Notas iniciais
Minha primeira longfic concluída, estou tão feliz ;.; Sim, esse é o último capítulo, demorou porque: 1- O mês de outubro foi um saco, eu tava com nota baixa e precisava recuperar, problemas pessoais, enfim, vários fatores que me desanimaram. 2- Eu tinha feito um final, mas quando eu o reli vi que ficou muito tosco e tive que pensar em um outro final, que é esse aqui, mas ainda não estou convencida que está bom, por isso vou pensar se vou fazer um epílogo com o final alternativo. 3- No exato dia que eu terminei o capítulo e fui postar o nyah entrou em manutenção, que eu estou vendo que valeu a pena, o editor de capítulos tá ótimo. Mas olha, eu realmente quero agradecer a todos os leitores por acompanharem até o final, vocês são todos uns amores e realmente toda a minha inspiração eu devo unicamente a vocês :3 Eu fiquei muito feliz em fazer essa fanfic, ela foi a minha primeira de todas e eu amei a experiencia, quero estar fazendo mais histórias de South Park em breve, porque né, eu amo esse desenho, sempre me animando nas tardes depressivas. Realmente eu estou muito feliz por ter escrito essa fanfic e espero que todos vocês tenham se divertido também!

Eu corri até o Cartman, mas tropecei em um dos vários corpos que havia naquele corredor, Craig veio mancando até mim e me ajudou a levantar, mesmo que eu tive que segurá-lo para não cair. Estava tão frágil que parecia que ia desmontar a qualquer momento. Cartman terminou o percurso até nós, suas roupas e seu rosto estavam manchados de sangue, embora ele não tivesse nenhum ferimento.

–Os russos estão aqui. –Eu falei pausadamente, pois estava muito ofegante, eu engoli em seco e terminei de falar. –Temos que ir embora daqui, Cartman.

Ele não respondeu por um bom momento, parecia pensativo, longe. Ele segurou o meu rosto e me deu um beijo, não sei como ele tinha cabeça para essas coisas agora, mas eu não recusei também. Ouvi passos sobre o chão de metal, então Cartman segurou na minha mão e corremos, mais do que minhas pernas aguentam. Porém antes, eu segurei na mão de Craig e o praticamente arrastei, visto que ele também não tinha forças para continuar.

–Vamos, Craig. –Eu repetia parando várias vezes para ajudar Craig a se levantar, já que ele não aguentava mais. Uma última vez e nós caímos perto de uma sala de interrogatório. Virei-me pela primeira vez para olhar o Craig e só então tive noção de como ele estava. Seu rosto estava roxo proveniente do ar que ele não conseguiu respirar, sua boca manchada de vermelho do sangue que ele tossiu.

Ouvi alguma coisa se aproximando, então eu abracei Craig com toda a força, protetoramente, rezei por mim mesmo que fosse um soldado russo e posso ouvi-los se aproxi~~

Kyle arregalou os olhos, enquanto um grito de dor ecoou pelas paredes de metal. As gostas grossas e vermelhas caíam uma após a outra sobre o diário, quando ele tentou abrir uma das mãos para ver o tamanho do estrago não conseguiu ao menos abri-la. Quando olhou para trás, Kyle viu dois soldados alemães, eles apontavam um revolver pequeno para o ruivo.

–Você atirou em um soldado. –O homem que apontava o revolver recém-disparado se aproximou e encostou o cano da arma nos cachos ruivos, Kyle abaixou a cabeça e começou a chorar pela dor da sua mão que estava ficando mais lacerante.

–Eu não queria atirar dele, foi um ato reflexo. –Kyle tinha razão. Ele nunca conseguiria matar o Stan, pois depois de tudo que ele fez, eles tinham uma história a qual o judeu nunca iria esquecer. Um sorriso sarcástico surgia dos lábios do soldado.

–Eu vou lhe dar mais alguns três segundo de vida. –Sua voz estava recheada de maldade, ele girou o armazém das balas, em um termo menos sutil, seria uma roleta russa. –Um... –Começou o homem, Kyle apertou os olhos e abaixou a cabeça. –Dois... –Kyle respirou fundo o que seria seu último suspiro. –Trê... –O ruivo apertou os olhos esperando a bala que tiraria a sua vida, mas ela nunca veio.

Abriu os olhos para entender o que havia acontecido e quando virou para o lado apenas viu dois soldados brigando entre si, a arma já havia sido jogado longe, agora o que estava em jogo eram socos, chutes e uma adaga. Seu amante estava ali, lutando por ele, uma batalha que Cartman quase ganhou até que seu grito ecoou pelas paredes frias de aço do campo de concentração. O gosto metálico familiar descia até a língua de Eric e também sentiu a substancia descer-lhe pelas bochechas. Ele rapidamente cobriu o rosto com o antebraço enxugando o líquido espesso para certificar que Kyle não veria, afinal, não queria preocupar o seu amado. Kyle correu ao lado de seu amante, dando-lhe conforto pela batalha perdida. Foi quando Cartman abriu os olhos para ver o rosto do seu judeu, mas ele não podia. Ele simplesmente não podia.

–Kyle? Onde você está? –Cartman questionou preocupado.

Os olhos de Kyle se arregalaram no mesmo instante, ele estava bem ali, ao lado do soldado.

–Eu estou bem aqui, Cartman.

Kyle observou Cartman virar o rosto para todas as direções, com a mão coberta por luvas grossas, ele tateou o jovem até que encontrasse o seu rosto. Tudo que estava diante dele era escuridão, mas ele materializou o rosto de Kyle perfeitamente, igual ao que ele era.

–Kyle, eu não posso vê-lo... Eu estou com medo.

O soldado gargalhou. Nunca tinha visto um homem tão grande e forte com essa vulnerabilidade. Cartman nunca se permitiu ser vulnerável, mesmo com todas as dificuldades que ele já enfrentou. Kyle estava cada vez mais preocupado, ele começou a analisar o rosto do seu namorado, quando viu na orelha direita rastros de sangue que subiam, relutantemente, ele tirou a franja da frente dos olhos do maior, o que viu o deixou totalmente aterrorizado. Os olhos cor-de-mel tão brilhantes que Cartman tinha não estavam mais lá. Havia três cicatrizes profundas na íris, como se tivesse praticamente arrancado seus olhos. E Kyle chorou. Nenhum homem jamais chorou assim antes. Ninguém jamais chorou assim. O que fizeram com o seu amado? Era tão triste ver o seu amor dessa maneira. Fragilizado com requintes de crueldade.

–Kyle, não chore...

De longe, Craig via tudo com admiração o casal compartilhando a dor. Ele se levantou como conseguia e foi se arrastando para frente do casal, estava em seus últimos momentos de vida e podia sentir isso e se fosse para morrer, queria que fosse o mais breve possível, não quer mais adiar esse momento, pois a cada minuto fica mais difícil aguentar.

–Kyle, você precisa ir. –Disse com uma voz fraca que dolorida, visto que sua garganta estava arrebentada, não só pelos chutes que recebeu lá, mas como também por gritar por misericórdia. –Eu vou ficar aqui. –Ele viu Kyle levantar a cabeça com os olhos que pareciam duas cachoeiras.

–Não, Craig... –Chamou o jovem, levantando a mão boa para tocar o ombro do moreno. –Você tem que ser forte, vai sobreviver. –Mas Craig balançou a cabeça em decepção.

–Você está ferido. Eu estou ferido. Ele está ferido. –Completou apontando para Cartman com a cabeça. –Eu sou apenas mais um fardo, vocês não precisam disso. Eu não preciso disso. Eu quero descansar, Kyle.

O ruivo percebeu o cansaço em seu amigo, não valeria muito arrastá-lo em algo desse tipo. Kyle não queria perdê-lo, mas não tinha muita opção se o outro não estava mais dando conta de lutar. Kyle não era de grande ajuda, uma vez que sua mão esquerda estava baleada, então, com a mão boa, ele levou até o rosto de Craig e o acariciou gentilmente.

–Eu vou voltar para te buscar, eu prometo.

Dito isso, ele segurou o corpo do seu amado, que o ajudou, pois conseguia se levantar sozinho. As mãos dos dois amantes estavam entrelaçadas e Kyle ajudava a guiar Cartman, mas aquele lugar era um labirinto e os únicos lugares que ele conhecia era a sala de tortura e o dormitório. De repente algo tremeu o piso de metal, com certeza foi alguma explosão, Kyle sentiu muito medo e puxou Cartman para uma fresta que tinha em uma das paredes, era como um buraco de rato, mas largo o suficiente para caber os dois jovens. Kyle rasgou um pedaço da jaqueta de Cartman a amarrou sobre os olhos dele, rasgou outra tira e enrolou em sua mão.

–Vamos morrer, não vamos? –Perguntou Kyle com uma voz carregada de choro. Ele se aninhou nos braços do namorado, e encostou a cabeça em seu peito, ouvindo seus batimentos cardíacos ora leves, ora acelerados.

–Eu não sei dizer. –Era a melhor resposta que Cartman podia dar. Ele deslizou sua mão pelas costas de Kyle até sentir os cabelos cacheados, acariciando-os de forma terna. Mesmo que ele nunca mais pudesse ver Kyle, ele ainda o tinha em seus pensamentos, em seus sentidos.

Horas se passaram, era angustiante e a cada minuto que passa os ferimentos se tornam mais dolorosos, como se tivesse consumindo a carne dos dois amantes. Estava longe de ser uma morte romântica como a de Romeu e Julieta, eram outros tempos, em tempos que morte era muito comum e sinuosa.

De repente ouviram passos, alguém se aproximava, mas nenhum dos dois tinha coragem de sair do esconderijo. Cartman puxou sua arma para fora do colete, não precisava ver para fazer isso, pois de tanto que já fez, se tornou algo reflexo, alguém se aproximava e Cartman sentia o calor cada vez mais perto.

~*~

–Isso aconteceu. –Kyle estava com a cabeça baixada, sentado em uma cama de hospital. Sua mão estava devidamente enfaixada, mas ele perdeu os dois últimos dedos. Do outro lado do quarto estava o general russo que havia lhe salvado. O velho militar leu a história do diário por vários dias e chegou à conclusão que precisava ver diretamente o homem que o escreveu.

Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos até que esse silêncio foi quebrado pelo som da porta que acabou de se abrir. De lá surgiu uma enfermeira que segurava na mão de um homem e o puxava para dentro do quarto, esse homem usava uma bengala que tateava por todos os cantos a procura dos obstáculos. Seus olhos estavam cobertos por bandagens e o médico disse que ele nunca voltará a enxergar.

Cartman foi até a cadeira que estava ao lado da cama, só sossegou quando pegou na mão do seu namorado. A outra mão do ruivo foi até a bochecha esquerda e fofa do homem e o acariciou com um sorriso terno. Alguns minutos depois, Kyle virou-se novamente para o general.

–E Craig, senhor? –Mais cedo, Kyle havia pedido que o general encontrasse ao menos o corpo do homem que ele citou no diário e o homem realmente foi a procura do paradeiro de Craig, mas as notícias não eram boas.

–Nós o encontramos por um fio. Não está morto, mas está em coma. –As palavras duras saíam da boca do general com delicadeza, porém com frieza, por se tratar de um assunto que ele discute muito com os outros. Apenas viu Kyle abaixar a cabeça e concordar com ela, não podia fazer nada senão rezar para que o homem acorde.

O telefone do militar tocou e ele o atendeu. Conversou um pouco em russo, uma língua que Kyle não entendia, mas pela expressão do homem não era nada bom, ele às vezes gritava, às vezes maneirava no tom, mas sua expressão era séria e um pouco assustada talvez, não sabia dizer. Quando o homem desligou o telefone, o judeu teve vergonha de perguntar o que houve para o homem estar daquela maneira, mas ele se levantou, pedindo licença, porém antes, Kyle queria escrever em seu diário, por isso perguntou a data.

–Seis de agosto. –Respondeu o homem antes de sair apressadamente pela porta.

Quando o homem saiu e deixou os dois às sós, eles começaram a conversar.

–Agora eu estou impotente para servir ao exército. –Cartman riu fracamente ao tocar seus óculos, mas logo voltou a sua expressão série. –Eu ouvi no rádio, Berlim está completamente destruída.

–O que vai fazer agora? –Perguntou Kyle, enquanto deitava novamente na sua cama de hospital, mas ele nunca soltou a mão do namorado.

–Eu vou pra cadeia.

Kyle se assustou e sentou novamente, Cartman disse tão naturalmente, mas foi um choque para o ruivo. Ele tocou o rosto do homem e o acariciou dizendo que ele não podia ir preso, não podia abandoná-lo. Cartman apenas segurava as mãos do amado com todo o carinho do mundo, apenas esperando que o outro se acalmasse.

–Eu estou envolvido no Nazismo, eu não sou totalmente inocente, nós perdemos a guerra e temos que lidar com as consequências disso. –À medida que Kyle ouvia as palavras de Cartman, ele não conseguia parar de chorar, embora tentasse.

–Cartman, eu não quero te perder, não agora que tudo parece que vai voltar ao normal.

–Nunca vai voltar ao normal. –Atalhou Cartman. –Eu não vou embora, Kyle, você pode vir me visitar, eu posso escrever cartas. É só por cinco anos, amor. Eu prometo que quando tudo acabar vamos viver juntos, você aceita viver comigo, não é?

Kyle nem acreditava naquilo tudo, ele segurou os dois lados do rosto do maior e começou a beijá-lo com o gosto levemente salgado pelas lágrimas que escapavam pela boca do judeu.

–É claro, meu amor. Eu não viveria sem você.

A polícia internacional invadiu o quarto e levou Cartman. Kyle olhava com tristeza seu amado partir, então puxou uma caneta no criado mudo, abriu o seu diário. Estava grosso, apenas mais umas cinco páginas até que acabasse então começou a escrever.

6 de agosto de 1945

Sim, eu sobrevivi até o final. Com muita dor e angústia nesses tempos difíceis. Eu acredito que ninguém vá ler, porque eu não morri, então não tenho necessidade de repassar essa história, senão pela minha própria boca. Manterei esse diário guardado em minhas coisas que ficará somente na família Broflovski, então se um descendente meu achar e estiver em crise, leia esse diário e entenda uma coisa: a esperança nunca morre.

Notas finais
Então, esse último capítulo ficou bom ou não ficou bem o que vocês esperavam, espero opiniões sinceras. E também quero saber se querer um epílogo alternativo ou não. Isso é com vocês!