Apenas Meu.
16 Tudo tão estranho.
Notas iniciais
Olá! Também dividi este capítulo, mas como notaram em capítulos mesmo e não em partes! Desculpem por ontem pessoal. Como algumas pessoas curtiram o lance de Trilha Sonora, vou colocar as que escutei enquanto revisava:
To Build a Home - The Cinematic
Jar of Hearts - Christina Perri
Addicted to Love - Florence and The Machine
To Build a Home - The Cinematic
Jar of Hearts - Christina Perri
Addicted to Love - Florence and The Machine
A Jimks estava calma até a chegada de Corinne.
A ignorei de fato, abaixando minha cabeça para minha bandeja com alimentos e sentada em uma mesa vazia no fundo do refeitório. A minha mesa de sempre estava cheia. Todos estavam lá: Leila, Kate, Elliot, Cary, Corinne e... Christian. Suspirei, e abaixei mais a cabeça, comendo bem quieta. Liguei meu celular novamente e lá se sustentavam diversas ligações de todos eles. Cary sabia que eu estive lá na noite passada, mesmo que ele não tenha ido para casa. Ao terminar de comer, depositei minha bandeja no local de sempre e sai para tomar uma brisa. Puxei o capuz da cabeça e soltei os cabelos em volta do rosto, cobrindo-o como uma cortina negra. Enfiei as mãos nos bolsos do moletom e caminhei até a biblioteca em um anexo da Jimks. Lá, peguei alguns livros de que precisava. Ao lado de fora novamente, me sentei em um dos bancos da área de lazer, com uma fonte no centro, ostentando o busto do fundador da Jimks. Folheei algumas páginas sem realmente manter a atenção nas letras. Só sabia que era Corinne ao meu lado, quando ela se manifestou, despertando-me de minhas ocupações mentais: — Gostei do que fez. – Ela disse, mas sem olhar na minha direção. Fiquei quieta, agurdando. – Não correu atrás dele. É assim que podemos começar. – Ela sorriu espontaneamente. — Começar? – Minha voz soou rouca, como se houvesse muito tempo guardada. — É. Começar. Ou terminar. – Corinne soltou um risinho animado. – É só permanecer assim, O.K? – Ela indagou com um sorriso amargo e caminhou em direção ao anexo das salas. Minha testa enrugada demonstrava que eu não havia entendido absolutamente nada.Consegui sair mais cedo da aula na Jimks e com minha moto fui até o apê de Christian. Apenas para pegar algumas roupas minhas que dariam em minha mala da escola. O segurança liberou minha entrada, só porque me conhecia mesmo e subi com pressa até o andar. Como esperado, a porta estava destrancada. Entrei com passadas rápidas e entrei no quarto de Christian. O cheiro afetou minhas narinas, subiu por meu corpo e fez com que meus joelhos oscilassem. Entrei em seu closet com as vistas embaçadas, com a garganta apertada e com a cabeça doendo. Aos poucos recolhi algumas peças e as coloquei dentro da mala. Antes que eu pudesse sair pela porta de seu quarto, algo em sua cama me chamou a atenção. Era uma camisola... minha camisola. Mas, que diabos ela estava fazendo ali? Então, repentinamente uma imagem se formou em meus pensamentos: Christian em um sonho pesado abraçado a ela. Será que isso ocorrera mesmo? Antes que meus olhos ardessem mais, pousei os dedos na maçaneta e abri. — É, Christian. Você fez uma merda das grandes. – Era Cary. Um som de chave sendo jogada em uma mesa de vidro ressoou pelo apê e sabia que se ficasse onde estava, seria pega a qualquer instante. Fechei a porta lentamente atrás de mim e corri rapidamente para o quarto que Cary e eu já dividimos. — Sei que fiz, Cary. – Christian respondeu, suspirando, frustrado. Ah, que bom que ele sabe. Pelo menos isso. — Ontem, ela não me viu, claro. – Cary iniciou. – Eu cheguei ao apê e ouvi os berros dela. Eu sabia que ela estaria lá, chorando, sozinha. Eu a conheço, Christian. E quero vê-la feliz. Não importa as merdas dos seus sentimentos por ela. Se você a ama, como diz, tem que demonstrar. – Cary suspirou, exasperado. Um ponto de interrogação estava aceso em minha mente. A voz de Cary se fez ouvir novamente, alta: — Eu a amo. – Ele suspirou. – E sei que certas coisas dependem dela. Sei que ela depende de mim em certos pontos. Ontem, quando cheguei ao apê, minha maior vontade era de vir até aqui e acabar com a sua raça, mas a minha maior vontade também era de sentar no chão e ouvir o choro dela, não para me vangloriar, mas para chorar sozinho. Porque eu não sei mais o que fazer. – A voz de Cary estava embargada e minha garganta estava sufocando um choro. Eu causava tudo isso. — Desculpe. – Foi a única coisa que Christian conseguiu dizer. — Não peça desculpas para mim; peça para Ava. É ela quem merece ouvir isso. Tenho de admitir que você mudou muito ela. Antes, ela não fazia brincadeiras com ninguém. Eu nunca vi Ava se dar tão bem com uma pessoa em pouco tempo, como se deu com você. Sei que você a mudou e vice-e-versa. E seja lá o que for que você faz com ela, continue. Só repare essa merda das grandes. — Entendo. – Christian concluiu e mesmo sem vê-lo sabia que estava coçando o queixo, prensei os olhos. – Vou fazer o impossível para tê-la de volta. Para conseguir retomar com nossa estória... não sou nada sem ela. – Sua voz oscilou, ou fora impressão minha? — Faça por onde. – Cary terminou e como o conhecia, sabia que estava utilizando aquele tom de voz como ponto final de conversa. A porta se fechou, dando razão aos meus pensamentos.Não sai do apartamento de Christian. O ouvi tomar banho. Escutei o mesmo entrando no quarto e depois saindo, mexendo em talheres na cozinha. Depois escutei a porta se fechar; ele havia saído.
Mesmo depois disso eu não quis sair. Quis continuar lá, pois sentia seu cheiro em todos os lugares e aquilo me reconfortava de certa forma. Quando fechava os olhos, via seu sorriso e sorria junto, com as lágrimas molhando minhas faces. Pela parede de vidro, vi quando a noite caiu e escutei quando os três residentes chegaram, mas dessa vez, uma voz distinta os acompanhava e quase sai, para ver, com meus próprios olhos, se aquilo era realidade. — Quero pipoca! – A voz de Mia pediu. Mesmo tendo a visto antes, aquele voz me soou tão frágil, que fez com que meu passado retornasse como uma avalanche. Vi as lágrimas de Cary e escutei suas palavras novamente.“Eu sinto tanto.” Ele dissera. Aquela voz, se parecia com a minha quando gritava dentro do banheiro, pedindo por piedade. Lembrei do momento em que Kate entrara no banheiro e me pegara com um estilete em mãos.“O que pensa que está fazendo?” Sua voz embargada indagara.“Quero acabar com todo esse sofrimento.” Conclui. E, naquele momento, sentada naquele quarto. Sozinha e ouvindo todas aquelas gargalhadas contagiantes, eu quis acabar com todo esse sofrimento que retornara. Nathan estava de volta de certa forma. Meu novo ponto de apoio me abandonou de certa forma. E o próprio Cary concluiu que não sabe mais o que fazer. Ele não sabe mais o que fazer comigo. Com nós. Eu sou um problema.Acordei esparramada no chão e despertei com um impulso. A noite estava indo embora, enquanto o dia tomava seu lugar ao céu. A lateral de minha cabeça doía por ter dormido sobre a bolsa da Jimks, com todos aqueles materiais escolares lá dentro. Passei as mãos pelo rosto e me sentei, esticando os músculos. Já era hora de ir.Ir pra onde? Uma vozinha indagou.Ir para qualquer lugar, droga. Me levantei e joguei a bolsa em um dos ombros. Sem hesitação, sabendo que todos estariam dormindo, abri a porta daquele antigo quarto com um leve cheiro de mofo. Mas, era tarde demais. A televisão estava ligada e Christian estava sentado. Seus antebraços apoiados nas coxas e olhando com entusiasmo para a tela. Fiquei imóvel e sabia que ele nunca me encontraria ali. Estava emersa na escuridão da sala. Mia estava na tela. Eram vídeos. Na verdade, Mia e Christian estavam na tela. Sorrindo e jogando areia da praia um no outro. Depois, Christian a carregava pela cintura, correndo dentre a beirada do mar. Aquele som de ondas quebrando ao longe inundou meu coração, instalando uma paz incontida. As risadas delicadas de Mia se misturavam com as grossas gargalhadas de Christian. A tela ficou preta e ele se levantou, retirando o CD do aparelho DVD e escolhendo outro, colocando-o lá. Eu não me lembrava daquilo.“Diga olá, visitante.” Christian pedia no vídeo. Meu rosto estava em um zoom enorme, sorrindo para a câmera, sorrindo para Christian. Me lembrei vagorosamente daquele vídeo. E não sei dizer em que dia realmente fora. Passamos tanto tempo juntos. “Saia da minha frente!” Minha voz estridente pedia, com um sorriso contido nos lábios. “Só quando disser olá.” Christian teimou e ouvi sua risada gostosa se irradiar pelo cômodo no vídeo. “Olá, Chris.” Eu cedi, rolando os olhos. Christian sentado no sofá, sorria para a tela. O rosto brilhando, as pontas dos dedos sobre os lábios. O vídeo terminava com meus lábios na tela, beijando-a. A escuridão se fez ver novamente. O sol já fazia sua subida lenta. A luz foi acesa e eu fui pega no flagra. Quando Christian se virou, seus olhos se arregalaram, pelo simples fato de ele não saber o que falar. — Princesa? – Ele indagou, olhando-me dos pés a cabeça, vendo-me do jeito que eu não queria que ele visse. Não consegui segurar uma arfada quando o vi tão perto. Seu cheiro se fazia sentir agora. Abri os lábios para responder, mas a campainha me atrapalhou. Christian correu apressado para atender. Ao abrir, tinha três homens com várias caixas de distintos tamanhos. — Ah, olá. – Christian pareceu se lembrar de algo, suspirando. – Podem vir por aqui. Ele deu um passo para o lado e os homens passaram, aguardando inquietos. Christian trancou a porta e guardou a chave em seu bolso. Sabia muito bem porque ele estava fazendo aquilo. Era para eu não fugir, como fiz tantas vezes. Os rapazes passaram por mim, dando “bom dias” tímidos. Christian os acompanhou de perto. Eles entraram no quarto em que Christian fazia suas “brincadeiras”. De repente, notei que nunca havia entrado lá e pelo jeito, nem me queriam por lá. Pois ao entrar, Christian trancou aquela porta atrás de si. Andei pelo apartamento. Abri todas as gavetas e não encontrei nenhum molho de chaves reserva. Peguei a caixa em que Christian guardava seus CD’s e arfei. Quantas fotos... Todas minhas e com ele. Fotos de tamanhos diferentes. Com efeitos fotográficos diferentes. Fotos tiradas por outras pessoas e tiradas por nós. Nossos rostos mal emoldurados na tela. Sorrisos tortos. Olhos brilhando. Larguei a caixa. Não podia amolecer agora, não mesmo. Sentei no sofá. Demorou um bocado para eles saírem daquele quarto e ainda saíram com mais caixas do que quando entraram e também saíram mais a vontade, rindo com Christian. Os rostos dos três homens estavam suados e Christian se despediu com brincadeiras companheiras. O silêncio se instalou novamente. Nenhum de nós sabia o que fazer, ou o que dizer. Ambos havíamos errado de certa maneira. Não havia apenas um culpado naquilo tudo e havia a conversa que eu tinha escutado. As confissões contidas em Christian. Me levantei do sofá, passando a mão pelos cabelos, nervosa. — Eu preciso ir. – Suspirei, quebrando o silêncio. — Para onde precisa ir? — Para a Jimks. — Tome um banho. Coma algo. – Ele insistiu chegando mais perto. Abaixei os olhos, fitando seus pés descalços e brancos. Seus dedos quentes levantaram meu rosto pelo queixo. Encarei seus olhos verdes. Ele meneou com a cabeça. — Está aqui desde ontem, não é, princesa? Chegou pela madrugada, ou algo assim. Cary estava preocupado. Acenei em positivo. — Imagino... – Minha voz soou frágil e tremi um pouco. Não comia nada desde a Jimks e nem havia descansado direito. — Venha. – Christian me puxou pelo braço, apertando-me de leve. – Tome seu banho e depois venha comer comigo. Vamos juntos para a Jimks. Como nos velhos tempos.Velhos tempos. A porta do banheiro se fechou diante do meu rosto. Estava tudo resolvido? Ou tudo ainda mais complicado? Christian estava lá e de certa forma, fingindo que nada acontecera. Gostei daquilo. Gostei por certo ponto. Por não saber o que fazer. Por estar sem chão e por estar com um pouco do seu cheiro na minha pele. Pela primeira vez tomei banho com os cosméticos de Christian. Apenas para sentir seu cheiro por mais tempo.
Notas finais
O que acharam disto tudo? Ava escondida? O que acharam da conversa? E o que acharam da atitude de Christian? Me contem! Até depois de amanhã, no próximo capítulo!!!! Beijinhos.
PS.: Acho que as fãs de Grey de plantão, irão adorar
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