Notas iniciais
Olá, gente =) Respondendo agora (depois de muito enrolar) o diagnóstico do nosso Cartman *-* Ele tem bipolaridade com episódios de surtos de psicose. É, por isso ele era tão radical em suas torturas ou porque ele era daquele jeito estranho, ele é bipolar e psicótico =(
Ah, a pedido da leitora "Punk Hell" eu coloquei um par romântico para o Ike na fanfic, mas vai levar um tempo para que eu o desenvolva, mas ele vai ter o momento dele *-* O personagem é o Georgie (nomeado pelos fãs de South Park), mas ele é conhecido como kindergarten Goth, ou o gótico anão.
Outra coisa... A fanfic só vai ter mais uns três ou quatro capítulos depois deste, já está na reta final e eu não consigo mais enrolar muito, sou uma pessoa muito direta, rs.
Espero que gostem desse capítulo.

-Kenny! –Eu corri até o loirinho e pulei em cima dele, em um abraço bem apertado, com a força que eu não tinha, tanto que doeu o meu braço, acho que se não fosse pela minha baixa massa, eu o teria derrubado. Atrás de mim eu ouvi uma bufada e ri internamente por ver os ciúmes do Cartman.

Mas era o de menos importante, eu estava confuso, porém feliz em ver meu velho amigo vivo, ainda que aquela imagem da pilha de corpos na cova rasa, logo depois os soldados jogando o Kenny junto com eles para os urubus comerem, me embrulhem o estômago.

-Eu estava jogando terra... –A voz rouca do Cartman me chamou a atenção, ele viu quando eu estava confuso e pensativo. –Quando vi que ele se mexeu, eu me aproximei dele e vi que ele estava vivo, mesmo por um fio, então eu o trouxe para cá, para o Leopold cuidar.

Encarei-o por um momento, eu não conhecia esse lado do Eric ao ajudar um prisioneiro. Eu entendi nesse momento o que há tempos eu não via, soldados têm sentimentos. É difícil, da perspectiva de um prisioneiro torturado enxergar alguma humanidade em um soldado, mas é esses pequenos detalhes que te faz enxergar a vida de maneira aberta, algo assim nos dava esperança para acreditar, esperança para sobreviver.

-E-Ele é bastante resistente. –Disse Leopold mexendo uma mão na outra, nervosamente. –Fiquei surpreso quando o Eric o trouxe, a gravidade dos seus ferimentos, e-ele sobreviveu à câmara de gás! –Exclamou ele, mas quando ouviu o seu eco, ele se encolheu com as bochechas em tom rosado. –Ele também caiu do telhado. Parece surreal não? Mas ele é praticamente imortal.

Quando Leopold terminou de falar a palavra “imortal”, Kenny começou a gargalhar, eu estranhei, pois eu nunca havia visto o Kenny dar um sorriso sequer, enquanto estávamos no casarão, mas parecia que ele ficava totalmente a vontade naquela fazenda, quase como se fosse um desocupado.

-Prazer em conhecê-lo, Leopold. –Eu sorri e estiquei a mão para cumprimenta-lo e foi recíproco, quando eu apertei a mão dele, eu a senti levemente suada, que me lembrava do corpo do Tweek. Isso me levou novamente ao pensamento da prisão e como o Craig e o Tweek, até mesmo os outros que eu não conversava, deviam estar sofrendo e eu estou de volta em liberdade. Isso me permitiu sentir uma pontada de culpa.

-O chame de Butters. –A voz do Cartman me assustou e eu olhei para ele, como se não tivesse entendido o que ele disse, e eu realmente não entendi. –O Leopold, o chame de Butters.

-Ah... Por que Butters? –Eu perguntei confuso.

-Porque ele é como uma manteiga, sensível e covarde. –Explicou Cartman, dando um sorriso de deboche.

-N-Não sou, Eric. –Eu senti que essa frase deveria ter saído com raiva, mas ela saiu trêmula e mais com medo das atitudes do gordo.

-Não liga para as coisas que ele diz. –Kenny tocou levemente o ombro do Butters e o menino loiro corou levemente, desviando o olhar de forma envergonhada. Ele apenas assentiu com a cabeça, enquanto amassava a própria camisa, em ato de nervosismo.

Eu quase que imediatamente percebi que havia algo a mais entre os dois meninos, mas eu não quis perguntar nada, porque eu não sou enxerido. Kenny se aproximou de Butters e sussurrou em seu ouvido, que fez o loirinho corar, dessa vez intensamente, ele assentiu com a cabeça e ambos foram para dentro da casa de madeira.

Fechei os meus olhos e senti a brisa úmida bater no meu rosto, há quanto tempo eu não sentia isso. Acho que nunca senti de verdade, com tanto gosto como agora, tanto que na cidade não tinha essa brisa gostosa. Eu me lembro de quando eu era pequeno e meus avós ainda estavam vivos, eles viviam em uma fazenda na Polônia, eu sempre gostava de visita-los só para ver os porcos, eles eram tão fofos, mas minha mãe nunca gostou desse tipo de ambiente caipira, então foram poucas as vezes que eu visitei a vovó e o vovô, mas ainda sim, foi inesquecível.

Senti dois braços grandes e aconchegantes envolverem a minha cintura e ainda sem abrir os olhos eu encostei a cabeça no peito do Cartman, nem nos meus melhores sonhos, eu poderia me sentir tão amado, em um clima de ódio.

-Ei, Eric... –Eu chamei em um tom mais baixo, abrindo os olhos lentamente, senti-o encostando o queixo no topo da minha cabeça e soltando um abafado “hun?” antes de eu continuar. –Que dia é hoje afinal.

-Hoje é dia seis de janeiro de mil novecentos e quarenta e cinco. –Arregalei levemente os olhos, havia passado tanto tempo assim desde que eu entrei naquele inferno de prisão. Eu estava totalmente perdido em questão de tempo, pois da última vez que eu me lembro de que eram mil novecentos e quarenta e três, quer dizer que eu estou com vinte e dois anos já. Depois disso eu fiquei pensando mais um pouco em tudo que havia acontecido, um flashback de tudo que aconteceu na minha vida e não me lembro de nenhum momento de sentir tanta paz nos braços do homem que eu amo.

Eu virei o meu corpo para ficar de frente ao Eric e entrelacei seus dedos nos meus eu olhei para os olhos dele, admirando aquelas esferas castanhas, antes de beijá-lo apaixonadamente, ele correspondeu prontamente, não houve língua, não houve luxúria. Apenas os lábios de dois amantes em um cenário de filme de romance, enquanto eu o beijava, eu subi as minhas mãos, alisando seus músculos do braço até abraçar o seu pescoço. Suas mãos, por sua vez, desceram até a minha cintura. E ficamos nos beijando por alguns segundos, e quando eu separei dele, eu não me permiti ficar longe dele, encostei a cabeça em seu peito, relaxando.

-Kyle! Kyle! –A voz do Ike quebrou o silêncio da paisagem e ele saiu correndo da casa até mim, pelo modo que corria, supus que ele recuperou todas as suas energias em um longo sono, ele me abraçou forte. –Kyle, o Georgie, ele também está aqui.

Eu olhei para ele, confuso, ele realmente esperava que eu soubesse quem é Georgie?

-Ele tem que estar aqui, ele é irmão do Butters. –Cartman disse em tom óbvio, mas eu ainda não sabia quem era o dito cujo.

-E-Eh... B-Bom, eu não sabia, eu... –Ike se encolheu e começou a corar, tentando disfarçar ao colocar as mãos para tampar o rosto, mas eu ainda estava confuso.

-Quem é Georgie?

-E-Ele era... Era um colega de orfanato e... –Suas bochechas tomaram uma cor mais forte e ele abaixou o olhar, envergonhado. –E eu gostava dele. –Ele abaixou o tom, tampando o rosto com as mãos. Eu comecei a rir e o abracei com força.

-Que fofo. –Eu o apertei mais contra mim e ele se encolheu diante o meu abraço, mesmo sendo um adolescente na puberdade, ele ainda se portava como uma criança muito pequena. –Isso é uma grande chance, não acha? Ele está aqui, você também... –Eu disse em tom malicioso, esperando que ele já tivesse entendido o meu recado.

-Não, Kyle! Não! –Ele praticamente gritou, mas logo se arrependeu e encolheu ainda mais nos meus braços, então ele falou em tom mais baixo. –Eu nunca fui bom em falar essas coisas, eu... Eu sou muito ruim com as palavras, acho que sempre que eu me aproximava dele, eu fico mudo, eu não consigo.

A inocência do Ike era tanta que eu tinha tanta vontade de abraça-lo mais forte, mas eu sinto que se eu fizesse isso eu o quebraria ao meio, já que ele estava tanto ou mais abaixo do peso ideal do que eu. Mas isso me fez lembrar uma coisa que eu havia esquecido, com todo aquele momento de finalmente liberdade.

-Er... Eric... –Eu comecei a falar em um tom baixo e envergonhado. –Tem comida? –Eu perguntei direto, pegando a ponta do meu cacho, que meu cabelo cresceu ainda mais cacheado, embora muito fraco.

Ele deu um riso pequeno e pediu que eu o seguisse, eu soltei do Ike e fui atrás dele até a casa de madeira, por dentro ela era maior do que aparentava, era aconchegante, embora a madeira úmida dê uma sensação de desconforto.

Enquanto o meu namorado preparava alguma coisa para eu comer, eu resolvi olhar a decoração das prateleiras com fotos marcadas pelo tempo, as antigas pretas e brancas. Eu caminhei lentamente para ver cada uma das fotos até que vi uma coisa ao lado da moldura arredondada, eu peguei o que parecia ser o frasco de remédio. Eu não conseguia ler tão bem, mas li: Lídio, estabilizadores de humor para psicóticos.

Continua...

Notas finais
Eu sei que esse capítulo ficou curtinho e provavelmente no próximo terá lemon, não sei ainda, mas talvez.
Sabe como é, né? Comentários são sempre bem vindos ♥