Apenas mas uma de amor

36 Renesmee- Diagnóstico


O aroma do café fresco preenchia a cozinha, e eu estava sentada com Bella, Rosalie, Esme e Alice, saboreando uma xícara quente de café enquanto as conversas fluíam ao redor da mesa. Aurora estava quieta, com uma expressão de aborrecimento estampada no rosto, seus olhos fixos na mesa.

Eu a observei, um pouco desconcertada, e sem conseguir conter, falei:

— Aurora, você não vai dar bom dia hoje?

Ela me encarou por um momento e, com um suspiro, murmurou:

— Desculpa... Bom dia, mãe.

O tom da voz dela estava baixo, e eu pude perceber o desânimo, mas também o desafio. Olhei para ela, tentando suavizar o que estava prestes a dizer, já que a preocupação com nosso relacionamento me apertava o peito.

— Eu sei que você está com raiva, filha... Mas lembra-se de que hoje eu estou de folga? Depois da escola, podemos fazer o que você quiser.

Ela me encarou, seus olhos cheios de uma intensidade que eu não esperava.

— Não estou à venda, mãe.

Eu fiquei parada por um momento, surpresa com a resposta dela. Não era isso que eu estava esperando ouvir.


— Aurora, você ainda é minha filha. E mesmo que você não queira ouvir, eu sou sua mãe e você vai fazer o que eu disser. — minha voz soou mais firme do que eu me sentia.

Aurora não se moveu. Ela me olhou com uma expressão de quem estava firme em sua decisão.

— Quando você me mostrar meu pai, aí sim a gente conversa. — Ela cruzou os braços, olhando para mim com os olhos cheios de expectativas e firmeza.

Eu respirei fundo, o peso da situação apertando meu peito. Aurora estava crescendo e se tornando cada vez mais obstinada, e a dor de tê-la distante, emocionalmente, era mais difícil do que eu imaginava.

— Aurora... — comecei, minha voz mais suave agora. — Você sabe que eu... estou tentando, mas tem coisas que não são simples.j

Ela não respondeu, apenas se levantou da cadeira e saiu da mesa, indo em direção ao seu quarto. Um nó se formou na minha garganta.

Bella me olhou com um olhar de compreensão, seus olhos suavizando a dor que eu sentia.

— Nessie, você sabia que esse momento ia chegar. Ela é teimosa, assim como você foi na sua idade. Tenha paciência. — Bella disse com um sorriso que tentava ser reconfortante, mas eu sabia que as palavras dela vinham de um lugar de empatia, porque ela também entendia a complexidade da situação.

Alice, que estava sentada ao lado, levantou uma sobrancelha e olhou para mim, sua expressão séria.

— Nessie, você precisa falar com o Jacob. Já adiou isso por tempo demais. Não é só uma questão de você e de Aurora... é sobre a vida dela, e você sabe disso. — Alice tinha uma maneira direta de falar, e suas palavras me atingiram como uma verdade incômoda.

Eu suspirei, sentindo a pressão crescer dentro de mim. Elas estavam certas. Eu sabia que não poderia mais adiar essa conversa com Jacob. O que estávamos esperando? Para que Aurora tivesse mais uma razão para se magoar?

Levantei-me da cadeira, minha decisão já tomada.

— Eu vou falar com ela... — Respondi, minha voz decidida. Eu não podia mais deixar as coisas assim.

Sem mais palavras, saí da sala e fui atrás de Aurora. Sabia que ela estava com o coração fechado para mim, mas talvez, se eu finalmente enfrentasse o passado, poderia abrir as portas para uma nova etapa de nossa vida. Não apenas como mãe e filha, mas como a família que ainda podia ser, se eu tivesse a coragem de dar o próximo passo.

Subi as escadas com o coração apertado, tentando encontrar uma maneira de contornar a situação. Eu sabia que não podia deixar as coisas entre mim e Aurora seguirem por esse caminho sem resolver. Mas, ao mesmo tempo, como explicar a ela sobre Jacob sem machucar ainda mais seu coração? Como fazer com que ela entendesse o quanto eu a amava e o quanto eu estava tentando fazer o melhor por ela? Eu não tinha todas as respostas, mas sabia que precisava agir agora.

Cheguei à porta do quarto dela e, ao tentar abri-la, percebi que estava trancada. Um aperto na garganta me fez respirar fundo. Bati na porta, chamando-a:

— Aurora, abre a porta, filha.

A resposta veio de dentro, abafada, mas firme:

— Depois eu abro, mãe.

Eu sentia a paciência se esvaindo, mas sabia que não poderia ceder ao impulso de ser dura. Porém, não consegui deixar de insistir:

— Aurora, abre a porta agora. Eu preciso falar com você.

Silêncio por um momento. Depois, a chave virou e a porta se destrancou. Ela se abriu lentamente, revelando Aurora de costas, com uma toalha cobrindo seu rosto. Alguns pedaços de toalhas estavam espalhados pelo chão, e a sensação de que algo estava errado imediatamente tomou conta de mim.

— Aurora? O que aconteceu? — Perguntei, tentando manter a calma, mas o medo já começava a transparecer na minha voz.

Ela se virou lentamente, e foi quando vi. A toalha em seu rosto estava manchada de vermelho. Meu estômago se revirou. Fui até ela rapidamente e puxei a toalha, revelando seu nariz sangrando. O sangue parecia não querer parar. Minha respiração se acelerou, e a preocupação invadiu meu corpo como uma onda fria.

— Aurora, o que aconteceu? — Perguntei, quase sem saber o que fazer.

Ela me olhou com uma expressão de cansaço, como se estivesse acostumada a isso.

— Eu fico sangrando sempre, mãe... Não é nada novo.

Mas eu sabia que não era normal. O sangue continuava a escorrer, e a preocupação só aumentava. Eu sabia que precisava agir rápido. Sentando-a cuidadosamente na cama, eu a segurei com suavidade e fui em busca do telefone.

— Fica calma, filha. Eu vou chamar a sua avó... Bella! — Chamei por Bella, minha voz já transparecendo o pânico.

Bella apareceu quase imediatamente, com a expressão que sabia ser a mesma que a minha: preocupada e alerta.

— Nessie, o que aconteceu? — Ela entrou no quarto, indo diretamente até nós.

— Bella, por favor, liga para o Edward. Eu estou levando a Aurora para o hospital agora. — Minha voz tremia, e eu já sentia uma dor aguda no peito. Como isso poderia ser algo simples? Eu sabia que, no fundo, não era.

Bella pegou o celular, ligando para Edward, e eu senti um alívio momentâneo, mas isso logo foi seguido pela ansiedade de ver minha filha naquela situação.

— Aurora, você vai ficar bem, prometo... — Murmurei, passando a mão pelos cabelos dela enquanto ela me olhava com os olhos cheios de confiança, mas também de dor.

Eu sabia que aquele momento ia exigir mais de mim do que eu imaginava. A dor dela me cortava, mas agora não era só a dor física que me preocupava. Eu precisava encontrar uma maneira de curar tudo, e isso incluía, de alguma forma, corrigir o que estava pendente entre mim e Jacob.

...

Eu estava sentada ao lado de Aurora, observando cada respiração dela enquanto ela se recuperava na cama do hospital. O sangramento havia finalmente parado, mas eu sabia que isso não significava que o pior já tinha passado. Eu me sentia inquieta, o medo de não saber o que estava realmente acontecendo com minha filha me consumia. Daniel entrou no quarto, e Aurora, como sempre, parecia encantada com ele.

— Oi, Tio Dan! — Aurora sorriu, e suas palavras tinham a inocência que só uma criança poderia ter. Daniel sorriu de volta, seu olhar se suavizando enquanto ele se aproximava dela.

— Oi, Aurora. Como você está se sentindo agora? — Perguntou Daniel com a suavidade de quem realmente se importava.

— Estou bem agora, Tio Dan. O sangue parou de sair, está tudo bem. — Aurora respondeu com um sorriso tímido, e eu me senti aliviada, mesmo sabendo que aquilo poderia ser só uma melhora temporária.

Ele a examinou rapidamente, verificando a pressão arterial, o ritmo cardíaco e o nível de saturação do oxigênio, e então se inclinou para ela.

— O sangramento parou, o que é um bom sinal. Eu acredito que você vai ficar bem, Aurora. — Daniel falou, com a voz calma, tentando transmitir confiança. Ele olhou para mim e fez um gesto para que saíssemos do quarto.

Minha tensão aumentou à medida que ele falava, seu rosto sério e focado. Nós saímos para o corredor, e ele me entregou os resultados dos exames. Minha mão estava trêmula enquanto pegava o papel, e minha mente foi automaticamente para o que poderia ser o pior.

Eu comecei a ler os resultados, e minha expressão se endureceu. Eu não podia ignorar a preocupação que se formava em meu peito.

— Daniel... A Aurora tem anemia grave, com hemoglobina abaixo de 6 g/dL. Isso é bastante preocupante, e há sinais de carência severa de ferro e vitamina B12. Além disso, os testes mostraram uma baixa contagem de reticulócitos, sugerindo que a medula óssea não está respondendo adequadamente à demanda por novas células sanguíneas... — Eu parei de falar, sentindo o nó na garganta. Quando olhei para ele, a ansiedade ficou estampada no meu rosto.

— Você não vai fazer o exame de medula óssea, para garantir que não há uma causa mais grave por trás disso? — Perguntei, tentando manter minha voz firme, embora o medo estivesse se infiltrando em cada palavra.

Daniel me olhou com uma seriedade ainda maior e suspirou, como se já soubesse o que eu estava prestes a questionar. Ele sabia que eu, como médica, tinha uma compreensão técnica muito boa do que estava acontecendo, mas ainda assim, ele precisava me tranquilizar.

— Nessie, como você bem sabe, esse tipo de anemia é comum em crianças da idade da Aurora. O déficit de ferro e de vitaminas é algo que pode ser tratado com suplementos e mudanças na alimentação. Eu não vejo necessidade de um exame de medula óssea agora. Temos as informações suficientes para tratar o caso. — Ele fez uma pausa, observando minha reação. Eu estava tensa, quase me segurando para não tomar decisões precipitadas.

Ele continuou com sua abordagem calma, mas decidida:

— Eu assumirei o caso da Aurora, porque você está emocionalmente envolvida. E, como mãe, você precisa manter a calma e tomar as decisões corretas para o bem dela. O tratamento começará amanhã mesmo. Vou prescrever a medicação necessária e orientações para uma dieta balanceada com ferro e vitaminas. É vital que a Aurora siga isso à risca. — Ele me olhou diretamente nos olhos, como se estivesse me pedindo para confiar nele.

Eu respirei fundo, ainda processando as palavras dele. Era difícil não estar envolvida emocionalmente, especialmente quando se tratava de Aurora, mas eu sabia que ele estava certo. Eu precisava confiar nele, assim como confiava nos outros membros da minha família.

— Você está certo... Eu vou confiar em você, Daniel. — Falei finalmente, minha voz mais tranquila, mas o peso da responsabilidade de ser mãe ainda estava sobre meus ombros.

Eu sabia que o caminho para a recuperação de Aurora seria longo, mas com o tratamento certo, ela teria chances de superar aquilo. O que mais me preocupava agora era como as coisas entre nós duas iam mudar. Eu sabia que precisaríamos de mais do que apenas tratamentos médicos — precisaríamos de tempo para nos conectar, de amor para curar.