Apenas mas uma de amor
20 Renesmee- O retorno a Roosevelt High
Nessie
Um mês havia se passado desde aquele dia terrível. Ainda me sentia presa a um ciclo de medo e ansiedade. A sensação de vulnerabilidade era sufocante, e a ideia de voltar à escola parecia insuportável. Jacob, minha família, e até a família dele tinham sido meu porto seguro nesse período. Mas eu sabia que estava adiando o inevitável.
Eu estava na sala de estar, os livros abertos à minha frente, tentando focar em alguma tarefa escolar, quando a campainha tocou.
— Eu atendo! — ouvi minha mãe dizer, indo até a porta.
Segundos depois, a voz familiar de Jacob ecoou pela casa.
— Oi, Bella. Cheguei bem na hora do almoço? — ele brincou, entrando com aquele sorriso que sempre conseguia iluminar até os dias mais sombrios.
Eu levantei os olhos e, instintivamente, sorri para ele. Jacob se aproximou de mim, abaixando-se para deixar um beijo suave na minha testa.
— Oi, ruivinha. Como estão as coisas por aqui?
— Na mesma — respondi, fechando o livro que tinha em mãos.
Bella apareceu na sala, carregando um pano de prato.
— Bem, você chegou na hora certa, Jake. Fique para o almoço.
— Não vou recusar um convite desses — ele respondeu, piscando para mim antes de se sentar ao meu lado no sofá. Ele olhou para os livros espalhados e soltou um suspiro. — Nessie, as provas finais estão chegando.
Eu sabia exatamente o que ele queria dizer, mas desvie o olhar, fingindo estar ocupada reorganizando os papéis à minha frente.
— Sei disso — respondi, tentando parecer despreocupada.
Jacob trocou um olhar rápido com Bella antes de continuar.
— Olha, eu sei que tocar nesse assunto é difícil, mas você precisa pensar em voltar para a escola. Não por causa das provas, mas por você mesma.
Mamãe se sentou na poltrona próxima, cruzando as pernas.
— Jake tem razão, Nessie. Sabemos o quanto isso é assustador, mas você não pode deixar que o que aconteceu defina o restante da sua vida. Estamos todos aqui para te apoiar.
— Eu sei disso — murmurei, sentindo um nó na garganta. — Mas não é tão simples.
Jacob estendeu a mão, tocando meu ombro.
— Eu sei que não é, ruivinha. Mas você é muito mais forte do que pensa. E, além disso, eu tenho uma surpresa que talvez torne as coisas um pouco mais fáceis.
— Surpresa? — perguntei, curiosa apesar de mim mesma.
— Sim — ele respondeu, com um sorriso enigmático. — Mas só vou contar se você prometer que vai considerar dar esse passo.
Suspirei, olhando para os dois. Eu sabia que eles estavam certos, mas enfrentar meus medos parecia uma montanha impossível de escalar.
— Tudo bem — cedi, sentindo meu coração acelerar. — Eu vou tentar.
Jacob sorriu, satisfeito, e bagunçou meu cabelo de leve.
— Isso é o que eu queria ouvir. Agora, sobre a surpresa... Bem, vou te deixar curiosa por mais um tempo.
Mamãe riu, e pela primeira vez em semanas, senti uma pontinha de esperança começar a crescer em meu peito. Talvez, só talvez, eu conseguisse enfrentar isso.
Nessie
O almoço foi como sempre era quando Jake estava presente: leve, animado e cheio de risadas. Ele tinha o dom de fazer tudo parecer mais fácil, mais suportável. Depois da sobremesa, nos sentamos no tapete da sala, rodeados de papéis e livros, enquanto tentávamos terminar os últimos trabalhos escolares.
Jake rabiscava algo em seu caderno quando olhou para mim com um sorriso no rosto.
— Ah, esqueci de te contar — disse ele casualmente.
— Contar o quê? — perguntei, levantando os olhos do meu livro.
— O grupo do baile de formatura usou a sua sugestão para o tema.
Meus olhos se arregalaram de surpresa.
— Sério? Qual delas?
— O “Baile das Estrelas”. Eles acharam perfeito.
Senti meu coração se aquecer. Era bom saber que, mesmo afastada, algo meu ainda fazia parte daquele evento.
— Fico feliz em saber disso. — Sorri, voltando minha atenção para o livro, mas percebi que Jake ainda me observava.
— E tem mais uma coisa — ele continuou, cruzando os braços enquanto me olhava. — A professora não te tirou da equipe de organização.
Levantei a cabeça novamente, confusa.
— Como assim?
— Ela disse que você ainda é parte da equipe. Disseram que você fez muita falta nas reuniões, mas entenderam o motivo.
Percebi o que ele estava tentando fazer. Jake estava usando todas as coisas boas que ainda me conectavam à escola para me convencer a voltar. Ele tinha razão, mas isso não tornava o desafio menos assustador.
Suspirei e encarei meu caderno por alguns segundos antes de olhar para ele.
— Talvez eu possa tentar ir amanhã... — disse hesitante. — Mas se eu não conseguir...
Antes que eu pudesse terminar, Bella, que estava sentada no sofá lendo um livro, se inclinou para frente.
— Se não conseguir, tudo bem — ela disse com um tom suave. — Seu pai e eu estaremos lá ao seu lado, o tempo todo, se precisar.
Olhei para ela, e depois para Jake, que assentiu com um sorriso encorajador.
— E eu também estarei lá. Você sabe disso.
Respirei fundo, sentindo uma mistura de medo e determinação.
— Tudo bem — concordei, tentando sorrir. — Eu vou tentar.
Jake estendeu a mão para apertar a minha.
— É isso aí, ruivinha. Um passo de cada vez.
Sorri, apertando sua mão de volta. Talvez, só talvez, eu pudesse fazer isso.
...
Acordei cedo naquela manhã com um peso no peito, mas determinada a tentar. Olhei para o uniforme cuidadosamente arrumado sobre a cama e suspirei antes de vesti-lo. Ao terminar, me olhei no espelho e ajeitei o broche no cabelo que Bella tinha me dado há tempos. Era pequeno, em formato de uma flor prateada, e sempre me fazia lembrar de força e resiliência.
— Você consegue, Renesmee — sussurrei para o reflexo, tentando ignorar o nó na garganta. Peguei minha bolsa, respirei fundo e desci as escadas.
Edward estava na sala, me esperando. Quando me viu, sorriu calorosamente.
— Você está linda — ele disse, com o orgulho e a ternura que só um pai poderia transmitir.
Caminhei até ele, abraçando-o apertado antes de me virar para Bella, que também estava ali com um olhar encorajador.
— Nós estamos aqui, filha, em cada passo — Bella disse, acariciando meu rosto.
— Obrigada, mãe... pai. — Suspirei, reunindo coragem.
De mãos dadas, saímos juntos de casa. Naquele momento, não importava o medo ou as lembranças. Eu sabia que não estava sozinha.
Chegamos à escola, e Jacob já estava no estacionamento, encostado em sua moto, com um sorriso largo e tranquilo que parecia dissipar qualquer sombra de dúvida que eu ainda pudesse ter. Assim que me viu, caminhou até mim e me puxou para os seus braços.
— Bom dia, ruivinha — ele murmurou, segurando meu rosto com gentileza.
— Bom dia, Jake. — Sorri, sentindo um pouco da tensão se aliviar.
Ele olhou nos meus olhos, ainda sorrindo.
— Pronta para a surpresa?
Franzi a testa, curiosa.
— A surpresa?
— Está lá dentro — ele respondeu, apontando com a cabeça para o prédio da escola. — Acho que você vai gostar.
Curiosa e ligeiramente ansiosa, segurei sua mão enquanto ele me guiava pelo pátio do Roosevelt High. Mas conforme andávamos, o ambiente começou a mudar para mim. As imagens daquele dia com Tom voltaram à minha mente como um redemoinho. O olhar dele, o medo, a luta...
Parei de repente, sentindo meu peito apertar e as pernas fraquejarem.
— Jake... — murmurei, minha voz trêmula. — Eu não consigo.
Ele parou imediatamente e se virou para mim, segurando meus ombros com firmeza.
— Olha para mim, Nessie. Só para mim. — Sua voz era suave, mas carregada de determinação.
Respirei fundo e fiz o que ele pediu. Os olhos dele eram como um porto seguro, uma âncora que me impedia de ser arrastada pela tempestade.
— Você não precisa enfrentar isso sozinha, entendeu? — ele continuou. — Eu estou aqui. Seus pais estão aqui. Vamos juntos, um passo de cada vez.
Eu assenti, mesmo com lágrimas brotando nos meus olhos. Ele segurou minha mão com mais firmeza, o calor reconfortante dele percorrendo minha pele.
— E confia em mim, ruivinha. Essa surpresa vai valer a pena.
Com o coração ainda pesado, mas decidida a seguir, apertei a mão dele e dei o primeiro passo novamente.
Nessie
Caminhar pelos corredores da escola parecia uma tarefa monumental. Cada passo era uma batalha contra os fantasmas do passado, mas com Jacob ao meu lado, eu sabia que podia tentar. Ele não soltou minha mão nem por um segundo, me guiando com paciência e segurança.
Quando finalmente viramos no corredor principal, parei no instante em que meus olhos captaram o que estava à frente.
O corredor estava cheio. Todas as garotas da escola estavam lá, alinhadas lado a lado. Algumas com os braços cruzados, outras com sorrisos encorajadores, mas todas com uma postura que emanava apoio e solidariedade. Entre elas estavam Jessica e as líderes de torcida, garotas que antes mal notavam minha existência.
Meu coração disparou, e eu olhei para Jacob, confusa e emocionada. Ele sorriu para mim, aquele sorriso que parecia dizer: "Confia em mim, ruivinha."
Antes que eu pudesse perguntar o que estava acontecendo, a diretora apareceu do meio do grupo e caminhou em minha direção. Ela parou a poucos passos de mim e me olhou com um sorriso gentil.
— Bem-vinda de volta, Renesmee. — Sua voz era firme, mas calorosa. — Todas as alunas que você vê aqui estão ao seu lado. Você não está sozinha.
Senti uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto. Era um momento de pura surpresa e emoção, algo que eu nunca imaginei vivenciar.
Jacob soltou minha mão devagar, me dando um pequeno empurrãozinho para frente.
— Vai, Nessie. Esse momento é seu — ele sussurrou com um sorriso encorajador.
Dei um passo hesitante e, então, outro. Enquanto caminhava pelo corredor, os aplausos começaram. Suaves no início, mas logo se tornaram altos e cheios de energia. As garotas batiam palmas, algumas sorriam para mim, outras me lançavam olhares cúmplices, como se dissessem que entendiam minha dor e estavam ali para me apoiar.
Cada aplauso parecia uma declaração: Você é forte. Nós estamos com você.
Meu coração parecia mais leve a cada passo. Senti um peso enorme se dissipando, substituído por uma sensação de pertencimento e força que não sabia que precisava tanto.
Quando cheguei ao final do corredor, olhei para trás. Jacob estava ali, encostado na parede, com os braços cruzados e um sorriso satisfeito no rosto. Ele tinha conseguido. De alguma forma, ele tinha me ajudado a encontrar um pouco de luz depois de toda a escuridão.
Eu não precisava dizer nada; ele sabia o quanto aquilo significava para mim. E naquele momento, eu soube que, com ele e todas essas pessoas ao meu lado, eu conseguiria enfrentar qualquer coisa.
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