Apenas mas uma de amor
64 Jacob- Conciencia pesada
Eu via nos olhos de Nessie o peso da preocupação. Por mais que ela tentasse disfarçar para manter a serenidade diante das meninas, sua tensão era palpável. Ela sorria, conversava e até brincava com Hope e Aurora, mas quando nossos olhares se cruzavam, eu enxergava o medo que ela tentava esconder.
Naquela noite, enquanto as meninas dormiam e nós nos preparávamos para nos deitar, Nessie me lançou um olhar sério.
– Jake – ela começou, sua voz baixa, quase hesitante.
– Sim? – Respondi, sentando-me na beira da cama e observando-a.
– O que o Embry fazia no hospital hoje pela manhã? – Ela me perguntou diretamente, seus olhos buscando os meus com uma intensidade que deixava claro que ela já desconfiava da resposta.
Soltei um suspiro, sabendo que não fazia sentido evitar a conversa. Ela tinha razão em querer explicações.
- O Embry tem uma empresa de segurança pessoal agora – comecei, escolhendo as palavras com cuidado. – Eu o contratei para proteger você e as meninas quando eu não estiver por perto.
Ela arregalou os olhos ligeiramente, surpresa, mas também aliviada por não precisar arrancar a verdade de mim.
– Então ele está... me seguindo? – Ela perguntou, cruzando os braços, claramente processando a ideia.
– Não é bem assim – expliquei, me aproximando dela. – Ele e a equipe dele estão por perto para garantir que você e as meninas estejam seguras. Eu não queria te assustar, Nessie, mas precisava garantir que nada acontecesse com vocês.
Ela suspirou, passando as mãos pelos cabelos. – Jake, eu entendo por que você está fazendo isso, mas por favor, pare de esconder as coisas de mim. Nós sempre fomos honestos um com o outro.
– Eu sei – admiti, sentindo o peso da culpa. – Não queria que você se sentisse assim... que ficasse tão preocupada. Só queria que você tivesse paz.
Ela balançou a cabeça, sua expressão suavizando. – Eu entendo seus motivos, mas, Jake, você não pode carregar isso sozinho. Eu preciso saber dessas coisas.
Peguei suas mãos, apertando-as com firmeza. – Me perdoa, Ness. Eu prometo que não vou mais te esconder nada.
Ela me olhou por um momento, e então um pequeno sorriso curvou seus lábios. – Eu te perdoo, mas só se você cumprir essa promessa.
– Eu vou – assegurei, puxando-a para meus braços. O calor do seu corpo contra o meu era um lembrete de tudo que eu queria proteger.
– Jake – ela murmurou contra meu peito, sua voz suave, mas carregada de determinação.
– O que foi? – Perguntei, afastando-me apenas o suficiente para olhar em seus olhos.
– Quero que esses seguranças fiquem também com as meninas – pediu ela.
Assenti sem hesitar. – Eles ficarão com você e com as meninas. Não se preocupe, Nessie. Eu não vou deixar nada acontecer a vocês.
Ela relaxou um pouco, suspirando contra meu ombro. Segurando-a ali, eu jurei a mim mesmo que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para mantê-las seguras. Nessie era minha vida, assim como nossas filhas. E eu não falharia com elas.
O dia tinha sido longo e exaustivo, cheio de processos que pareciam nunca acabar. Só à noite consegui um tempo para visitar Ryan. Quando Renata abriu a porta do apartamento, me recebeu com um sorriso caloroso.
– Achei que você não viria – disse ela, parecendo surpresa, mas satisfeita.
– Foi um dia complicado, mas nunca deixaria de passar para ver o Ryan – respondi, entrando.
Ela me guiou até o quarto do garoto, onde ele estava deitado, com um livro de histórias aberto no colo.
– Papai! – Ryan exclamou, seus olhos brilhando de alegria.
– Ei, campeão – falei, sorrindo e me sentando ao lado dele na cama. – Já era hora de dormir, não acha?
– Queria esperar você – disse ele, bocejando.
Eu ri baixinho e o ajudei a deitar, puxando o cobertor sobre ele.
– Amanhã, conto uma história mais cedo, combinado? – prometi, acariciando seus cabelos.
Ele assentiu, já com os olhos meio fechados. – Boa noite, papai.
– Boa noite, filho – murmurei, inclinando-me para beijar sua testa.
Esperei até que ele adormecesse completamente antes de sair do quarto. Renata estava na sala, sentada no sofá, me esperando.
– Obrigado por me receber tão tarde – falei, sentando-me.
Ela sorriu, gentil. – Não tem problema, Jacob. Sei o quanto você é ocupado. Quer um suco?
– Aceito, obrigado – respondi, cansado.
Ela foi até a cozinha e voltou com um copo. Peguei e bebi alguns goles, sentindo o frescor da bebida.
– Está gostoso – comentei.
Renata sorriu novamente, mas algo em sua expressão parecia... calculado. Talvez fosse apenas o cansaço me deixando paranoico.
– Você parece exausto – disse ela, sentando-se ao meu lado.
– Um pouco – admiti. – Hoje foi uma correria, nem tive tempo de ver as meninas. Acho que vou indo.
Quando me levantei, no entanto, senti o chão girar sob meus pés. Segurei o encosto do sofá para me equilibrar.
– Jacob, está tudo bem? – perguntou Renata, levantando-se também, sua voz cheia de preocupação.
Olhei para o copo em minha mão e depois para ela, confuso. – O que... o que você colocou no suco?
– Nada! – respondeu ela, ofendida. – Jacob, você acha que eu faria algo assim
– Não sei – murmurei, ainda mais atordoado. – Talvez eu só tenha trabalhado demais.
– Quer ligar para a Renesmee? – sugeriu ela, se aproximando.
Assenti, tentando afastar a sensação de que algo estava errado. Talvez eu realmente estivesse exagerando.
Renata me entregou o celular e me observou enquanto eu digitava o número de Nessie, mas algo na maneira como ela me olhava fez minha desconfiança crescer.
...
Acordei com uma dor de cabeça pulsante, e minha primeira reação foi franzir o rosto, incomodado. Ao abrir os olhos, senti meu coração disparar. Não estava em casa. Estava no sofá de Renata, ainda com a roupa da noite anterior e a gravata frouxa. Levantei-me rapidamente, confuso e assustado.
Renata apareceu na sala, segurando uma xícara de café. Ao me ver acordado, abriu um sorriso leve.
– Finalmente – disse ela. – Você apagou no sofá ontem à noite.
– Apaguei? – perguntei, minha voz carregada de incredulidade. – O que aconteceu?
– Você estava tão cansado que simplesmente desabou – explicou ela, com um tom de preocupação. – Tentei ligar para a Renesmee, mas ela não atendeu minhas chamadas.
Meu coração apertou ao ouvir aquilo. Peguei minha pasta e meu casaco, apressado.
– Eu... preciso ir – murmurei, já me dirigindo à porta.
– Jacob, espera... – começou Renata, mas não dei ouvidos.
Entrei no carro e procurei meu celular, que estava completamente descarregado. Praguejei baixinho, ligando o carro e dirigindo o mais rápido que pude até minha casa.
Quando entrei, encontrei Renesmee sentada no sofá da sala, os braços cruzados e um semblante de preocupação estampado em seu rosto.
– Onde você estava? – perguntou ela, sua voz calma, mas cheia de tensão.
Engoli em seco, meu cérebro trabalhando rápido para encontrar uma resposta. Poderia dizer a verdade, mas o que Nessie pensaria se soubesse que dormi no apartamento de Renata?
– Precisei sair de Seattle para cobrir um amigo – menti, tentando soar convincente. – Meu celular ficou sem bateria, e...
– Não tinha telefone onde você estava? – cortou ela, erguendo uma sobrancelha.
– Tinha – admiti, tentando manter a calma. – Liguei, mas você não atendeu.
Ela pareceu refletir por um momento e então murmurou: – Recebi algumas chamadas de um número desconhecido. Devia ser você.
Assenti, aliviado pela brecha que ela mesma me deu.
– Me desculpa – pedi, dando um passo à frente. – Não queria te preocupar.
Renesmee suspirou, relaxando os ombros. – Tudo bem, Jacob. Mas, por favor, da próxima vez, avise antes.
– Prometo – respondi, com sinceridade, enquanto ela se levantava e me dava um beijo no rosto.
Apesar de sua aceitação, um peso enorme permaneceu em meu peito. Eu odiava mentir para ela, mas antes de contar a ela precisava entender o que estava acontecendo.
...
Fazia uma semana desde que acordei no apartamento de Renata, e o peso de esconder aquilo de Renesmee não diminuía. Mesmo sabendo que nada tinha acontecido, a culpa não me deixava em paz. Nessie parecia desconfiada, mas sempre dizia que era apenas preocupação por causa de Tom estar solto.
Naquela tarde, decidi passar no apartamento de Renata para ver Ryan e verificar se estava tudo bem. Quando Renata abriu a porta, seus olhos vermelhos e inchados me chamaram a atenção imediatamente.
– O que aconteceu? – perguntei, preocupado, enquanto ela se afastava para me deixar entrar.
Ela balançou a cabeça, enxugando as lágrimas rapidamente.
– Não é nada, Jacob. Você não precisa se preocupar.
– Renata, você está chorando. O que está acontecendo? – insisti, fechando a porta atrás de mim.
Ela me olhou, hesitante, e então começou a balbuciar:
– Eu... eu sinto muito, Jacob. Nunca quis prejudicar o seu casamento.
Sua declaração me pegou de surpresa. Franzi o cenho, tentando entender.
– Do que você está falando? Por que você diria isso?
Renata desviou o olhar, visivelmente desconfortável. – É só que... eu sei que as coisas têm estado complicadas desde que você me ajudou com Ryan.
Me aproximei, colocando uma mão em seu ombro.
– Renata, eu percebi que você está diferente. Está me escondendo alguma coisa?
Ela pareceu hesitar, como se quisesse dizer algo, mas recuou e, em vez disso, me abraçou. Eu retribuí o abraço, tentando consolá-la.
– Ei, está tudo bem – murmurei. – Você pode me contar o que está acontecendo.
Renata se afastou ligeiramente, respirando fundo, antes de finalmente dizer:
– É Tom. Ele... ele sequestrou meus pais.
Fiquei paralisado por um momento, tentando processar o que ela tinha acabado de dizer.
– O quê?! – exclamei, meu tom incrédulo. – Ele sequestrou seus pais?
Ela assentiu, começando a chorar novamente.
– Ele está me chantageando, Jacob. Ele quer que eu...
Ela parou, incapaz de continuar, mas já era suficiente para mim. Meu sangue começou a ferver.
– Isso não pode continuar. Nós vamos avisar a polícia agora mesmo – declarei, determinado.
Renata segurou meu braço, parecendo ainda mais desesperada.
– Jacob, eu não posso! Ele disse que se eu contar a alguém... ele vai machucá-los.
– Renata – falei com firmeza, olhando diretamente em seus olhos –, nós não vamos deixar que ele faça isso. Confie em mim. Eu vou te ajudar.
Ela assentiu, ainda relutante, enquanto eu pegava meu celular, pronto para fazer o que fosse necessário para acabar com aquilo de uma vez por todas.
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