Notas iniciais
Ain, gente, eu recebi minha primeira recomendação nessa fanfic, eu estou tão feliz *-* *vomitando arco-íris* Muito obrigada a Tete McCormick pelas maravilhosas palavras ♥ Vocês, leitores, realmente me incentivam tanto que vou sentir saudades de escrever essa fanfic *u*
Enfim, sem mais delongas, vamos ao capítulo!

Talvez a guerra esteja caminhando ao seu fim, embora eu ainda ache que ainda muito sangue será derramado. Cartman não retornou desde aquele dia e eu sempre deixava o rádio ligado, esperando alguma notícia, mas eu tinha muito medo das más notícias, é um paradoxo cruel. Eu mexia no botão de sincronização do rádio, buscando alguma estação que me satisfaça e tire da minha cabeça todas as imagens ruins de uma guerra, mas era praticamente impossível.

Eu estava mexendo quando sem querer caí em uma estação que dizia “campo de concentração”, meu coração falhou uma batida, então eu girei o botão no sentido contrário, procurando por aquela estação novamente. Quando eu a encontrei era uma estação polonesa, eu larguei o botão para ouvir atentamente o que a rádio dizia.

“O exército soviético libertou mais de mil prisioneiros em uma prisão no sul da Polônia, conhecida como Auschwitz, posse da Alemanha, segundo o general soviético que comandava a missão, os soldados alemães foram todos sacrificados. Agora umas palavras do próprio general.

-A Alemanha está enfraquecida, o que facilitou a entrada do nosso exército na Polônia. Então nós descobrimos o que está por esses territórios, já mandei relatórios para o líder Stalin e estamos procurando mais prisões como essa.”

Desliguei o rádio imediatamente, ainda boquiaberto com o que eu acabei de ouvir, abaixei a cabeça e comecei a pensar, de repente o silêncio naquela sala parecia uma coisa deveras assustadora. Depois de um tempo refletindo, eu me levantei e corri até o quarto de Butters, abrindo a porta sem me importar com privacidade.

-Kenny! –Eu gritei tão alto que fez eco naquela casa, Kenny levantou-se depressa e sentou-se na cama, olhando para mim, assustado.

-Kyle, o que houve? –Perguntou ele se levantando e indo até mim, colocando as mãos sobre os meus ombros.

Naquela hora eu não resisti e o abracei mais forte que eu podia, minha cabeça encostou-se a seu pescoço e eu comecei a chorar como um condenado. Eu chorei como há muito tempo não chorava, pois achava que minhas lágrimas haviam secado, mas elas voltaram mais fortes do que nunca. Kenny retribuiu o abraço e esperou eu acalmar, ele ficou me abraçando esse tempo todo.

Quando eu finalmente me acalmei, eu contei a ele tudo que havia escutado naquela estação de rádio, eles estavam libertando os campos de concentração um por um e mais cedo ou mais tarde iriam vir até a minha antiga prisão, a Alemanha já não tinha mais forças para enfrentar a União Soviética.

Diversas vezes eu tive parar para liberar todas as minhas lágrimas e os meus soluços, então eu fui direto ao ponto:

-Eles estão executando todos os soldados alemães. –Eu apertei Kenny no abraço. –Eles vão matar o Eric.

-Calma, Kyle. –Kenny segurou no meu ombro e me fez olhar para ele. –Invadir a Alemanha não é como invadir a Polônia. –Explicou ele e eu tive que sentar-me na cama, pois minhas pernas tremiam muito. –A defesa na fronteira está muito forte, quando eles tentarem vão levar semanas, até meses para entrar no país.

Eu engoli em seco e assenti com a cabeça, encolhendo minhas pernas e encostei a testa no meu joelho. Eu senti as mãos grossas de Kenny afagar o meu cabelo e fiquei naquela posição por muito tempo e nem liguei para a dor das minhas costas.

Eu tentava me acalmar, pensar em coisas boas e em tudo que o Kenny havia me dito, mas tudo que vinha a minha cabeça era o Cartman. Eu ao menos poderia ter notícias dele, ele não pode voltar, enfim, tudo que me resta é engolir a minha própria angústia.

~*~

Passou-se uma semana depois daquele incidente e minha angústia não diminuiu nenhum pouco. Eu batia o dedo na mesa e olhava para o relógio que demorava há mudar os minutos. Eu estava com saudades do Cartman, estava preocupado com ele e estava com medo e nada poderia distrair esses meus sentimentos.

Eu estava olhando sem foco para a parede, estava com medo de ligar o rádio e ouvir uma notícia péssima, o silêncio daquela casa era mortal, pois o Kenny estava no quarto, Georgie e Ike estavam no celeiro e Butters saiu para ir ao mercado lá da cidade.

De repente, meus pensamentos foram bruscamente interrompidos, eu me assustei e quando eu me virei para a porta, eu vi o Butters, se ajoelhando no chão, ele estava coberto de sangue, então eu não poderia ver onde ele estava machucado, eu corri até ele.

-Butters! Butters reaja! –Eu sacudi levemente os ombros do menino e ele tossiu uma poeira de pólvora, eu comecei a gritar. –Kenny! Venha aqui depressa!

Quase que imediatamente, Kenny desceu as escadas depressa e ao ver o estado de Butters, se desesperou, correndo também até o loiro e enchendo ele de perguntas.

-Amor, o que aconteceu com você?!

-A... Cidade... –Ele tentou falar, mas foi interrompido por uma série de tosses violentas e dolorosas, todas elas, ele sempre cuspia poeira de pólvora. –Estão bombardeando... Russos estão...

Ele não conseguiu completar, pois nesse momento toda a casa começou a tremer eu abracei Butters e Kenny, que por sua vez fez o mesmo, para mantermos protegidos. Quando o tremor passou, eu me levantei correndo, e fui para fora da casa, correndo até o celeiro. Ike correu em direção contrária e me alcançou, me abraçando, Georgie veio logo atrás.

-O que foi aquilo, Kyle? –Perguntava Ike, assustado, ele tremia em meus braços, eu peguei no braço dele com uma mão e no braço de Georgie com a outra, puxando os dois meninos para dentro de casa, no corredor principal havia uma escadaria que dava para o porão. Essa escadaria não estava ai antes, então eu imaginei que os dois estariam lá dentro.

Eu desci as escadas com as crianças lentamente, pois estava mal iluminado e eu tinha medo de pisar em falso e cair, quando eu cheguei ao final daquela escadaria, havia um corredor de metal, parecida com aquela que tinha no casarão dos Marsh. Eu andei por esse corredor até chegar ao final, onde estavam Kenny e Butters.

O Butters estava em cima de um colchão e Kenny passava desinfetante nos ferimentos. Georgie correu para o lado de Butters.

-O que aconteceu com você?! –Perguntou o adolescente, desesperado, Butters tentou se levantar, mas Georgie pegou em seus braços e o deitou novamente, então o loiro relaxou.

-Pode nos contar agora? –Perguntou Kenny que recebeu como resposta um balanço com a cabeça que dizia que sim, eu também me sentei ao lado do colchão com Ike no meu colo, ouvindo a história.

-Então, eu estava selecionando as frutas no mercado quando ouvi uma multidão correndo do lado de fora. –Ele parou para se aconchegar mais ao colchão. –Então eu achei que era um assalto ou algo parecido e me escondi em uma das barracas. Depois eu ouvi barulho de aviões, pareciam bem próximos e quando eu vi, o mercado desabou em cima de mim, eu acho que foi ai que eu desmaiei. –Ele parou para respirar um pouco e Kenny ofereceu um copo com água para ele, que bebeu, respirou fundo e continuou. –Eu acordei e os escombros de madeira estavam meio que me protegendo do concreto que estava em cima da madeira, eu escapei e sai correndo para o carro, eu só via os soldados aramados apontando em direção aos cidadãos, eram Russos, eles invadiram a cidade.

Meus olhos se arregalaram tudo que eu mais temia estavam acontecendo, eu coloquei as mãos na cabeça e comecei a raspar as unhas, arrancando fios de cabelos e machucando o meu coro cabeludo, só parei quando o Kenny segurou o meu pulso e me fez parar.

-Eles chegaram, eles vão para o campo de concentração. –Eu repetia olhando diretamente para os olhos de Kenny que entendeu a minha angústia. –Você disse que eles iriam demorar.

-Eu não sabia que a Alemanha estava tão enfraquecida assim. –Justificou, eu não queria brigar com o meu amigo, então eu me calei e comecei a chorar silenciosamente.

-Temos que ir para lá. –Disse por fim.

-Mas o campo fica há 350 km daqui! –Butters gritou, tentando se levantar, mas foi pego por uma grande dor que o obrigou a deitar novamente. –Você vai sozinho.

-Não, eu vou também. –Kenny interrompeu, olhando para nós dois, o loiro menor lançou um olhar preocupado para o seu namorado, ele mordeu o lábio inferior para engolir a sua angústia. –Vocês terão que ficar aqui dentro, só saia para buscar suprimentos. –Taxou Kenny, olhando para Butters e pegando na mão dele.

Tanto eu quanto Kenny sabíamos o perigo que estávamos enfrentando, mas isso não importava porque eu precisava ir salvar o Cartman. Ele também arriscou a sua vida por nós e eu teria que retribuir de alguma maneira.

-Eu... Eu sei primeiros socorros. –A voz de Ike soou tímida e eu olhei para o ele que estava se aconchegando em mim. –Você vai voltar vivo, Kyle?

-É claro que eu vou. –Eu sorri e abracei Ike com força. –Conto com você para cuidar do Butters, irmãozinho.

Eu coloquei Ike no chão que foi ficar ao lado de Georgie e me levantei e Kenny por sua vez, deu um beijo em Butters, que eu tinha que certeza que estava segurando-se para não chorar, então ele se levantou também. Despedimo-nos e fomos andando até o final do corredor, Georgie nos acompanhou para fechar a escadaria.

Peguei meu antigo uniforme de prisioneiro, pois sabia que ia precisar, talvez para entrar lá e fomos ao furgão que me trouxe até aqui. Kenny sentou-se ao volante e eu, ao lado dele. Podemos não retornar, mas eu não vou morrer sem ver o meu amor pelo menos uma única vez. Eu amo o Cartman e se for para morrer, que seja ao lado dele.

Continua...

Notas finais
Bom, eu espero que vocês tenham curtido, não foi um capítulo muuuuuito longo, mas ele é um começo do fim, hehe. Bom, depois de um clima mais leve e romântico, eu vou voltar com a ação nesse fim da guerra >=)
Bem, comentários sempre bem vindos!