Apenas Meu.

29 Desesperada.


Notas iniciais
Nome muito bom para o capítulo!!! hahahaha Espero que vocês não me enforquem e nem atirem faquinhas na minha direção!!! Não escrevi com nenhuma TS em especial, então escolham músicas!!!! E estou preparando o Capítulo Bônus da nova fiction, beijos!!!

Os pés de Christian pisavam nos meus. E a salvação deles para que eu usasse saltos naquela noite eram os tênis que Christian me emprestara quando começamos os ensaios.

- Não, Chris! – Briguei, empurrando seu ombro.

- O.K. Estou indo muito mal. Essa dança é uma merda. – Se irritou, me puxando mais para perto.

A música que tocava para que eu lhe ensinasse uma dança clássica, era aquela que me levou até o interior do quarto no qual estávamos. O das fotos.

- Preste atenção. – Eu pedi, puxando seu queixo, ouvindo os gritinhos de Kate ao longe. – Sinta a música, tudo bem? Eu sou uma dama, preciso ser levada. Tire tudo da sua cabeça. – Murmurei com voz suave e seus olhos se fecharam. Suas mãos se ajustaram ao meu corpo e seus dedos se enrolaram aos meus. – Isso. – Parabenizei. – Agora, vamos.

Quando eu o chamei, ele quase tirou meus pés do chão, me levando por todo o quarto, de olhos fechados. Então notei que ele sabia o tempo todo. Ri. Incapaz de segurar minha felicidade por estar com ele, mesmo sem estar. Ao avistar seu rosto, notei que o mesmo sorria de canto, feliz por ouvir meu riso.

- Você é um bobo! – Brinquei, em protestos risonhos, sentindo meus pés soltos nos sapatos dele e sentindo meu corpo flutuar pelo ar em torno de nós. Fiquei sem ar, sentindo suas mãos prensadas em mim e seu tórax largo e musculoso contra meu peito. Estávamos ensaiando para a festa do seu noivado naquela noite.

- Por você, princesa. – Ele abriu os olhos e o sorriso sumiu de seus olhos, rosto... – Ah, minha nossa. – Ele disse, me abraçando, me prendendo contra ele.

Eu sabia o que ele estava sentindo. Seria aquele desespero repentino que eu senti o dia inteiro? Aquela ansiedade de ver que o perderia para sempre?

- Prometa que ninguém nunca tocará em você. Para eu não ter que sujar as minhas mãos de sangue sujo. – Eu acenei em positivo, incapaz de responder com as lágrimas que insistiram em rolar. Minha garganta estava sufocada, sem ar, sem resposta, sem futuro. Meu peito estava apertado. Meu chão havia sumido. Ele havia ido. – Vou precisar lhe contar uma coisa e lhe pedir outra. – Acenei em positivo novamente, respirando fundo e arfando. – Eu procurei por ele. Procurei mesmo. Mas todos os arquivos das reportagens do seu caso foram exterminados de alguma forma. Eu o procurei de todas as formas possíveis. Em rosto e até conversei com Cary. Mas ele disse que não me contaria se você não me disse o nome e estou aqui para o que der e vier. Quero que me conte. Quero justiça por você também. Quero que ele sofra de alguma forma. Ninguém tem o direito de violar outro alguém. E quero te pedir... um beijo. – Ele disse, afastando meu rosto pela nuca e olhando fundo em meus olhos.

Eu vi suas lágrimas e ele notou as minhas. Eu não estava com vontade de escondê-las. Não dele. – Eu amo você. – Soltei em um sussurro apertando seus ombros. – Amo muito. Não consigo enxergar um futuro sem você ao meu lado. Eu quero você a todo instante. E o que você disse agora me fez te amar ainda mais. Gosto do que é e do que se tornou com minha presença, Chris. E gosto do que fez comigo mesmo sem querer.

Me inclinei em sua direção e antes que nossos lábios se encontrassem. Ele sussurrou contra os meus. – Eu também amo você, princesa.

Aquela foi a libertação do meu maior medo. Aquilo foi o que tampou o buraco do meu coração. Eu precisava escutar exatamente aquilo. A comprovação veio quando nossas línguas começaram uma dança lenta e sensual. Apaixonadas, se pressionando e sentindo uma a outra. Sentindo que aquele era o primeiro beijo depois da verdade e o último. Seus lábios se apressaram em me agradar, ele acompanhou cada canto da minha boca. Suas mãos passeavam por todo meu corpo, aproximando-se ainda mais de mim. Roçando seu quadril no meu.

E até quando nós terminamos e ficamos de testas coladas, eu ainda escutava a frase de amor vociferada se repetindo. Meu libertador. Salvador. Justiceiro. Do qual eu mais sentiria falta depois daquela noite. Aquilo soara como uma despedida. Como uma despedida triste. As lágrimas caíram por várias horas depois, me despedaçando por dentro e por fora. Por ele. Pelo nosso futuro cortado por um erro de cada um.

*

Algumas horas depois eu estava de banho tomado e fitando o vestido que usaria para a noite. Kate não armou uma algazarra como sempre. Daquela vez, ela manteve-se em seu quarto, e Cary também. Minha mãe não viria com uma limusine, nós três iríamos de carro com Cary, enquanto Earl nos seguiria, devido o reaparecimento de Nathan Hydes, meu maior pesadelo. Aquele que Christian nem desconfiava da identidade, e que provavelmente estaria na festa de noivado.

Antes de me vestir a caráter para ver o homem da minha vida oficializar seus votos, decidi preparar uma maquiagem casual. Me sentei com as pernas sobre o banco da penteadeira, e acendi as luzes que ficavam em volta do espelho, presente de Cary. Passei os pós e bases necessários, fiz uma sombra no tom do vestido e passei um batom vermelho, arrumando o cabelo em um coque despenteado e deixando a pequenina franja a solta, eu até que estava me saindo bem com meu novo corte de cabelo.

Me enrolei em um robe, ainda não muito pronta para me vestir e fui até o quarto de Kate, para pegar o fixador de maquiagem emprestado. Abri a porta sem bater, por conta da intimidade que compartilhávamos. Ela estava com dificuldade para fechar o zíper de seu longo vestido, assim como o meu, pois era o que o convite nos obrigava a utilizar. Cheguei mais perto dela e subi o zíper até próximo a sua nuca. O tom vermelho sempre caia muito bem com o tom de pele de Kate, e naquele momento ela estava muito bela, mesmo com um brilho não muito amistoso em seu olhar.

- O que houve, baby? – Indagou, se virando e mostrando o penteado com os curtos fios para um único lado da cabeça. O vestido tinha alças longas até os punhos. Mas, se chegássemos bem perto, conseguíamos ver o decote pela transparência vermelha, seus seios ficaram rechonchudos com os bojos soltos que foram utilizados e seus ombros brancos ficavam sensualmente a mostra, com um desenho rendado do vestido.

- Nada. – Eu sorri. – Você está tão linda. Eu preciso do fixador.

- Vamos, sente aí. Vou te ajudar a se arrumar. Nem colocou seu lindo vestido ainda. – Ela se lamentou, me empurrando pelos ombros até sua poltrona no tom creme. Ela pegou o potinho transparente do fixador e aplicou por todo o rosto, com o cuidado para não borrar o meu trabalho. – Adorei sua sombra. Preciso dela emprestada um dia desses.

Estávamos conversando bem baixinho, as luzes do teto rebaixado estavam no modo opaco e a claridade momentânea dos carros lá embaixo, passava pelo vidro com efeito fumê do quarto dela. – Obrigada. – Agradeci, me levantando, enquanto ela enlaçava meu braço, até que estivéssemos dentro do meu quarto, com a porta trancada e as luzes no mesmo efeito, mas com a maioria apagada.

Uma batida soou a porta, e Cary a abriu com a gravata desarrumada sob a gola da camisa. Eu sorri, me lembrando de quando íamos aos eventos dados a filmes que minha mãe representava e me levantei, caminhando em sua direção. Eu enlacei sua gravata azul, provavelmente no tom do vestido que Mia estaria utilizando. Sem mais demoras eu dei um nó perfeito em sua gravata, arrumei a lapela e a gola, e beijei seu queixo. Ele subiu por meu rosto, e depositou um cálido beijinho em minha testa antes de sair e me deixar ainda mais emotiva.

*

A viagem até a festa fora muito silenciosa e não o silêncio descomplicado que sempre dividia com Cary e Kate, mas um silêncio desconfortável, pois todos nós sabíamos que eu estava indo por conta do convite e para não fazer uma completa desfeita a Christian, mas todos também sabiam que eu não suportaria ver aquilo que veria a seguir. Eu não suportaria vê-lo marcando a data do casório com outra mulher. Aquilo era dor demais para um único coração acumular.

Fui a primeira a descer do carro quando Cary estacionou diante de diversos seguranças em frente à Mansão dos pais de Christian. Um deles estendeu sua mão e me ajudou com a saia do vestido espalhafatosa. A roupa realmente era incrível. Um corpete com manguinhas abaixo dos ombros cor-de-ouro e uma saia com um laço no centro da cintura, ela era minimamente voluptuosa, e ia até os pés, deixando=os a mostra pelo caminho; os sapatos combinavam com a saia negra. Assim como a sombra escura que eu montara com detalhes dourados. Cary e Kate vieram ao meu lado, e os flashes piscaram em nossa direção, eu não fiz questão de sorrir, e sabia que aquilo traria algumas manchetes infelizes para a minha coleção. Na entrada, uma rosa atada a um envelope nos foi entregue. Lá continha a sequência de acontecimentos da noite. Uma mulher vestida de branco nos levou até o jardim dos fundos, onde havia diversas mesas redondas com toalhas de linho, uma pista improvisada, um bar e diversos garçons com bandejas. Um palco mínimo estava montado no centro de tudo, com o maior foco de luz, ainda havia uma cabine de DJ, provavelmente para o fim da festa, um momento em que eu não estaria mais disposta a estar lá.

Para meu desanimo, Gideon não recebeu um convite, é claro que não receberia, ele não tinha intimidade com a família de Christina e podia jurar que um não suportava o outro. Mas ele me faria uma companhia que traria o esquecimento do que poderia ocorrer em torno de mim.

As primeiras pessoas que nos recepcionaram foram Mia e Elliot. Mia cumprimentou Cary com um beijinho, alisando sua lapela e Kate fez o mesmo com Elliot, segurando-se em seu ombro. Aquele foi o momento em que mais me senti só desde minha chegada. Ver os casais de braços atados, enquanto quem eu queria estaria juntando as trouxas de roupas com uma cretina. Mia estava com um vestido de saia esvoaçante azul, as costas nuas e parte da frente em desenhos afrodisíacos, mesclando-se em vários tons de azul e branco. Seus fios estavam soltos e notei que estavam mais longos, reluzindo com as luzes da festa. A gravata de Elliot combinava com as vestes de Kate, ou seja, vermelha.

Quando começamos a caminhar em direção as mesas, uma mão segurou meu pulso, com o coração acelerado eu me virei rapidamente. Earl me fitava com um sorrisinho preso nos lábios.

- Seu pai está mandando mais quatro seguranças para cá, Srtª Steele. Eu ficarei ao redor das mesas e os demais espalhados pela festa. Então, não se assuste. – Ele me assegurou, seguindo seu caminho com as mãos atrás do corpo

Earl era o segurança mais antigo da minha família e comandava os demais, ele sabia o que estava fazendo. E fiquei muito agradecida por ele ter me passado as coordenadas do que viria a seguir. O início da minha noite ficou muito mais tranquilo.

*

O jantar estava ótimo. Massa fora servida junto a molho, com tempero italiano. O chefe de cozinha passava de mesa em mesa, verificando com os convidados se estava tudo de acordo. Durante o jantar os pais de Christian nos cumprimentaram. Meus pais chegaram alguns minutos depois de eu estar sentada. E a primeira coisa que minha mãe fez, toda linda em um longo vestido negro com o corpete bordado com pedraria branca e prata, foi se sentar ao meu lado e atar seus dedos aos meus. Nós não precisávamos de palavras, nossos toques bastavam como conversa. Durante a refeição meu pai me avisou que mais cinco seguranças dele estavam circulando por aí, pois a Mansão de Carrick era bastante isolada e devido à quantidade de convidados, era melhor me manter altamente segura. Eu fiquei feliz por toda a segurança, principalmente pelo fato do medo que eu estava sentindo.

Aquele sentimento aumentou quando todas as luzes foram apagadas, burburinhos surpresos surgiram de todas as mesas e outro som que me deixava surda era a batida não ritmada do meu coração. Em um instante todas elas se acenderam, e o casal da noite surgiu no palco.

- Boa noite a todos. – Corinne falou ao microfone e as pessoas ao nosso redor corresponderam ao seu cumprimento. Com a suave brisa que chacoalhava seus fios na altura dos ombros, ela parecia mais velha. Sua barriga protuberante fora coberta por um vestido longo e branco, com transparências em locais adequados, sua boca estava pintada de rosa-claro.

Christian se aproximou do microfone. Ele usava um smoking na medida certa para seu corpo repleto de músculos. Sua mascara estava delineando seu rosto, transpassando a imagem de alguém mais velho, com a testa branquinha a mostra, enquanto seus fios estavam puxados para trás, mais curtos também. – Boa noite.

As pessoas também responderam ao seu cumprimento, e durante o longo burburinho ele procurou por algo nas mesas e parou de procurar quando encontrou meus olhos, instantaneamente eu dei um sorriso amarelo, com uma piscadela, indicando que eu estaria lá, fosse qual fosse a necessidade dele.

- Como vocês podem ver no envelope que receberam agora é a hora dos meus votos. Christian não quis compartilhar seus sentimentos hoje, disse não estar completamente preparado. – Corinne disse, fazendo um beicinho que aumentou seus lábios visivelmente, todos deram urros de que acharam algo fofo. Corinne pigarreou e notei que seus olhos tomaram um brilho muito mais profundo. – Para começar, eu amo você. Amo você com todas as forças que residem em mim. E aceito me casar com você. Esse evento foi organizado para que as pessoas do mundo todo soubessem que agora sou sua. Sempre sua. Quero que todos saibam de nossa história, e que quero compartilhar mais momentos tão bons quanto este com você. Agora, com um acompanhante a caminho, sei que tudo será ainda mais perfeito, mais romântico e muito mais intenso. Eu te agradeço por toda a felicidade que me proporcionou até hoje e agradeço pelo amor que me ofereceu... – Corinne sugou o ar entre os lábios e notei que lágrimas escapavam de seus olhos, mas não borrando nada de sua maquiagem. – Obrigada, amor. – Ela encerrou o discurso se virando para Christian e dando um beijinho em seus lábios.

Eu desviei os olhos, antes que eles se beijassem com ainda mais profundidade. – Eu preciso sair daqui. – Pedi, me virando para minha mãe e agarrando a mão de Cary no lado contrário ao meu.

— Espera passar um pouco, filha. – Minha mãe pediu, se referindo ao momento, para que ninguém notasse minha inquietação.

A mãe de Christian subiu ao palco, mas não escutei suas palavras com claridade, os zunidos nos meus ouvidos não permitiram.

- Deixe-a ir, Rachel. – Cary sussurrou para minha mãe, e esta soltou a minha mão em seguida, me libertando de uma falsa prisão, o que já me deixava desesperada.

Eu caminhei apressadamente pelo jardim, procurando um ponto não muito distante dali. Foi quando o vi. Atrás da casa. O mais longe possível dos demais. Vestindo jaqueta de couro e calça jeans largas e esfoladas. Eu queria fugir, mas quando fiz menção de sair, Nathan se virou em minha direção, seus fios ruivos brilhando com a intensidade da luz em torno de nós.

- Acredita? – Ele indagou. – Acredita que ele nunca desconfiou? – Uma risada adornou o final da sua frase. A risada da qual sempre tivera nojo.

Não havia segurança algum por perto, e sabia que se corresse, ele chegaria num instante até mim com suas grossas e longas pernas.

Em silêncio, ele foi se aproximando e quando ele olhou para baixo, eu dei passos frustrados para trás. Com muita facilidade ele agarrou meu pulso. Eu não sentia aquele toque que me enojava a tempo demais. A parte de trás dos meus olhos piscou em tom de vermelho. E me senti presa, violada, humilhada. Nathan olhou bem nos meus olhos.

- Você não tem escapatória. Seus vídeos vão ser jogados na internet se eu não conseguir te pegar hoje. Já que você mesma não tem coragem de dizer a ele quem cometeu aquele terrível incidente, não é, amor? – Eu prensei os olhos, sentindo seu hálito morno bater em meu rosto, ainda tentei me afastar com força, mas ele me puxou até que nossos corpos se tocassem completamente, ele me manteve naquela posição colocando uma mão no centro das minhas costas, e prensando uma das minhas pernas entre as suas. Repentinamente, senti um tecido úmido sobre meus lábios e narinas. Então, um odor doce passou entrou em contato comigo e tudo sumiu ao meu redor.

*

Antes de abrir os olhos, eu me senti completamente atada a uma cadeira de madeira. Tornozelos nos pés da mesma. E braços passando pelo encosto, atados no punho. Senti minha boca colada por uma fita, e por último, tomando coragem, eu abri os olhos. A primeira coisa que vi foi uma televisão gigantesca.

O cômodo não tinha janelas baixas, eram todas pequeninas e altas, e desesperadamente notei que estava no subsolo de uma casa rústica. A TV então se ligou em um filme e ouvi as passadas de Nathan atrás de mim, me debati na cadeira quando notei que eram os vídeos daquilo que ele fez comigo há muito tempo.

Fechei os olhos, mas ele tratou de reabri-los com seus dedos grotescos. Ele segurou minha cabeça de maneira firme e eu vi o sofrimento estampado no meu rosto de criança. Inocente e sendo fortemente violada. Eu senti a dor passada percorrer por minhas veias e me lembrei do que tudo aquilo me acarretou. Nathan sorria atrás de mim, e esfregava seu quadril no encosto vago da cadeira, fazendo com que eu sentisse sua ereção nojenta.

Eu sabia muito bem o que ele faria depois daquela demonstração. Ele me estupraria novamente. Ele era louco. Viciado por relações em que a mulher resistisse. Ainda sim ele assistiu ao vídeo até o final. Meus berros saindo pelos alto-falantes da televisão, as lágrimas escorrendo por minha face pequena, e pela atual, por ter que ver aquilo novamente, mas pelos olhos dele. O sorriso grotesco de Nathan, sua mão se fechando ao redor da minha garganta e seu quadril indo e vindo, em estocadas secas para dentro de mim.

Nathan desligou o aparelho quando o vídeo cessou e soltou minhas amarras. Primeiro tirou o que colava meus lábios e depois soltou as cordas. Ele me libertou de um pesadelo, e me levou por um corredor escuro. Eu estava tonta pela endorfina que suguei pelas narinas, mas pude sentir o colchão abaixo de mim e ouvi o tilintar de um cinto sendo aberto.

Eu estava desamparada. Nenhum dos seguranças do meu pai conseguiu detê-lo. Ele tinha algo em mãos, algo que desconhecíamos. E ele conseguiu o que queria, ele me conseguiu de novo. Eu tentava me mover na cama, mas já era tarde, seu corpo pesou sobre o meu e suas mãos calejadas procuraram minha entrada, eu movia as pernas, me debatendo contra ele.

- Não. Não. Não. – Pedia com lágrimas nos olhos, estas se misturando com a saliva em minha boca.

Então, ele encontrou, rasgou a calcinha com um só dedo e mergulhei em um choro profundo. Em uma desolação sem fim, em algo que nunca achei que sentiria novamente. Lá estava ele, sobre meu corpo. Sobre mim. Me violando outra vez. Passando por minhas barreiras. Eu estava tensa por dentro e por fora. Travada de todas as formas possíveis que uma mulher fica quando não sente desejo e quando está sendo obrigada a algo.

Tudo ao meu redor se transpunha em lentas e vagarosas imagens, ele beijou meu rosto com sua barba por fazer, me arranhando, sem delicadeza alguma.

- Você é minha, de novo. – Ele urrou no meu ouvido, mas antes que pudesse me penetrar, uma gritaria invadiu o quarto e Earl me tirou dos braços de Nathan o mais rápido que pôde.

Eu me agarrei a ele, encontrando todos os homens da minha vida entrando no quarto.

Cary todo descontrolado, com os cabelos bagunçados, foi ele quem me tomou nos braços quando Earl me carregou em sua direção. Meu pai estava desolado, olhando em todas as direções, enquanto diversos seguranças davam gritos para rondar e vasculhar toda a casa. Havia porções deles. Todos de preto, para e lá para cá e ao meu ver, eles corriam em câmera lenta.

E Christian... foi ele quem entrou no quarto e trancou a porta.

Christian.

- Filho da puta. – Christian vociferou entredentes, correndo em direção de Nathan jogado na cama apenas com o necessário para fora das calças.

A primeira coisa que ele fez, foi despencar um soco no rosto do mesmo. As experiências de luta livre, o permitiram a continuar dando socos e mais socos. Até que o sangue jorrasse de nariz e boca, e pingasse em toda sua roupa e sobre os lençóis brancos. – Filho da puta. Ou devo dizer do vagabundo. Aquele filho da puta do seu pai morreu da mesma forma, não foi? – Christian indagou de maneira retórica, sabendo muito bem a resposta. Sabendo que o pai de uma das meninas que o pai de Nathan, Tom – o estuprador de sua irmã – fora até o mesmo e lhe dera socos até que o mesmo chegasse à morte por hemorragia. – Agora é você quem tem as fotos. As fotos de todas as garotas.

Nathan se ergueu, e Christian não se assustou, sabia, por experiência própria, que aquele homem nojento estava extremamente tonto. – Você foi muito burro mesmo. Quem lhe contou que eu estaria aqui?

— Deixei que saísse dos arredores da Mansão e meus seguranças e dos pais dela te seguiram. Os filmes originais foram queimados e temos vestígios de todas as merdas das cópias, inclusive todas as fotos e todas as garotas. O que queria com tudo aquilo?

- Você nunca entenderia. – Nathan vociferou entre os dentes, limpando o sangue de seu rosto.

- Graças a Deus. – Christian sibilou entre dentes, indo para cima dele de novo, sem nada a dizer, somente com ações a cumprir.

A porta fora arrombada por agentes da polícia local e os dois homens ficaram extremamente imóveis, encarando-se a todo instante.

*

Eu queria muito estar nos braços de Christian naquele momento, por um pedido meu, me levaram até a delegacia, onde eu prestei depoimentos referentes aos anos em que fui abusada. Nathan foi condenado e passaria as próximas noites na cadeia, em espera a seu julgamento.

Por conhecimento, eu sabia que ele não duraria muito lá dentro. Os homens que cometiam tais crimes como os dele eram extremamente castigados pelos outros presidiários.

Eu estava com o blazer de Cary sobre os ombros, maquiagem borrada, vestido desconcertado e saltos na mão quando Christian passou pelas portas de vidro da delegacia, eu estava à espera de meu pai, que estava tratando dos vídeos que eles encontraram em uma abertura na parede. Eu não medi esforços em correr na sua direção, e meu choro saiu de meus lábios quando seus braços enrolaram-se em minha cintura, e tiraram meus pés do chão. Eu afundei meu rosto em seu pescoço, sem preocupação aparente de que alguém nos visse.

- Obrigada. – Sussurrei em seu ouvido, sabendo que ele era cúmplice daquilo tudo.

Reconhecendo pelo peso em seus olhos que ele havia descoberto algo a respeito de Nathan... e a respeito do estuprador de sua irmã.

- Era o pai dele que abusava minha irmã. Tom Hydes. Trabalhava lá em casa, mas nunca cheguei a ver esse outro filho da puta. – Christian disse com dentes cerrados, eu sentia a raiva percorrer ele. – Tom foi morto pelo pai de uma garota, aos socos e chutes, por hemorragia. Eu teria matado ele assim hoje se a polícia não tivesse chegado. – Assegurou, e sem dúvida nenhuma eu sabia que o faria.

Eu sabia que ele faria aquilo pela raiva sobrecarregada, então, uma ideia se acendeu em minha mente. – E Corinne?

- Ela não sabia...

Eu não iria mais enganar ele, não naquelas circunstâncias. – Sabe, sim. Foi desse jeito que ela me ameaçou. Disse que contaria meus segredos para você se ficássemos juntos de novo e... – Antes de continuar eu desci de seus braços, mas não afetando os contatos, me afastei o suficiente para ver seus olhos avermelhados. – que ele voltaria a fazer o que fazia comigo. Que voltaria para a minha vida, amor. Ela jurou. Jurou. E eu juro isso para você agora. Está na hora de vivermos. Você e eu...

- Ela está grávida. – Foram as únicas palavras que ele disse antes se afastar e seguir rumo à sala da delegacia.

*

Foi Cary que me encontrou largada no centro do corredor. Chorando, despedaçada pelo homem que eu mais odiava, e pelo o que eu mais amava. Foi ele quem me carregou no colo até um dos carros. Foi ele que me ajudou a me arrumar e que dormiu comigo, ouvindo meus lamentos e meus choros mais profundos. Foi Cary e não Christian.

Notas finais
E aí? O que acharam? Altas surpresas! Como o capítulo ficou bem grande, vou demorar um tiquinho pra postar!!! Espero todos vocês nos comentários! Rumo aos 300 comentários!!!!!!!!!!!!!!! Uhul *-* Beijos