Notas iniciais
Ai gente, tenho tão pouca imaginação para nomes de capítulo.
Espero que vocês leiam essas notas iniciais, ok? Hoje elas estão importantes pra mim.
Pra começar, sobre o capítulo: Ele tá bem meiguinho, e só pra demonstrar algo pra vocês, sobre eles estarem "reforçando" a amizade, e não o amor que sentem um pelo o outro, ok?
TS:
My Love - Sia
Over the Love - Florence
Ride - Lana Del Rey (parabénssss!)
A PARTE MAIS IMPORTANTE!!! Com o fim de Apenas Meu, eu iniciei meu novo projeto. Não darei nomes e nem detalhes, mas tive uma ideia e minha amiga Stella achou ela boa. Se eu postasse uma one, com um capítulo bônus da estória, vocês iriam ler? É só pra tê-los comigo no próximo projeto (aqueles que estiverem interessados).
Boa leitura!

Não havia nenhuma solução sobre o caso de Nathan. Sobre o caso de ele estar mais próximo de mim, ministrando aulas na Jimks. Então, por comando do meu pai, eu optei por ficar em casa e fazer as tarefas habituais, por vezes eu me arriscava em ir à academia do Edifício e correr alguns quilômetros, e até mesmo levantar alteres de alguns quilos – dois, na verdade.

Fechei os olhos, enquanto tentava me concentrar em um programa interativo. Christian passou por eles automaticamente. E uma música lenta começou a soar no intervalo da programação, algo doce e romântico. Meu queixo tremeu, cedendo ao sofrimento interno. Eu sabia, que quando começasse a chorar, seria complicado parar. Eu tinha de aceitar que parte da culpa por não tê-lo mais era minha. Fora eu quem quisera esconder a verdade dele. Coisa que ele ficaria sabendo cedo ou tarde. E ainda há tanto para contar e desvencilhar. Eu também queria compreender seus segredos.

Então, os momentos começaram a surgir em meus olhos, enquanto eu era embalada pela doce voz de sofrimento da mulher que cantava. Meu coração se apertou, sendo embalado pelo ritmo. A primeira vez que o vi, foi a memória que me tomou inicialmente e eu me deixei levar. Ele aparecendo atrás de mim e depois me levando a força para a pizzaria. Depois ele de mãos dadas com a garota, e na mesma noite ele colocando minha cabeça em seu colo, como se nos conhecêssemos há muito tempo. Lembrei-me dos eventos em que estivemos juntos, sorrindo um para o outro e os fotógrafos pegando aquele momento estritamente verdadeiro. Seu toque era tão confortável, que eu podia jurar que ele fora feito para mim e que eu o aguardei até aquele primeiro dia. Lembrei-me dos tapas brincalhões, e dos protestos risonhos do dia do seu aniversário. Então o quarto com nossas fotografias perambulou por meus olhos, as pétalas voando em torno de mim e nossa primeira noite de amor. A forma como ele cuidou de mim enquanto tínhamos nosso primeiro momento erótico. Só de lembrar, eu me arrepiava.

Me levantei, não querendo ficar apenas com a memória do quarto, e partindo em direção a garagem, para ir lá. Vê-lo de perto. Ver se ainda existia. Eu precisava daquilo.

Vinte minutos depois, eu estava dentro do quarto. E as fotos continuavam lá, os mesmo móveis, os mesmos últimos lençóis, as portas com cores diferentes. O cheiro dele também estava resguardado nos cantinhos. Caminhei bem próximo às paredes e toquei as fotos, como se com aquilo, pudesse reviver o momento, pois era tudo o que eu queria. De verdade.

A primeira que toquei foi a mais torta de todas. Sorrisos tortos, olhos brilhantes e a cabeça de Christian bem pertinho da minha. Meu cabelo atado em um rabo-de-cavalo e ele belíssimo, lembrei que tínhamos acabado de acordar e que depois daquela foto, fomos assistir nossos seriados de sábado. Outra que me tocou foi a do estacionamento, em que ele me rodopiava em um só braço. Nossos sorrisos estavam estendidos em nossas faces, meu dedo escorregou pela foto e encaminhou até outra, em que nós estávamos emaranhados em braços e pernas. Dormindo juntos no sofá, minha meia branca se destacava pelo efeito preto-e-branco. A seguinte foto retratava o momento que ele me carregava em seu ombro, meus cabelos soltos do nó de sempre. As outras fotos eram surpresas para mim, pois nunca havia notado elas lá, de verdade. Eram de momentos tão íntimos, havia até mesmo uma em que eu estava dormindo. Escovando os dentes. Outras de eu fazendo careta para a câmera, assim como ele. Parecíamos felizes e qualquer um que entrasse lá, reconheceria aquilo.

Corinne deveria estar orgulhosa de si, pois agora podia dormir no quarto que Christian não dormia com ninguém, provavelmente achava que esse quarto estava “lacrado”. Eu era o real motivo do lacre, ao continuar caminhando, meu pé bateu contra uma mesinha de cabeceira e encontrei um aparelho ligado às caixas de som espalhadas pelo quarto. Toquei no botão que dava play e a mesma música que eu estava ouvindo há poucos minutos no meu apê, começou a soar. A mesma voz sofrida, o mesmo sentimento retratado pela sua intensidade em cantar. E a saudade cresceu ainda mais. A vontade de fazer com que ele fosse meu cresceu mais ainda.

*

Abri os olhos, notando que havia dormido no carpete olhando para a foto do teto e me lembrando do quanto ela significava na nossa relação. Depois que a consciência me abateu, notei que a música estava em modo replay, e que ela ainda continuava tocando, misturando-se a um ronco baixinho. A segunda coisa que percebi, foi que havia um braço e uma perna sobre meu corpo, quando me virei para encontrar quem era, o rosto de Christian tomou forma. Relaxado, como se nada pudesse nos interromper. Olhos fechados e lábios vermelhos fartos semiabertos, em busca de ar. Os cabelos jogados sobre a testa, misturando-se com o tom clarinho que sua pele exercia. Sorri, pois era muito bom tê-lo tão perto de mim, e poder admirar sua beleza por um tempo indeterminado.

Em um passe de mágica, seus olhos se abriram, como se ele não estivesse dormindo em nenhum momento e estranhamente, eu me desesperei. Eu queria estar lá. Queria estar com ele, poder tocá-lo e admirá-lo. Eu só não queria ser pega no flagra, cometendo coisas que jurei não fazer mais, demonstrando sentimentos que disse não ter mais guardado no meu coração. Ele deve ter notado meus olhos se enchendo de lágrimas. Então, me lembrei de uma coisa, toquei seu ombro com a mão, sem afastar seu corpo do meu, umedecendo os lábios com a ponta da língua e enxergando seus olhos acompanharem o movimento.

- Você não perdeu o desejo por mim. – Minha voz embargada reconheceu, eu sorria, feliz, pois aquele era o meu maior medo. – Mesmo sabendo que fui violada de certa forma, você não perdeu o desejo que tem por mim.

Seus olhos pareciam confusos, perambulando por meu rosto, enquanto eu sorria. Beijei seu rosto e apoiei minha cabeça contra seu peito. – Eu nunca perderia o desejo em você. – Ele falou, fazendo seu peito tremer quando vociferou as palavras com sua voz rouca de sono. – Porque pensou isso?

- Por conta do que ocorreu no passado. – Eu lamentei, estando muito feliz naquele momento em poder conversar abertamente com ele. Explodindo por dentro e com vontade de gritar.

- Eu só sinto raiva. Não de você, é claro. E sim de quem teve coragem de fazer isso com uma criança. Como alguém consegue?

Eu também não sabia como alguém poderia sentir desejo por outra pessoa de tal forma. Com a outra resistindo a todo o momento e gritando, mas não de prazer e sim de dor. Foi assim que ocorreu comigo em todas as vezes. Eu ficava toda tensa, sabendo o que aconteceria, mas não querendo. Às vezes, quando Nathan terminava o que queria e fechava seu zíper, ele saia pela porta e eu continuava esparramada no chão, dolorida por dentro e por fora. Com manchas vermelhas no corpo e me sentindo cada vez mais rejeitada. Lembrando-me de como me sentia violada e humilhada. Nua diante dos outros, incapaz de contar o que realmente estava ocorrendo por quatro anos.

Eu acenei em positivo, incapaz de responder depois de me lembrar dos momentos dolorosos. Coisa que eu não gostaria de carregar como um fardo ou um aprendizado, mas como uma passagem. Uma passagem que eu não desejava nem para o meu pior inimigo.

- Descobriu algo sobre sua irmã? – Eu indaguei, em meio ao silêncio, enquanto seus dedos longos passavam para cima e para baixo do meu braço, deixando-nos mais próximos. Íntimos. Cúmplices.

- Estou trabalhando na empresa do meu pai, nas partes secretas e descobrindo algumas coisas. – Ele revelou, fitando seus dedos passearem por minha pele. Senti que seu toque ficou minimamente mais bruto, as pontas de seus dedos passeando com mais força. – Desculpa pelo o que ocorreu na festa de Gala. – Ele pediu e seus olhos incríveis fitaram os meus com tamanha intensidade.

- Eu também queria que acontecesse. – Revelei, e levantei os dedos para arrumar os fios desgrenhados de sua sobrancelha, fitando-as por um instante.

Estávamos sussurrando e eu não precisava perguntar o motivo daquele fato, e sim de outro. – Como sabia que eu estava aqui?

Ele me puxou mais para perto, sorrindo. Seu belo sorriso com maçãs do rosto erguidas e sobrancelhas levantadas, olhos repuxados, brilhando de entusiasmo. – Eu venho aqui toda noite quando Corinne dorme. E simplesmente fico aqui. Ainda tem umas roupas suas no closet e eu gosto de vê-las. Saber que tenho você de alguma maneira.

Eu sabia o quanto deveria ser doloroso. Assim como foi para mim durante a viagem, com a imagem de ele correndo atrás do veículo por um bom tempo. Eu sorri incapaz de dizer algo. Incapaz de sentir algo diferente por aquele homem. Sem querer estragar ou estourar a bolha na qual nos encontrávamos. Escondidos de todo o mundo.

- Não gosto de estar nessa situação. Nem eu entendo o que está acontecendo. – Ele murmurou me despertando de meus devaneios. – Eu quero tanto você. – Ele disse com voz rouca, tocando nossos quadris. – Mas, não quero desrespeitar a mulher ao lado. Mesmo sabendo que nada desse relacionamento é verdade. É tudo fachada, Ava. Tudo o que quero, sempre, vai ser você, princesa. – Ele disse, afundando seus dedos longos no meio dos meus fios curtos.

Sorri. – Eu também, amor. Mas agora tá tudo diferente. Vocês terão um filho. Não será tão simples assim, terminar o que quer e vir correndo para mim. Você tem uma responsabilidade a mais. – Eu disse, olhando-o nos olhos, esperando que ele aceitasse bem a verdade que eu havia murmurado.

Ele acenou em positivo, mostrando que entendia, mas que não queria enxergar. Ele me puxou mais para perto e me apertou entre seus braços, revivi as nossas memórias novamente, ao som da mesma voz e adormeci sentindo seu cheiro, por horas.

*

A última noite com Christian havia sido ótima. Só de estar com ele já era bom. Fazendo o que fosse. Conversando besteira. Meus pensamentos e meu sorriso foram interrompidos com o toque do meu celular, sem espiar o identificar eu atendi. – Alô?

- Ava! Que bom falar com você! – Era Mia, toda animada e com o som de uma cidade atrás de si. Vivendo e acontecendo. – Queria comprar umas coisinhas hoje e não quero ir sozinha.

Ah, Deus! Idêntica a Kate.

- Olha por mim tudo bem. Não estou fazendo nada mesmo. Mas, o que acha de irmos com Kate? – Indaguei, lavando meu copo em que tomei suco natural até a pia.

- Beleza, então. Pego você por volta do horário do almoço, ou melhor, vocês. Beijo. – Ela cumprimentou e desligou sem esperar resposta.

Ainda risonha com seu convite, digitei uma mensagem para Kate: Vamos às compras hj! Vem pra cá depois da aula! Bj.

*

No horário combinado, o porteiro nos avisou pelo interfone de que uma moça nos aguardava em um carro negro junto a um segurança. Kate pegou nossas coisas e descemos ao encontro de Mia. Ao chegarmos, a mesma nos cumprimentou com abraços e beijinhos, toda meiga e elegante em um vestido esvoaçante e rosa. Enquanto Kate usava uma calça estampada e uma blusinha de seda e eu optava pelo famoso jeans e um cardigã estampado.

Entramos no carro e cumprimentamos Taylor.

- Boa tarde, garotas. – Ele sorriu pelo retrovisor central. – Para onde, Srtª Maddox?

- Para aquela ruazinha que sempre vou. – Ela pediu com voz doce. – Temos que arrasar a Corinne, Taylor!

Todas as pessoas no veículo sorriram com as palavras de Mia e em seguida, Taylor deu partida no carro, entrando no rio de carros das ruas de Manhattan.

- Não estava brincando. – Mia se defendeu, sorrindo. Mostrando o tom límpido de seus olhos, enquanto o sol de Manhattan batia entre seus fios, tornando-a ainda mais linda.

- Ai, eu concordo. – Kate entrou na brincadeira, com seus fios ondulados e curtos, enquanto um par óculos escuros cobriam seus lindos olhos verdes. – Temos que estar acima dela. Aquela falsa. É tudo farsa esse noivado. – Kate disse, e meu coração deu um pulo de esperança, mesmo já sabendo disso.

- Isso é verdade. Christian garante para mim que ficará com ela por tempo suficiente para querer aquilo que quer. Mas nunca diz o que é de fato.

Eu me enchi de compaixão, sabendo o que Christian estava fazendo por ela e a mesma desconhecia. E me enchendo de paixão por aquele homem. Mesmo ele querendo o certo de forma errada, ele sofria e passava pelo o que passava por ela. Apenas para encontrar as fotos que ainda o ameaçavam e o torturavam.

- Ah, garota. Homens têm seus segredos. – Kate emendou, para minha salvação, com uma piscadela.

*

No final, nós estávamos abarrotadas de sacolas. Convidamos Taylor para tomar um sorvete e o mesmo recusou, mas fiz questão de comprar uma massa de baunilha para ele e levar o mesmo até o veículo.

- Não havia necessidade, Srtª Steele. – Ele disse, sorrindo e tímido, enquanto tirava o sorvete das minhas mãos.

- Por favor, aceite. E não precisa ser todo formal assim, Taylor. Pode me chamar de Ava, mesmo. – Sorri em sua direção, encontrando certa familiaridade nele por me lembrar do meu segurança, Earl.

Ele sacou o celular do bolso interno do paletó e o atendeu. – Sim? Estou indo. Isso. Daqui a alguns minutos. – Ele guardou o celular no mesmo bolso. – Chame as meninas, Christian está pedindo para busca-lo.

Eu acenei em positivo, ainda abalada pela pronúncia de seu nome.

Cheguei desnorteada até as garotas e joguei meu pote vazio de sorvete na lixeira mais próxima.

- Ah, mas é sempre assim mesmo. – Kate respondia a algo de Mia com um sorriso. Ele se desmanchou e ela tocou meu rosto. – O que houve, baby?

Eu olhei em seus olhos e tentei me recompor, sorrindo um pouco e me abanando, como se estivesse com calor. Na verdade eu estava, mas por imaginar que estaríamos no mesmo carro daqui a alguns minutos. – Taylor pediu para irmos, Christian está chamando ele.

- Ah! Eu sabia que ele não liberaria o Taylor todinho pra mim. – Mia disse, revirando os olhos.

- Cuidado com o duplo sentido, gata. – Kate brincou e entendemos o que ela quis dizer, caindo em risos e mais risos até chegar ao carro.

- Pronto, Taylor! – Mia avisou de volta ao carro e com todas as sacolas guardadas no porta-malas apertado.

Taylor terminou com seu sorvete depositou o potinho de isopor em uma lixeira do próprio carro. Ele sorriu pelo retrovisor, em agradecimento.

Em alguns minutos, depois da viagem em silêncio passar, comigo sentada entre as duas garotas mais intensas de Manhattan, o veículo negro estacionou diante do prédio luxuoso das Empresas Maddox.

Nos viramos e Christian passou pela porta de saída giratória. Encaixando os óculos escuros diante dos olhos lindos. Os fios penteados para trás e completamente elegante em um terno feito a medida. Um negro que reluzia com o sol de Manhattan, uma pasta em mãos e um relógio Rolex pendurado no punho esquerdo. Os lábios em uma linha séria, fina. Sua máscara estava lá, aquela que todos viam. O sério e importante Christian. Aquele que ninguém tinha coragem de dirigir a palavra.

Ele abriu a porta do veículo e fechou todos os vidros. Ligando o ar-condicionado quando se sentou confortavelmente, cumprimentou Taylor com um movimento de cabeça e o carro tomou partida, voltando ao turbilhão de veículos da cidade de Manhattan.

Ele ligou o bluetooth do carro ao de seu celular e a música suave que nos adornou durante o sono começou a soar ao nosso redor. Todos os risinhos e cochichos das meninas cessaram, eu não podia ver o rosto dele, mas sabia que sorria, mesmo que sem mostrar os dentes, assim como eu.

- Ai credo, Christian! – Mia se lamuriou, batendo as mãos delicadas nas coxas.

- Agora, só por ter reclamado, vou colocar para repetir. – Ele brincou, e sua risada gostosa soou ao nosso redor, fazendo com que nós o acompanhássemos.

Naquele momento eu sabia que faria tudo para vê-lo feliz. Mesmo se o certo fosse deixa-lo... eu o deixaria, estando triste ou arrasada. A sua risada era tão boa de ouvir, que minha vontade era de pesquisar coisas engraçadas para lhe contar, apenas para ouvir seu riso. Ou quem sabe, no limiar do exagero, grava-la e coloca-la para repetir ao fundo.

Perdida em meus devaneios, notei que Mia e Kate desceram diante do apê de Christian, mas que o mesmo não desceu.

- Vou ir a uma reunião. – Ele alegou, dando com a mão para as meninas.

Abri o vidro de uma das janelas. – Ei.

- O que foi? – Kate indagou, sorrindo. – Vamos ver filmes com os garotos. Você quer vir? – Ela indagou, piscando um olho e naquele instante eu soube que ela desconfiava sobre o que viria a seguir, acenei com a cabeça em negativo e fechei o vidro novamente.

O carro andou por mais algum tempo e parou em um estacionamento vazio. Eu estava curiosa, mesmo sabendo que era tudo uma armação dele. Taylor desceu do veículo, após deixa-lo em uma vaga afastada dos muros erguidos.

- Onde estamos? – Indaguei, me apoiando nos bancos diante de mim.

- Me ajude com isso. – Ele pediu, se virando em minha direção e erguendo o queixo, indicando sua gravata. Eu sorri, enquanto desfazia o nó com estranha habilidade, tirei-a e coloquei-a sobre o banco. Ele tirou os sapatos de couro e as meias finas, e como um garoto rebelde faria no carro de um pai bravo, ele passou por entre os bancos dianteiros, para os de trás.

Sentou-se ao meu lado, se acomodando com um pequenino controle em mãos. Então, uma pequena TV se ergueu no local do retrovisor central, depois ele abaixou os dois bancos da frente.

- Vamos ver um filminho também. – Ele disse, sorrindo.

Para completar seu visual de menino, eu mexi em seus cabelos, tirando-os do penteado empresarial e deixando-os moderadamente bagunçados. Me espantei quando Taylor bateu com os dedos no vidro. Christian o abaixou e agradeceu pelas pipocas e os refrigerantes, lhe dando um molho de chaves. Taylor foi embora com um sorriso nos lábios entrando em um carro estacionado ao meio fio de uma das ruas mortas de Manhattan. Eu sorri. Animada com a sensação de estarmos fazendo algo escondido, mas provavelmente armado por todos aqueles que estavam comigo até aquele instante.

A ligação repentina de Mia; Taylor ter de ir buscar Christian; Kate indo ver filmes sem me chamar.

- Vamos, deite. – Christian puxou meu ombro, até que eu deitasse no seu e estendeu o pacote de pipocas quentes diante do meu rosto.

Nós começamos a comer a pipoca salgada e beber o refrigerante doce e gelado. Um filme de comédia romântica coloriu a pequena tela ao longe. E eu nunca me senti tão próxima dele como me senti naquele instante. Seu cheiro em minhas narinas. Sua respiração em meus cabelos. Compartilhando de um momento em silêncio. Sem motivos. Sem explicações. Apenas nós. Apenas meu.

Notas finais
Eu coloquei as '*' porque meus dois enter's não estavam funcionando, aí quando era pra dar uma noção de tempo no espaçamento, acabava parecendo que era tudo muito grudadinho do outro, tipo isso aí!!! Desculpem pela demora e por favor, me contem TUDO!!!!!