Apenas mas uma de amor
28 Renesmee- Cicatrizes
Notas iniciais
Acordei com uma sensação estranha, como se minha mente estivesse envolta em uma neblina. Meu corpo parecia pesado, mas, ao mesmo tempo, algo estava errado. Olhei ao redor e percebi que não estava mais no estacionamento da escola. O ambiente era desconhecido: uma pequena sala com móveis antigos, quase decadentes. Estava deitada em uma cama, enrolada em lençóis limpos, e meu corpo não tinha mais sinais de tinta.
Meu coração disparou ao ouvir o som da porta sendo destrancada. Sentei-me rapidamente, tentando me cobrir com os lençóis enquanto Tom entrava no quarto.
– Finalmente acordada – ele disse, fechando a porta atrás de si. Seu sorriso era perturbador, e a maneira como me olhava fazia meu estômago revirar.
– O que você fez? – perguntei, tentando manter minha voz firme, embora estivesse tremendo por dentro. – Por que estou aqui?
Ele se aproximou, ignorando minha pergunta, com uma expressão que misturava satisfação e algo mais... algo que me enchia de pânico.
– Jacob – ele começou, o nome de Jacob saindo de seus lábios como veneno. – Sempre ele, não é? Sempre o cara que tem tudo, que pega tudo. As garotas, o respeito, a atenção.
Tentei não reagir, mas meu coração batia tão forte que parecia que ele podia ouvir.
– Eu achei que você fosse diferente, Nessie. Achei que talvez... só talvez, você não fosse como as outras. Mas não, Jacob fez de novo. Ele roubou você de mim.
– Roubou? – repeti, confusa e apavorada. – Tom, você está maluco! Eu nunca...
Ele me interrompeu, dando um passo à frente.
– Eu sempre fui louco por você, Renesmee. Desde o momento em que te vi. Você era tão... perfeita. Mas ele apareceu, e você caiu nas garras dele, como todas as outras.
– Isso não faz sentido! – exclamei, desesperada, as lágrimas já escorrendo pelo meu rosto. – Me deixe ir, por favor!
Ele balançou a cabeça, a voz ficando mais suave, mas igualmente aterrorizante.
– Não, eu não vou te deixar ir. Eu te amo, Nessie. Sempre amei. E agora... agora você vai ver que pode ser minha.
O pânico me consumiu por completo enquanto ele dava mais um passo em minha direção.
– Não encosta em mim! – gritei, me levantando da cama e tentando empurrá-lo para longe.
Ele parecia surpreso com minha reação, mas rapidamente se recuperou, segurando meus braços.
– Calma, princesa... – ele disse, com uma calma que só me apavorava mais.
Com toda a força que consegui reunir, o empurrei e corri em direção à porta. Cheguei a girar a maçaneta, mas ele foi mais rápido, puxando-me pelo braço com força.
– Você não vai a lugar nenhum – ele disse, sua voz agora fria e ameaçadora.
Antes que eu pudesse gritar novamente, senti algo cravar em meu pescoço. Uma dor aguda e, logo depois, aquela mesma sensação de tontura e fraqueza.
– Essa noite você será minha, princesa – foi a última coisa que ouvi antes de tudo apagar novamente.
...
Meu corpo parecia preso em uma neblina espessa. Vozes confusas ecoavam ao meu redor, como se fossem parte de um sonho distante. Não conseguia entender as palavras, mas uma voz se destacou entre todas: a voz do meu pai.
Eu queria abrir os olhos, queria dizer que estava ali, mas eles estavam tão pesados. Meu corpo balançava de um lado para o outro, e a sensação de ser movida me deixava tonta. De repente, o mundo ao meu redor ficou em silêncio.
Quando finalmente consegui abrir os olhos, fui recebida por uma luz forte e paredes brancas. O cheiro estéril denunciava onde eu estava: um hospital. Meu braço estava cheio de agulhas, e um bip constante preenchia o ambiente.
Antes que o pânico pudesse tomar conta, vi o rosto de minha mãe, Bella, sentado ao meu lado. Seus olhos estavam cheios de alívio e preocupação.
– Mãe... – murmurei, minha voz fraca.
Bella segurou minha mão com firmeza, seus olhos brilhando com lágrimas que ela tentava conter.
– Estou aqui, querida. Você está segura agora.
Minha mente estava confusa, os flashes dos últimos momentos antes de tudo apagar se misturavam com a realidade.
– O que aconteceu? Onde eu estou? – perguntei, tentando processar tudo ao meu redor.
– Você está no hospital, Renesmee – ela respondeu, com uma calma que me ajudava a não entrar em pânico. – Você foi encontrada e está em segurança agora.
Eu olhei para o teto, tentando organizar meus pensamentos.
– O Tom... Ele... Ele me levou... Eu não lembro de tudo, mãe, eu nao sei o que ele fez. – Minhas palavras saíam rápidas, enquanto as lágrimas escorriam sem controle.
Bella levantou da cadeira e me envolveu em um abraço delicado, tomando cuidado com os tubos e agulhas.
– Calma, Nessie. Está tudo bem agora. Eu prometo. – Sua voz era firme, mas carregava um tom de dor que ela tentava esconder.
– Mas, e o papai? Ele esta aqui? – perguntei, olhando em volta desesperada.
– Seu pai está resolvendo tudo com a polícia. Jacob também está aqui, ele não saiu do hospital desde que te trouxeram. – Bella passou a mão pelo meu cabelo, tentando me acalmar. – Nós estamos todos aqui por você, meu amor.
Eu respirei fundo, tentando absorver suas palavras, mas Jacob não era uma das pessoas que eu queria ver naquele momento.
– Isso vai acabar, mãe? Tudo isso vai acabar?
Bella segurou meu rosto com delicadeza e me olhou nos olhos.
– Vai sim, querida. Eu não vou deixar ninguém te machucar de novo. Nós estamos aqui, e tudo ficará bem.
Eu queria acreditar nela, mas a sensação de medo, de violação ainda me envolvia como um manto pesado. Mesmo assim, o calor e a segurança do abraço da minha mãe eram a única coisa que me davam força naquele momento.
...
Os dias no hospital se arrastavam como anos. Cada exame que eu fazia parecia arrancar mais pedaços da minha alma, já tão machucada. Todos diziam que era necessário, que fazia parte do processo, mas eu me sentia vazia, quebrada.
Pedi para não ver Jacob. Não conseguia encará-lo, não depois de tudo. Saber sobre ele e Leah era como um golpe que não parava de latejar. Ele tinha sido o centro da minha felicidade, e agora era o epicentro da minha dor.
Três noites. Foi o tempo necessário para tirar tudo de mim: minha felicidade, o homem que eu amava e a dignidade que eu lutava para proteger.
Eu terminava mais uma sessão com a psicóloga. Ela era paciente, gentil, mas suas palavras pareciam ecos em um vazio que eu não sabia como preencher. Quando voltei ao quarto, minha mãe e meu pai estavam lá, esperando por mim.
Bella se levantou e veio até mim, ajudando-me a sentar na cama. Edward permaneceu de pé, suas mãos nos bolsos, mas seus olhos refletiam a preocupação que ele sempre tentava esconder.
– Como foi a sessão, querida? – Bella perguntou, sua voz suave como sempre.
– Foi... foi o que tinha que ser – respondi, sem energia para elaborar mais.
Edward pigarreou, atraindo minha atenção.
– Renesmee, eu e sua mãe estávamos conversando. Carlisle me ligou hoje cedo, pedindo minha ajuda em Amsterdã. Há um caso complicado no hospital, e ele acha que eu posso contribuir.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bella se sentou ao meu lado, segurando minha mão.
– Nós pensamos que seria uma boa ideia você viajar conosco. Sair daqui, se afastar de tudo isso por um tempo. – Ela olhou para mim com olhos esperançosos. – Seria bom para você, Nessie.
Eu encarei meus pais em silêncio por alguns instantes. A ideia de ir embora, de deixar tudo isso para trás, soava como a única saída.
– Eu quero ir – murmurei, minha voz firme apesar das lágrimas que ameaçavam cair. – Por favor, eu preciso ir.
Bella me abraçou apertado, seu carinho silencioso dizendo mais do que palavras poderiam. Edward se aproximou e nos envolveu em seus braços, um gesto de proteção que me fez sentir segura por um momento.
Tudo que eu queria era ficar longe das lembranças e de todos que haviam me machucado. Isso incluía Jacob. Eu precisava recomeçar, em um lugar onde as cicatrizes talvez doessem menos.
Fale com o autor