Apenas mas uma de amor
65 Renesmee- Mudanças
A chegada de Ryan à nossa família trouxe mudanças que, para minha surpresa, foram recebidas com bastante naturalidade pelas meninas. Hope e Aurora adoraram ter um novo irmão em casa. Hope, com seu jeito doce e protetor, rapidamente começou a cuidar de Ryan como se ele fosse uma extensão dela mesma. Aurora, mais introspectiva, levou um pouco mais de tempo, mas logo se deixou encantar pelo jeito carinhoso e curioso do menino.
Era reconfortante vê-los juntos, rindo, brincando, formando laços que só o tempo poderia fortalecer. Eu me pegava observando-os em silêncio, sentindo uma mistura de alívio e esperança. Ryan parecia finalmente encontrar um lugar onde era genuinamente querido e protegido.
No entanto, a paz aparente dentro de casa não refletia o turbilhão que eu sentia por dentro. Desde que descobrimos que Tom estava livre, a tensão se instalou em meu peito, como uma nuvem carregada que não se dissipa. Jacob tentava me tranquilizar, garantindo que estava fazendo de tudo para garantir nossa segurança, mas eu sentia o peso do perigo em cada esquina.
O que mais me preocupava, porém, não era apenas Tom. Era Jacob.
Nas últimas semanas, ele parecia mais distante. Sempre ocupado com o trabalho, reuniões, processos... Mas algo estava diferente. Eu conhecia meu marido o suficiente para perceber as nuances em seu comportamento. E a noite em que ele não voltou para casa foi a confirmação de que havia algo errado.
Ele disse que precisou sair de Seattle para cobrir um amigo e que seu celular descarregou, mas algo na forma como ele evitava o contato visual comigo me dizia que havia mais por trás daquela explicação. Desde então, ele parecia mais preocupado, mais ansioso. E eu? Eu sentia que estava sendo afastada de algo que deveria saber.
As pequenas mudanças, os olhares furtivos, as desculpas... Tudo isso era como um quebra-cabeça cujas peças ainda não se encaixavam. Mas uma coisa era certa: havia algo acontecendo.
Enquanto eu colocava o jantar na mesa e via as crianças interagirem como se nada estivesse errado, eu me pegava olhando para Jacob, que parecia perdido em pensamentos. Ele estava aqui fisicamente, mas sua mente parecia distante, presa em algo que ele não compartilhava comigo.
E isso me matava por dentro.
Se há uma coisa que sempre tivemos foi honestidade. Mesmo nos momentos mais difíceis, nunca escondemos nada um do outro. E agora, a sensação de que havia segredos entre nós era como uma ferida aberta que eu não sabia como curar.
Algo estava acontecendo. Eu tinha certeza disso. E, cedo ou tarde, eu descobriria.
Minha manhã no hospital havia sido como qualquer outra, com atendimentos e correria entre uma consulta e outra. Ainda assim, eu conseguia manter a mente parcialmente ocupada. O peso de meus pensamentos sobre Jacob ainda estava ali, mas era mais fácil ignorá-los enquanto trabalhava.
Quando o relógio marcou o intervalo, segui para o refeitório. Rachel havia me mandado uma mensagem mais cedo, dizendo que estava ansiosa para conversarmos. Ela sempre foi mais que uma cunhada, era uma amiga, alguém com quem eu podia contar nos momentos mais difíceis.
Ao chegar ao refeitório, ela já estava sentada, com duas xícaras de café à nossa espera. Assim que me viu, abriu um sorriso caloroso.
– Nessie, finalmente! Achei que não fosse aparecer. – disse ela, puxando uma cadeira para mim.
– Foi uma manhã corrida – respondi, suspirando enquanto me sentava.
Ela me olhou de um jeito que só alguém que te conhece muito bem consegue fazer.
– Você está com aquele olhar de quem tem muito a dizer. O que aconteceu?
Eu segurei a xícara de café entre as mãos, como se o calor pudesse me confortar.
– Rachel, eu não sei o que está acontecendo com o Jacob. Ele está diferente... distante. Desde que Tom foi solto, ele tem estado tenso, o que eu entendo, mas... não é só isso. Ele passou uma noite fora e a explicação dele... não faz sentido.
Rachel inclinou-se para frente, sua expressão séria.
– Você já falou com ele sobre isso? Diretamente?
– Já. E ele sempre tem uma resposta. Ele é bom nisso, sabe? Faz parecer que eu estou exagerando, mas... – respirei fundo, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair – eu sinto que ele está escondendo algo de mim.
Rachel pegou minha mão, apertando-a levemente.
– Nessie, o Jacob te ama. Isso eu sei. Ele nunca faria nada para te magoar de propósito. Mas homens podem ser complicados, especialmente quando sentem que precisam proteger as pessoas que amam. Talvez ele esteja tentando lidar com algo sozinho.
– Mas nós sempre fomos honestos um com o outro – protestei. – E agora... parece que ele não confia em mim.
– Pode ser o contrário. Talvez ele ache que está te protegendo ao não te contar. Eu não estou dizendo que ele está certo, mas talvez essa seja a maneira dele de lidar com isso.
– Você acha que eu deveria insistir?
Rachel deu um sorriso leve.
– Eu acho que você deveria ser sincera sobre como isso está te afetando. Fale com ele, Nessie. Você é forte, mas não precisa carregar essa angústia sozinha.
Eu suspirei, sentindo um alívio momentâneo por poder desabafar.
– Obrigada, Rachel. Eu precisava ouvir isso.
– Sempre que precisar, estou aqui.
Tomamos nosso café juntas, conversando sobre outras coisas para aliviar o clima, e logo me despedi para voltar ao trabalho.
Ao chegar na recepção do meu consultório, a recepcionista sorriu para mim.
– Dra. Cullen, alguém deixou isso para a senhora. – Ela apontou para um envelope que estava sobre a mesa.
Achei estranho, mas peguei o envelope e agradeci antes de entrar na minha sala. Fechei a porta atrás de mim, sentando-me à mesa com o envelope ainda em mãos.
Havia algo inquietante sobre aquilo. Meu instinto me dizia para abrir logo, mas uma parte de mim hesitava, como se soubesse que nada de bom sairia dali.
Com as mãos ligeiramente trêmulas, abri o envelope. Dentro, encontrei várias fotos.
Minha respiração ficou presa na garganta enquanto as examinava. A primeira mostrava Jacob muito próximo de Renata, abraçando-a. Outra o mostrava dormindo no sofá ao lado dela, ainda com a roupa da noite em que ele havia dito que saiu para ajudar um amigo.
Meu coração parecia pesar toneladas.
A dor veio como uma onda, avassaladora e cruel. Meu peito apertou, e lágrimas começaram a se formar em meus olhos.
Era isso. As peças finalmente se encaixavam, e a verdade era mais dolorosa do que eu poderia imaginar.
...
Jantar com as meninas foi, como sempre, o ponto alto do meu dia. Apesar do turbilhão de sentimentos que carregava, estar com elas me trazia uma paz que eu só encontrava em seus sorrisos.
Aurora estava animada, contando sobre um projeto escolar de ciências, enquanto Hope desenhava algo em seu caderno, mas já demonstrava sinais de sono.
– Mamãe – murmurou Hope, apoiando a cabeça no braço da cadeira.
– Parece que alguém está pronta para dormir – comentei, sorrindo.
Aurora riu e apontou para a irmã. – Acho que o trabalho de ciências da Hope vai virar um sonho.
Eu ri também, pegando Hope no colo com cuidado.
– Aurora, você pode organizar a mesa enquanto coloco sua irmã na cama?
– Claro, mamãe – respondeu ela, já começando a juntar os papéis e livros.
Carreguei Hope até o quarto, deitando-a com cuidado em sua cama. Ajeitei o cobertor ao redor dela e comecei a contar uma história suave, apenas para acalmá-la enquanto seus olhos se fechavam lentamente. Assim que adormeceu, dei um beijo em sua testa e saí silenciosamente do quarto.
Passei pelo quarto de Aurora e bati levemente na porta.
– Boa noite, meu amor.
– Boa noite, mamãe – respondeu ela, com um sorriso caloroso.
Abracei-a com força, sentindo meu coração se encher de gratidão por ter minhas filhas. Elas eram meu refúgio, meu porto seguro, mesmo nos dias mais difíceis.
Quando me afastei, ouvi o som da porta da frente se abrindo. Suspirei profundamente, sabendo que Jacob havia chegado. A tensão que vinha tentando ignorar o dia inteiro retornou com força total.
Caminhei até meu quarto e peguei o envelope com as fotos que havia recebido. Esperei sentada na cama, os dedos apertando o papel enquanto meu coração batia mais rápido a cada segundo.
Jacob entrou no quarto, exalando cansaço, mas seu olhar encontrou o meu, e ele imediatamente percebeu que algo estava errado.
– Nessie? Está tudo bem?
Levantei-me devagar, segurando as fotos.
– Não, Jacob. Não está tudo bem.
Ele franziu o cenho, dando um passo à frente.
– O que aconteceu?
Mostrei as fotos, uma por uma, sem dizer uma palavra. Seus olhos se arregalaram ao ver as imagens, e ele passou a mão pelos cabelos, claramente abalado.
– Nessie, eu posso explicar.
– Então explique, Jacob – retruquei, mantendo minha voz firme apesar da dor que sentia. – Me diga por que você estava abraçando Renata e dormindo no sofá dela naquela noite.
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