Apenas mas uma de amor

58 Renesmee- O pequeno Ryan



A cirurgia de Ryan foi delicada, mas dentro do esperado. Com a equipe focada e eficiente, conseguimos corrigir a fratura da perna direita e tratar a laceração profunda. Durante as horas na sala de cirurgia, eu não tirava da cabeça aquele sinal próximo à orelha dele. Era apenas uma coincidência… ou algo mais?

Enquanto finalizávamos, dei as instruções finais à equipe:

— Certifiquem-se de que ele receba todos os cuidados no pós-operatório. Vamos providenciar um acompanhamento com fisioterapia assim que ele estiver estabilizado.

Ao sair da sala de cirurgia, retirei a máscara e suspirei, aliviada pelo sucesso da operação. O pequeno Ryan estava seguro, e agora era hora de informar sua responsável. Caminhei até minha sala para organizar meus pensamentos, mas fui interceptada pela recepcionista.

— Dra. Cullen, a responsável pelo Ryan Willows está esperando na sua sala.

Assenti, um pouco surpresa. Entrei na sala e, ao levantar o olhar, meu coração parou por um instante.

— Renata? — exclamei, reconhecendo-a imediatamente.

Ela estava sentada em uma das cadeiras, com a expressão tensa. Levantou-se assim que me viu, parecendo tão surpresa quanto eu.

— Renesmee... Eu não sabia que era você a médica que cuidaria do meu filho.

Engoli em seco, tentando processar a presença dela ali. — Estou tão surpresa quanto você.

— Isso não importa agora. Como está Ryan? Ele vai ficar bem? — perguntou com a voz trêmula, claramente preocupada.

Respirei fundo e assumi um tom profissional, tentando acalmá-la.

— Ryan passou por uma cirurgia bem-sucedida. Conseguimos corrigir a fratura e tratar a laceração na perna. No entanto, devido à gravidade do impacto, ele vai precisar de fisioterapia para recuperar a mobilidade.

Renata franziu a testa. — Fisioterapia? Por quanto tempo?

— Ele sofreu uma fratura no fêmur que comprometeu o músculo quadríceps. Vamos trabalhar com um fisioterapeuta especializado para ajudá-lo a recuperar a força muscular e o movimento total da perna. Pode levar alguns meses, mas ele vai se recuperar completamente.

Renata suspirou, visivelmente aliviada. — Graças a Deus… Obrigada, Renesmee. Eu nem sei como agradecer.

— Não precisa agradecer. É meu trabalho — respondi, mantendo a compostura, mesmo com a confusão que começava a se formar em minha mente.

Ela deu um leve sorriso, pegou sua bolsa e se preparou para sair.

— Eu vou ver o Ryan agora. Obrigada mais uma vez.

— Claro. Ele estará no quarto 208 assim que sair da recuperação.

Renata assentiu e saiu, deixando-me sozinha. Fechei a porta e sentei na cadeira, passando as mãos pelo rosto.

Não conseguia ignorar o que estava diante de mim. Ryan não parecia em nada com Renata, nem mesmo vagamente. Mas quando olhava para ele, via os traços de Jacob e, ainda mais perturbador, de Hope.

Murmurei para mim mesma, com o coração acelerado:

— Não pode ser…

...

Depois de um longo dia, pedi a Rachel que buscasse as meninas na escola. O hospital estava mais movimentado do que o normal, e entre atendimentos, o pensamento sobre Ryan não saía da minha cabeça.

Andando pelos corredores do hospital, decidi verificar como ele estava. Abri a porta do quarto com cuidado e o encontrei acordado, com Renata sentada ao lado dele, segurando sua mão.

— Oi, Ryan — disse suavemente, sorrindo para ele. — Como você está se sentindo?

Ele piscou para mim, parecendo ainda um pouco confuso, mas sorriu. — Melhor... Mas minha perna ainda dói um pouquinho.

— Isso é normal, campeão. Você foi muito corajoso hoje, sabia? — Aproximei-me, pegando meu estetoscópio. — Vamos dar uma olhada para garantir que tudo está indo bem, combinado?

Ele assentiu, e comecei a examiná-lo, verificando os sinais vitais e a condição da perna operada.

— Tudo parece ótimo — disse, olhando para ele com um sorriso tranquilizador. — Você está se recuperando muito bem. Logo, vai poder voltar a brincar.

Ryan sorriu mais amplamente, e Renata suspirou aliviada ao lado dele.

— Obrigada, Renesmee. Saber que ele está bem significa o mundo para mim.

Eu me levantei, mas não consegui evitar o olhar prolongado para Ryan. Era como se eu estivesse olhando para Hope: os mesmos traços delicados, os olhos expressivos... a semelhança era inegável.

Renata percebeu meu olhar e, com uma expressão séria, disse:

— Renesmee, podemos conversar lá fora?

Assenti e a segui para o corredor. Meu coração batia descompassado, a mistura de emoções me deixando inquieta. Renata fechou a porta atrás de nós, respirando fundo antes de falar.

— Eu sabia que esse momento chegaria — começou, hesitante.

— Que momento, Renata? — perguntei, cruzando os braços, tentando esconder a tensão em minha voz.

Ela encontrou meus olhos, a culpa e o medo evidentes em sua expressão. Eu estava tentando manter a calma, mas meu coração estava acelerado. Algo no olhar dela me dizia que eu estava prestes a ouvir algo que mudaria tudo.

Ela respirou fundo, claramente nervosa, antes de finalmente falar.

— Renesmee, eu preciso ser honesta com você. Eu nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto, mas... eu não tenho outra escolha.

Minha testa franziu em confusão. — Do que você está falando, Renata?

Ela hesitou, evitando meu olhar. — Eu... eu jamais teria falado isso, mas estou passando por muitos problemas financeiros. Não tenho como pagar o hospital, nem as futuras despesas do Ryan.

Meu peito apertou com o peso de suas palavras. — Renata, está dizendo que não pode arcar com os custos?

Ela balançou a cabeça rapidamente. — Meu filho podia morrer, precisava de cuidados. Mas agora... agora preciso da sua ajuda, Renesmee.

Cruzei os braços, meu tom de voz endurecendo. — Ajuda? O que você quer de mim exatamente, Renata?

Ela encontrou meu olhar com uma expressão mista de culpa e determinação.

— Ryan... ele é filho do Jacob.

O mundo pareceu girar. As palavras dela me atingiram como um golpe.

— O quê? — consegui balbuciar, minha voz incrédula.

Renata continuou rapidamente, como se quisesse tirar tudo de uma vez.

— Descobri que estava grávida logo depois que ele viajou com voce para Amsterdã. Tentei falar com ele, Renesmee. Liguei, mandei mensagens... Mas Jacob ignorou tudo. Até que ele... ele me bloqueou.

Meus olhos se estreitaram. — Isso não faz sentido. Jacob nunca mencionou você, nunca disse nada sobre isso.

Ela deu um passo à frente, a voz ficando mais desesperada. — Por que ele faria isso? Ele já tinha você e na última ligação deixou claro que a filha de vocês era prioridade. Eu não queria atrapalhar, não foi planejado.

Senti meu coração se partir ao ouvir isso, mas também estava cheia de dúvidas. Jacob não era do tipo que fugiria de suas responsabilidades, pelo menos não o Jacob que eu conhecia agora.

— E agora, você decide aparecer? Anos depois? — perguntei, cruzando os braços. — Por que não tentou de novo? Por que não insistiu?

Renata suspirou, exausta. — Porque eu achava que podia fazer isso sozinha. Falei com Rebecca e ela disse que era melhor eu me afastar do irmão, que nao podia atrapalhar a vida dele. Mas meu filho esta doente, e eu não posso mais lutar sozinha.

Olhei para a porta do quarto onde Ryan estava. Ele era tão parecido com Hope que era impossível não sentir que havia verdade nas palavras dela.

— Isso... isso muda tudo — murmurei, ainda tentando processar.

Renata me observava, esperando uma reação.

— Eu só quero o melhor para Ryan, Renesmee. Só isso.

As palavras de Renata continuavam ecoando na minha mente. Eu sabia que precisaria encarar Jacob e descobrir a verdade. Mas antes disso, eu precisava garantir que Ryan tivesse o cuidado que merecia, independente do que o futuro reservasse.

O jantar com as meninas foi tranquilo, mas minha mente estava longe. As palavras de Renata continuavam a ecoar em meus pensamentos como um mantra inescapável. Enquanto Aurora e Hope conversavam e riam, minha culpa crescia. Eu olhava para elas, felizes e seguras, e não conseguia evitar a pergunta: Ryan tinha tudo o que minhas filhas tinham? Ele também não merecia?

Depois de colocar Hope na cama com um beijo suave na testa e dar boa noite a Aurora, que estava concentrada em seu livro, fui para o meu quarto. Tentei acalmar meus pensamentos mergulhando em um livro, mas as palavras na página se misturavam com os pensamentos que insistiam em não me deixar em paz.

Quando Jacob entrou no quarto, minha atenção se voltou para ele. Ele parecia cansado, a gravata frouxa e o rosto marcado pelo dia longo.

— Me desculpe por perder o jantar — disse ele, com um tom sincero, enquanto colocava a maleta no chão. — O tribunal se estendeu mais do que o esperado.

Eu sorri para ele, tentando não deixar minha confusão interna transparecer. — Tudo bem, Jacob. Sei que você está fazendo o seu melhor.

Ele passou a mão pelos cabelos e suspirou, visivelmente tenso. Antes que eu pudesse perguntar o que estava errado, ele pegou a toalha e seguiu para o banheiro.

Esperei pacientemente enquanto ele tomava banho, arrumando os travesseiros e tentando organizar meus próprios pensamentos. Quando ele voltou, já vestido com roupas confortáveis, eu me ofereci para preparar algo para ele comer.

— Não precisa, Ness — ele respondeu, sentando-se ao meu lado na cama. — Comi algo rápido no tribunal.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou suavemente para os seu colo. Seus olhos encontraram os meus, e ele sorriu, um sorriso cheio de ternura.

— Tudo o que eu preciso está bem aqui, bem à minha frente — murmurou, enquanto seus dedos acariciavam meu rosto.

Meu coração se aqueceu com suas palavras, e quando seus lábios encontraram os meus, todos os meus pensamentos caóticos pareceram desaparecer, ainda que apenas por um momento, as mãos dele apertaram meu bumbum por de baixo da camisola afastando minha calcinha e eu gemi quando o senti dentro de mim.

Estar nos braços de Jacob era o meu refúgio. Mas enquanto meu corpo encontrava prazer e conforto em seus movimentos, minha mente continuava lutando com as dúvidas. Amanhã, eu sabia que precisaria falar com ele sobre Ryan, sobre Renata e sobre tudo o que isso significava para a nossa família.