Notas iniciais
Ok, esse capítulo foi feito no meio da noite, em um momento de total insonia de quem vos fala, então, quaisquer erros de digitação, que seja devidamente ignorados e aqueles mais grotescos e impossíveis de ignorar, me mandem por review que eu corrijo depois.

Eu estranhei muito esse pedido dele, afinal ele era um soldado, ou eu acho que ainda era. Eu olhei ao redor, incrédulo, a verdade é que eu não estava procurando nada demais, estava apenas refletindo tudo que estava acontecendo. O Cartman se afastou, por um motivo que ele não quer me dizer, ele voltou e me pediu para fugir com ele. Eu acho que tudo isso me ensinou a ser muito desconfiado.

-Kahl, eu não tenho muito tempo. –A voz grossa de Cartman me despertou dos meus devaneios e eu o olhei, assustado, ele estava mais pálido que antes e sua esclera de ambos os olhos estavam amarelas, parecia que ele estava fazendo um esforço desumano para não vomitar.

-Eu não posso, Eric... –Pode parecer a coisa mais idiota que eu já disse, mas eu não podia abandonar o Ike. Ele me deu forças para sobreviver a esse lugar, a vontade de protegê-lo das maldades dos nazistas me fez viver e eu encontrei nele as forças que os meus pais encontraram em mim.

Cartman me lançou um olhar estranho, que não durou tanto tempo para eu descrevê-lo, pois ele abaixou o corpo e vomitou próximo aos meus pés. Eu me assustei com o vômito repentino e recuei alguns passos e olhei para ele, preocupado.

Quando passou o mal repentino do Cartman, eu fui até ele e acariciei suas costas, para que ele pudesse se recuperar, sua aparência doente melhorou um pouco, me fazendo crer que ele estava segurando o vômito por horas, mas ele ficou ofegante com o tanto que vomitou.

-Por quê? –Ele regularizou sua respiração e cuspiu uma última vez, para me olhar com um olhar furioso. –Tem outro, não é?

Eu olhei para ele como se ele fosse louco, o que eu realmente acho que ele é. Ao ver que eu não ia responder àquela pergunta tão absurda, ele pegou em ambos os lados do meu braço e começou a me sacudir violentamente, eu não fiquei assustado, embora eu já tenha me acostumado com esse jeito do Cartman, eu ainda não entendia o porque ele era assim.

-Fala comigo, fala!

-Para! Para! –Eu reuni forças que eu nem sabia que tinha e o empurrei, não tão forte, mas o suficiente para ele me soltar, eu olhei para ele bravo, não ia mais tolerar suas mudanças súbitas de humor. –Seu bundão, você realmente acha que eu estou pensando nisso? –Eu alterei a minha voz e ele abriu a boca para falar, porém eu o cortei rapidamente. –Olha o lugar que eu estou, olha a situação que eu estou passando. Eu te amo, Cartman, mas eu juro que estou pouco preocupado com minha vida amorosa para ficar fazendo triângulo amoroso.

Ele calou-se por completo e suspirou, desistindo de argumentar qualquer coisa, seja lá o que ele iria falar. Eu engoli seco e desfiz minha carranca, porém nada arrependido de ter dado essa bronca no Cartman. Depois de uns minutos pensando, ele disse calmamente:

-Então foge comigo, por que não quer?

-Porque... –Eu suspirei, só me faltava contar a verdade mesmo. –Tem alguém sim, mas não é nada disso que você está pensando. Ele é como um irmão mais novo para mim e é o motivo de eu não ter desistido da minha vida ainda, eu não posso abandoná-lo, Cartman. –Eu suspirei depois de descarregar tudo que estava entalado na minha garganta.

Eu vi a expressão do Cartman fechar em ciúmes e ele olhou para a lua, em silêncio e começou a refletir. E eu apenas fiquei olhando ele em seus devaneios, senti temor quando ele cerrou seus dentes com força, com certeza estava pensando em coisa ruim.

-Cartman? –Eu chamei e ele abaixou a cabeça e seus olhos castanhos se encontraram diretamente nos meus.

-E se... –Ele parou e encolheu os ombros, tentando engolir o orgulho. –Se ele fosse com a gente? –Eu arregalei os olhos. Ele estava falando sério mesmo?

Fiquei extremamente desconfiado. Eu pensei o que o Cartman ganharia em me enganar? Afinal, ele só teria a perder se me ajudasse a escapar, pensei por um momento que ele poderia estar me levando para a morte certa, mas pensando bem, se ele quisesse me matar ele já teria o feito na prisão mesmo. Eu não tinha escolha senão confiar nele. Era isso ou morrer naquele lugar imundo nas mãos de gente que eu não conheço e ser abandonado em uma cova rasa.

-Tudo bem, eu fujo com você. –Encolhi de ombros, desarmando meu corpo e me entregando ao homem que eu amava. Ele abriu um sorriso, não era o sorriso maldoso ou sarcástico de sempre, mas sim um sorriso sincero, ele me abraçou forte.

Sabe o que eu penso sempre que eu sinto o abraço do Eric? Em um ursão de pelúcia, um que me cobrisse todo com seus braços, ele era fofinho por ser gordo e o meu coração se derretia com aquele abraço, me fazendo esquecer qualquer coisa que aquele idiota tenha me feito no passado.

-Obrigado, Kyle. –Ele disse quando me soltou, eu fiquei com aquela vontade de quero mais. –Eu vou te buscar amanhã à noite, está bem? –Agendou ele se aproximando para me dar um beijo, mas daí nós lembramos que ele havia vomitado e desistimos, dando um riso, nós nem sabíamos por que, mas achamos aquilo engraçado.

Então ele pegou na minha mão e me levou para o portão da prisão, me deixando novamente com o soldado que me trouxe, eu me despedi dando um beijo no rosto de Cartman antes que eu fosse levado para o dormitório, eu precisava parecer que eu tinha sido torturado ou algo assim, mas eu não conseguia desfazer do sorriso que estava em meu rosto. Por mais que eu o tirasse do rosto, ele de alguma forma sempre voltava.

Quando eu entrei no dormitório, fui até Ike que olhou para mim confuso.

-Você está bem? –Perguntou ele preocupado e eu me sentei à sua frente, eu tentava conter o riso, mas ele acabou escapando, eu estava eufórico. –Ah, meu Deus! Eles te deram gás do riso! –Disse o baixinho, assustado, eu ri ainda mais.

-Não, não. –Eu acariciei os seus cabelos, ele me deu um olhar confuso. –É uma coisa que vai acontecer amanhã, muito boa.

Ele ficou visivelmente confuso, e quando ele ia abrir a boca para falar, eu o puxei para um abraço. Seja ruim ou bom, amanhã nossas vidas ia mudar. E meu coração dizia que eu podia confiar no Cartman.

Xxxx

O dia de hoje passou em uma velocidade muito lenta. Hoje eu fui para uma fábrica de sabão, isso me bateu uma nostalgia, pois quando eu era criança, uns seis anos, minha mãe fazia sabão caseiro e eu adorava colher flores das mais perfumadas para dar cheiro aos sabonetes. Mas agora o sabão batido a mão foi substituído pelas enormes máquinas, como quase tudo nesse mundo, mas apesar do quão eficiente ou rápida sejam as máquinas, elas jamais irão igualar às mãos humanas, porque elas não têm sentimentos, não têm capricho.

Eu cheguei ao dormitório e fiquei muito feliz do Ike está ali, já disse o quanto eu fico agoniado quando eu chego antes do Ike? Milhares de coisas ruins passam pela minha mente, depois de tudo, eu tinha medo de tudo, eu não podia mais esperar pelo amanhã, pois eu nunca sei se vai ter um amanhã, eu corri até meu irmãozinho e o abracei com força.

E ficamos ali, abraçados e ele me contou como foi o seu dia, eu contei a ele como foi o meu. Embora não seja nenhuma notícia boa, a única notícia boa vinha depois de tudo, quando contamos que sobrevivemos a mais um dia.

Eu não sei ao certo quanto tempo se passou, mas o mesmo soldado de ontem veio até nós, ele agachou ao meu lado e sussurrou para mim que era ele que ia me ajudar a escapar, eu nem acredito que o Cartman está levando isso tão adiante. Eu apenas assenti e ele disse que o Cartman falou que eu iria levar alguém e eu falei que era o Ike. O Ike, por sua vez, ficou olhando para nós dois sem entender nada.

O homem então se levantou e segurou no meu braço com uma mão e a outra, segurou o braço de Ike. Ele ficou receoso um pouco e começou a tremer, mas eu lhe assegurei que eu estava lá e ele se acalmou um pouco.

Fomos levados dali para novamente aquela floresta, o Ike mal acreditava que finalmente se via livre daquela prisão desumana, acho que ele sentiu como eu da primeira vez que o Cartman me trouxe aqui, ao sentir a brisa pura da floresta bater contra seu corpo e eu senti que ia me desfazer ali mesmo, como as pétalas de flores que caíam no chão. Quando o soldado se afastou, Cartman se aproximou, ele olhou para Ike.

-Esse é o tal?! –Ele perguntou, incrédulo, eu apenas assenti com a cabeça. –É uma criança!

-Eu te falei que era como um irmão mais novo para mim. –Eu falei novamente em tom calmo. –O que você achou?

-Sei lá, eu... Eu não acredito que tive ciúmes dele.

Há essa hora, o Ike se escondeu atrás de mim, claro que o Cartman colocava medo nas pessoas, principalmente em alguém tão frágil quanto o Ike.

-Mas eu estou feliz que veio, Kahl. –Eric sorriu e se aproximou de mim, me dando um beijo nos lábios, eu fechei os olhos e retribui, não foi um beijo profundo, devido o Ike estar lá conosco, mas era sempre bom beijar o Cartman. –Venha. –Cartman voltou a andar e eu o segui, segurando a mão de Ike.

Nós caminhamos um tempo até chegarmos a uma estrada, onde tinha uma vã estacionada, Cartman abriu a porta dos fundos e eu entrei lá, quando ele fechou, Ike encostou a cabeça em meu peito, bocejando e eu comecei a acariciar seus cabelos e em pouco tempo, ele pegou totalmente no sono. Eu senti a vã começar a andar e me encostei-me às paredes confortáveis, há quanto tempo eu não me sinto assim? Uma sensação de paz me atingiu, junto com o vento fresco e os meus olhos estão pesados.

Xxxx

Nossa, há quanto tempo eu não dormia assim, sem dores, sem ficar sempre alerta, sem pensar que a qualquer momento eu podia não acordar. E eu só acordei, porque o Cartman abriu as portas da vã, o céu estava meio alaranjado e meio azul, estava amanhecendo. Eu desci da vã e olhei ao redor... Uma fazenda?

O Cartman ficou ao meu lado e eu tomei um susto quando eu vi o Ike em suas costas, ele ainda dormia tranquilamente, ele estava tão exausto que não ia acordar tão cedo.

-Eric! –Um menino loiro correu para fora da casa de madeira e eu me assustei com o tom agudo da sua voz. –Mais gente? Ai, meu Deus, Eric! E se nos descobrirem?! –O menino segurou seus cabelos com força, preocupado.

Só um instante... Agora que eu refleti sua fala...

-Mais gente? –Eu perguntei, estranhando, será que eles abrigaram mais alguém.

-É-é, também tem aquele cara... –O menino começou a bater os indicadores, mas Cartman o cortou.

-Esse não é um qualquer, é o meu namorado. –Disse Cartman rudemente, o menino abaixou a cabeça, envergonhado.

-Desculpa, Eric, mas... Você deixa sempre a parte mais difícil para mim, já que você tem que trabalhar e ir para a clínica, e eu tenho que cuidar dos animais e daquele cara. E eu sou um só! –Eu recuei um pouco com aquele falatório intenso do menino, que mal parava para respirar. Cartman rolou os olhos, como se nem ligasse.

-Leopold, ainda tem leite? –Alguém saia da casa de madeira e eu arregalei os olhos ao ver ele, sua voz, seu sotaque, eu mal acreditava.

Era ele mesmo...

-Kenny!

Continua...

Notas finais
Sim, ele tá vivo, comemorem fãgirls, mas antes que vocês pensem: "Essa criatura está doida?" Não, meus queridos, explicações no capítulo seguinte :3
Se vocês gostaram, comentários são sempre bem-vindos!