Notas iniciais
Eu devo muuuitas explicações, tipo, Giovanna você sumiu por 3 meses! É, eu sumi, as é que eu fui fazer intercâmbio nos Estados Unidos, e eles pegam pesado quando se trata de estudo '-' tive que ralar bastante pra acompanhá-los, mas agora eu voltei e vai ter capítulo mais frequentemente, eu espero que vocês não me abandonem.
Bom, esse capítulo eu fiz de um jeito diferente, por estava ficando difícil escrever tipo diário o tempo todo. Então imaginem como em filmes de flashbacks, beleza? =D

17 de Março de 1942,

Comparado aos demais anos, 1941 foi um ano bastante calmo, claro, sempre naquela iminente ameaça das tropas alemãs, fora os bombardeios que ocorrem na cidade vizinha. A guerra tomou proporções globais, englobando até mesmo o Japão. Ouvi no rádio que uma resistência comunista foi presa em Berlim, o que me deixou muito confuso, pois disseram que era uma resistência feita por jovens, mas não disseram o que iam fazer com ele, será que vão fazer o que fizeram com o Kenneth?

Meu corpo estremece diante a essa possibilidade, ninguém merecia passar por aquilo. Mas por outro lado, é culpa deles que tentaram derrubar o governo, assumiram todos os riscos.

Ah, e só para falar, agora eu e o Stan não estamos mais nos encontrando às escondidas, ainda estamos juntos, mas agora todo mundo sabe. Entretanto, nem tudo são flores, pois há uma coisa que me intrigou bastante há algumas semanas.

Para dizer o mínimo, o Kenneth estava muito estranho. A questão é que ele sempre ficava na espreita. Seria até engraçado, se ele não tivesse um tanto sério. Pois é, há alguns meses, depois de uma visita das tropas alemãs, o Kenneth ficou muito estranho, não sei se é impressão minha, mas ele olhava o Stan com desconfiança, como se soubesse de algo que eu não sei. No fundo eu sentia que ele tinha até um pouco de medo.

O mais estranho foi um dia após eu tomar banho, o Stan foi logo atrás de mim e eu fiquei sozinho com o Kenneth no quarto, eu notava que ele me olhava sério e logo desviava seu olhar para o banheiro. Eu tomei coragem e perguntei:

-Você está bem?

-Eu sei sobre você e ele. –Depois de alguns minutos de silêncio ele finalmente respondeu. Seco e curto, eu gelei com seu tom. Eu nem tive tempo para me defender, pois ele logo começou a falar. –Eu não faria isso se fosse você. Tem alguma coisa muito errada. –Ele olhou para os lados, como se as paredes pudessem nos ouvir.

-Como assim? Não há nada errado. –Eu dei um riso nervoso. No fundo eu estava começando a ficar com medo dele.

Ele se calou e eu suspirei aliviado, acho que o Kenneth está com mais medo do que eu, medo daqueles homens nos pegarem, mas isso não vai acontecer, com essa família, com o Stan, estamos protegidos. Quando eu me virei, pulei de susto. O Kenneth estava ao meu lado, eu recuei um pouco, na verdade desejando sair correndo, mas ele me puxou para perto dele, nossos rostos ficaram tão próximos que eu gelei, não pude deixar de tremer um pouco. Assustei quando senti seu hálito em meu ouvido.

-Vamos fugir. –Ele sussurrou simplesmente e eu me afastei imediatamente, olhando-o como se ele fosse louco e eu queria muito gritar.

-Como assim?! –Eu elevei a voz e ele correu até mim e tampou minha boca com a mão e a outra segurou meu braço e o torceu atrás das minhas costas, fazendo minha cabeça desequilibrar e bater contra o colchão, com a mão que estava livre eu puxava o lençol, tentando inutilmente me soltar. Ele ficou por cima de mim e levou a cabeça até a parte de trás da minha orelha.

-Não fale. –Ele continuava sussurrando, eu estava ficando extremamente assustado, tentei gritar, mas sua mão abafava todos os gritos. –Vamos fugir daqui o mais rápido possível.

Eu suspirei e ele me soltou aos poucos, acho que para ter certeza que eu não ia fazer nenhum movimento brusco, a verdade é que eu queria gritar, mas se eu fizer isso eu sei que vai ser pior.

-E para onde iriamos? –Eu gaguejei tentando sussurrar como ele, eu sentia que naquela hora se eu fizesse o que ele quer não teria tanto problema e aquilo acabaria logo. –Eu não entendo, você foi acolhido aqui como parte da família, por que está fazendo isso?

-Tem alguma coisa que o Stanley está escondendo, eu não sei o que é e não sei se estou certo, mas nesse momento não quero correr riscos. –Finalmente ele saiu de cima de mim, e eu estava perplexo. O Stan é uma pessoa muito boa, ele jamais faria nada para nos prejudicar.

-Você está errado! Ele é nosso amigo! –Suprimi um grito, mas minha voz saiu extremamente com raiva.

-Você é muito ingênuo, não sabe do que as pessoas são capazes para alcançarem suas ambições.

Eu olhei para ele com dúvida, o que ele queria dizer com aquilo? Eu estava pronto para responder quando o Stan entrou no quarto, ele nos olhava desconfiado, e eu não sei por que fiquei calado, queria ter contado tudo a ele, mas acho que eu estava na verdade é com medo.

O assunto morreu lá. Eu já deixei bem claro que eu não queria fugir e acho que o Kenneth entendeu o recado, embora me preocupasse muito esse estado dele. Sim, ele sempre foi muito desconfiado de tudo, mas para ele agir dessa maneira está me preocupando, pois ele sempre foi tão divertido. Ele não dorme mais, está distante. Isso me faz pensar que talvez ele esteja com saudades dos pais, pois quando eu sinto isso, eu estou também com saudades.

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22 de novembro de 1942

Eu acordei de madrugada com o som de uma porta sendo escancarada (me lembro de exatamente desse som), Kenneth correu até mim e segurou meu braço, me empurrando da janela.

-Kenneth, o que está fazendo?! –Eu gritei, levantando-me do chão, estava trêmulo e confuso.

-Temos que correr, eles estão aqui! –Eu arregalei os olhos e nem precisei correr por conta própria, já que o Kenny estava me puxando.

Nós corremos muito, minhas pernas pediam por um repouso, mas o Kenny não parava, eu já nem conseguia ver o casarão de onde eu estava. Quando chegamos à margem de um riacho, Kenny caiu e só assim eu pude perceber que ele estava machucado.

-Kenneth! –Eu corri ao seu lado, segurando seus braços, em sua boca escorria um fio de sangue e sua mão sobre a barriga estava ensanguentada, quando eu a tirei de cima do ferimento, eu pude ver o buraco na bala. –Ah, meu Deus! Você levou um tiro.

-Não se preocupe, foi na cintura, não é mortal, só preciso conter o sangue.

-Como sabe disso?

-Meu irmão serve ao exército americano.

Eu segurei Kenny com bastante cuidado e fui a uma caverna lá perto, era escura, mas era melhor do que ficar no ar livre e ser achado.

Eu usei o meu casaco para conter a hemorragia do Kenny e acendi uma fogueira para termos um pouco de luz e calor, mas essa noite sem dúvidas era uma das mais frias da minha vida, eu tremia. Enquanto eu cutucava a fogueira com uma vareta, eu me lembrei de algo.

-Stanley! E a família deles! –Eu gritei desesperado.

-Eles estão bem. –Kenny fechou a cara em uma seriedade mórbida.

-Como tem tanta certeza.

-Foi ele quem nos entregou.

Meus olhos se arregalaram na hora, eu estático e no fundo queria que fosse mentira, mas naquelas circunstâncias não tinha por que Kenny mentir.

-Por que ele faria isso, Kenny? –Eu questionei, incrédulo.

-Ele sempre quis ser do exército, Kyle, faria qualquer coisa para atingir esse objetivo.

Eu me encostei a parede da caverna, não acreditava no que meus ouvidos ouviam, eu sentia raiva, ódio, depois de tudo o que eu passei, por que eu iria acreditar que devia ter esperança? O que me resta é morrer sozinho mesmo.

Eu chorei, chorei e chorei. Não só pela traição, mas por tudo que eu passei e não pude chorar, eu quis ser forte, acreditando que isso iria trazer resultados. Eu era um idiota, um judeu condenado a morte em um mudo totalmente caótico. Eu cerrei os punhos com tanta força que senti minha unha penetrar na carne, Kenny fez um esforço e colocou sua mão quente sobre a minha, gelada.

-Eu sei o que está pensando, mas não é verdade. Você é um sobrevivente, Kyle, já passou por tanta coisa, não pode desistir agora.

-Do que adianta sobreviver? Eu não tenho motivos para ser um sobrevivente, Kenny, eu não tenho mais nada.

-Nem eu, mas eu ainda acredito em um mudo diferente.

Eu queria acreditar também.

Continua...

Notas finais
Bom, se leu até aqui, obrigada e não se esqueça de sempre deixar sua opinião *-*