Apenas mas uma de amor
59 Jacob- Um filho
Domingos como aquele eram raros, momentos em que a família se reunia na fazenda de meu pai para celebrar algo especial. Desta vez, o motivo era o aniversário de Billy, e o lugar estava cheio de risadas e conversas.
Eu estava na churrasqueira, virando a carne enquanto Quil e Solomon discutiam sobre o tempo ideal para assar o frango. Paul, como sempre, achava que sabia mais que todos.
– Jacob, não sei por que você ainda confia no Solomon pra cuidar do frango – Paul debochou, virando uma cerveja. – O cara deixou o último churrasco todo seco.
– Ei! – Solomon rebateu. – Aquele frango foi sabotado, a churrasqueira estava com defeito!
Quil riu, pegando um espetinho. – E Paul acha que é o chef só porque sabe abrir latas de feijão enlatado.
– Engraçado você falar isso, Quil – Paul retrucou. – Porque você é o primeiro a devorar tudo, seco ou não.
Eu balancei a cabeça, rindo. – Se vocês focassem tanto na carne quanto na conversa fiada, a gente já teria o churrasco pronto.
Foi então que Aurora veio correndo com Hope no colo, a menina chorando alto.
– Papai! Hope caiu e ralou o joelho – Aurora anunciou, ofegante.
Me abaixei para examinar o joelho da pequena. Era apenas um arranhão, mas o suficiente para assustá-la.
– Onde está sua mãe? – perguntei, pegando Hope nos braços e beijando sua testa.
Aurora revirou os olhos. – Foi ajudar a tia Rebecca na cozinha.
– Fique com sua irmã, Aurora. Vou buscar sua mãe – falei, entregando Hope de volta para ela.
Segui para a cozinha, passando pela porta entreaberta. Quando cheguei, ouvi parte da conversa entre Nessie e Rebecca.
– Rebecca, você tem que contar ao Jacob. Ele tem o direito de saber! – Nessie dizia, a voz baixa, mas com um tom urgente.
Rebecca parecia nervosa. – Eu... Eu não posso, Nessie. Ele nunca vai me perdoar.
Franzi o cenho, sentindo o peso daquelas palavras, e entrei.
– O que Rebecca precisa me dizer?– perguntei, direto, olhando de uma para a outra.
Ambas se viraram para mim, congeladas. Nessie parecia surpresa e um pouco assustada, enquanto Rebecca baixou os olhos, claramente envergonhada.
Aquelas palavras pairaram no ar, carregadas de tensão. Olhei para Rebecca, tentando processar o que ela tinha acabado de dizer.
– Repete isso – exigi, a voz saindo mais baixa do que eu esperava, mas carregada de intensidade. – O que você fez, Rebecca?
Ela desviou o olhar para Nessie, como se buscasse algum tipo de apoio. Nessie cruzou os braços, o rosto sério, e respondeu por mim:
– Diga a ele, Rebecca. Ele tem o direito de saber.
Rebecca respirou fundo, os olhos brilhando com um misto de culpa e medo.
– Renata Willows me procurou... Ela estava grávida – começou, as palavras quase engolidas pelo peso que carregavam.
Meu estômago despencou, e meu coração pareceu parar por um instante.
– Grávida? – perguntei, minha voz soando incrédula. – E o que isso tem a ver comigo?
Rebecca olhou para mim, hesitando, mas não conseguiu sustentar meu olhar por muito tempo.
– Ela queria ajuda para falar com você. Disse que estava tentando te ligar, mas você não atendia.
Fiz força para não perder o controle ali mesmo.
– Por que ela queria tanto falar comigo, Rebecca? – perguntei, cada palavra carregada de tensão.
Rebecca engoliu em seco. – Porque... O filho que ela esperava era seu.
Senti como se tivesse levado um soco no peito. A sala girou por um instante, e o ar parecia faltar.
– Meu...? – murmurei, mais para mim do que para qualquer outra pessoa.
A raiva começou a ferver dentro de mim, misturada com incredulidade e uma culpa esmagadora.
– Você sabia disso? – perguntei, me aproximando de Rebecca, meu tom mais firme agora. – Você sabia e não me contou?
Rebecca balançou a cabeça, lágrimas escorrendo pelo rosto. – Eu não sabia se ela estava dizendo a verdade, Jake! Achei que podia ser mentira, que ela queria te manipular.
– Então você decidiu não dizer nada? – vociferei, segurando-a pelo braço, não com força, mas o suficiente para que ela entendesse a gravidade do que tinha feito. – Você foi até o meu casamento em Amsterdã e não disse uma palavra sobre isso!
Nessie colocou uma mão no meu ombro, tentando me acalmar. – Jake, por favor, calma...
Mas eu não conseguia. A mistura de raiva, culpa e confusão estava prestes a me consumir.
– Como você pôde decidir isso por mim? – gritei para Rebecca, sentindo a voz embargar. – Se era mentira ou verdade, eu tinha o direito de saber!
Rebecca soluçou. – Eu só queria proteger você, Jake. Achei que estava fazendo o certo!
– O certo? – retruquei, soltando o braço dela e dando um passo para trás. – Você tirou de mim a chance de saber que tenho um filho, Rebecca! Como isso pode ser o certo?
Nessie tentou intervir novamente, sua voz baixa e cheia de preocupação. – Jake, nós precisamos conversar sobre isso com calma. Não vai adiantar nada brigar agora.
Olhei para ela, tentando encontrar algum tipo de equilíbrio, mas tudo o que sentia era a explosão iminente de sentimentos que não conseguia controlar. Olhei de volta para Rebecca, apontando para ela.
– Isso ainda não acabou – disse, antes de me afastar e sair da cozinha.
Jacob
Saí da cozinha como um furacão, sentindo o sangue pulsar nos ouvidos. A conversa ecoava na minha cabeça, cada palavra de Rebecca soava como uma faca. Minha mente estava um caos.
Rebecca veio atrás de mim, chamando meu nome.
– Jacob, espera! – Ela me alcançou na sala, mas eu me virei bruscamente para encará-la.
– Esperar o quê, Rebecca? – esbravejei. – Esperar você inventar mais desculpas? Você sequer pensou no que isso significaria para mim? Para o meu casamento?
Ela deu um passo para trás, visivelmente abalada. – Eu não sabia o que fazer! Eu só estava tentando proteger você.
– Proteger de quê? De um filho meu? – cuspi, a indignação tomando conta.
Rebecca começou a falar, mas nesse momento, minha mãe, Sarah, entrou na sala, com o rosto preocupado.
– Jacob, o que está acontecendo? – Ela olhou para mim, depois para Rebecca, percebendo a tensão no ar.
– Pergunte para a Rebecca – respondi, apontando para ela. – Pergunte o que ela fez!
Rebecca balançou a cabeça, as lágrimas ainda escorrendo.
– Jake, por favor, não faça isso agora – pediu ela, quase em um sussurro.
Sarah colocou uma mão no meu braço. – Jacob, você não está em condições de sair daqui e dirigir.
Eu respirei fundo, tentando controlar a raiva que queimava como um incêndio. – Ela tem razão – falei, apontando para Rebecca. – Eu preciso ir para casa antes que faça uma besteira.
Nesse momento, Nessie entrou na sala com Aurora e Hope, ambas confusas com o que estava acontecendo.
– Vamos para casa – disse Nessie, tentando soar calma. – Mas eu vou dirigir.
Eu olhei para ela, reconhecendo que não estava em condições de contestar. A adrenalina estava alta demais, e minhas mãos tremiam. Assenti, incapaz de dizer mais nada.
Rebecca deu um passo à frente. – Jacob...
– Não – cortei, levantando uma mão. – Não agora.
Nessie levou as meninas para o carro, e eu segui logo atrás, sentindo o peso da tensão na sala. Sarah tentou dizer algo, mas levantei a mão novamente, pedindo silêncio.
No carro, sentei no banco do passageiro enquanto Nessie ajustava o cinto e as meninas se acomodavam no banco de trás.
– Vamos para casa – disse, olhando pela janela, tentando conter a tempestade que rugia dentro de mim.
...
Sentei na beira da cama, a cabeça entre as mãos, enquanto os pensamentos giravam em torno de uma criança que eu sequer sabia que existia. Meu filho. Como ele seria? Onde estaria agora? A culpa e a raiva se misturavam em um turbilhão que me deixava sem chão.
A porta do quarto abriu devagar, e Renesmee entrou, fechando-a atrás de si. Seu rosto estava calmo, mas seus olhos mostravam que ela estava tão abalada quanto eu. Ela caminhou até a cama e se sentou ao meu lado.
– As meninas já dormiram – disse ela suavemente. – Pedi uma pizza e fiquei com elas até adormecerem.
Eu assenti, mas não consegui olhar para ela imediatamente. Depois de alguns segundos de silêncio, finalmente falei:
– Como você descobriu, Nessie? – Olhei para ela, tentando entender. – Eu sei que você não sabia disso há muito tempo. Você jamais teria escondido isso de mim.
Ela respirou fundo e segurou minha mão. – Foi no hospital, Jacob. Há alguns dias, eu atendi um menino chamado Ryan. Ele tem a idade da Hope.
Meus olhos se arregalaram, e meu coração acelerou. – Ryan? – perguntei, tentando digerir o que ela estava dizendo.
– Sim – ela continuou. – Ele foi atropelado. Está no hospital. Durante o atendimento, notei algo nele... um sinal próximo à orelha. Igual ao seu.
Eu me levantei da cama, andando de um lado para o outro, tentando processar. – Ele está bem?
– Está se recuperando – respondeu Nessie. – Mas o acidente foi grave. Ele precisará de fisioterapia para voltar a andar normalmente.
Eu parei e olhei para ela, meu peito apertado. – E... como você soube que ele é meu filho?
Renesmee hesitou por um momento antes de responder. – A Renata, me confessou que Ryan é seu filho.
Meu estômago revirou ao ouvir o nome de Renata. – E ela está com ele? Ela contou por quê?
Nessie assentiu, os olhos mostrando preocupação. – Ela está com ele no hospital. Mas, Jacob, ela me pediu ajuda. Está passando por dificuldades financeiras.
Eu apertei as mãos em punho, sentindo a raiva voltar. – Então é por isso que ela nunca me procurou de novo? Porque Rebecca decidiu que ela não era digna de ajuda? – Soltei um suspiro pesado, voltando a andar pelo quarto.
Nessie levantou-se e se aproximou, colocando uma mão no meu braço. – Jacob, eu sei que isso é muito para você processar, mas Ryan está aqui. Ele precisa de você agora.
Olhei para ela, sentindo meu coração pesar ainda mais. – Eu quero vê-lo, Nessie. Quero saber tudo sobre ele.
– E você vai – disse ela com firmeza. – Mas primeiro, precisamos lidar com isso juntos.
Assenti lentamente, tentando organizar os pensamentos. Nessie sempre tinha razão.
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