Notas iniciais
Atenção! Esse capítulo contém tortura e estupro, se você não gosta ou é sensível ou hipertenso NÃO LEIA. São narrativas muito pesadas e pode causar mal estar. Me mande uma mensagem e eu te darei uma sinopse do que aconteceu nesse capítulo.

Minha letra está quase ilegível devido aos meus punhos que tremem e às minhas mãos que estão doendo horrores. Estou trabalhando há sete dias sem parar. Mas eu não posso parar de escrever, esse diário é a única coisa que me resta, eu quero que um dia alguém o leia e não deixe a minha história morrer. Eu quero criar um legado, o legado da família Broflovski, cujo eu, Kyle Broflovski, sou o único remanescente.

Esse caderno é testemunha das surras que meus colegas levam dia após dia, do trabalho escravo debaixo do sol ardente ou da neve mais fria da Alemanha. Eu já não espero mais que um dia eu vá sair daqui, mas eu espero que esse caderno vá parar nas mãos de alguém.

As grandes portas de metal se abriram e os soldados jogaram Tweek no chão, ele tremia como um condenado e estava praticamente azul de frio. Eu olhei para ele de soslaio o suficiente para ele correr para os braços do Craig, ele gritava, tremia e chorava.

Os mesmos soldados vieram até mim, eu olhei para eles friamente, meu coração já havia endurecido junto com aquele lugar. Eles me pegaram pelos braços e me arrastaram para fora. De certa forma, eu sabia que algo ruim me aguardava, mas depois de tudo eu ainda me surpreendi, eu me preparei para tudo, exceto aquilo.

Eles me levaram até uma sala escura e me colocaram em uma cadeira, fazendo questão de me prenderem com algemas aos pés da cadeira, mesmo sabendo que eu não tinha modo algum de me defender. Eu esperei um pouco, olhando ao redor, mas só havia uma janela de ventilação, o único som que eu ouvia era a minha respiração, fraca, e uma goteira de um cano furado no teto.

Poderiam ter se passado minutos ou horas, quando eu ouvi uma porta se abrir, eu olhava ao redor, mas não conseguia enxergar a tal porta, pois havia só uma lâmpada fraca no centro da sala, mas quando a pessoa se aproximou de mim, eu vi quem era e cerrei os dentes.

-Eu soube que você refugiou-se por dois anos na casa de um soldado. –Tenente Cartman sentou com toda sua glória e charme de militar na cadeira a minha frente, ele havia se referido ao Stan e tocou em uma ferida antiga, mas mesmo assim eu não mudei minha expressão e também não o respondi.

Eu abaixei o olhar, tentando evitar toda aquela situação ridícula do meu corpo ao olhar no rosto do gordo, mas ele bateu forte na minha testa e me fez olhá-lo.

-Presta atenção, seu judeu sardento! –Seu tom, que antes era de puro deboche, tornou-se sinistro e assustador, eu o obedeci e o olhei. –Você estava fugindo com um comunista, qual era o plano dele?

O Kenny?

-Me responde, porra! –Ele se levantou exaltado e chutou os pés na minha cadeira, essa virou, me levando junto, eu bati meu rosto contra o chão de metal e tive a certeza que iria fazer um hematoma. Quando eu tentei levantar ao menos o corpo, ele chutou-me novamente no estomago, me fazendo cuspir uma placa de sangue. Eu continuava em choque, tentando me recuperar da surra, mas ele sacou um pedaço de madeira e começou a me bater com toda a sua força, que não era pouca. Eu protegia o meu rosto com meus braços, sentindo algumas partes do meu corpo se abrirem e o sangue escorrer.

-Para! Para! Para! –Em uma descarga de adrenalina, eu supliquei e ele parou, eu tirei os braços do rosto e olhei para o Cartman pela primeira vez. –O Kenny me falou que seus pais eram comunistas, mas eu não sei de plano nenhum.

-Mentira! –O gordo gritou e começou a me bater de novo a pauladas, o choque da madeira contra a minha pele, além de causar feridas abertas, eu sentia as farpas ficarem presas no meu corpo.

-Não é mentira, por favor! Ele está morto! –Eu chorei, implorando para ele parar com aquela tortura.

E ele parou, ele levantou a cadeira e meu pé virou, eu contive um único grunhido de dor e sentei-me à mesa, ao sentar, eu senti o metal frio tocar os meus ferimentos e as farpas entrarem no meu corpo.

-Eu só preciso de nomes. –Dizia Cartman agora com a voz bem mais calma, depois de ter descontado toda a sua raiva em mim.

-Eu não tenho nomes. Mal conversávamos direito. –Ele franziu o cenho novamente e eu tive a certeza que ia sofrer muito mais.

Ficamos algum tempo em silêncio, e aquele silêncio me mata, pois ele ficava me olhando como quem queria me matar ali e agora. Quem dera ele tivesse feito isso.

Ele se levantou e foi até a minha cadeira, abrindo a algema, eu estranhei, mas quando ele levantou a cabeça para me olhar, suas intensões ficaram claras. Em seus olhos eu podia ver a malícia e a raiva que ele tinha por mim. Aproveitando que ele me soltou, eu me levantei e corri até a porta, batendo nela desesperadamente.

-Socorro! –Eu gritei desesperadamente, batendo contra a porta de metal, eu podia ouvir o som da bota de Cartman contra o assoalho, vindo lentamente até mim, ele queria me torturar, pois sabia que ninguém viria me salvar. –Abram essa porta, pelo amor de Deus! –Eu gritei ainda mais alto, mas eu senti minha gola ser puxada e logo eu estava no chão e Cartman estava em cima de mim.

Eu virei meu corpo e tentei me arrastar para longe daqueles braços, mas ele segurou a minha cintura com muita força que torna impossível escapar.

-Não faça isso comigo! Eu já falei tudo que eu sei! –Eu gritei horrorizado, aranhando o chão de metal para escapar.

-Não falou não! Eu quero a verdade.

-Eu não sei qual é a verdade! –Eu gritei, afundando minha unha tão forte no chão que elas se quebraram. –Me diga qual é a verdade, me diga o que quer que eu fale! Eu falo!

Suas mãos ásperas abaixaram o cós da minha calça e isso aumentou o meu desespero, eu chorava e implorava para que aquilo não estivesse acontecendo.

-Me fala qual é o plano comunista. –Ele dizia em um tom sádico, amando me ver sofrer.

-Eu não sei de plano nenhum, por favor! –Eu grite horrorizado ao sentir uma dor enorme. Meu corpo estava sendo violentado por um cassetete. Eu não conseguia falar mais nada, só chorar.

Eu não conseguia nem me mexer, pois meu corpo estava praticamente grudado no chão. Em cima de mim, Cartman ria, ria com gosto da minha dor e do meu sofrimento. Eu não sei o que eu fiz para um homem me odiar tanto assim. Eu gritava, chorava, esperneava, mas quanto maior os meus gritos, mais rápido e forte ele movia o cassetete dentro de mim, gerava mais risos e deboches. Ele sussurrava em meu ouvido que eu era um judeu inútil, sardento e um verme que merecia ser esmagado, eu me engasgava com as minhas lágrimas e os meus soluços, arranhava o piso de forma que todas as minhas unhas se partiram.

Eu tive a certeza que se passaram horas, ou os minutos estavam muito demorados, pois quando ele finalmente parou, eu fiquei largado no chão como um boneco, eu não sentia as minhas coxas, ele levantou minha calça tão rápido que inúmeros choques de dor percorreram meu corpo, ainda no chão eu virei o meu corpo para olhar aquele homem.

-Você é um monstro. –Eu sussurrei com a voz rouca, misturada a lágrimas e soluços.

-Eu posso ser tudo que você quiser, verme. –Disse ele me levantando bruscamente pelo braço, ele me arrastou para a porta e com os pés descalços eu pude sentir o meu sangue no chão. Ele fez questão de me levar, mas ele não me levou para o dormitório dos detentos, mas em um corredor com celas pequenas, eu caminhei por aquele corredor que parecia um canil, vendo homens esqueléticos com seus braços pendurados fora da janelinha da porta e era aparentemente o único lugar que se passava luz naquele cubículo.

Na última cela, Cartman a abriu e me jogou lá dentro. Era frio e escuro, mas ao bater contra a parede, meus ferimentos latejaram, eu com certeza iria morrer de infecção por aqueles ferimentos não tratados.

Mas eu não quero esperar tanto tempo, eu esperei tempo demais. Eu arrisquei tudo que tinha, agora não tenho mais nada, nem a minha dignidade. Eu espero do fundo do meu coração que esse mundo algum dia mude e que essa realidade seja vista como realmente é: cruel, absurda e desnecessária. Porém, eu não posso esperar mais. Eu vou acabar com a minha vida, quem ler esse diário, por favor, passe a minha história adiante ou guarde para si, mas embora meu corpo não esteja mais entre vocês, minha história continuará enquanto esse caderno estiver inteiro e legível.

Continua...