Notas iniciais
Cara, acho que fazem dois anos o.o Enfim, eu queria encerrar a história e como todo mundo pediu um epílogo, aqui está. Apenas avisando que ele não é um gancho direto da história anterior, então se alguém quiser ignorar isso e fazer de conta que a história terminou no capítulo anterior, não tem problema. Só quero agradecer a todos que mandaram recomendações e continuaram comentando mesmo depois do fim da história. Thank you, guys :3

Kyle esticava seu corpo com força, ficando na ponta dos dedos para poder alcançar o topo do seu armário, onde estavam todas as suas caixas. Ele queria pegar uma mala de mão que estava atrás de todas essas caixas, mas como o armário era alto e a mala estava bem no fundo, Kyle teve que ficar na ponta dos dedos, se equilibrando em um banquinho baixo de madeira que balançava toda vez que o ruivo fazia um movimento duvidoso.

—Kahl, desce daí, porra. —A voz de Eric veio ao fundo, quando o homem estava sentado em uma das cadeiras do escritório, tragando um cigarro em seus lábios, enquanto olhava bravo para o ruivo que insistia em quase cair dali. —Não quero que você estrague nossa viagem por estar com uma perna quebrada. —Completou rudemente, enquanto segurava o cigarro entre os dedos e dava um tapinha nele para tirar o excesso de cinzas.

—Cala a boca, bundão. —Atalhou Kyle, enquanto esticava cada vez mais seu braço através das caixas. —Estou quase pegando.

—Não sou mais bundão. —Corrigiu Eric em tom sarcástico, se referindo ao fato de que ele não era mais gordo como na infância. —Mas você ainda continua sendo um judeu. —Completou fazendo uma careta de decepção enquanto balançava sua cabeça de um lado para o outro.

Com um engasgo, Kyle sentiu o banquinho virar e seu corpo estava caindo para trás. Como num reflexo, o ruivo agarrou a caixa para tentar se segurar, embora fosse em vão, o jovem caiu, trazendo consigo aquele monte de tralhas. Cartman arregalou os olhos quando viu o jovem cair e logo se levantou para tentar segurá-lo.

Kyle pousou com segurança nos braços de Eric, embora seu coração estivesse quase saindo pela boca por causa do susto que levou. Depois de conseguir se recuperar, ele ficou de pé e olhou para o maior com um olhar de piedade, como se pedisse para Eric não brigar com ele por causa daquela estupidez.

O moreno balançou a cabeça de um lado para o outro, como se repreendesse o menor, mas resolveu não falar nada por Kyle aparentar já estar bem envergonhado. Teve que pular de dor ao sentir as cinzas do cigarro cair na sua mão apenas para perceber que não o tinha tirado da boca. Passou os dedos pelo local avermelhado que ficou e tirou aquele Marlboro de seus lábios, jogando-o para fora da janela com raiva, como se culpasse o pobre cilindro de câncer por todos os seus problemas.

Em seguida, olhou para o armário, vendo que a pequena mala continuava ali como se zombassem deles por ter conseguido derrubar tudo, menos ela. Eric bufou com isso quando ajeitou novamente o banquinho no lugar e subiu nele, se esticando e conseguindo pegar a mala com a facilidade que Kyle não teve. Ao ver isso, o ruivo fechou a cara em uma careta emburrada.

—Por que não fez isso antes? —Perguntou cruzando os braços, apenas os desfazendo para pegar na alça quando o moreno entregou-lhe.

—Você não pediu. —Respondeu em tom de zombaria, fazendo com que carranca do menor se intensificasse.

—Eu poderia ter caído. —Justificou Kyle.

—Mas não caiu. Porque eu te segurei. —Gabou-se. —Então por que ainda está reclamando? —Questionou enquanto tirava outro Marlboro do bolso e o equilibrando entre os lábios pronto para acendê-lo quando Kyle tirou-o bruscamente de sua boca e jogou-o no chão.

—Ajude-me a guardar essas coisas. —Ordenou enquanto apontava para a bagunça de papeis que cobria o chão do cômodo, fazendo Eric suspirar fundo.

O homem se abaixou para alguns cadernos antigos do colégio, coisa que não via há anos. Enquanto isso, Kyle juntava alguns livros da sua faculdade de medicina, deixando um empilhado em cima do outro, para deixá-los bem encaixados dentro da caixa.

Enquanto também fazia o mesmo com os cadernos, algo chamou a atenção de Eric. Era um caderno de capa preta bem simples, desses que se acham em qualquer mercadinho de esquina, estava um tanto desbotado, mas era possível ler o título em caneta prateada: “Diário de Kyle Broflovski”.

Eric estranhou isso, pois não se recordava de Kyle escrever um diário, então pensou primeiramente em ser um diário da infância dele, algo de apenas alguns meses por ficar com vontade, mas logo foi esquecido.

Sem ler a fundo seu conteúdo, o moreno começou a folhear as páginas bastante maltratadas pelo tempo, as folhas que deveriam ser brancas estavam amarelas e havia várias rugas em sua superfície.

­–Kahl? –Chamou Eric fazendo o judeu ruivo parar de organizar os livros e dar atenção a ele. –O que é isso? –Perguntou enquanto mostrava o caderno ao menor.

Quando Kyle bateu os olhos no caderno, se arrepiou por inteiro em algo que seu coração disparou e correu para pegar o caderno das mãos do garoto de cabelos castanhos. Eric, por sua vez, esticou o braço, como ele era mais alto, Kyle não conseguiu alcança-lo a tempo e soltou um suspiro frustrado. Eric lhe deu um sorriso de deboche e abriu o livro para começar a ler.

—Lembra quando o Sr. Garrison pediu que fizéssemos uma história sobre a Segunda Guerra mundial para um trabalho? —Começou o judeu sentindo seu rosto ficar da cor de seus cabelos.

Ele havia feito aquela história no auge da sua criatividade, mas nunca teve coragem de ler ela para a turma, principalmente porque todo mundo iria caçoá-lo para sempre, ainda mais o bundão na sua frente. Kyle correu mais uma vez para tentar pegar o caderno das mãos gordas dele, mas não conseguiu, suspirando derrotado.

—Haha, o Kenny morreu, que maneiro. —Comentou Eric com aquela sua típica risada de adorar ver alguém sofrendo.

Kyle não podia fazer nada a não ser esperar pacientemente que o homem mais velho terminasse a leitura e sentia vontade de esconder a cabeça em qualquer lugar que encontrasse.

—Ei, eu fiquei cego. Que porra é essa? —Perguntou Eric irritado.

—Eu achei que daria um toque dramático para a história. —Respondeu Kyle dando a língua para o mais velho.

—Viu, eu sempre soube que você tinha essa paixão secreta e avassaladora por mim, Kahl.

Kyle podia sentir ficar cada vez mais envergonhado e arrancou o caderno das mãos do moreno, batendo com a cabeça na sua cabeça, arranhando um grito de dor do maior. Nem se lembra direito porque escolheu justamente o bundão para ser seu par romântico, talvez fosse uma pitada de sentimento romântico sim, mas era orgulhoso demais para admitir a si mesmo.

O judeu fechou a cara com o deboche do mais velho, pois sabia exatamente o que iria acontecer se Cartman colocasse as mãos nesse caderno e estava morrendo de vontade de tirar aquele sorriso imenso do seu rosto.

Antes de pudesse fazer qualquer coisa, foi puxado para perto com um beijo apaixonado. Como se esquecesse de toda a raiva anterior, Kyle fechou os olhos e retribuiu o beijo, acariciando gentilmente a bochecha fofa do maior. Amava sentir a língua quente de Eric explorando sua boca, enquanto suas línguas digladiavam, daquela vez o ruivo deixou o homem ganhar.

Eric puxou o jovem para o seu colo, acariciando sua cintura fina quando o beijo terminou ficou distribuindo beijos pela bochecha avermelhada do menor. A mão pequena e fina de Kyle se encontrou com a de Eric e eles entrelaçaram os dedos, vendo o brilho da aliança de ouro.

—Bundão. —Balbuciou Kyle com o rosto enterrado na curva do pescoço do maior. —Eu te amo, sabia?

—Eu também te amo, Kahl. —Confessou Eric. Era extremamente difícil fazer ele falar tais palavras em voz alta. —Mais do que me amo. —Completou o moreno, ganhando um tapa na cabeça pelo menor.

—Vamos logo ou perderemos nossa lua de mel. —Apressou-se Kyle saindo do colo de Eric.

Guardou aquele caderno novamente em cima do armário, onde estava e deixou ali a sua história. Quem sabe algum dia seus filhos também a leiam.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!