Nico é a pessoa mais estranha que conheço. Sei que está mentindo, eu posso sentir. Mas não importa. Ele é meu irmão e por algum motivo, confio nele. Devo estar louca, mas Nico tem um efeito interessante sobre mim, fico mais calma. Droga, ele está aqui no acampamento há uma hora!

No entanto, eu nunca tive um irmão. Nico não se parece muito comigo, mas seus cabelos e olhos negros são iguais aos meus. Também temos a mesma expressão sinistra.

Vou interroga-lo á noite, quando ele estiver em meu chalé. Nosso chalé. Ele com certeza não é um novato, por causa de sua espada e de seu olhar pouco interessado, apenas curioso.

Seguimos para o depósito. Já é quase noite, temos de ser cuidadosos na floresta, principalmente á noite.

Chegamos ao depósito de armas e a única pessoa presente é Daniel. Olho-o ameaçadoramente e já entende o que quero.

-Então Nico, deseja ser um campista?- pergunto com um sorriso se espalhando por meu rosto.

-Sim!- responde sem hesitar.

-Ok, antes de tudo temos uma espécie de ritual. Daniel?

-Estamos prontos. Então, Niquinho, escolha a parte de seu corpo em que deseja ser marcado para sempre. Sem partes intimas, por favor- diz Daniel se aproximando com o ferro em brasa.

-O QUÊ? Eu vou ser marcado em brasa?- exclama Nico. Ele não deve gostar de sentir dor.

-Claro, ser queimado dói, não? Mas precisamos marcar seu pai olimpiano e nosso acampamento em sua pele. Vamos lá, todos nós fizemos- Daniel diz e mostra o martelo em seu bíceps direito. Eu o imito e mostro o crânio em meu pulso esquerdo.

Nico treme. Hum, interessante como algumas pessoas têm pavor de sentir dor. Eu não. Lentamente, ele levanta a barra da calça direita, revelando seu tornozelo magrelo.

-Ótimo. É melhor você ser filho de Hades mesmo, porque se não cara, VOCÊ VAI MORRER!- grita Daniel e encosta o ferro em brasa na pele de Nico.

O garoto grita e agarra o tornozelo.

-Doeu?- pergunto com um sorrisinho provocante.

-Muito! Mas agora está passando.

-Deixe-me ver, irmão- ordeno.

Ele retira a mão de cima da ferida, mas não há uma ferida e sim um crânio preto com AB escrito abaixo.

-Agora, você é quase oficialmente um campista- falo á ele.

-Quase?- exclama.

-Sim. Logo, você irá receber sua medalha- respondo.

-Medalha?

-É! Olhe a minha- pego a correntinha de ouro em meu pescoço e mostro á ele. Um crânio.

-Ah.

Corro para fora do depósito rindo de Nico. Ele me faz sentir-me bem. Corro pela floresta com Nico mancando e Daniel andando. Sinto o vento bagunçar meu cabelo e estou feliz. O que a presença de Nico está fazendo comigo?

Notas finais
pequeno mas tudo bem.