Apenas um sussuro
25 Confio em você
Notas iniciais
"Finalmente estamos fazendo uma viagem pra longe de toda essa confusão. Apenas Esquilo, Maura e eu, uma família." Jane pensou e sorriu para si mesma, quando empurrou um cotovelo na tampa do porta mala.
A morena estava pensando neles como família mais frequentemente agora. Mesmo depois da separação de um mês, ou de todos os outros acontecimentos nada agradáveis que ainda asssombrava seus pesadelos. A realidade agora era que ela, Maura e Esquilo estavam se tornando uma família e nada poderia mudar isso.
Essa certeza ressoou profundamente em seu interior trazendo mais sorriso a sua boca.
O porta malas continuou não colaborando, puxando-a de seus pensamentos, e até mesmo depois que ela reorganizou e trocou as malas três vezes, ele ainda se recusou a fechar.
Jane viu Maura e Esquilo sairem da casa, com Maura apertando a mão de Esquilo firmemente enquanto ele tentava puxá-la mais rapidamente em direção ao carro. Uma ideia atingiu a morena assim que eles aproximaram.
Sem delongas. Jane puxou Esquilo, levantou-o e o sentou sobre o porta malas. Houve um clique resignado com o seu peso.
Jane sorriu e tirou o cabelo do rosto do menino. "Eu sabia que tinha você por uma razão."
"Para ser seu peso pessoal mais perto?" Esquilo perguntou ceticamente.
Jane se inclinou mais perto e baixou a voz para um sussurro encenado.
"E também pra me ajudar a pegar garotas."
Maura revirou os olhos e estendeu a mão para Esquilo, o deslizando, tirando-o da tampa do porta malas.
"E quantas vezes você usa Bruno como um imã Jane?"
Esquilo segurou um riso e se inclinou para o lado de Maura. " Jan, você esta em apuros."
A morena revirou os olhos. "Sim, sim. E qual a novidade? Entra no carro, garoto."
Maura estava parada ao lado da morena com a mão estendida a espera da chave.
Claro, Jane poderia trazer o carro para a frente da casa e embalar seus pertences, mas Deus me livre dela dirigir o bebê de Maura para fora da rua.
"Você sabe," Jane começou quando entregou as chaves do carro de volta para a loira. "Meu carro tem mais espaço."
"É também a única razão para o buraco na camada de ozônio." Maura contornou o carro e deslizou para o banco do motorista, assim como Jane estava sentada no passageiro "Bruno, cinto de segurança."
O menino na parte de trás caiu na rizada e obedeceu.
"Ei, meu carro passa em todos os testes de emissões. E o seu carro consome tanto gás quanto o meu" Jane argumentou.
"E o meu carro pode ir mais rápido do que 100 km por hora." Maura ligou o motor dando partida.
"Vai demorar?" Esquilo perguntou começando a ficar inquieto.
"Ainda nem viramos a esquina garoto" O carro parou de repente e uma grande fumaça saiu da parte da frente.
"Eu falei pra gente ir no meu carro" Jane resmungou. "Vamos garoto, vamos descer e passar pro MEU carro que não passa de 100km/h, mas ao menos chega no destino"
****
MAIS CEDO NA CASA DA MAURA
— O que vamos fazer agora Kikyo? Maura não trabalha mais no DP, não tem como ela nos ajudar com nada referente aos arquivos. E Frank resolveu tirar férias logo agora!
— Ele está tendo dificuldades de encontrar uma babá pra Sammy.
— Mas também né! Tá sendo mais exigente que a Maura.
— Non o culpe, influencia da sua mãe. Ainda non sei como vocês chegaram a adolescência. Aqui, você notou que muitos “suicídios” estão passando pelo necrotério?
— Normal. Sempre passou.
— Acho que você non tá me entendendo. Maura abriu caso de dois "suicídios", e milhares de coisas, incluindo “arquivos sumindo ou fantasmas”, começaram a surgir depois que ela fez isso. Esses dois casos, incluindo o da Xena foi com calibre 38 com projetil especial... Bem, os novos arquivos mostram que os novos “suicídios” também são com 38.
— Com a mesma bala...Eu sabia que aquela mulher da fábrica era apenas cúmplice! Eu falei, não falei? Hoje mesmo falarei com o tenente pra te trazer pra equipe de novo.
— Non Jane. Você vai viajar com sua mulher e Esquilo. Você deve isso a eles.
— O Note da Maura foi Hakeado Kikyo. Preciso da segurança dos dois.
— Você estará com eles, faça-os ficar seguros. Eles son tudo que você tem agora Jane.
— Eu não posso simplesmente fugir de tudo enquanto sei la quem arma uma arapuca aqui pra mim. Não posso esperar Kikyo, tenho que agir. Sou uma idiota mesmo por ter deixado as coisas chegar a esse ponto, tenho que dar um jeito nisso.
— Ter paciência é mais importante do que ser inteligente. Inteligente você já é. Mas só se for paciente vai conseguir alguma coisa. Se a oportunidade não chegar, Jane, espere até ela surgir.
— Vamos fazer ela surgir.
**************
NO CARRO
— Droga! Esqueci de pegar o relatório no laboratório.
— Jane resmungou enquanto dirigia
— Eles não poderiam entregar pra você? Eu sempre levava
— Viu como você faz falta lá? — Maura sorriu com o comentário — Há poucos funcionários lá Maur. Você saiu, o japinha assistente de legista pediu licença de alguns dias ontem, e o barbixa de bode graças a Deus saiu.
— Que pena, nem tive tempo de ir na festa de despedida do Marcos.
— Você faz isso pra me provocar né? Falar do barbixa
— Milagre você não dar piti com esse assunto
— Não sou eu que faço isso sempre.
— Que mentira! Só não entendi porque não pude nem te esperar no DP.
— Kikyo não acha seguro você ir lá. Na verdade eu tinha até desistido de viajar, mas ela me convenceu. E realmente é mais seguro ficar longe daquilo tudo.
— Você escuta muito a Kikyo, sabe... Nunca te vi confiar em alguém tão rápido assim.
— Me surpreendo com isso as vezes. Mas confio nela, e muito.
— Vocês combinam. Vocês tem até a mesma implicância com o Marcos.
— Não gosto daquele aparecido. E muito menos do seu assistente de legista estranho.
— Ele só é calado Jane e ele é japonês — Maura começou a ajustar o banco
— Não sei porque não gosto daquele japinha, Kikyo também fica "orissada" com ele
— Você e ela parec..
— Que foi Maur?
— Tem uma calcinha de rendinha no seu carro Jane! Pode me explicar isso?!
— Calcinha? Onde?
— Debaixo do banco. Por que tem uma calcinha como essa no seu carro?
— Deve ser minha
— Você não usa renda, e muito menos tão pequena assim.
— Então deve ser sua.
— Eu conheço muito bem minhas coisas, tá?
— Certeza?
— Sou organizada Jane, sei onde está tudo meu.
— Igual quando me acusou de roubar seu top de ginástica, sendo que ele estava em você?
— Quem mandou viver ameaçando esconde-lo?
— Quem mandou ser minusculo?
— Bobagem! As moças da academia usam bem menores.
— Quer dizer que você fica olhando pra elas então?
— Não fuja do assunto! De quem é essa calcinha?
— Eu não sei! — Esquilo riu do banco de tras e Jane o encarou pelo espelho — Você tá se divertindo ai atrás né garoto?
— Não divaga Jane. Como você não sabe? Esta no SEU carro!
— Apenas você anda comigo no meu carro.
— Não é de alguma coelhinha? Sim, eu sei o apelido dessas taradas por policiais.
— Você me ve indo a bares de coelhinhas?
— Não... Então não é de alguma "amiga" de trabalho?
— O que a calcinha de alguma amiga de trabalho estaria fazendo no meu carro?
— Eu que pergunto!!!!!
— Não é de nenhuma amiga Maura.
— Então como essa calcinha veio parar aqui?! Ah, só tem um jeito Jane!
— Eu não faço nada em carro e você sabe disso.
— Verdade — Maura se mexeu no banco encarando a calcinha vermelha — Pensando aqui... Tive um ex que colecionava calc...
— NÃO COMEÇA A ME COMPARAR COM SEUS EXS!!!!!
— Deixa eu terminar?
— Não. Não quero ouvir sobre seus exs.
— A culpa não é minha se seus exs não te deram histórias legais pra contar.
— Um deles me fazia perder os jogos do Sox
— O QUE?!!
— Do que vocês estão falando agora? — Esquilo resolveu entrar na conversa.
— De carros garoto. De carros.
— E por que você perdia os jogos do Sox? Nada tira você de frente da TV. Jane preferiu prestar atenção na estrada e evitar o olhar furioso de Maura no momento.
— Bruno te fez uma pergunta. Não vai responder Jane? — Pelo canto do olho a morena viu Maura a fuzilando com o olhar, e com braços cruzados aguardando a tal resposta... "merda" Jane pensou
— Bem, eu... Han... Sabe, é que as vezes acontece... han... umas coisas... Han
— Você está em apuros Jan — Esquilo ria, segurando a boca com as mãos.
— E você não colabora né garoto.
— Eu ainda estou esperando a resposta Jane! — Maura bufou
— Você sabe qual a resposta Maura. É meu passado, não há como muda-lo. Assim como você também tem o seu e eu respeito isso.
Maura observou Jane por alguns segundos e depois virou o rosto pra frente.
— Ok — foi tudo que se limitou a dizer.
****
NO AVIÃO
Dentro do avião Maura ainda estava calada, não emburrada, apenas pensativa. Jane acariciou a mão da loira e a olhou de perto.
— Aquela calcinha vermelha de renda não é minha e não faço ideia de como foi parar lá. Eu juro que você é a única pessoa em minha vida e estou completamente satisfeita com você. Maura sorriu timidamente e respondeu "eu sei"
— Então qual o problema Maur? Por que você ainda tá assim?
— Não é nada. Não se preocupe.
— Maur, escute. Eu quero passar o resto dos meus anos ao seu lado, dividir tudo que tenho e sou com você, e preciso que você faça o mesmo pra isso dar certo. Então qualquer preocupação sua, por menor que seja, é minha preocupação também.
— Não se preocupe Jane. Sou apenas eu sendo insegura de novo.
— Então me deixe ser insegura com você. — Jen... — Maura passou a mão pelo cabelo, soltando o ar devagar
— É que as vezes é bom demais pra ser verdade.
— Por que?
— Você, nós... Eu tenho medo de te perder no futuro Jane. Eu sei que um objeto de ouro no anelar não é garantia de nada, o meu pai e o seu são exemplos disso. Tenho medo de não ser o bastante pra você... Eu, eu nunca te fiz perder um jogo do Red Sox. Jane sorriu, "então era esse o problema. Era esse o motivo da insegurança, jogos de basebal, calcinha vermelha de renda, sexo" pensou
— Por que você está rindo Jen? Estou falando sério. É normal diminuir a limbido depois de anos de convivência.
— Maura, relaxa e pára de neura. Te conheço a mais de seis anos, isso é mais do que muitos casamentos por ai e minha libido esta muito bem obrigada. Sim, você tem razão, você nunca me fez perder UM jogo do Sox, mas está me fazendo perder a temporada inteira, afinal agora mesmo está passando um das partidas mais esperada e eu estou aqui, sorrindo com você, feliz por esse momento. E nada no mundo me faria trocar isso. — A loira sorriu — Maur, você também tem razão sobre aliança de casamento não ser garatia de fidelidade, mas sentimento é. E o que eu sinto por você é maior do que tudo que já senti. Eu não vou me interessar por outra pessoa, já tenho você e isso me basta.
— E se for uma mulher muito atraente? Ou um cara muito agradavél aos olhos?
— Eu vou olhar sim, não nego. Mas não passará disso porque tenho orgulho da mulher linda que estará me esperando em casa. Da mulher que me escolheu, mesmo eu sendo rabugenta e tão imperfeita. Você me deu tudo que eu preciso pra ser feliz, e eu sou feliz, muito.
— Desculpa Jane. Você é uma pessoa maravilhosa, — Maura deu alguns selinhos na morena — sou eu que nunca acreditei em finais felizes... É que eu te amo tanto que... só de pensar em te perder eu...
— Então não pense — Jane a abraçou — Você não vai me perder Maura, não vou permitir isso. — Jane a abraçou mais forte.
— Jane, porque você está tremendo? Há algo que você não está me contando?
***
NO HOTEL
— Ninguém atende — Jane olhava decepcionada para o celular — Só da caixa postal. Já tentei Frank, Kikyo e Korsak... Preciso que alguém pegue o relatório pra mim.
— Depois você liga Jane. Vem me ajudar com as malas — Maura colocou uma bagagem na cama e a abriu.
— Você veio passear ou morar aqui? — Jane resmungou ao ver a quantidade de roupas que Maura tirava da bagagem — Que mala grande! Deveriam vender como casa, cabe uma familia e cachorro ai dentro.
— Tive que deixar algumas coisas pra tras.
Jane pegou um sutian vermelho de renda da mala. — Esse aqui é lindo. Usa ele hoje pra mim?
— Não vai dar. Comprei o conjunto aquele dia que você teve que me buscar no shopping, mas perdi a calcinh... Ai meu Deus! A calcinha no seu carro é minha!
— Olha pelo lado positivo. Você poderá usa-lá hoje quando for me pedir desculpas.- Jane pegou a noiva pela cintura e colou seus corpos. Maura sentia falta de como Jane a pegava de jeito, com pegada bruta, mas a morena ultimate estava cansada ou com dores demais. Então aquela noite seria diferente.
Batidas na porta, Esquilo correu para abri.
— Jan! É pra você.
Jane chegou a batente e viu dois homens de terno e um oficial vestindo uniforme logo atrás.
— Jane Rizzoli, poderia nos acompanhar até a delegacia por favor.
— Eu acabei de chegar aqui. Ainda nem tive tempo de sentir o calor de Miami
— Senhora, por favor, nos acompanhe, são só algumas perguntas
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