Apenas mas uma de amor

67 Renesmee- Sequestro



Terminei de atender minha última paciente da manhã, mas aquela sensação de aperto no peito não me deixava em paz. Era como um aviso silencioso que eu não conseguia ignorar. Pensei nas meninas. Peguei meu celular e disquei rapidamente o número de Aurora.

Ela atendeu após o terceiro toque.

– Oi, mamãe! – sua voz infantil e cheia de alegria trouxe um pequeno alívio.

– Oi, meu amor. Onde vocês estão?

– Estamos no Discovery Park, almoçando! A vovó trouxe um monte de coisas gostosas – respondeu animada. – O papai também ligou. Ele parecia preocupado.

Eu disfarcei o incômodo na voz.

– Ah, ele só queria saber de vocês. Passa o celular para a vovó, por favor?

– Tá bom, mamãe! – disse Aurora antes de chamar por Sarah.

A voz serena de minha sogra veio logo em seguida.

– Renesmee, querida, está tudo bem?

– Sim, Sarah. Só quis saber como vocês estão.

– Estamos ótimos. O parque está cheio, mas Embry e Brad estão conosco. Eles ficaram de olho nas crianças enquanto Billy e eu arrumamos a comida. Não se preocupe.

Eu respirei fundo, tentando afastar aquele aperto que insistia em me incomodar.

– Fico mais tranquila sabendo disso. Obrigada, Sarah. Cuide das crianças, por favor.

– Sempre, minha querida. Aproveite seu trabalho, e não se preocupe, tudo está sob controle.

Desliguei o telefone e saí rapidamente da sala. Meu coração ainda estava inquieto, e eu sabia que precisava agir. Ao chegar ao estacionamento, encontrei Jared dentro de seu veículo, olhando distraído para o celular.

– Jared, preciso que vá até o Discovery Park – disse sem rodeios.

Ele franziu a testa, confuso.

– Por quê? Você está segura aqui, Nessie.

– Não é sobre mim – interrompi. – Sarah e Billy estão lá com as crianças, mas quero que você e os outros deem suporte a Embry e Brad. Algo não está certo, Jared.

– Nessie, o Jacob não vai gostar disso.

– Eu me entendo com meu marido – retruquei com firmeza, olhando-o diretamente nos olhos.

Ele hesitou por um momento, mas assentiu.

– Tudo bem. Vou para lá agora.

– Obrigada. Me avise se houver qualquer coisa.

Jared saiu em direção ao parque, enquanto eu ficava para trás, ainda com aquele aperto no peito. Algo me dizia que aquele dia estava longe de terminar tranquilo.

...

O caso havia sido repassado para mim por Nahuel Carter, um dos cirurgiões pediátricos mais competentes que já conheci. Ele entrou na minha sala com a habitual calma e objetividade.

– Renesmee, precisamos operar uma paciente de seis anos com apendicite aguda complicada. Está pronta para me ajudar? – perguntou, o tom profissional mas amigável.

Assenti, levantando-me imediatamente.

– Claro, Nahuel. Vamos cuidar disso.

Seguimos juntos para o centro cirúrgico. A pequena Emily Harper estava sedada e conectada aos monitores. A equipe já havia preparado a área e ajustado os equipamentos. Nahuel fez a primeira incisão enquanto eu auxiliava, mantendo a atenção nos detalhes.

– O apêndice está bastante inflamado – comentou ele, concentrado.

– Parece que houve início de perfuração – acrescentei, enquanto ele fazia a remoção do órgão com precisão.

Trabalhamos em sincronia, limpando a cavidade abdominal e garantindo que nenhuma infecção secundária se espalhasse. Depois de cerca de 45 minutos, finalizamos com sucesso.

Enquanto Nahuel começava a fechar a incisão, senti uma pontada no peito. Uma dor rápida, mas aguda. Meu corpo reagiu com um leve tremor, o que não passou despercebido.

– Está tudo bem, Renesmee? – Nahuel perguntou, a preocupação evidente em sua voz.

Respirei fundo, disfarçando.

– Sim, estou bem. Só preciso de um momento para me recompor depois daqui.

Ele assentiu, mas continuou me observando até que saímos do centro cirúrgico.

Após trocar de roupa, fui para a sala de descanso. O espaço estava mais movimentado do que o normal, com um grupo de enfermeiros atentos à TV. Peguei minha bolsa e meu celular enquanto meus olhos captaram as manchetes.

"Grave acidente entre dois veículos na Aurora Avenue, próximo ao Discovery Park. Informações preliminares indicam feridos e grande congestionamento."


O sangue pareceu gelar nas minhas veias. Era a mesma área onde as crianças estavam com Sarah e Billy. Antes que pudesse pensar, meu celular vibrou em minha mão. Olhei o visor: Jacob.

– Jacob? – atendi imediatamente, a voz trêmula.

Assim que Jacob falou que houve um acidente envolvendo seus pais e as crianças, senti como se o chão tivesse sido arrancado dos meus pés. Minha respiração ficou curta, e minhas mãos tremiam tanto que mal consegui segurar o celular.

– Como... como estão as meninas, Jacob? – minha voz saiu em um sussurro, quase inaudível.

Do outro lado da linha, ele hesitou.

– Não sei ainda, Ness. Ninguém está atendendo as ligações. Nem Embry, nem Jared. Só sei que houve um acidente grave e que estou indo para o Harborview Medical Center agora.

Uma enfermeira que estava por perto percebeu meu estado e segurou meu braço para me apoiar.

– Renesmee, você está bem? – perguntou, a voz gentil, mas preocupada.

Ignorei a pergunta, focada apenas no que Jacob estava dizendo.

– Estou indo para lá também – respondi, minha voz mais firme, apesar do caos na minha mente.

– Nessie, por favor, dirija com cuidado. Não precisa se apressar. Eu te mantenho informada – disse ele, tentando soar tranquilizador.

Mas como eu poderia ter calma quando as minhas filhas estavam no meio de tudo isso? Desliguei o telefone e saí apressada, agradecendo brevemente à enfermeira que ainda me observava com preocupação.

O trajeto até o hospital foi um borrão. Meu coração estava acelerado, e pensamentos sombrios invadiam minha mente. Ao chegar ao Harborview Medical Center, estacionei às pressas e entrei correndo na recepção, onde avistei Jacob, Rachel, Renata, alguns policiais, e Embry e Jared, ambos com ferimentos visíveis, mas aparentemente bem.

– Jacob! – chamei, minha voz trêmula. Corri até ele, que imediatamente me envolveu em um abraço.

– Cadê as meninas? – perguntei, me afastando apenas o suficiente para olhar em seus olhos.

Ele respirou fundo, o rosto marcado pela tensão e pela culpa.

– Elas... desapareceram, Nessie.

Por um momento, senti como se o mundo tivesse parado.

– O quê? Como assim desapareceram? Onde estão Sarah e Billy? – perguntei, a voz subindo com o pânico.

Rachel se aproximou, colocando uma mão no meu ombro.

– Os médicos estão com eles. Estão feridos, mas vivos. Embry e Jared estavam seguindo o carro quando foram jogados para fora da pista e capotaram não viram quando o acidente aconteceu. Eles tentaram proteger todos... mas, Nessie, quando chegaram ao local, as crianças não estavam mais lá.

Meu coração parecia estar sendo esmagado dentro do peito.

– Isso não pode estar acontecendo... – murmurei, as lágrimas ameaçando cair.

Jacob colocou as mãos nos meus ombros, tentando me acalmar.

– A polícia está envolvida. Já começaram as buscas. Vamos encontrar nossas meninas, Nessie. Prometo a você.

Eu queria acreditar nele, mas o aperto no meu coração só aumentava. Hope, Aurora, Ryan... onde estavam? E quem estava por trás disso?

...

Renata se aproximou, o rosto ainda mais pálido do que de costume. Ela parecia hesitante, mas havia algo em seus olhos que me fez temer ainda mais.

– Renata? – perguntei, sentindo minha voz vacilar.

Ela respirou fundo antes de começar:

– Meus pais foram libertados, Nessie.

Por um instante, a notícia pareceu ser algo bom, mas logo percebi que havia algo mais.

– Acho que Tom os soltou de propósito... para desviar a atenção. Ele sabia que o foco principal não era mais meus pais. Ele queria as crianças.

O ar pareceu escapar dos meus pulmões. Minhas pernas enfraqueceram, e Jacob precisou me segurar antes que eu caísse.

– Não... Não pode ser verdade! – exclamei, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. – Ele não pode ter feito isso!

Jacob me envolveu em seus braços com força, tentando me transmitir calma.

– Nessie, vamos encontrá-los. Eu prometo. As crianças são fortes, e nós vamos trazê-las de volta. Não importa o que seja necessário.

– Você não entende, Jake... É Tom! Ele não tem limites. Ele vai machucá-los! – exclamei, tremendo.

Jacob segurou meu rosto com as duas mãos, forçando-me a olhar para ele.

– Ele não vai machucar ninguém. Ele já perdeu antes, e vai perder de novo. Confie em mim, Renesmee. Vamos achar as crianças.

Antes que eu pudesse responder, meu celular começou a vibrar. Olhei para a tela e vi um número desconhecido. Um calafrio percorreu minha espinha.

– Atende – Jacob disse, a voz firme.

Com as mãos trêmulas, deslizei o dedo pela tela e coloquei o celular no ouvido.

– Alô? – minha voz saiu quase inaudível.

– Mamãe? – ouvi a voz trêmula e assustada de Aurora.

– Aurora! Meu Deus, onde vocês estão? Você está bem? – perguntei, desesperada, meu coração disparando.

– Eu... eu não sei onde estamos... Estou com medo, mamãe... – a voz dela soava fraca, carregada de nervosismo.

Antes que eu pudesse dizer algo mais, outra voz entrou na linha. Era masculina, fria e carregada de sarcasmo.

– Oi, ruivinha. Quanto tempo, não é? Aposto que lembra de mim.

Meu corpo gelou instantaneamente, e eu mal consegui sussurrar:

– Tom.