Apenas Semideuses.
2 O Novo Campista.
-Um petisco está no forno? O que diabos isto quer dizer?- exclamou Daniel com sua voz grossa.
Suspiro. Daniel é uma pessoa extremamente inteligente, mas às vezes é difícil conversar com ele, principalmente quando está construindo alguma coisa.
Daniel é filho de Hefesto. O depósito de armas é onde fazem... Bem, as armas. E acredite em mim é o lugar mais barulhento que existe.
-Bom, eu não sei, por isto estou perguntando á você- digo calmamente. Seria melhor se seus três irmãos e duas irmãs parassem de serrar, bater, distorcer e arrumar o bronze celestial.
-Hum...- ele para de martelar uma espada para pensar.
-HORA DO ALMOÇO, PESSOAL!- berra Vando e me assusta.
As seis crianças correm para fora da oficina, deixando-me sozinha com Daniel.
-Olha, não gostei desta “profecia”. Soa muito “ALGUÉM ESTÁ VINDO E VAI MORRER”. Ou talvez seja apenas uma grande pegadinha de Gabriel. Você sabe como ele é- solta Daniel.
Talvez ele esteja certo e seja apenas uma brincadeira de mal gosto, mas Gabriel é louco.
-Obrigada, Daniel. Vou tentar esquecer isto por enquanto!- saio do depósito mais confusa do que quando entrei.
É hora do almoço, mas sinceramente, não estou com fome. Sento em cima de uma rocha, no meio da floresta.
Um coelhinho se aproxima de mim e... Oras, eu não tenho coração de pedra. Estendo a mão para acaricia-lo, mas ao perceber minha aura ele corre para longe. Ás vezes é horrível ser uma filha do deus da morte. Pego uma flecha na aljava em minhas costas e miro no animal que ainda corre. Não devo fazer isto. A culpa não é dele de que eu tenha cheiro de morte. Só existe um culpado para isto.
-Líder? O que está fazendo aqui?- pergunta uma voz masculina.
Eduardo, Wander e Garry aparecem na floresta. Eles são três filhos de Poseidon. É engraçado olhar para eles, porque mesmo sendo irmãos, são totalmente diferentes. Eduardo, mais velho e mais alto, tem cabelos negros e olhos azuis. Wander, o irmão do meio, tem cabelos ruivos e olhos verdes. E finalmente Garry, mais baixo com seus cabelos louros e olhos castanhos. Nunca os vi separados. Eles são ótimos lutadores, porém um pouco burros. Só pensam em surfar, nadar e pescar, o que não me surpreende. Mesmo eu, sendo filha de Hades, e eles, sendo filhos de Poseidon, nós nos damos muito bem. Quer dizer, eles ficam na deles, rindo, namorando e eu fico na minha.
-Eu... Só estou pensando.
-Sei... Será que há algum garoto escondido aqui?- brinca Garry
Eles riem.
-Não. Eu só não estou muito bem- digo.
-Ah, venha cá, prima! Vamos te animar! Vamos surfar no lago!- Eduardo me faz ficar em pé e me guia para fora da floresta com seus irmãos.
-Não há como surfar em um lago, cara.
Wander me cutuca.
-Então por quê surfamos?- ele faz um biquinho, como se eu fosse uma criança boba.
-Bom, eu realmente não sei.
Eles vão falando enquanto me tiram da floresta. Admiro esses caras. Nada os preocupa.
Chegamos aos chalés, mas nada está normal. Semideuses correm para o norte da floresta como se o Batman estivesse naquela direção.
-Santo Poseidon! O que está acontecendo?- exclamam os três irmãos juntos.
Imediatamente começamos a correr naquela direção. Mesmo com minhas coxas grande, eu consigo acompanhar os meninos. Logo, estamos próximos á todos os semideuses que se acotovelam para ver melhor o que está acontecendo.
Uma árvore estava se partindo ao meio, liberando uma espécie de passagem. Eu empurro todos á minha frente, eu tenho que ver isto de perto. Todos abrem alas para a líder.
A árvore termina de se partir, dela surge um garoto. Ele é magro e pequeno, com a pele pálida e cabelos negros. Ele deve estar morrendo de calor, pois usa uma jaqueta de aviador.
Pego uma flecha de minha aljava, encaixo no arco e miro diretamente para seu coração. Os outros semideuses fazem a mesma coisa com suas armas.
-Quem é você e o que está fazendo aqui? Responda!- jogo para ele.
Apesar de ter uma espada preta presa em sua cintura, o garoto levanta os dois braços em sinal de rendição.
-Sou Nico di Angelo, semideus. Filho de Hades. Venho em paz- está claro por seu sotaque que ele não é do Brasil.
Atrás dele, o portal se fecha. Ele faz parte de nosso acampamento agora.
-Muito bem, quero todos vocês circulando. Caroline? Convoque uma reunião com todos os conselheiros de todos os chalés hoje á noite. Agora vão!
Todos os semideuses voltam á suas tarefas. Não parecem felizes de me deixar sozinha com o novato, mas não podem me desobedecer.
-Queira me acompanhar, di Angelo.
Mantenho-o sobre vista todo o trajeto para o Grande Chalé. Ele me segue em silêncio observando tudo á minha volta. Parecia... Fascinado?
-Entre- ordeno.
Entramos no Grande Chalé, onde resolvemos problemas particulares. Não é um lugar muito grande, é o dobro do tamanho de um chalé normal.
Sem pedir permissão, Nico se senta em uma poltrona, eu faço o mesmo.
-Então, acho que você pode começar a se explicar- digo.
-Espere. Onde está o seu líder?- pergunta o garoto um pouco chocado.
-Eu sou a líder do acampamento- respondo rudemente.
-E não tem nenhum adulto aqui?
-Existe Simon, mas ele interfere apenas em missões, mortes e coisas mais importantes. Terminou?
-Acho que sim- ele obviamente não esperava isso.
-De onde você veio?
-Estados Unidos- Nico responde.
-Isso explica o sotaque.
-Acho que sim.
-Por que está aqui?
-Moro aqui no Brasil há um mês, e neste mês descobri que sou um semideus. Meu pai, neste caso nosso, me guiou até aqui.
Interessante. Eu nunca falei com Hades. E este garoto sim. Não confio nele, não confio em sua espada preta.
-Está com calor?- pergunto desconfiada.
-Sim, na verdade- ele retira a jaqueta.
-Por que veio ao Brasil?
-Meus pais morreram nos Estados Unidos, então vim morar com minha avó.
Ok, acho que já perguntei tudo o que precisava saber. Mas sei que está mentindo. Onde ele arrumou esta espada?
-Venha, você se tornará um campista agora.
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