se mexer pra tomar café eu atiro nele. E entro lá dentro pra atirar no seu irmon por me deixar ton nervosa!

– E se você não parar de bater seu pé no chão freneticamente desse jeito eu que vou atirar em você, depois atiro no careca e entro lá dentro pra atirar no meu irmão.

– Non precisa ser necessariamente nessa ordem, mas será melhor do que ficar aqui olhando aquela careca reluzir a luz da lua. Porque sério, non vejo como as coisas podem ficar piores do que já eston!

Se existe algo que a vida nos ensina, é que devemos correr e nos esconder embaixo de algum móvel quando alguém é idiota o bastante de dizer essas palavras “as coisas não podem ficar piores do que já estão!” e pude até ouvir uma voz maliciosa em meu interior sussurrando para eu me enfiar debaixo de qualquer coisa e ficar em posição fetal. E é obvio que as últimas silabas que Kikyo estupidamente pronunciou mal tinham saído da boca dela quando ouvimos o barulho muito familiar de um tiro. E não, não era o tiro da arma automática de meu irmão, era o tiro de uma arma com tambor, uma 38. E então senti minhas pernas fraquejarem e a noite ficar mais escura do que já estava.

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Maura estava sentada em sua mesa de computador relendo alguns relatórios quando percebeu o silêncio nada familiar na casa. E como silêncio é sinônimo de Esquilo aprontando, levantou rápido a procura do menino.

Não o encontrando na sala, correu para o quarto dele, depois para seu próprio quarto. Já podia sentir o coração martelando nas costelas quando abriu (literalmente)correndo a porta que levava ao jardim.

E então soltou aliviada todo o ar que prendia em seu peito ao ver Esquilo deitado no chão, segurando o secador de Maura como se ele fosse uma arma.

– Em formação homens! — Esquilo engrossava a voz. — Temos que ter sucesso nessa missão!

Maura o observou rastejando no chão e segurando seu secador com dificuldade indo em direção de seu "alvo". Na decoração de uma das árvores estava uma pelúcia de um cachorro, que aparentemente era quem deveria ser resgatado.

Maura sorriu ao ver ele conversando com um rádio imaginário dando ordem aos "homens" para atacar. E o viu levantar correndo em direção à pelúcia e tropeçar em uma decoração de anão.

– Socorro! Fui pego! Abortar missão! Socorro!

Maura correu em direção a ele pensando que ele tivesse se machucado.

– Você veio Maura! Você me salvou!

– Machucou Bruno? — Ela o analisava preocupada

– Me ajuda a resgatar o Spike?

"Resgatar", essa palavra tocou Maura, e ela já não suportava mais os momentos sem noticias. Vestiu Esquilo com agasalhos para a noite que parecia vir com intenso frio de novembro e o colocou no carro, indo em direção à fábrica em buscas de noticias.

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Jane observava o corpo do policial na maca. Aparentemente ele levou um tiro ao tentar invadir sem a ordem do negociador e agora estava gritando de dor ao entrar na ambulância. "poderia ser eu ali", Jane pensou.

– Parece que nosso sequestrador é uma imtembil. – Kikyo resmungou ao lado de Jane.

– Por que ela é "imbecil"?

– Frank tirou uma foto e nos mandou. O que me fez ter vontade de espancar ele.

– Por que?

– Ele tirou foto apenas do bebê.

– Que merda! Onde Frank tá com a cabeça?

– No rabo! Ah que merda! !!

Até que como um estalo uma frase que Korsak disse voltou na mente de Jane, sobre Kikyo ser a primeira saber sobre os reféns.

– Como você sabia Kikyo? como você sabia que Frank estava sendo mantido refém por uma mulher morena junto com Casey?

– Já disse, eu tava conversando pelo whatsapp quando....

– Não foi isso que eu perguntei, você sabe. Não há janela o suficiente pra gente ver que é uma mulher.
– Merda!

– É, merda mesmo, desembucha.

– Eu realmente falava com o Frank pelo aplicativo, só que eu estava ali parada quase na esquina.

– E o Frank não viu seu carro?! Não deixo mais ele fazer vigília.

– Por isso eu tava aqui, ele é muito centrado no alvo e esquece a retaguarda. Então vi Casey parar o carro idiotamente em frente à fábrica. É sério, você namorava um idiota! E depois vi os dois entrando e sendo eletrocutados com o teaser bem potente.

– Então você viu quem fez isso?

– Um homem baixo e uma mulher que na hora jurei que era você.

– Então tem dois lá?

– Só vejo a mulher na foto que Frank me mandou. É sério, vou entrar lá só pra dar na cara dele. que imbecil!!! Como se arrisca assim pra tirar uma foto?! E como as pessoas lá non veem.

– Por que isso não foi premeditado. E principalmente porque ela está sozinha lá... é difícil olhar os reféns e cuidar da policia aqui fora.

– Mas ela confia em Frank o bastante pra deixa-lo desamarrado.

– Ela confia que ele não vai fazer nada com o bebe lá. Kikyo, você tem dois rádios aí?

– Só da frequência 12. Por que?

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Maura desceu do carro indo em direção a Kikyo que estava sozinha parada perto da fita policial.

– Alguma noticia?

– Oi Maura. Nada ainda.

– Cadê a Jane?

– Disse que foi no banheiro. – Kikyo olhou no relógio – E já faz mais de meia hora. Você acha que devemos nos preocupar?

– Não! Jane não fez isso! Ela me prometeu que nunca mais bancaria a heroína!

– Talvez ela só comeu muito no almoço e tá agarrada amarrando o gato. Non vamos nos preocupar.

– Eu conheço a Jane. Sei muito bem as loucuras que ela é capaz de fazer quando a vida do irmão dela está em perigo.
Um chiado começou no rádio de Kikyo.

– Senkey? – era a voz de Jane.

– Rizzoli? Onde você está?

– No quadrante 5. Avistei os reféns, há apenas um flanco atirador.

– Nom faz besteiras Rizzoli. Sua mulher está aqui. – silêncio do outro lado da linha e Kikyo pôde ouvir passos mais pesados, como uma corrida e um barulho de estática ficou mais alto

– Senkey, diga a ela que zzz bem

– Repete. Houve estática.

– zzz Diga a Maura que estou bem.

– Volta Rizzoli. Deixa a Swat resolver isso. Volta pra cá.

– Eu zzz posso zzz mais perto

– Que? Rizzoli? O que está acontecendo?

– zzz armado zz HK apontando para zzz tenho que impedi ló

– Non faz besteiras Jane!! – Kikyo gritava, o coração martelando no ouvido. Maura ao seu lado estava estática, sem reação.

– zzz é mais importante. – Alguns tiros surdos e o rádio caiu na estática e depois ficou mudo. Kikyo tentar chamar mais algumas vezes e mudou de canal, mas nada resolvia.
Um burburio e uma correria começou entre os policiais atrás da faixa policial.

Maura ainda estava ali parada sem reação enquanto observava o desespero crescente de Kikyo, enquanto tinha a impressão que seu coração caiu para o fundo do seu estomago, como um paraquedista que esqueceu seu paraquedas em casa