Apenas Uma História De Amor
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Depois daquela noite, o Eric me levou de volta ao dormitório e no dia seguinte, ele não estava mais lá. Outro tenente apareceu em seu lugar e ele parecia bem pior que o Eric. De repente em minha mente começaram a surgir várias coisas ruins à minha mente pelo seu suposto afastamento. A pior de todas foi quando eu pensei que eles descobriram sobre eu e o Eric e eles tiverem feito algo de ruim a ele. Eu me desesperei diante a esse pensamento.
Mas não havia nada que eu pudesse fazer, mais uma vez esses homens tiraram de mim alguém que me fez ter um pingo de esperança na humanidade. Que maldição é essa que destrói a quem eu toco? Entretanto, essa vez me causou um impacto maior, eu amo o Eric, eu não queria que ele fosse arrancado da minha vida desse jeito, eu não suportava a ideia de que eu nunca mais iria vê-lo. Todas as noites eu me encostava à parede do canto, chorando por um romance que nunca foi por culpa da ambição e crueldade humana. O Ike, sempre muito carinhoso, se aninhava em meus braços e perguntava por que eu chorava tanto, eu inventava uma desculpa qualquer, me sentia mal de estar mentindo para ele, mas naquelas circunstâncias era melhor que ninguém soubesse do ocorrido.
E assim os dias se passaram, eu não tinha a mínima noção de tempo mais, mas está começando a fazer um calor confortável de verão da Alemanha, minhas lágrimas já secaram, mas meu coração continua gritando de dor. Eu achava que já tinha sentido todo tipo de dor, até sentir a dor de perder um amor.
Hoje eu trabalhei em uma fábrica de vestidos, costurando os vestidos para serem vendidos, dessa vez eu coincidi o trabalho com o Ike, o que me deixa um pouco melhor, pois pelo menos eu não passo o dia inteiro preocupado com o que fazem com o meu pequeno menino.
–Ai! –Eu ouvi o grito do Ike ao meu lado e virei o rosto para ver o que havia acontecido. –Eu espetei o meu dedo na máquina de costura. –Algumas lágrimas começaram a se formar no canto de seus olhos e eu olhei para o seu dedo indicador que formava uma mancha de sangue.
–Não foi nada, calma. –Eu peguei sua mão delicadamente e passei minha camisa por cima para limpar o sangue, ele fez uma careta e deixou uma lágrima cair, eu sorri porque achava aquilo muito fofo. Mesmo com tudo que aquele menino passa aqui, ele ainda tem a inocência de uma criança ao chorar por um dedo espetado. –Não precisa chorar, isso vai passar. –Eu dei um sorriso maternal para ele e acariciei seus cabelos, dando um beijo na ponta do seu dedo.
Ele parou de chorar e virou-se para frente, olhando para o dedo machucado, logo ele começou a chorar novamente.
–O que foi? –Eu perguntei em um tom preocupado. –Está doendo?
–Não é isso. –Sua voz saiu fraca e chorosa, ele deixou mais lágrimas caírem. –É que minha mãe sempre fazia isso comigo quando eu me machucava, eu sinto a falta.
Eu levantei o braço para abraça-lo, mas o soldado ao lado bateu com o cassetete na sua cabeça e ele caiu, segurando seu olho, eu me encolhi e engoli a seco, olhando para o soldado que olhava para nós com um olhar sombrio.
–Voltem a trabalhar, parasitas. –Eu tive vontade de xingá-lo, mas eu sabia que se eu fizesse isso seria muito pior, é nessas horas que eu sinto falta do Eric, quando ele me protegia desses monstros, eu sinto a falta dele toda hora.
Eu abaixei a cabeça em obediência e voltei a trabalhar no vestido que eu estava costurando, quando o Ike se recuperou da pancada ele fez o mesmo, embora ainda chorasse pela dor.
À noite quando eu estava chorando no canto como sempre, eu ouvi um grito, eu estranhei, não era do Tweek, como costumava ser. Quando eu virei o rosto, eu arregalei os olhos ao encontrar o Craig ajoelhado ao lado de Tweek, esse estava em outra crise convulsiva, mas ao contrário das outras vezes, era o Craig que estava desesperado. Eu me levantei e corri até ele.
–Ele não vai aguentar! Não vai aguentar! –Craig, que geralmente era controlado e frio, se mostrava agora a fragilidade e o desespero, ele estava de olhos esbugalhados, segurando o corpo do Tweek, que saía sangue de seus orifícios.
Eu me ajoelhei ao lado do corpo e segurei a parte de trás da sua cabeça para impedir que ele batesse a cabeça e causasse algum trauma, foi o Craig que me ensinou essa técnica, mas o sangue da boca do Tweek espirrava e sujava meu rosto e minha camisa, eu também estava ficando apavorado. Craig se levantou rapidamente e começou a socar a porta de metal, gritando.
–Por favor! Alguém tem que vir! Não o deixa morrer, não deixa! –Enquanto ele pedia desesperadamente por ajuda, eu estava lá, segurando o menino loiro e de repente ele parou, mas dessa vez não era o fim da crise. Eu coloquei a mão sobre a artéria no pescoço dele e arregalei os olhos.
–Ele não está respirando! Parada cardíaca! –Eu gritei apavorado, o Ike se aproximou para ver o que é e começou a gritar desesperado também. Muitos estavam em volta de nós, alguns vomitavam, outros choravam.
–Alguém tem que vir, por favor! Ele está tendo uma parada cardíaca. –Craig continuava a gritar, até que um batalhão de homens entrou no quarto, pouco se importando em machucar o Craig e correram até o corpo gelado de Tweek, eles me empurraram também e começaram a fazer massagem cardíaca nele.
Eu me levantei rapidamente e abracei o Ike, puxando-o para longe daquela confusão toda.
–Ele vai morrer, Kyle?! –O Ike perguntava, esticando o pescoço para tentar ver, em vão.
–Eu não sei, Ike. –Eu respondi o mais sincero que eu pude, eu estava pessimista em relação à vida daquele garoto.
Alguns minutos os homens saíram levando o Tweek em uma maca, o Craig se aproximou de mim com seu comportamento frio de sempre.
–Foi por pouco, mas conseguiram reanima-lo.
Eu assenti com a cabeça e fiquei calado um pouco, depois daquelas cenas eu mal sabia o que falar, estava em choque, temi pela vida de alguém que eu mal conhecia, mesmo sabendo que nem metade daquelas pessoas naquele lugar iriam sair vivos um dia, se é que vamos sair.
–Não foi piedade. –Eu levantei a cabeça para ouvir o que o Craig falava. –Eles apenas não querem perder a sua cobaia, então ficam forçando a vida dessa pobre alma para fazê-lo sofrer o quanto puderem, cruel, não?
–É... Muito cruel. –Eu respondi ainda chocado pelo que eu acabava de ouvir.
–Mas eu não vou morrer aqui, e nem vou deixa-lo morrer. –Nesse momento eu vi um brilho de determinação nos olhos negros de Craig. –Eu vou sair daqui com ele.
Eu soube naquele momento que o Craig tinha algum tipo de plano, mas eu não quis perguntar, eu não quero me envolver nisso, já que eu estava envolvido em algum tipo de plano comunista que nem eu sabia o que era. Eu abaixei a cabeça e fui para o meu canto de sempre carregando o Ike em meus braços.
–Ike, eu sei que pode ser difícil para você falar... –Eu comecei e ele levantou a cabeça imediatamente para me olhar, suas bochechas estavam inchadas pelas lágrimas. –Mas como você veio parar aqui?
Ele começou a chorar novamente, eu acariciei seus cabelos para mostrar a ele que eu nunca mais deixaria nada machuca-lo novamente, eu não queria forçá-lo a se lembrar de momentos dolorosos de sua vida, mas eu sinto que para eu ter forças para continuar, eu precisava saber o que aquele garoto havia passado. Ele abaixou a cabeça e se aninhou em meus braços, escondendo seu rosto em meu peito, mas eu podia ouvi-lo perfeitamente.
–Meus pais biológicos me abandonaram quando eu nasci e eu cresci em um orfanato. –Ele deu uma pausa e engoliu o choro. –Quando um casal me adotou, eu achei que finalmente teria uma vida boa de uma criança normal e aquela mulher foi uma mãe muito boa para mim... –Sua voz vacilou e eu apertei-o em um abraço. –Mas o homem era mau... Ele me obrigava a tirar a roupa quando estávamos às sós. –Eu arregalei os olhos.
–Ele... Ele te violentou?! –Eu perguntei indignado e em resposta, ele apenas chorou e eu vi isso como uma confirmação, eu me arrependi do tom que eu perguntei. –Me desculpe...
–Eu tinha medo dele... E tinha medo de que eu contasse para a mamãe, ela me devolvesse para o orfanato ou me deixasse nas ruas. –Ele deu uma pausa para limpar as lágrimas na manga. –Mas eu não aguentava mais apanhar e ser tocado por aquele homem que um dia... Eu contei para a mamãe, ela não acreditou em mim, achou que eu era uma ameaça, mas o que ela fez foi muito pior do que eu esperava... Ela chamou uns homens e disse que eu era um judeu e eles me levaram...
–Você me disse... Que seus pais estão mortos. –Eu o questionei, mesmo sabendo o estado de fragilidade que ele se encontrava.
–Pra mim eles estão mortos... Eu não quero ter que um dia me lembrar de que eles me entregaram para a morte, prefiro pensar que eles estão mortos.
Eu não pude evitar me desabar no choro ao ouvir a história daquele menino, por quanta dificuldade ele passou para chegar até aqui, e ainda tão novo. Eu o puxei para o meu colo e o abracei muito forte. Como essas pessoas tem coragem de fazer isso com uma criança? Como alguém consegue ser tão espírito de porco?
Ele chorou até dormir em meu colo e eu ainda permaneci abraçando-o, de forma alguma eu poderia deixar alguma coisa acontecer a aquele menino, eu sentia por ele um carinho tão forte, não queria abandoná-lo nunca mais.
Então eu ouvi as portas de metal se abrir e as botas de soldado batiam contra o assoalho em direção a mim, eu levantei a cabeça para olhar um soldado olhando diretamente para mim, eu engoli em seco com seu olhar sombrio.
Eu sabia que eles iriam me levar, então apenas deixei o Ike no chão e me levantei, o soldado pegou em meu braço e me arrastou dali. Estranhamente, ele não me levou à sala de interrogatório como sempre, ao invés disso, ele me levou para fora da prisão, indo em direção à floresta, eu arregalei os olhos, eles querem me matar?
Quando o homem chegou a um ponto, ele me soltou e voltou para a prisão, então eu não conseguia entender mais nada, mas um homem surgiu da escuridão e eu abri um grande sorriso.
–Eric! –Eu corri até ele e o abracei muito forte, não conseguia conter a minha felicidade. –Eu fiquei tão preocupado, eles te afastaram?
–Não foram eles que me afastaram. –Ele estava rouco e tossiu um pouco por esforçar a voz. –Eu me afastei, pois tinha que resolver uns assuntos pessoais.
–E agora você vai voltar? –Não me contive e tinha que perguntar, eu estava tão feliz por ele estar bem.
–Não, eu ainda não posso voltar. Eu vim aqui para te ver, Kahl, aquele soldado é meu aliado.
Ele segurou em minhas mãos e se aproximou de mim, dando um beijo em meus lábios, eu não hesitei em retribuí-lo. Estava com saudades daqueles lábios, daquele corpo quente sobre o meu. Quando ele se afastou, ele deu um sorriso, eu pude perceber assim que ele estava pálido.
–Foge comigo, Kahl?
Continua...
Notas finais
Espero que tenha gostado, comentários são sempre bem vindos!
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