Apenas mas uma de amor
27 Renesmee- Dor e Humilhação
Ao entrar no salão, senti como se todos os olhos estivessem sobre mim e Jacob. Meu rosto começou a esquentar, e eu me perguntei se estava exagerando na impressão. Mas o aperto firme e reconfortante de Jacob na minha mão foi o suficiente para dissipar qualquer insegurança. Ele parecia não se importar com os olhares e caminhava ao meu lado com confiança, como se nada mais importasse além de estarmos ali juntos.
– Olha ali, nossa mesa – disse ele, apontando para um grupo animado que estava reunido.
Quando nos aproximamos, reconheci Rachel e Rebecca, ambas lindas e sorridentes, acompanhadas de dois rapazes. Jacob abriu um largo sorriso e fez as apresentações.
– Nessie, esses são Paul e Solomon. Eles são de Forks e vieram prestigiar a festa comigo e minhas irmãs. – Ele apontou para cada um, e os dois acenaram.
– Oi, é um prazer – falei, tentando soar descontraída enquanto me sentava.
– O prazer é nosso – disse Paul, piscando de brincadeira. – Finalmente conhecemos a garota que conquistou o nosso amigo lobo aqui.
Jacob bufou e revirou os olhos, mas antes que pudesse responder, Rachel riu. – Não liga pra ele, Nessie. Paul sempre tenta roubar a cena.
Todos riram, e o clima ficou mais leve. Rebecca serviu um pouco de suco para mim enquanto a conversa fluía naturalmente. Eles comentavam sobre a decoração e as músicas da banda, e eu me sentia cada vez mais à vontade com o grupo.
De repente, o som de um microfone ecoou pelo salão, e a diretora tomou a palavra no palco:
– Atenção, alunos! As votações para rei e rainha do Baile das Estrelas estão oficialmente abertas. Vocês podem votar na mesa ao lado do palco. Aproveitem a festa!
Rachel olhou para mim com um sorriso malicioso. – Nessie, você tem chances de ganhar. Sério, olha só pra você. Está deslumbrante.
Senti meu rosto corar de novo e balancei a cabeça. – Claro que não, Rachel. Não exagera.
Jacob segurou minha mão sobre a mesa e falou com aquele tom sério, mas cheio de doçura que só ele tinha. – Você já é minha rainha... ou melhor, minha princesa.
Paul e Solomon trocaram um olhar cúmplice e começaram a provocá-lo.
– Que coisa mais melosa, Jacob! – Paul fingiu fazer uma careta. – Quem diria que o grandalhão ia virar poeta?
– É o amor, Paul – respondeu Solomon, dando um leve tapa no ombro do amigo. – Parece que ele está inspirado.
As meninas caíram na risada, e eu apenas sorri, olhando para Jacob com ternura. Não importava o que acontecesse naquela noite, eu sabia que estava no lugar certo, com a pessoa certa.
Estávamos todos rindo e conversando quando um grupo de garotos do time de basquete se aproximou da mesa. Eles estavam animados, provavelmente ainda comemorando o campeonato. Um deles, com um sorriso meio tímido, olhou diretamente para mim.
– Nossa, você está... muito bonita – disse ele, com um tom sincero que fez meu rosto corar.
Antes que eu pudesse responder, senti Jacob enrijecer ao meu lado. Ele o encarou, e o rapaz rapidamente levantou as mãos em sinal de rendição.
– Com todo respeito, claro! – Ele riu nervosamente, olhando de Jacob para mim.
Outro jogador, claramente mais à vontade, deu um tapa leve no ombro de Jacob.
– Ei, fujão, para de bancar o protetor! Vem com a gente, cara.
Antes que Jacob pudesse protestar, ele foi puxado pelo grupo para longe da mesa.
– Já volto – murmurou para mim, lançando um olhar meio divertido, meio resignado, enquanto os outros o arrastavam.
Quando eles se afastaram, Rachel riu alto.
– Parece que Jake ainda é o centro das atenções por aqui.
Rebecca acrescentou, sorrindo: – Esses garotos nunca perdem a oportunidade de implicar com ele.
Paul e Solomon começaram a fazer comentários engraçados sobre os companheiros de time de Jacob, o que nos fez rir ainda mais. No entanto, meu olhar foi atraído por alguém do outro lado do salão. Jessica estava me observando com uma expressão difícil de decifrar. Decidi ignorar e voltar minha atenção para o grupo.
Alguns minutos depois, Jacob retornou, parecendo aliviado por escapar de seus colegas. Ele parou ao meu lado e estendeu a mão para mim.
– Princesa, me dá a honra de uma dança?
Sorri, sentindo meu coração disparar com o convite.
– Claro – respondi, colocando minha mão na dele.
Jacob me guiou até a pista de dança, enquanto eu sentia os olhares curiosos de algumas pessoas nos seguindo. Mas não importava. Naquele momento, era só eu e ele.
Jacob me conduziu para o centro da pista, onde a melodia suave de Stay with Me de Sam Smith preenchia o ambiente. Ele me segurou firme, e nossas mãos estavam entrelaçadas enquanto dançávamos ao ritmo lento da música. Senti meu coração bater mais rápido, como sempre acontecia quando estava perto dele.
No meio da dança, Jacob me girou delicadamente e depois me suspendeu no ar por um breve momento. Soltei uma risada surpresa e alegre, percebendo que as pessoas ao nosso redor haviam parado para nos observar.
– Acho que estamos sendo o centro das atenções – sussurrei, tentando conter o riso.
Ele sorriu, os olhos brilhando. – Deixa eles olharem. Eu só consigo enxergar você.
Quando a música finalmente terminou, senti meu rosto esquentar com todos os olhares fixos em nós. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Jacob selou nossos lábios em um beijo suave e carinhoso, ignorando completamente o público ao nosso redor.
– Eu vou ao banheiro – falei, ainda um pouco envergonhada, enquanto me afastava.
– Vou te esperar na mesa – ele respondeu, me lançando um sorriso caloroso.
Caminhei pelo estreito corredor que levava ao banheiro da quadra, tentando ignorar as borboletas no estômago. Ao me aproximar, parei ao perceber Leah conversando com Jessica. Elas estavam em um canto, e Leah parecia estranhamente diferente. Ela parecia mais magra quando a vi na casa de Jacob, a roupa folgada me chamou a atenção.
Antes que elas me notassem, entrei no banheiro. Encostei-me na pia por um momento, tentando afastar a estranha sensação que aquela cena havia deixado em mim. Retoquei minha maquiagem com cuidado, observando meu reflexo no espelho. Estava feliz, mas também inquieta.
Quando saí do banheiro, olhei ao redor, mas Leah e Jessica já não estavam ali. Segui pelo corredor de volta à quadra, onde Jacob me encontrou no caminho.
– Estava começando a achar que você tinha fugido – brincou, segurando minha mão.
– Claro que não – respondi, sorrindo.
Ele me puxou levemente para perto. – Vamos voltar para a mesa. Estão prestes a anunciar o resultado da votação.
Assenti, sentindo a empolgação crescer em meu peito. O baile das estrelas estava prestes a se tornar ainda mais memorável.
Nessie
Estava prestes a comentar sobre Leah para Jacob, mas fui interrompida pela voz da diretora ecoando pelo microfone.
– Atenção, atenção! Chegou a hora de anunciar a rainha e o rei do Baile das Estrelas!
O salão inteiro ficou em silêncio por um momento. Eu senti meu coração disparar, mas tentei me convencer de que não tinha nada a ver comigo. A diretora fazia suspense, lendo o nome lentamente como se fosse um grande segredo.
– E a rainha do Baile das Estrelas deste ano é... Renesmee Cullen!
Uma luz forte se acendeu sobre mim, iluminando meu vestido cheio de estrelas. Meu coração quase parou. Estava em choque.
– O quê? – murmurei para Jacob, meus olhos arregalados.
O salão explodiu em aplausos e assobios, enquanto todos olhavam para mim. Eu não sabia o que fazer, onde colocar as mãos ou como reagir.
– Vai, Nessie – Jacob disse com um sorriso orgulhoso, segurando minha mão. – Esse momento é seu.
– Eu... eu não acredito – respondi, minha voz quase um sussurro.
Ele apertou minha mão levemente, encorajando-me. Respirei fundo e me levantei, caminhando com passos hesitantes até o palco. As palmas e gritos pareciam ficar mais altos a cada passo.
Assim que alcancei o centro do palco, a diretora voltou a falar:
– Agora que temos a nossa rainha, é hora de anunciar o rei, que terá a honra de coroá-la.
O suspense na voz dela parecia aumentar ainda mais a tensão no ambiente. Mas antes que ela pudesse dizer o nome, senti algo frio e molhado cair sobre mim.
Um líquido escuro escorreu pelo meu rosto e meu vestido. Meu corpo congelou. Levei as mãos ao cabelo, tentando entender o que havia acontecido. A plateia ficou em silêncio por um instante, mas logo surgiram murmúrios e algumas risadas contidas.
Olhei para baixo e vi que era uma substância viscosa, algo como tinta misturada com óleo. Um cheiro desagradável encheu o ar. Meu rosto queimava de vergonha. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas me forcei a não deixá-las cair.
Alguém tinha planejado isso. Alguém queria estragar aquele momento.
De repente, ouvi a voz de Jacob gritando meu nome, enquanto ele corria em direção ao palco.
Jacob me pegou no colo sem hesitar, descendo as escadas do palco enquanto os olhares chocados e confusos dos alunos nos seguiam. Ele saiu pela porta da quadra comigo em seus braços, ignorando os murmúrios e comentários. Assim que chegamos ao lado do carro, ele me colocou no chão gentilmente, mas eu não consegui segurar as lágrimas.
– Nessie, por favor, não chora – ele disse, segurando meu rosto com as mãos. Sua voz estava cheia de revolta. – Quem fez isso vai pagar. Eu prometo.
Eu não conseguia falar. Apenas balancei a cabeça, as lágrimas caindo sem controle.
– Isso foi cruel, Jake – murmurei entre soluços. – Eu só quero ir pra casa.
Antes que ele pudesse responder, Rachel, Rebecca, Paul e Solomon chegaram correndo. Rachel foi a primeira a me abraçar, enquanto Rebecca tentava limpar o que podia do meu cabelo e vestido com lenços de papel.
– Nessie, quem fez isso? – Rachel perguntou, a voz cheia de raiva.
– Não importa agora – eu disse, tentando segurar o choro. – Eu só quero ir embora.
Jacob se afastou por um momento, provavelmente tentando se acalmar, mas antes que pudesse dizer algo, uma voz familiar surgiu atrás de nós.
– Jacob.
Leah.
Rachel, Rebecca e Jacob se viraram ao mesmo tempo, surpresos.
– Leah? – Rachel perguntou, com as sobrancelhas levantadas. – O que você está fazendo aqui? Desde quando você voltou de La Push?
– Eu voltei hoje – Leah respondeu, os olhos fixos em Jacob. – Preciso falar com você. É importante.
– Leah, essa é uma péssima hora – Jacob disse, claramente irritado. Ele olhou para mim rapidamente e depois voltou a encará-la. – Eu preciso levar a Nessie pra casa.
– Não pode esperar – Leah insistiu, dando um passo à frente. – É sério, Jacob.
– Pode esperar no carro– murmurei, tentando limpar meu rosto.
Mas Jacob balançou a cabeça.
– Não. Seja o que for, Leah, fale logo – ele disse com firmeza. – Eu não vou deixar a Nessie esperando sozinha.
Leah respirou fundo, hesitando por um momento antes de finalmente dizer:
– Eu estou grávida, Jacob. Estou esperando um filho seu.
O tempo pareceu parar. Meu coração disparou, e eu senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Olhei para Jacob, esperando alguma reação, mas ele estava tão chocado quanto eu.
– O quê? – ele perguntou, a voz incrédula.
Eu dei um passo para trás, incapaz de processar o que tinha acabado de ouvir. Meu peito estava apertado, e as lágrimas que eu havia começado a controlar voltaram com força total.
– Jacob? – minha voz saiu fraca, quase inaudível.
Ele virou para me olhar, mas eu já estava dando passos para trás. Meu mundo parecia ter desmoronado em questão de segundos.
Jacob parecia congelado por um instante, mas sua expressão mudou rapidamente quando Leah pegou um papel na bolsa e o entregou a ele.
– Aqui está a prova – Leah disse, com a voz firme, seus olhos cravados em Jacob.
Rachel e Rebecca tentaram me guiar para o carro, mas eu me desvencilhei delas, com o coração apertado.
– Eu não vou a lugar nenhum – declarei, encarando Jacob. – Jacob, me diga. Isso é verdade?
Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado, antes de olhar para mim.
– Pode ser verdade – ele disse, sua voz baixa e hesitante.
Foi como se o chão tivesse se aberto sob os meus pés. A dor e a humilhação eram insuportáveis, mas acima de tudo, havia a raiva. Sem pensar, virei e corri em direção ao estacionamento.
– Nessie, espera! – ouvi Jacob me chamar, mas eu não parei.
Ele me alcançou rapidamente, segurando meu braço.
– Me deixa explicar! – ele pediu, ofegante. – Eu não sabia disso, eu juro!
Virei para ele, o rosto quente de lágrimas e raiva.
– Explicar o quê, Jacob? – gritei. – Agora tudo faz sentido... a raiva da Leah, a forma como ela sempre olhou para mim! E você, como pôde?
– Isso aconteceu antes de nós dois... – ele começou, mas eu o interrompi.
– Antes ou depois não importa agora! – respondi, a voz trêmula. – Você mentiu por omissão, Jacob! Como eu posso acreditar em qualquer coisa que você diz?
Ele tentou me segurar de novo, mas me desvencilhei.
– Eu vou te levar pra casa – ele insistiu, tentando soar calmo.
– Não – retruquei, com firmeza. – Eu vou de táxi.
Comecei a me afastar, enxugando as lágrimas que não paravam de cair. Jacob tentou me segurar mais uma vez, mas, desta vez, eu virei e dei um tapa no rosto dele.
– Não me toca! – gritei, antes de sair correndo na direção da rodovia.
Minhas pernas tremiam e minha visão estava embaçada pelas lágrimas, mas eu continuei andando. Tudo parecia um pesadelo interminável. Foi quando um carro parou à minha frente.
Um homem desceu, e assim que nossos olhos se encontraram, o pânico tomou conta de mim. Era Tom.
– Não... – murmurei, meu corpo paralisado por um segundo antes de tentar correr.
Ele foi mais rápido, segurando meu braço com força.
– Me solta! – gritei, lutando contra ele.
– Shhh, princesa – ele disse, com uma voz fria que me causou arrepios.
Continuei me debatendo, mas senti algo cravar em minha pele, uma dor aguda no pescoço. Minha visão começou a girar, e as forças me abandonaram. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, tudo ficou escuro.
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