Apenas mas uma de amor
68 Renesmee - Troca
O ar parecia me faltar enquanto segurava o celular. Meus dedos tremiam, e a visão começou a embaçar com as lágrimas. Eu olhei para Jacob, e ele imediatamente percebeu o terror em meus olhos.
– Ele... é o Tom – consegui sussurrar.
Um dos policiais se aproximou rapidamente.
– Continue falando com ele, senhora Black. Isso pode nos ajudar a localizar a ligação.
Respirei fundo, tentando conter o pânico.
– Tom, por favor... não machuque minhas crianças – implorei, sentindo minha voz vacilar.
Do outro lado da linha, ele riu, uma risada baixa e cruel que fez minha pele arrepiar.
– Calma, ruivinha. Eu não vou machucar ninguém. Ainda não – ele disse, com a voz carregada de sarcasmo. – Aurora... ela é uma menina esperta, sabia? Acho que ela pode até ser minha filha.
Minha respiração ficou presa no peito, e meu coração parou por um momento.
– Não... – murmurei, incapaz de processar o que ele havia dito.
Antes que pudesse reagir, Jacob arrancou o celular da minha mão.
– Escuta aqui, seu desgraçado! Se você tocar em um fio de cabelo das minhas crianças, eu vou acabar com você! – ele rosnou, a voz cheia de ódio.
Tom riu novamente.
– Sempre tão impulsivo, Jacob. Mas não se preocupe, a diversão está só começando.
Antes que Jacob pudesse responder, a ligação foi encerrada.
– Droga! – Jacob gritou, apertando o celular com força.
Um dos policiais se aproximou novamente.
– Ele disse alguma coisa que possa nos ajudar? Alguma pista?
Mas eu não conseguia falar. Apenas balancei a cabeça enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto. Jacob largou o celular e me puxou para um abraço apertado.
– Dá um tempo para ela – Jacob pediu ao policial, sua voz agora mais controlada, mas ainda carregada de raiva.
O policial assentiu e se afastou, deixando-nos sozinhos. Jacob me levou até o sofá e me ajudou a sentar. Ele segurou minhas mãos, tentando acalmar meus tremores.
– Nessie, escuta – ele disse, olhando fundo nos meus olhos. – Nós vamos encontrar as crianças. Vamos encontrar esse desgraçado e acabar com isso. Você precisa confiar em mim.
Eu queria acreditar nele. Queria acreditar que tudo acabaria bem, mas o medo me consumia por dentro.
– E se for tarde demais, Jake? – sussurrei, a voz embargada.
Ele segurou meu rosto entre as mãos, a expressão determinada.
– Não vai ser tarde demais. Prometo a você, Renesmee. Nós vamos trazê-los de volta.
...
O ambiente estava mergulhado em uma penumbra aconchegante. Apenas a luz do abajur iluminava o quarto, criando sombras suaves nas paredes. Senti minha cabeça pesada, e só então percebi que havia apagado. A lembrança de Rachel me obrigando a tomar um calmante emergiu em minha mente.
Levantei lentamente, os pés descalços tocando o chão frio. Meu corpo estava rígido, como se toda a tensão acumulada estivesse presa nos músculos. Abri a porta do quarto e desci as escadas.
A visão da sala cheia de policiais, além de Embry, Paul, Rachel, Rebecca e Renata, me deixou momentaneamente paralisada. As vozes eram abafadas, mas havia uma energia urgente no ar.
Jacob me viu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Ele atravessou a sala em passos largos e me envolveu em um abraço.
– Você está melhor? – ele perguntou, a voz baixa e carregada de preocupação.
Assenti, tentando oferecer um sorriso que não chegou aos meus olhos.
– Sim, estou... melhor – murmurei, ainda sentindo o peso no peito.
Jacob me analisou por um momento, os olhos buscando qualquer sinal de fraqueza, mas pareceu satisfeito com minha resposta. Ele colocou a mão em minha cintura, me guiando até os policiais.
– Senhora Black – um dos policiais disse, endireitando-se ao me ver. – Estamos coordenando esforços para encontrar Tom e as crianças. As próximas horas são cruciais.
Minha garganta apertou, mas eu fiz um esforço para manter a calma.
– Cruciais... como? – perguntei, minha voz quase falhando.
– Montamos barreiras em todas as saídas da cidade. Cada estrada, terminal de ônibus e aeroporto está sob vigilância. Temos equipes trabalhando em turnos para garantir que ele não saia de Seattle.
Jacob apertou minha mão, me dando forças enquanto eu absorvia as informações.
– E... e se ele já tiver saído? – sussurrei, o medo escapando pela minha voz.
– As barreiras foram ativadas rapidamente. Temos quase certeza de que ele ainda está dentro dos limites da cidade – o policial garantiu.
Embry, ao lado, interveio.
– Ness, acredite, ninguém vai descansar até encontrarmos eles. Você tem nossa palavra.
Jacob inclinou-se para falar no meu ouvido.
– Vamos sair dessa, Renesmee. Eles vão encontrar o Tom, e nós vamos trazer as crianças de volta. Confie em mim.
Eu queria acreditar. Precisava acreditar. Mas, naquele momento, tudo o que eu conseguia sentir era um buraco crescente no meu coração.
A cozinha estava silenciosa, exceto pelo som suave do vento lá fora e o leve tilintar das xícaras enquanto Rachel, Rebecca e eu tomávamos chá. O calor da bebida parecia ser a única coisa que aquecia meu corpo naquela noite fria e interminável.
Rachel estava ao meu lado, os olhos cansados mas atentos, tentando me passar a força que eu mesma não conseguia encontrar. Rebecca, com as mãos em volta da xícara, parecia perdida em pensamentos, mas ainda assim me lançou um olhar encorajador.
– Nessie, tudo vai dar certo – Rachel disse, com uma firmeza que quase me convenceu. – Eles vão encontrar as crianças, e Tom não vai escapar dessa vez.
Assenti vagamente, ainda me sentindo desconectada da esperança que ela tentava transmitir.
– Rebecca – comecei, hesitando antes de continuar –, você e Jacob... vocês estão bem?
Ela ergueu o olhar para mim, surpresa pela pergunta. Seus olhos refletiam um misto de cansaço e emoção.
– Sim, estamos bem – respondeu com um leve sorriso. – Quando cheguei, ele me abraçou como há muito tempo não fazia. Acho que ele precisava disso tanto quanto eu. Papai e mamãe pediram para que eu viesse vê-lo. Eles sabem o quanto ele está sofrendo.
– Fico tranquila em saber disso – murmurei, sentindo um pequeno alívio em meio ao caos. Jacob precisava de apoio, assim como eu, e saber que ele estava recebendo esse carinho me confortava de alguma forma.
O som suave de passos anunciou a entrada de Renata na cozinha. Seus olhos estavam vermelhos, e ela segurava os braços como se tentasse se proteger de um frio invisível.
– Posso... tomar um pouco do chá? – perguntou, com a voz baixa e hesitante.
Assenti, compreendendo sua dor. Ela estava sofrendo tanto quanto eu por Ryan, e naquele momento, a solidariedade nos unia.
Rachel se levantou ligeiramente, puxando uma cadeira ao lado dela.
– Sente-se, Renata – disse com um tom acolhedor. – Chá sempre ajuda.
– Obrigada – respondeu Renata, se aproximando e se acomodando ao nosso lado.
Enquanto Rebecca servia o chá para ela, meu celular vibrou em cima da mesa. Meu coração acelerou, e eu o peguei rapidamente. A tela acendeu com uma mensagem de um número desconhecido, mas o conteúdo deixou meu sangue gelado.
"Vamos negociar a liberdade das crianças, mas não conte a ninguém."
Engoli em seco, sentindo minhas mãos começarem a tremer. Disfarcei o máximo que pude, colocando o celular de volta na mesa.
– Com licença, eu... preciso ir ao banheiro – anunciei, tentando soar natural.
Rachel e Rebecca assentiram, e Renata me lançou um olhar compreensivo. Saí da cozinha com passos rápidos, a mensagem gravada em minha mente e a sensação de que estava prestes a tomar uma decisão que poderia mudar tudo.
Fechei a porta do banheiro e travei a maçaneta, minhas mãos ainda tremendo ao desbloquear o celular. Pressionei o número desconhecido que havia enviado a mensagem. O som da chamada foi curto antes de a linha ser atendida.
– Oi, ruivinha – a voz de Tom ressoou do outro lado com um tom frio e calculado.
Senti meu coração apertar, mas mantive a voz firme. – Onde estão minhas filhas, Tom?
– Calma, Nessie. Elas estão comigo. Aurora, Hope e Ryan estão bem... por enquanto – ele enfatizou, fazendo meu estômago revirar. – Mas vamos ao que interessa.
– Diga o que quer. Só não machuque as crianças! – pedi, quase implorando.
– Eu não vou machucá-las, desde que você faça exatamente o que eu digo – respondeu ele, com uma falsa tranquilidade. – Você vem me encontrar. Sozinha.
– Onde? – perguntei, minha mente já correndo com possibilidades desesperadas.
– No Pike Place Market, ao lado do balcão de peixes. Sabe onde é, não é?
Assenti, mesmo sabendo que ele não podia me ver. – E as crianças? Quero vê-las antes de fazer qualquer coisa.
Ele riu, um som frio que fez minha pele arrepiar. – Claro, você verá as crianças... quando eu tiver você. Será uma troca, Renesmee. Você pelas crianças. Mas se eu desconfiar que você envolveu a polícia ou qualquer outra pessoa, pode esquecer de vê-las novamente.
Minhas mãos apertaram o celular com força. – Eu vou. Não vou contar a ninguém.
– Ótimo. Te espero em uma hora – disse ele, antes de desligar sem outra palavra.
Abaixei o celular, meu coração batendo descontroladamente. Olhei meu reflexo no espelho, tentando recuperar o controle. Eu precisava sair daquela casa sem ser vista.
Abri a porta do banheiro e segui pelo corredor, com passos cuidadosos. Ao chegar na sala, percebi que Rachel, Rebecca e Renata não estavam mais na cozinha. Aproveitei a oportunidade e atravessei até lá.
Peguei uma das chaves reservas que Jacob sempre deixava em uma gaveta próxima à geladeira e saí pelos fundos. Dei a volta em torno da casa, tomando cuidado para não ser vista pelas janelas, e entrei no meu carro estacionado na lateral.
Quando liguei o motor, quase pulei de susto ao ver Renata surgir na janela do lado do passageiro.
– Eu vou com você – disse ela, sem hesitação, sua expressão determinada.
Olhei para ela, surpresa e dividida entre recusar e aceitar. Mas algo na forma como ela me encarava fez com que eu soubesse que ela não aceitaria um não como resposta.
– Entra – respondi, destravando a porta. Ela entrou rapidamente, e eu engatei a marcha, dirigindo para o encontro com Tom enquanto meu coração batia forte, sabendo que estava prestes a arriscar tudo.
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