Apenas mas uma de amor

66 Renesmee- Decepção



Jacob se ajoelhou à minha frente, seus olhos cheios de culpa e determinação. Ele sabia que havia mais a ser dito, algo que eu ainda não sabia, mas que ele precisava confessar.

– Nessie, eu não posso mais esconder isso de você. Preciso te contar a verdade.

Olhei para ele com desconfiança, ainda tentando processar as fotos e suas explicações anteriores.

– Verdade? – repeti, a voz saindo mais fria do que eu pretendia. – Estou ouvindo.

Jacob respirou fundo, como se reunisse coragem para o que viria a seguir.

– Naquela noite, quando fui ao apartamento de Renata, ela colocou sonífero no meu suco.

Minha expressão ficou estática, mas por dentro uma mistura de surpresa e indignação me consumia.

– O quê?

– Renata está sendo chantageada por Tom – continuou ele, sua voz cheia de urgência. – Ele sequestrou os pais dela e está exigindo que ela faça o que ele quer. Ela está desesperada, Nessie. A polícia está atrás dele agora.

Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo suas palavras. O choque deu lugar ao medo ao pensar em Tom estar tão perto de nós novamente.

– Então você foi drogado? – perguntei, tentando entender.

– Sim – respondeu ele, a sinceridade evidente no seu tom. – Eu não sabia o que estava acontecendo até acordar no sofá. Nada aconteceu entre mim e Renata, eu juro.

Minha mente estava em um turbilhão, processando as informações que Jacob acabara de compartilhar. Mas, apesar do medo e da surpresa, havia algo maior me incomodando.

– Isso não muda o fato de que você mentiu para mim, Jacob – disse, minha voz firme.

– Eu não queria te preocupar – ele tentou justificar, levantando-se para se aproximar de mim.

– Mas você me preocupou ainda mais! – retruquei, levantando-me também. – Confiança, Jacob, é o que sustenta qualquer relacionamento. E você quebrou a minha.

Ele me olhou, abatido, como se minhas palavras fossem um golpe direto.

– Eu sinto muito, Nessie. Eu só queria te proteger.

Balancei a cabeça, segurando as lágrimas que ameaçavam cair novamente.

– Proteger não é esconder, Jacob. Você não percebe que sua falta de honestidade me machucou mais do que qualquer outra coisa?

– Por favor, me dê uma chance de recuperar sua confiança – pediu ele, quase implorando.

Cruzei os braços, afastando-me um pouco.

– Confiança não é algo que se recupera com palavras. É algo que se reconstrói com tempo e ações, Jacob. E agora, eu preciso de espaço.

Ele tentou argumentar, mas eu levantei a mão, indicando que não queria ouvir mais.

– Boa noite, Jacob. Vou dormir com a Hope essa noite.

Antes que ele pudesse responder, peguei um travesseiro e um lençol no armário e saí do quarto. Caminhei até o quarto de minha filha menor, tentando manter minha postura firme, mas sentindo meu coração apertado a cada passo.

Entrei no quarto de Hope e a observei dormindo tranquilamente, sua respiração suave enchendo o ambiente com uma calma que eu ansiava desesperadamente. Arrumei o lençol no chão ao lado da cama dela e me deitei, fechando os olhos e tentando acalmar minha mente.

Apesar de todo o caos, estar perto de minhas filhas era a única coisa que me dava força. E naquela noite, mais do que nunca, eu precisava disso.

Acordei sentindo o peso de cobertores confortáveis sobre mim. Minha cabeça ainda estava um pouco confusa, e pisquei várias vezes antes de perceber que estava de volta ao meu quarto. Minha mente tentou reconstituir o que havia acontecido, mas tudo parecia um borrão.

"Em que momento voltei para cá?", perguntei a mim mesma, sentando na cama e esfregando os olhos sonolenta.

A porta do quarto se abriu suavemente, e Jacob entrou, vestido para o trabalho, com a gravata ainda um pouco solta. Ele me deu um sorriso discreto.

– Bom dia – disse ele, sentando ao meu lado na cama.

Observei-o sem saber o que dizer. Minha mente ainda estava imersa na mágoa da noite anterior.

– Lembra da promessa que fizemos? – ele começou, a voz baixa e carregada de uma ternura que só Jacob conseguia transmitir. – De nunca dormirmos separados, mesmo quando estivéssemos brigados?

A lembrança veio como um sopro de um tempo mais simples. Eu fechei os olhos, sentindo o peso de sua pergunta.

– Eu lembro – murmurei, sentindo a culpa misturar-se à minha tristeza. – Desculpa por ter saído do quarto.

Ele balançou a cabeça e segurou minha mão suavemente.

– Não, Nessie. Você não tem que se desculpar. Eu errei com você, e você tem todo o direito de estar magoada. Eu só quero que saiba que vou recuperar sua confiança. Custe o que custar.

Seus olhos estavam fixos nos meus, cheios de determinação, mas a dor em sua voz era evidente. Antes que eu pudesse responder, ele se inclinou e beijou minha testa, um gesto tão familiar e, ao mesmo tempo, tão distante.

– Sarah e Billy estão chegando hoje para passar o dia com as Ryan e as meninas, como combinamos.

Assenti lentamente, tentando esboçar um sorriso, mas tudo que consegui foi um aceno silencioso. Uma onda de tristeza tomou conta de mim. Por mais que eu quisesse, ainda não conseguia perdoá-lo completamente.

Jacob se levantou e ajustou a gravata. Ele olhou para mim mais uma vez, como se quisesse dizer algo mais, mas optou pelo silêncio.

– Eu te amo, Nessie – disse ele finalmente, com a voz suave, antes de pegar sua maleta e sair do quarto.

Fiquei ali, sentada na cama, ouvindo o som dos passos dele descendo as escadas. Meu coração parecia dividido entre o amor que sentia por ele e a dor da desconfiança. Jacob estava disposto a reconquistar minha confiança, mas será que eu estava pronta para dar a ele essa chance?

...

O café da manhã estava tranquilo. Hope insistia em colocar mel na panqueca de Aurora, o que resultava em risadas e pequenos protestos da irmã. A TV, ligada no noticiário, transmitia imagens de policiais em uma área de buscas. Minha atenção foi capturada pela manchete: “Tom Evans: principal suspeito do sequestro de Mickael e Dorotéia Willows segue foragido”.

Meu estômago revirou. Eu rapidamente procurei o controle remoto e mudei o canal para algo mais leve antes que Renata fosse mencionada. As meninas não precisavam desse tipo de preocupação, especialmente com tudo o que já estava acontecendo.

A campainha tocou e, antes que eu pudesse me levantar, Aurora saiu correndo.

– Eu atendo! – ela gritou, animada.

De onde eu estava, ouvi sua risada e, logo depois, sua voz animada:

– Vovô Billy! Vovó Sarah! Ryan!

Fui até a porta e encontrei Aurora abraçando Sarah enquanto Billy acariciava a cabeça de Hope, que havia corrido atrás da irmã. Ryan estava logo atrás, tentando abraçar Aurora também. A cena trouxe um calor ao meu coração.

– Bom dia – cumprimentei, com um sorriso genuíno.

Sarah se aproximou e me abraçou.

– Passamos no apartamento de Renata para pegar o Ryan – ela disse, beijando minha bochecha. – Ele estava ansioso para vir.

– Tia Nessie! – Ryan me chamou, correndo para me abraçar. Eu o peguei no colo e apertei contra mim. – Estou com saudade!

– Eu também, meu amor – respondi, dando um beijo no topo de sua cabeça.

Billy entrou, cumprimentando as meninas e espalhando sua energia calorosa pela sala.

– Prontos para um dia cheio de diversão com os avós? – ele perguntou, fazendo Hope e Aurora pularem de animação.

Enquanto os avós e as meninas se acomodavam, fiquei um momento a mais com Ryan nos braços. Ele me olhou com aqueles olhos curiosos, e tudo dentro de mim se acalmou. Eu precisava dessas pequenas bênçãos para lembrar o que era realmente importante.

...


Eu segurava delicadamente a pequena mão do bebê enquanto verificava seus sinais vitais. Ele era tão pequeno, tão frágil, mas já um guerreiro por ter enfrentado uma cirurgia delicada. A mãe estava sentada na poltrona ao lado, observando cada movimento meu com um misto de esperança e medo.

Meu celular vibrou no bolso do jaleco. Pedi licença, saí rapidamente da sala e atendi ao ver que era Jacob.

– Oi, Jake. Estou no hospital, mas posso falar – disse, tentando manter a voz calma

– Ness, desculpa por ligar mas a Renata me ligou agora há pouco – ele começou, sua voz séria, mas ainda assim gentil. – Ela pediu se o Ryan pode passar uns dias com a gente. Ela disse que o clima no apartamento está deixando ele nervoso.

Eu suspirei, apertando o telefone contra o ouvido.

– Claro, Jacob. O Ryan não deveria estar exposto a isso. Ele precisa se sentir seguro e em paz.

– Obrigado, Nessie – ele respondeu, e percebi o alívio em sua voz. – Eu sei que isso não é fácil, mas você é incrível por sempre colocar as crianças em primeiro lugar.

Um silêncio breve se seguiu antes de ele dizer:

– Eu te amo, Renesmee.

Meu coração apertou. Fechei os olhos, tomando um momento para processar.

– Eu sei, Jake. Conversamos quando eu chegar em casa.

– Esta bem– ele respondeu antes de desligar.

Fiquei parada por um momento, o telefone ainda na minha mão, enquanto uma onda de emoções me atingia. Suspirei profundamente, tentando dissipar a tensão que insistia em se acumular.

Quando olhei novamente para o celular, uma sequência de mensagens apareceu. Sarah havia mandado fotos das crianças passeando por Seattle com Billy. Hope estava em um carrossel, rindo alto enquanto Aurora segurava sua mão, ambas claramente felizes. Ryan estava no colo de Billy, apontando para algo ao longe.

Um sorriso involuntário se formou nos meus lábios. Por mais desafiador que tudo estivesse, ver meus filhos felizes era o que eu precisava para continuar.

Respirei fundo e voltei para a sala, pronta para cuidar daquele pequeno guerreiro que precisava de mim.