Apenas um sussuro
23 Dois corações que batem separados
Notas iniciais
Quantos términos para o término de um amor?
Quantos "agora acabou" é necessário dizer para realmente acabar?
Quantas portas a bater até entregar a chave?
Quantos desaforos até calar a boca?
Quantas discussões até conversar com calma?
Quantas gavetas serão esvaziadas até arrumar a mala?
Quantas desistências existem dentro da insistência?
Quantos reavivamentos são possíveis de um fogo morto?
Quantas recaídas até cair de vez?
Porque descobrir o fim ainda não é comunicar o fim.
— Toma, aqui está sua lasanha. E você me deve a paciência que perdi naquele supermercado. — Kikyo resmungou ao entrar no apartamento de Jane.
Enquanto Jane desembrulhava a lasanha e a colocava no microondas, a asiática abria a geladeira pegando duas cervejas para elas.
— É sério, Jane. Eu quase tive um ataque de gritos e chutes naquele supermercado. Tinha um menino lá que se jogou no chon porque a mãe non queria dar biscoito pra ele. Seu eu tiver um filho e ele for desses que se joga pra conseguir as coisas no mercado, eu passo com o carrinho por cima.
— Por falar em filhos...
— Frank está bem. E sim, já passei no berçário do hospital e a menininha está bem. Ela é ton linda! E fica mexendo os dedos como se tivesse chamando a gente. É muito fofa!
— Frank vai mesmo adotá-la né? Será que ele tá pronto pra isso?
— Ele levou um tiro por aquele bebê... Trocar fraldas non fará ele desistir.
— Nem tive tempo de ir visitar meu próprio irmão no hospital nesses três dias que ele está lá. Sou uma irmã horrível, né?
— Ao menos é melhor que namorada. Pelo menos você tá aqui me perguntando sobre seu irmon, mas nesses últimos três dias non ouvi uma pergunta, nem mesmo sutil, sobre a Maura.
— Ela fez a escolha dela Kikyo.
— E você fez a sua de pregar a bunda nesse maldito sofá e non sair mais né?
— Foi ela quem fugiu, não fui eu!
— Mas foi você que non foi atrás. Ela tá lutando por algo, mesmo que esse algo seja a distância. Enquanto você ta aí mofando, lutando pra conseguir pegar o controle com o pé.
— Não é você que estava toda preocupada com o Frank? E agora? Vai me dizer que não está apaixonada e por isso não vai correr atrás dele? Você não tem moral pra falar de mim não! Você ainda nem se declarou pra ele!
—Jane, é melhor você parar com esse drama antes que eu perca a paciência e meta a mão na sua cara. E também non posso declarar algo que non sinto. Eu realmente gosto da companhia dele, gosto de nossas conversas e como ele me faz sentir. Além, claro de me preocupar com ele. Mas non estou apaixonada por ele. Eu non o amo. Ainda estou apaixonada por você.
— Achei que já tinha me esquecido.
— É difícil esquecer alguém que fica comigo toda hora né. — Kikyo sentou ao lado de Jane no sofá — Olha, eu gosto de você, e acho que Deus e o mundo sabe disso... Menos sua mãe graças a Deus, se non eu seria Sushi de Kikyo se ela soubesse.
Jane tirou a almofada que separava as duas e se aproximou mais de Kikyo que no primeiro momento se sentiu um pouco desconfortável com a aproximação inesperada.
— Relaxa que minha mãe não sabe nada – Bebeu de sua garrafa
— Jane, mesmo gostando de você, eu quero que você vá atrás da Maura. Ela pode te fazer feliz de uma forma que sei que non sou capaz.
— Você nunca experimentou isso pra saber Kikyo. É apenas uma suposição. – bebeu novamente. “Desde quando essa garota está bebendo?” Kikyo pensou
— Non. É experiência. Você tem uma super voz, é linda, cheirosa, sensível, encantadora, misteriosa, charmosa, inteligente e muito protetora. Certeza que ronca! Porque Deus non seria ton cruel assim comigo. Mas sei que isso tudo non é pra mim, já tem destino certo. Como uma carta com destinatário e remetente, non é pra mim.
— Algumas cartas são extraviadas.
— Non essa.
— Você nunca quis nem ao menos saber como é?
— Todos os dias. Mas non posso.
— Por que? O que te impede?
Kikyo se perdeu por alguns segundos na imensidão daqueles olhos castanhos. Procurava por alguma brincadeira ou algo parecido naqueles olhos, tentava ler desesperadamente aquela mulher a sua frente. Mas tudo que conseguiu foi mais pensamentos confusos que passavam por ela sem que ela tivesse a chance de se agarrar a um único, como pedaços de papéis em uma ventania.
— Apenas non posso. — sussurrou derrotada
— Mas eu posso. — Jane tirou uma mecha de cabelo que caiu sobre o rosto de Kikyo quando ela abaixou a cabeça envergonhada. — Você é uma mulher maravilhosa Kikyo, não me agrada saber que você sofre por mim. Devo correr atrás de quem me quer. — A morena se aproximou mais e Kikyo pode sentir o cheiro de cerveja, talvez um pouco mais forte.
"Ela está fazendo isso porque está bêbada, Jane, não faça isso por favor"— Kikyo pensou
— Está tudo bem Jane. Essa non é a primeira vez. — Kikyo buscava por alguma hesitação em Jane, mas tudo que via era ternura, e isso de alguma forma a apavorava. — Jane... Melhor non fazer nada impensado.
No momento em que Kikyo tirou a mão de Jane de seu rosto, a morena a colocou sobre sua nuca, sentindo os longos cabelos sedosos da asiática, aproximando mais ainda seu corpo do dela.
— Jane... Vamos pens...
Jane silenciou Kikyo com os lábios. E permaneceu ali esperando alguma rejeição, e como ela não veio, decidiu aprofundar o beijo.
O beijo começou calmo, receoso, Jane pediu passagem, no entanto foi impedida por Kikyo que segurou suas mãos e se afastou um pouco encarando o tapete no chão.
Quando a asiática levantou os olhos, Jane pode ver que ela estava chorando e sentiu seu coração pequeno, apertado, batendo mais forte. "Será que fui longe demais?"
— Non faça isso por favor Jane. Non me faça sofrer sem necessidade. Se você está com medo de ir atrás da Maura, non precisa brincar comigo por isso. Eu non tenho culpa de sua indecison.
Jane puxou as mãos e as colocou sobre sua própria coxa. Constrangimento e arrependimento era tudo que percorria seu corpo agora.
Na tv o noticiário continuava. A torneira não bem fechada ainda pingava na pia, nada parecia ter mudado. Mas ali, entre aquelas duas mulheres sentadas no sofá, tudo estava diferente, não com pássaros cantando uma melodia harmoniosa, mas sim com pensamentos e rubores no rosto.
— Eu non quero perder sua amizade Jane. Mas non quero ser seu escape.
— Eu jamais pediria isso a você. Eu só... — Jane esfregou os olhos com as palmas das mãos. — Eu só faço merda, só isso.
— Enton para de fazer e vá atrás de quem você gosta.
— Eu vou, mas não agora. Maura precisa de um momento pra pensar. Ela precisa ficar sozinha e refletir sobre tudo. Se eu for atrás dela agora, ela não irá me escutar direito, tentará me afastar. Tenho que esperar.
— Você conhece ela ton bem assim?
— Mais que a mim mesma.
— Mas non demora. Perca a dignidade, mas non perca a oportunidade de ser feliz.
Ambas as mulheres caíram em silêncio novamente, mas dessa vez não era um silêncio constrangedor.
— Eu não estou fugindo da Maura. — Jane mirava o teto e falava mais pra si do que para Kikyo — Eu vou atrás dela, com certeza irei. Mas não agora entende? Preciso colocar meus pensamentos em ordem também. E evitar besteiras como a que eu acabei de fazer.
— Tá tudo bem. Vamos só esquecer isso.
— Kikyo, me perdoa. Sei que você não vai esquecer.
— Non. Non vou. Em anos non me sentia ton feliz como naqueles segundos que compartilhamos agora pouco. Assim como me senti imensamente triste. É um pouco dolorido experimentar esses extremos que nunca nos pertencerá, mas tô bem com isso. Já passei coisa pior.
— Desculpa Kikyo. Não era minha intenção te machucar dessa forma. E eu entenderei perfeitamente se você quiser um pouco de espaço.
— Sabe quando você assiste um filme de romance e você torce, vibra, se emociona e quando o filme acabada você sente um vazio? E enton você tem aquela certeza que aquilo, toda aquela magia do filme jamais acontecerá com você... Pois é, é assim que me sinto ao seu respeito. Mas mesmo sentindo o vazio, eu non deixo de torcer, de vibrar. Enton... Eu non vou me afastar. Vou respeitar seu tempo e o de Maura, mas se eu ver que as coisas eston demorando demais eu vou interferir.
— Te agradeço por isso Kikyo.
O microondas apitou, chamando a atenção das duas. Jane se levantou indo em direção à máquina
— Enton me agradeça fazendo meu estomago parar de roncar. Ah! Estava esquecendo de contar uma coisa muito importante. Chegou o relatório da balística.
Jane parou com a porta aberta, olhando fixamente para Kikyo.
— E?
— E aquele 38 já foi muito usado. As fissuras condizem com as mesmas fissuras das balas que a Maura recuperou daqueles corpos que ainda eston lá no necrotério.
— Quando eu volto a trabalhar? — Jane não conseguia evitar a alegria e animação em sua voz.
— Segunda feira.
— Então segunda estaremos juntas de novo? Afinal isso ainda não acabou, aquela mulher não estava sozinha, na verdade isso é a ponta do icerberg. Temos que juntar as peças do quebra cabeça e com...
— Pedi licença. Segunda-feira tem um lugar pra eu ir.
— Segunda feira é depois de amanhã.
— Eu sei.
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POV Maura
— Kikyo? Como você sabia que eu estava aqui? Por que você está aqui? Aconteceu alguma coisa? — Perguntei ao vê-la parada na porta, me olhando e rindo esperançosa.
— Calma Maura! Respira! Constance não está aqui nos EUA, então você não estaria com ela. E seu cartão de crédito não foi usado em Hotel nenhum. Não foi difícil juntar o quebra cabeça né. Hope é sua mãe também né.
"Sim, minha mãe. A última pessoa que pensei procurar, mas foi a pessoa que me acolheu quando me senti desabar. Ela não teve culpa de não ter sido minha mãe, foi só.. foi só o destino brincando com a gente. E agora estava brincando mais uma vez comigo ao colocar Kikyo parada em minha porta. Que droga!"
— Então você fuçou meu cartão de crédito?
— Sou detetive lembra? Você paga impostos pra eu fazer isso.
— Por que você tá aqui?
— Tô aqui porque já escolhi meu vestido de madrinha do casamento de vocês e minhas ameaças de quebrar Jane com minhas havaianas non eston resolvendo muito... Preciso de havaianas mais duras.
— Kikyo, Jane e eu...
— Eu trouxe minhas havaianas e sei como usá-las! Doem mais que minha arma, garanto.
— Kikuo — Esquilo gritou ao ver a pequena mulher parada na porta de entrada.
— Vem cá meu Capitão America! — Os dois se abraçaram. — Já que sua mãe mal educada non me convidou pra entrar você convida?
— Desculpa Kikyo. Entra.
— Quando você pretende voltar? Você pode ser rica, mas precisa trabalhar.
— Mandei minha carta de demissão por e-mail. Irei lecionar na UCB.
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— Jane, já faz um mês que Maura e você terminaram... Você não vai fazer nada sobre isso?!
"Agora era isso! Toda hora alguém vem me lembrar que Maura e eu terminamos. A rodada da vez foi Frank, o novo papai do pedaço."
— Estou muito bem com isso. — resmungou chateada
— Bem? Você nem foi visitar o Esquilo desde que Maura retornou e aquele menino sente sua falta, e muito. Você não vai mais ao Dirty Robs. Só fica aqui nesse apartamento trancada. Se Sammy e eu não batemos aqui você nem iria nos visitar. E ela é sua sobrinha caramba!
"Como resposta Sammy chorou no colo do pai. Dane-se a genética, ela era dramática como o pai"
— Olha Jane, sei que a Mah, Kikyo e Korsak te chamaram e você não aceitou. Mas eu vou te convidar mesmo assim e exijo que você vá. Maura vai fazer a comemoração do Natal na casa dela no dia 25 às nove da noite. Se não for por ela, vá pelo menino, vá por Kikyo, Korsak ou por mim, mas vá! ... Todos os Rizzoli estarão lá, não seja a ovelha negra da família.
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Maura havia passado o último mês preparando o natal em sua casa, e exigiu uma árvore artificial com medo do pinho machucar Bruno, ela estava ficando quase paranoica com a segurança dele. Teve ajuda do menino para montar a árvore, montar uma árvore nunca foi tão divertido e bagunçado.
Ela receberia suas duas famílias, e com o acréscimo da família Rizzoli em sua casa, tudo teria que estar perfeito. Bruno estava louco correndo pela casa, brincando com o pijama de Capitão América que ele havia ganhado.
— Tá na hora de dormir Bruno
— Só mais um pouco, já tô terminando minha missão "Corvo preto"
— Amanha você continua, cama.
Esquilo foi para seu quarto resmungando, mas ao avistar a cama, subiu nela e começou a pular animado. Maura apenas o observou e sentou na cama.
— Se você não deitar Papai Noel não vai vim – Então, Esquilo deitou com um sorriso inocente no rosto.
— Papai Noel vai demorar muito?
— Não. Mas ele só virá se você dormir.
— Eu fui bom, mamãe, fui?
— Não entendi Bruno.
— Se eu fui bom Papai Noel me dará o que eu pedi né? Eu fui bom?
— Você foi o melhor meu filho.- sorria docemente enquanto afagava os cabelos castanhos — Agora dorme que amanhã de manhã você irá ver os presentes que Papai Noel deixou pra você debaixo daquela linda árvore que montamos.
Maura se levantou, apagou a luz, deixando apenas a luz noturna acesa e deixou a porta entreaberta.
"Boa noite meu filho" Desejou antes de sair. Desceu as escadas ao encontro de suas "mães" que a aguardavam.
— Ele dormiu? — Constance perguntou ao ver o olhar cansado da filha.
— Foi um pouco difícil conseguir fazê-lo dormir. Ele estava muito agitado pelo pijama que ganhou, se achava o próprio Capitão América pronto para uma missão.
— Acho que ele precisa de mais um irmãozinho para gastar essa energia toda. — Hope disse esperançosa fazendo juz a seu nome. — Concorda Angela?
— Claro que sim. Preciso de mais netos. Só três netos em uma família descendente de italianos é pouco demais.
— Vocês não acham isso um pouco cedo demais. – Maura tentou argumentar.
— Desculpa filha, mas você tem três mães, e toda mãe quer muitos netos. – Hope sorriu olhando as mulheres ao redor da lareira.
********
De manhã Esquilo começou a rasgar os presentes com uma avidez que surpreendeu Maura que estava sentada no sofá, apenas admirando o menino eufórico embaixo da árvore natalina, enquanto ela bebia de seu cappuccino.
Olhou confusa para Hope, Constance e Callie quando Esquilo foi até a lareira olhando para dentro da mesma e voltando com os dedos negros de carvão, sentando-se no chão e começando a chorar. Sem entender nada, Maura se levantou e ajoelhou-se perto do garoto.
— O que foi meu amor?
— Papai Noel não me deu! Não me deu o que eu queria! É um mentiroso!- os pequenos dedos com carvão passavam nos olhos e no rosto, dando-lhe um aspecto de guaxinim de máscara.
Maura se sentia ainda mais confusa, ela havia sido muito organizada comprando tudo que Esquilo comentou que queria. Repassou a lista em sua mente, porém não encontrava falhas.
Bicicleta ok, Tand Rex ok, giz ok, Escudo do Capitão América ok...
E a lista mental continuava enquanto Maura olhava ao redor os pacotes rasgados identificando cada um dos presentes que ela havia comprado, mais os que outras pessoas deram.
— Tudo que você pediu esta aí meu amor.
— Não! — o menino gritou afastando a mão que Maura tentou limpar o carvão.
— Qual o problema então? O que você tanto queria que não ganhou?
— Jane! Papai Noel não trouxe ela. Eu fui bom! Eu fui bom mamãe! Por que Papai Noel não trouxe Jane?! Eu mandei a cartinha! Não entendo — e ele começou a chorar mais alto.
— Bruno...
— Não gosto do Papai Noel! Ele nunca dá o que a gente quer!
" Concordo meu amor. Também não recebi o que queria nesse Natal" Maura pensou, ainda estática olhando o garoto. Hope se abaixou perto dele e o abraçou, fazendo-o diminuir um pouco os soluços e lágrimas.
— Eu fui bom vovó. Por que não ganhei? — Resmungava nos braços de Hope.
— Deve ter sido difícil trazer ela meu lindo. Jane é muito grande. Não passaria na lareira e gastaria papel demais.
— Será?
— Claro que sim. Você foi bom não foi? — Ele balançou a cabeça repetidas vezes, um sorriso advento da esperança brotando em seu rosto — Então com certeza você ganhará o que quer meu garotão.
— Eu mandei a cartinha e mamãe colocou no correio.
— Sim querido, se a carta foi enviada e Papai Noel leu, então é só esperar e ter fé que chega.
Hope olhou Maura cobrando uma providência, a loira apenas se levantou, indo para o seu escritório. Trancou a porta e sentou atrás da mesa, abrindo gavetas a procura da carta de Esquilo. A encontrou e abriu-a,
“Entendo finalmente o que esse desenho significa." -pensou ao passar os dedos sobre a folha de papel colorida com giz de cera.
Eram três bonecos de setas desenhado, um amarelo com um cagádo. — Maura havia se reconhecido naquele bonequinho amarelo simplesmente por ele estar segurando um cagádo-.
Um azul segurando algo parecido com um escudo — Esquilo, o pequeno Capitão América.-
E o terceiro tinha algo parecido com uma bicicleta junto e estava mais afastado que os outros. Esse havia sido uma incógnita na primeira vez que Maura viu o desenho.
No dia que o recebeu de Esquilo tentou de todas as formas entender o que significava aquele boneco em seta preto. Não era uma sombra ou a tentativa de fazer uma árvore como ela imaginou... Mas agora ela entendia. Era Jane, era Jane segurando uma bicicleta. Não era uma bicicleta que Bruno queria... Era Jane. Esse era um pedido velado, um pedido para Jane o ensinar a andar de bike como ela havia prometido.
"Fui tão cega o tempo todo. fui egoísta ao só pensar em mim. Era o trabalho dela! É o trabalho dela! Não posso mudá-la se eu quero ama-la... Não posso. Ela me aceitou inteira, por que não fiz o mesmo? Sou uma idiota!
Sim, realmente dói sentir medo de perder Jane, porém esse sentimento de estar longe é ainda pior. Prefiro ter e perder, do que não ter."
**********************
A festa estava muito bem organizada. Família Isles completa, Korsak, seu filho e Kiki. Hope e Callie socializando, Kikyo contando seus “casos”... E a família Rizzoli sendo responsável pelo maior barulho da festa... Só faltava um integrante. O integrante mais esperado e provavelmente o que não viria.
Maura estava segurando Sammy quando ouviu alguém batendo na porta. Como boa anfitriã, ela deveria abrir. Entregou o bebê para Kikyo e foi em direção a entrada, respirou fundo para não ter esperanças bobas, tentando controlar as batidas aceleradas do seu coração.
— Oi Maur.
— Jane? Você está aqui? — a morena sorriu sem graça
— Estava com medo das havaianas da Kikyo. Ela me disse que comprou uma mais dura. — sorriu sem graça outra vez.
— Você esta realmente aqui? — Maura caminhou alguns passos para fora da porta.
— Senti sua falta. Precisamos conversar Maura, eu fui uma idiota... Eu não dev...
Em um impulso Maura saltou em direção a Jane, jogando seus braços no pescoço da morena e a puxando para um beijo.
— Nós duas fomos idiotas Jane. — o beijo era necessitado, sedento e banhado em saudade.
— Maura... Se um dia você pensar em ir embora da minha vida de novo... Por favor, me leva junto. Eu não quero ficar sem você Maur.
— Se um dia eu pensar em ir embora de novo, por favor, não me deixe passar pela porta.
— Não deixarei. Maura...você.. hã ... Você aceita se casar comigo?
— Você tem certeza disso Jane?
— É tudo que mais quero. E prometo nunca mais bancar a heroína.
— Por favor, não me prometa isso. Não me prometa mudar quem você é... Po-porque afinal eu me apaixonei por você assim... e hã... Quem ama não quer mudar o outro, aceita ele de qualquer jeito, mesmo errado, né?
— Algo assim. – “essas palavras lembravam muito as frases que Angela havia dito há algumas semanas” Jane pensou, mas preferiu ficar calada.
— E você nunca me pediu pra mudar nada. Você me fez ter vontade de mudar e mudei. E também, e se algum dia eu precisar que você seja minha heroína? Ai você não poderia estar enferrujada, né?
Jane nada respondeu, o frio que passou em suas costas ao ouvir aquelas últimas palavras ainda estava presente. Por alguns instantes ela sentiu ter um pressentimento ruim, se lembrou do caso que a levou a prisão, ocasionou sua suspensão... Mesmo com o arquivo estando fechado tendo como "culpada" a mulher da fábrica, algumas coisas não batiam. "Porque ela faria aquilo? Tem peças demais faltando nesse quebra cabeça." Jane pensou, olhou para Maura a sua frente, tão esperançosa, tão feliz e sentiu seu coração ficar apertado. Sentiu de repente uma vontade louca de abraçar Maura e não soltá-la mais. Aquela estória ainda não havia acabado, e ela sentia que algo muito pior estava por vir. Ela foi injustamente incriminada, uma pessoa não teria tantos problemas em culpa-la para depois "deixar-se ir" tão fácil em uma fábrica. "Ela não estava sozinha na fábrica, certo? Um homem estava lá, Kikyo avistou esse homem"
Todos seus pensamentos sumiram na hora que viu Esquilo correndo para seus braços. Abaixou-se e abraçou aquele corpo pequeno que ela tanto sentia falta.
— Oh meu garoto, que saudade. — E chorou. Jane chorou, um misto de saudade e medo. E se ela perdesse Maura e Bruno? Como iria sobreviver depois?
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