Apenas um sussuro
26 Apenas um sussurro
Notas iniciais
Últimos acontecimentos em Apenas um Sussurro:
Kikyo: “Frank, se você se meter em mais alguma coisa que ponha sua vida em risco eu te mato!”
Maura: “Eu não quero perder a Jane, prefiro abandoná-la a perdê-la”
Korsak: Kikyo, você é algum tipo de espião?!
Esquilo: “É alguma coisa! Conversa comigo mamãe! Me deixa ser seu filho, confia em mim”
Frank: “Saia desse apartamento Jane! Já faz um mês que você e Maura terminaram. Se eu e Sammy não batemos aqui, você nem iria nos visitar, e Sammy é sua sobrinha caramba!”
Jane: “Nunca deixarei você Maura... Você quer se casar comigo?”
Maura: “Finalmente chegamos em Miami, agora vamos curtir nossas férias!”
— Jan! É pra você – Esquilo se afastou da porta, correndo para abraçar as pernas da mãe.
Jane chegou a batente e viu dois homens de terno e um oficial vestido uniforme azul logo atrás.
— Jane... Rizzoli, poderia nos acompanhar por favor.
— Eu acabei de chegar aqui. Ainda nem tive tempo de sentir o calor de Miami.
— Senhora, por favor, nos acompanhe, são só algumas perguntas.
Jane olhou para Maura e depois retornou seu olhar frio para os homens à porta.
— Há algum mandato que me obrigue a comparecer nesse interrogatório hoje?
— São só algumas perguntas senhora – O homem fardado oscilou.
— Conheço meus direitos rapazes. E por isso, me aguardem amanhã cedo na delegacia, por hora vou curtir meu filho e minha noiva. Estarei lá às 09:00am, a menos que vocês consigam um mandato.
Jane fechou a porta, encostando nela enquanto tomava um pouco de ar. Maura se aproximou preocupada.
— O que será que eles querem?
— Não sei. Mas vamos curtir nosso momento. Amanhã resolvemos isso.
***
O dia passou como um borrão para Jane, os pensamentos a todo o momento a perturbando.
— Já está ficando tarde Bruno — Maura dizia ao pegar a mão pegajosa de sorvete do menino— Está na hora de voltarmos para o Hotel.
— Mas eu nem vi os leões e os macacos... – Resmungou— E as girafas, e as cobras e...
— Amanhã voltaremos ao zoológico, ok? – Jane interrompeu o pegando no colo. – Está na hora da sua soneca rapaz.
Segurou a mão de Maura e seguiram para o quarto de hotel. Após jantarem no restaurante do hotel e colocar Esquilo na cama, Jane decidiu por um banho, Maura a parou no caminho.
— Jane, conversa comigo. Você não está bem?
— Só estou preocupada, só isso, eu juro.
— Você sabe que estou aqui, pra tudo, tudo mesmo.
Jane acariciou o rosto da mulher preocupada a sua frente.— Sim, eu sei meu amor. Vou só tomar um banho e já volto, Ok?
— Te esperarei acordada. – Selou os lábios.
Enquanto a água escorria por seu corpo, Jane sentia um pouco do peso de tantas pensamentos escorregarem pelo ralo, se sentia mais leve, iria dar tudo certo. Tudo certo.
A morena saiu do banheiro, enrolada em uma toalha e secando os cabelos em outra. Sorriu ao ver a loira sentada em sua cama.
— Você é linda. – Maura falou em um sorriso. – Nem acredito que será me esposa. Tenho tanta sorte.
— Calma que a sortuda aqui sou eu. – Jane sentou ao lado da loira. – Te amo Maura.
— Não mais que eu a você. – Iniciou um beijo calmo, que aos poucos foi se tornando quente e guloso.
Com um simples gesto Maura se livrou da toalha que cobria sua noiva e deitou por cima dela.
— Esquilo já dormiu? Tem certeza? – Jane perguntou incerta.
— Bruno estava bem cansado do dia agitado no playground e no zoo, desmaiou na cama em dois segundos. – Maura riu— Nisso ele se parece demais com você.
— Convivência – Jane sentou, puxando a loira para um beijo sedento.— Então tudo que temos que fazer, é não fazer barulho.
Maura se posicionou melhor no colo na noiva.— Há coisas que não posso prometer meu amor.
A morena sorriu e retornou ao beijo, passando as mãos pelos vestido da loira. – Por que você ainda está vestida isso se eu já estou nua?
— Por que você ainda não tirou. – Maura disse sensualizando a voz.
A morena virou, a jogando a mulher na cama, atacando o zíper lateral do vestido retrô azul, enquanto distribuía beijos ao longo do pescoço pálido.
— Você me enlouquece sabia? – Sussurrou no ouvido da loira. Puxou o vestido por baixo, admirando o corpo que tanto amava.
Deitou novamente, iniciando um beijo ansioso.
— Jane — Maura parou o beijo, olhando nos olhos da noiva— Me deixa te conduzir essa noite? Quero experimentar como é... Fazer... Você sabe... Com o presente de Kikyo.
Jane sorriu— Ah! Você quer dizer com o martelo? – Ambas riram
— Por favor, não me lembre daquela cena. Quase traumatizei meu filho.
— Tudo bem. Eu deixo. — sorriu
Jane deitou de costas na cama, enquanto Maura foi até a mala delas.
— E você trancou a porta né? – Jane disse em tom divertido.
— Com certeza. O quarto dele é logo ao lado, melhor prevenir. — Maura disse ao retornar com o “presente de Kikyo” e um produto.— Você tem certeza? Não precisa fazer se não quiser.
— Eu quero.
Maura colocou o “presente” e deitou sobre a noiva, distribuindo beijos ao redor de seu corpo, indo rumo ao sul.
— Não, hoje não. – Jane segurou nos cotovelos da loira, a puxando para cima novamente ao perceber sua intenção. Maura a olhou por um instante, receosa.
— Ok. – Retornou ao beijo. Jane não estava bem, e a loira faria de tudo por ela, para que ela se sentisse bem
— Estou bem, é sério meu amor. – Jane disse entre o beijo, percebendo como a outra ficou calada.
Maura pegou o produto sobre a o criado mudo ao lado da cama.
— Então vou usar isso. É lubrificante. — Jane apenas concordou com um menear de cabeça.
— Ai!
— Te machuquei?! — Maura perguntou receosa, olhos arregalados analisando a morena
— Não, apenas isso é gelado. – apontou o produto que a loira havia devolvido ao criado mudo.
Maura soltou o ar aliviada e se posicionou melhor sobre as pernas da noiva, recomeçando o movimento, novamente.
Entrou com certa resistência inicial, mas logo preencheu a morena. Jane segurou o rosto da loira com as duas mãos e iniciou um beijo enquanto recebia estocadas leves, carinhosas. Logo a respiração ficou mais rápida e pesada, os movimentos aceleram um pouco e ficaram mais profundos, gemidos já se misturavam com o som molhado do beijo.
Jane recebeu uma leve mordida no lábio inferior enquanto Maura aumentou mais o ritmo e iniciou um movimento mais forte, fazendo a morena jogar a cabeça para trás e morder o próprio lábio de prazer enquanto fechava com força os olhos.
As molas da cama rangiam um pouco mais alto dessa vez enquanto Jane sentia a vibração dançando em seu ventre e mamilos, a sensação do prazer.
Maura encostou sua cabeça no ombro da morena e distribuiu melhor o peso entre seus cotovelos, conseguindo atingir mais fundo e forte dentro de sua amada, enquanto sentia as alças do “presente” a massageando no lugar certo. Os gemidos oprimidos pelo silêncio estavam enlouquecendo à morena que não tinha mais controle sobre o próprio corpo, os quadris indo de encontro aos movimentos de Maura.
— Isso amor, mais forte — Jane sussurrou no ouvido da loira enquanto se agarrava aos lençóis. Tentaram iniciar um beijo, mas logo foi interrompido pela falta de fôlego. Jane percebeu o quanto Maura estava ofegante, não pelo esforço, mas sim por estar quase atingindo seu ápice também.
— Goza comigo amor — A morena falou, apenas com um sussurro.
Apenas um sussurro...
Apenas um sussurro foi o suficiente para Maura gemer e intensificar as estocadas, se levantando um pouco, mãos espalmadas na cama enquanto admirava sua noiva se contorcendo embaixo de si, mal acreditando no prazer que estava proporcionando e sentindo.
Sentiu o movimento ficar mais difícil, Jane estava fechando suas paredes, se preparando para o alívio. E Maura sentiu um nó se formando em seu ventre, suas pernas tremendo um pouco.
Mais algumas estocadas difíceis e ambas, chegaram juntas ao clímax, sentindo o corpo relaxar de imediato. Maura deitou sobre a noiva, a respiração ainda acelerada.
Jane estava no céu para ser honesta com ela mesma, braços pequenos de Maura ao redor dela a fez se sentir segura e amada, ela deixou a paixão obter o melhor dela. Colocou a cabeça na curva do pescoço da loira e deixou enquanto a abraçava forte e deixou algumas lágrimas silenciosas escaparem. Que diabos estava acontecendo? Por que ela estava chorando durante o sexo? Ela não podia responder a si mesma, ela só sabia o quão boa ela se sentiu.
Nenhuma palavra foi dita, elas apenas ficaram lá, ainda entrelaçadas.
Maura não queria interromper o contato, ela simplesmente segurou-se a noiva e ficaram assim por mais alguns minutos antes de Jane afrouxar o abraço e virar — se na cama. Porém soltou um suspiro de alívio quando sentiu Maura deitar ao lado dela depois de tirar o brinquedo. A loira virou de lado, "Abraça-me", murmurou.
Jane virou de lado e colocou os braços ao redor da loira.
— Vai dar tudo certo meu amor... Eu estou aqui, não esqueça disso – Maura sussurrou. — Eu te amo
— Eu sei... Obrigada – Jane disse e plantou um beijo casto no ombro da noiva— Também te amo.
***
POV Jane
Imaginei se deveria ter lido meu horóscopo, talvez isso explicasse o que estava acontecendo. Poderia muito bem haver, em algum lugar de Miami, pessoas com muito conhecimento, talvez sacerdotes, sacudindo suas cabeças e murmurando: “Ahhh, Júpiter está retroagindo numa lua de Saturno”, e servindo outra xícara de chá de ervas enquanto andavam com suas sandálias. E eu aqui, em uma delegacia esperando para ser interrogada por sei lá o que.
— Bruno, senta aqui comigo. Deixa o policial quieto – Maura dizia pela terceira vez, e se controlar um garoto já é difícil, imaginar controlar três?! Minha mãe é uma guerreira, com certeza.
— Jane Rizzoli, entre por favor. – Um oficial me chamou.
***
POV Maura
Enquanto esperava Jane ser interrogada, e assistia Bruno fazer um castelo com copos descartáveis limpos, minha mente não parava de fazer questionamentos. Alguma coisa estava acontecendo, e eu preciso urgente saber o que é.
Por um instante comecei a analisar tudo com outra abordagem.
No dia que o despachante me passou o endereço da vitima Xena, na hora percebi que quem quer que a matou, estava tentando se livrar do corpo. Ele não terminou o processo. Naquele mesmo dia conheci a Kikyo, e passamos de ódio à amizade. Quatro dias depois meu novo assistente chegou e tanto Jane como Kikyo implicou com ele, o chamando de Japinha ou chinesinho.
E na festa surpresa para a Susie. O Marcos, carinhosamente chamado de barbicha de bode fez presença e começou a nos atormentar e a me cantar, coisa que ele jamais havia feito antes. Depois mais corpos apareceram com projeteis estranhos e Jane virou uma suspeita. Os projeteis apenas a Kikyo conhecia. E por falar nisso ela é um grande mistério.
Isso tem alguma relação com tudo. O que não estou conseguindo enxergar?
Alguém rackeou meu Notebook, então quem quer que esteja por trás de tudo isso tem um grande conhecimento de computador e de armas, e deveria ser alguém bem próximo a nós.
AI MEU DEUS NÃO! NÃO PODE SER A KIKYO!! Passei as mãos no cabelo, isso não podia ser verdade. Ela foi da balística e conhece muito sobre armas e munições, sempre está ao nosso redor, foi para a administração do DP e conhece muito sobre computadores. Ela não Meu Deus! Então me virei e me assustei com quem conversava com Esquilo.
— Você aqui? – Perguntei assustada
***
POV Jane
Estive em muitas salas de interrogatório da polícia e, sinceramente, a da delegacia de Miami era bem comum. Mas parecia um pouco diferente desta vez, pois eu estava do lado errado da mesa. Não tinham me algemado, o que achei muito legal da parte deles, mas também não pareciam querer me deixar ir a lugar nenhum.
Então fiquei lá sentada enquanto uma detetive veio primeiro me perguntar sobre minha suspensão do trabalho e sobre eu ser supostamente suspeita de um caso que era meu e depois, vários outros detetives iam e vinham, rosnando as mesmas perguntas e, em seguida, desaparecendo novamente. Cada vez que a porta se abria, e fechava, eu me irritava mais.
Eu me esforcei muito para ser paciente e responder às quatro perguntas-padrão que a polícia de Miami continuava me fazendo, não importasse quantas vezes as fizessem, e também me esforcei para lembrar que, desta vez, eu realmente era completamente inocente e não tinha com que me preocupar. Cedo ou tarde, eles teriam que me deixar ir.
Mas eles pareciam não ter nenhuma pressa e, depois de mais ou menos uma hora, durante a qual nem sequer me ofereceram café, pensei que talvez precisasse incentivá-los. Assim, quando o quarto detetive entrou, se sentou à minha frente e me informou pela terceira vez que este era um assunto muito sério, me levantei e disse:
— Sim, é mesmo. Você está me segurando aqui sem nenhuma razão e sem me acusar formalmente, quando não fiz absolutamente nada de errado.
— Sente-se, Rizzoli — o detetive respondeu.
Ele tinha cerca de 50 anos e parecia ter sido espancado algumas vezes, e senti que mais uma surra seria merecida, pois tinha dito meu nome como se achasse engraçado, e apesar de normalmente ser muito paciente com estupidez, afinal, há muita por aí, aquela era a gota d’água.
Então coloquei meus dedos sobre a mesa, me inclinei na direção dele e soltei toda a indignação dos justos que realmente sentia.
— Não — falei. — Não vou me sentar. E não vou responder as mesmas perguntas várias vezes. Se não vão me acusar de nada e não vão me deixar ir, quero um advogado.
— Olha — ele falou com uma intimidade cansada. — Sabemos que você é do Departamento de Polícia de Boston. Um pouco de cooperação profissional não iria doer, não é?
— Em mim não doeria nem um pouco mesmo — respondi. — Contanto que você me solte imediatamente, pretendo colaborar o máximo possível com o seu departamento de Assuntos Internos.
O detetive tamborilou os dedos sobre a mesa por alguns segundos e parecia pensar que poderia aguentar. Então bateu na mesa de leve, se levantou e saiu sem dizer mais nada.
Demorou apenas mais cinco minutos até aquela primeira detetive voltar. Ela não parecia feliz, mas talvez não soubesse como fazer isso. Ela segurava uma pasta de documentos em uma das mãos e batia essa contra a outra, e me olhou como se quisesse me culpar pelo déficit do orçamento federal.
Mas não disse nada, apenas olhou, bateu na pasta algumas vezes e depois balançou a cabeça.
— Você pode ir — ela falou.
Levantei, dei as costas para ela e passei pela porta, ao olhar o corredor vazio, voltei e coloquei a cabeça novamente na sala de interrogatório que tinha sido minha casa nos últimos noventa minutos.
— Detetive. Onde estão minha noiva e filho?
Ela soltou a pasta, suspirou e veio até a porta. — Foram embora
— Ah, certo. Eles puderam ir em uma viatura de polícia?
— Não, podíamos ficar encrencados. Estamos com problemas de orçamento.
— Bom, imagino que não os colocaram sozinhos em um táxi, não é? Sem me esperar — Falei e admito que estava ficando irritada com ela e com todo o departamento de polícia de Miami
— Não, claro que não — ela falou com um pouco mais de espírito do que tinha demonstrado até agora. — Eles foram com um conhecido.
Só consegui pensar em uma ou duas pessoas que seriam conhecidas por Maura, e como chamei Korsak, Frank e Kikyo para nos encontrarem aqui urgente, por um momento senti uma pequena fagulha de esperança: talvez alguns deles ficaram sabendo e as coisas finalmente estavam melhorando.
— Ah, que bom. Foi com meu irmão? Detetive Frank Rizzoli
A detetive piscou e sacudiu a cabeça.
— Não. Mas está tudo bem, eles reconheceram. Não sei exatamente quem foi, só sei que era alguém asiático.
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