Notas iniciais
Caros leitores, estamos quase no final. E eu sou muito agradecida a todos que estão acompanhando até agora e que ainda vão acompanhar *-*
Aliás, vai ter uma cena de Bunny (KennyxButters) para eu ver a aceitação do público quanto ao casal, já que eu estou querendo começar uma nova fanfic com eles ♥
Outra coisa, eu não estou preparada para escrever lemon ainda, eu tentei, mas não consegui >.
Enfim, sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Eu peguei aquele remédio e fiquei com ele na palma da minha mão, relendo-o várias vezes para certificar de que não estava lendo errado. Sim, era um estabilizador de humor, e estava no nome do Eric.

-Isso não é seu. –Eu virei para trás para dar de cara com o Cartman me olhando, com um brilho sombrio nos olhos, mas não era o brilho de que ele estava prestes a fazer algo ruim, era um brilho de tristeza.

-Por que você precisa de estabilizadores de humor. –Eu sabia a resposta, sabia desde o início que havia algo errado com aquele homem, mas eu queria ouvir da boca dele, queria vê-lo engolindo seu maldito orgulho.

-Eu sou doente Kyle. –Ele confessou quase no mesmo instante, o que me fez ficar um pouco surpreso, quanto tempo aquele militar deixou engarrafado na sua garganta, por medo do julgamento alheio. –Eu sou bipolar, têm dias que eu fico eufórico, outros que eu fico depressivo, isso me deixa exausto, eu estou no fundo do poço.

Aproximei-me dele para lhe dar um abraço, mas ele recuou, segurando os meus braços, bem de leve.

-Não fique com pena de mim, Kahl. –Disse ele em um tom baixo me soltando aos poucos, então ele me puxou contra o seu corpo em um abraço apertado. –Tudo que eu menos quero é que sintam pena de mim.

Não falei mais nada, eu fechei os olhos e apenas senti as batidas do coração de Cartman, estava um silêncio incomodante, mas que eu via muito desconforto nos olhos dele. Depois de alguns minutos, apenas abraçados, ele soltou-se de mim e subiu para o seu quarto. Eu suspirei e olhei mais uma vez para o vidro de pílulas e o guardei na prateleira que o achei, indo até o sofá da sala e me sentando.

Olhei para o teto e comecei a pensar. Meu pai sempre dizia para ter cuidado com essas pessoas psicóticas, pois elas eram perigosas para todos e para si mesmo.

“Viver com essas pessoas é medo constante, pois nunca se sabe quando elas vão perder a cabeça e matar você.”

Mas eu não tinha medo do Cartman, mesmo quando eu cheguei à prisão e ele me recebeu aos murros, nunca me senti ameaçado por ele, passei a encarar a morte como uma forte aliada, embora eu nunca tivesse a chance de ir com ela para a outra vida e ainda não sinto medo, meu medo é perder o Cartman. Portanto, eu não me importo se ele seja doente, eu quero ficar ao lado dele.

Tendo isso em mente, eu olhei para as escadas, mas pensava em como eu chegaria ao Cartman. Levantei-me lentamente e subi as escadas e me deparei com um corredor com cinco portas, três do lado direito e duas do lado esquerdo, todas fechadas. E eu não sabia qual era o quarto do Eric.

Suspirei, o jeito é tentar uma por uma e se alguém abrir, perguntar. E assim eu fiz, fui à primeira do lado direito e bati na porta, esperando uma resposta.

Quem abriu a porta foi o Kenny, ele estava sem camisa, expondo seus maravilhosos músculos e sua calça estava desabotoada, eu estranhei isso e quando olhei atrás dele, eu vi o Butters com a camisa do Kenny e sem calças, finalmente entendendo o que estava acontecendo ali.

-Oh! –Ele exclamou um som surpreso, tampando o seu corpo com as cobertas, seu rosto ficou disparadamente vermelho e ele se encolheu, mas eu também corei.

-Perdão! Perdão! –Eu comecei a exclamar, incrédulo, tentando conter a vergonha e o constrangimento. Eu quis bater no Kenny quando ele deu um riso malicioso. –E-Eu só quero saber onde é o quarto do Cartman.

-É ali. –Ele colocou o corpo para fora um momento e apontou para a porta ao lado daquela.

Eu agradeci e sai dali às pressas para deixar o casal em paz e fui até o quarto do Cartman. Suspirei e bati à porta, esperando. Como resposta, Eric abriu a porta do quarto e me deixou entrar. O quarto estava em um estado deplorável, como se tivesse passado um furacão por ali, eu senti tanta dor em ver o meu amado naquelas condições.

Ele sentou-se exausto na poltrona que tinha no canto do cômodo e eu fui até ele, sentando-me no seu colo e o abraçando de forma carinhosa. Ele retribuiu, encostando sua cabeça em meu ombro.

-Desde criança eu me sentia diferente, sempre fui muito retraído, não tinha muitos amigos pelo meu jeito ácido. –Eu passei os dedos sobre seus cabelos castanhos, incentivando-o a desabafar. –Quando minha mãe morreu ficou pior ainda, aquela vadia. Ela nunca gostou de mim, ela se suicidou diante dos meus olhos, é claro que eu surtei.

Arregalei levemente os olhos, o motivo de toda a presunção e arrogância daquele homem era apenas para reprimir um sentimento escondido, algo que ele não conseguiu lidar, pois não tinha ninguém ao seu lado. Era algo terrível, algo triste.

-Eu jurei que não ia depender de mais ninguém, entende, Kyle? Eu ia pensar por mim mesmo, ia viver por mim mesmo, eu quase acabei com minha própria vida várias vezes. –Ele levantou a cabeça e depositou o beijo no meu rosto, bem de leve. –Até te conhecer, Kahl. Eu quis ficar bom, eu quis estar saudável. Eu quis ser normal por você.

Eu olhei para ele, não precisava de mais nada. Esse é o amor mais puro que eu já senti, acho que era disso que eu preciso, eu preciso saber que tem alguém que vive por mim, que luta por mim, a luta do Eric contra ele mesmo e seu lado doente e fora da realidade. A figura que o Cartman representa gera preconceito para a minha religião, mas ele também já sofreu preconceito. Que mundo é esse onde tudo é motivo de preconceito?

Dei um beijo na sua testa, apertando levemente seus cabelos macios em meus dedos, ele levantou mais a cabeça e me deu um beijo nos lábios, logo em seguida, sussurrou.

-Eu te amo. –Eu apenas sorri. Não precisava dizer nada para ele saber que o sentimento é recíproco.

Logo voltamos a nos beijar, com toda a paixão e fervor de Romeu e Julieta. Ele segurou em minhas coxas e me levantou, me deitando na cama macia, nesse momento, tudo pareceu desaparecer.

Cartman começou a beijar levemente o meu pescoço, dando algumas mordidas leves, arrancando de mim alguns suspiros e espasmos. Meu corpo parecia tão mais frágil quando eu estou nos braços dele.

Ele arrancou as minha camisa e voltou a me beijar, eu passei os meus braços ao redor do seu corpo, correspondendo ao beijo me entregando completamente ao homem que eu amo.

Xxxx

Depois de uma tarde de amor, Eric estava dormindo tranquilamente ao meu lado, eu apoiei meu cotovelo no colchão só para admirar a paz que ele se encontrava, parecia que há tanto tempo ansiava por tal paz, mas nunca teve a chance de encontra-la.

Até que me bateu a fome. Eu me levantei delicadamente para não acordá-lo e vesti a roupa, descendo até a cozinha, já era noite e eu nem notei como o dia passou, ao passar pela porta da cozinha, eu dei de cara com o Kenny, desviei o olhar, ainda constrangido por ter flagrado seu momento íntimo com o Butters.

-Olha, sobre hoje à tarde... –Kenny começou a falar, largando a faca que cortava o seu pão, eu o cortei rapidamente.

-Você não me deve explicação. –Eu sorri, abrindo a geladeira e pegando uma maçã e fui até Kenny, dando-lhe um abraço. –Nem sabe o quanto eu fiquei feliz por você está vivo.

Ele não respondeu, apenas correspondeu ao abraço, encostando o queixo na minha cabeça, eu não olhei para o rosto dele, mas sabia que sorria, mesmo sem poder olhá-lo, eu sentia o sorriso em seu rosto.

-O Butters foi o que cuidou de mim desde o começo, então quando eu me vi já estava gostando dele.

-Ele parece ser muito legal.

-Ele é. –Kenny olhou para mim e sorriu, dando uma mordida no seu pão com manteiga de amendoim. –Ele acendeu em mim a chama que eu achava que havia perdido. A esperança.

Eu olhei para o loiro e fiquei apenas o olhando fixamente. Então não era só eu quem sentia a mesma coisa. Isso me faz chegar a uma conclusão, em tempos de guerra o que não se deve faltar é amor. Parece sem sentido, não é? Mas supostamente é verdade. E por lembrar na guerra, isso me fez lembrar algo.

-Kenny, no tempo que eu estava preso, eles ficaram me perguntando de tal plano comunista.

Kenny ficou sério e suspirou cansado.

-Sim, eu sei, o Eric me questionou várias vezes sobre isso. –Ele coçou o queixo. –Eu não estou envolvido nisso, mas quando meus pais estavam vivos eles falavam muitos planos para derrubar o governo, mas não entrei em detalhes, se eles estão questionando você é porque eles sabem que existe tal plano, e sabem que é alguém lá dentro do Campo de Concentração que pode estar arquitetando.

-Por que eles acham que eu tenho algo a ver com isso.

-Meu nome já é muito sujo e eles pegaram você comigo. –Ele deu outra mordida no pão. –A verdade é que eles estão com medo. Algo assim se for um plano de sucesso pode derrubar o chanceler do poder e abrirá espaço para os Soviéticos invadirem.

Eu permaneci em silêncio, digerindo todas as palavras que Kenny me disse, eu comi minha maçã em silêncio e ouvi passos descendo as escadas, quando levantei a cabeça vi o Cartman chegando perto de mim, vestindo a sua farda.

-Eu tenho que retornar para o Campo de Concentração. –Eu quase engasguei com a fruta.

-Por quê?!

-O superior foi enviado para uma batalha. –Ele suspirou e ajeitou os broches militares em sua farda. –Pode ser a batalha final que decidirá o rumo da Guerra e talvez... Da Geopolítica.

Continua...

Notas finais
Então, povo, mereço pedras ou buquê de flores? :3