Apenas mas uma de amor

21 Renesmee- Preparativos



A última reunião da organização do baile estava chegando ao fim. A professora Margot Reynolds, sempre tão elegante e meticulosa, fez questão de parabenizar a todos antes de encerrar.

— Parabéns, turma! — disse ela, sorrindo com satisfação. — O trabalho de vocês está impecável. Tenho certeza de que será um dos melhores bailes de formatura da história da escola.

Jessica, sempre com sua personalidade vibrante, não perdeu a oportunidade de se destacar.

— Ah, claro que está impecável! — disse ela, jogando o cabelo para trás com um sorriso confiante. — Afinal, quem estava no comando?

Os outros alunos trocaram olhares cúmplices e riram baixinho, enquanto a professora apenas balançava a cabeça com um sorriso tolerante.

— Muito bem, Jessica, todos tiveram um papel importante aqui. Agora, encerro a reunião. Vocês estão dispensados.

Levantei da cadeira, pegando minha bolsa. Enquanto me dirigia à porta, Jessica me alcançou.

— Renesmee — chamou ela, o tom mais casual do que eu esperava.

Virei-me para encará-la, com um pequeno sorriso de agradecimento.

— Obrigada, Jessica, por ter assumido a organização enquanto eu estava fora.

Jessica arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Não se engane, Renesmee. Você roubou isso de mim no começo. Eu só peguei de volta o que era meu.

Baixei a cabeça, rindo baixinho.

— A propósito — continuou ela, com um tom mais sério. — Eu ainda não gosto de você. Mas sou mulher, e como mulher, estou do seu lado. Espero que peguem o Tom logo.

Fiquei surpresa com suas palavras. Não era o que eu esperava ouvir de Jessica Stanley, mas, naquele momento, percebi que nem sempre as pessoas eram o que pareciam.

— Obrigada, Jessica. De verdade.

Ela deu de ombros, já se afastando.

— Não me agradeça, só faça esse baile ser inesquecível.

Assim que ela saiu da sala, suspirei profundamente, aliviada e exausta. Meu celular vibrou em minha bolsa. Quando vi o nome de Jacob na tela, um sorriso automaticamente surgiu em meu rosto.

— Jake! — atendi, sentindo meu coração acelerar.

— Oi, ruivinha. — A voz dele era calorosa e cheia de saudade. — Só liguei para dizer que estou morrendo de saudades de você.

— Eu também sinto sua falta — respondi, sincera. — Mas, a propósito, eu assisti ao último jogo. Vocês estão nas finais!

Ele riu do outro lado da linha.

— E você ainda duvidava que o super Jake conseguiria?

— Nunca duvidei. — Sorri, imaginando o sorriso dele.

— Vou te encontrar no baile, certo?

Assenti, mesmo sabendo que ele não podia me ver.

— Sim, vou estar lá.

— E como vou te reconhecer?

— Vou ser a garota de azul — respondi, rindo.

Ele fez uma pausa, como se estivesse imaginando a cena.

— Azul, hein? Aposto que vai ser a garota mais linda daquele salão.

Meu coração disparou novamente.

— Vou esperar você lá, Jake.

— E eu não vou te decepcionar, princesa.

Desliguei o telefone com um sorriso nos lábios, sentindo que, apesar de tudo o que havia passado, havia algo muito especial me esperando naquela noite.

Os corredores da escola pareciam diferentes naquele dia. Havia um clima de despedida no ar, uma mistura de nostalgia e ansiedade pelo futuro. Era o último ano. O ensino médio estava acabando, e logo seríamos vistos como adultos, responsáveis por nossas próprias escolhas. Cada pôster de eventos passados nas paredes, cada riso ecoando pelas salas, parecia mais significativo.

Enquanto caminhava, deixei meu olhar vagar pelos rostos familiares. Sabia que em breve cada um seguiria seu caminho, e a rotina que tínhamos construído ao longo dos anos seria apenas uma memória. Apesar de tudo o que vivi, sorri, sentindo que, de alguma forma, tudo estava se encaixando.

Ao sair pela porta principal, vi o carro de minha mãe estacionado no mesmo lugar de sempre. Ela acenava para mim com um sorriso caloroso. Entrei no carro e joguei minha bolsa no banco de trás.

— E aí, como foi a reunião? — perguntou ela, ligando o motor.

— Foi boa — respondi, colocando o cinto. — A professora Margot parabenizou todos pelo trabalho, e acho que o baile vai ser incrível.

— Tenho certeza de que vai — disse minha mãe, olhando para mim de soslaio. — E você já decidiu sobre o vestido?

Sorri, lembrando-me do vestido azul que vi na vitrine do shopping no final de semana anterior.

— Acho que sim. Lembra daquele vestido azul com estrelas que vimos? Não consigo parar de pensar nele.

Bella sorriu, misteriosa.

— Ah, aquele? Bom, talvez eu tenha dado uma passadinha na loja ontem...

Virei para ela, surpresa.

— Você reservou?

Ela riu, confirmando com um aceno de cabeça.

— Claro que sim. Não podia arriscar que outra garota pegasse o vestido perfeito para o baile.

Senti um calor no peito e sorri largo.

— Obrigada, mãe. De verdade

— Você merece, Nessie. — Ela estendeu a mão, apertando suavemente a minha enquanto parávamos em um sinal vermelho. — Esse baile é seu momento de brilhar, e quero que você se sinta especial.

Abracei-a de lado, sentindo-me mais grata do que nunca por sua presença e apoio.

— Com esse vestido e tudo o que você, papai e o Jake têm feito por mim, acho que vai ser uma noite inesquecível.

Bella sorriu, mantendo os olhos na estrada.

— É exatamente isso que eu quero para você, minha filha.

Nessie

A manhã no shopping foi mágica, quase como um sonho. Depois de pegar o vestido azul com estrelas, minha mãe e eu partimos em busca do sapato perfeito. Caminhamos por várias lojas, experimentando opções que iam de clássicos a extravagantes, até que encontrei uma sandália de salto delicada, com pequenas estrelas douradas que brilhavam discretamente sob a luz. Era perfeita, combinava exatamente com o vestido.

— É essa! — exclamei, segurando a sandália com cuidado.

Minha mãe sorriu, satisfeita.

— Eu sabia que você encontraria o par perfeito. Vamos levar.

Depois das compras, saímos do shopping com sacolas nos braços e decidimos almoçar antes de voltar para casa. Encontramos um restaurante aconchegante com mesas perto das janelas, que nos permitiam ver o movimento da cidade. Bella escolheu uma mesa e logo nos sentamos.

— Vou ao banheiro rapidinho, já volto. Disse mamãe.

Assenti, distraída com as opções. Estava tão imersa nos pratos que nem percebi quando o garçom se aproximou.

— Já decidiu o que vai pedir? — perguntou ele educadamente.

Levantei os olhos e sorri.

— Sim, vou querer um penne ao molho branco para mim e uma salada Caesar para minha mãe, com água para as duas, por favor.

Ele anotou, devolveu o sorriso e se afastou, deixando-me sozinha à mesa.

Olhei pela janela, apreciando o movimento da cidade. As pessoas andavam apressadas, carregando sacolas ou conversando. Um casal jovem atravessava a rua de mãos dadas, e uma criança brincava com um cachorro perto da praça.

Foi quando o vi.

Do outro lado da rodovia, parado ao lado de uma loja de conveniência, estava ele. Meu coração disparou. Tom.

Eu sabia que era ele. Mesmo de longe, mesmo com a distância, reconheci seu rosto. Ele usava um boné baixo, mas não havia dúvida. O mesmo olhar inquieto, a postura. Por um momento, minha respiração ficou presa, como se o ar tivesse evaporado ao meu redor.

Ele estava olhando em minha direção.

Instintivamente, afastei o olhar e me encolhi um pouco na cadeira, tentando parecer invisível. Minhas mãos começaram a tremer, e senti meu coração batendo acelerado no peito.

— Não pode ser... — sussurrei para mim mesma.

Olhei novamente, mas ele já não estava lá. A loja estava vazia, e o lugar onde ele estava parecia ter engolido sua presença.

Minha mãe voltou naquele momento, carregando um sorriso tranquilo, completamente alheia ao que acabara de acontecer.

— E aí, já pediu?

Assenti, tentando esconder o pânico que ainda latejava dentro de mim.

— Sim, pedi para nós duas.

Bella sentou-se, começando a falar sobre algo leve e descontraído, mas eu mal conseguia ouvir. Meu coração ainda estava disparado, e minha mente ecoava uma única pergunta: Será que eu estava vendo coisas? Eu estava enlouquecendo?