Apenas Meu.

30 Decidida.


Notas iniciais
Bom, eu vou postar hoje, porque vou sair amanhã e depois, então não vai sobrar tempo, nem pra escrever e nem pra postar!!! Agora, mais do que nunca, peço paciência pra vocês, tá? Tô - finalmente - lendo um livro. (Não que não leia faz muito tempo, mas tô, tipo, lendo de verdade! E ele tá me dando umas ideias boas, mas para o meu próximo projeto.) O que resulta no fato de que vou demorar pra escrever, e postar ]=
O capítulo não ficou muito longo, ok?!?! Aconteceram umas coisas que TENHO CERTEZA que vão amar e outras que irão odiar, até mais!

- Eu queria saber por que ele fugiu. Se eu contei sobre ela. – Disse para Mia, deitada em seu colo. Relembrando a cena de três dias atrás. Relembrando a máscara que ele utilizava com os outros, cravada para mim em sua bela face. Algo estava muito errado.

- Ele não a ama. Mas tem obrigação em estar com ela. Ela está para ganhar o bebê, e estão noivos agora. E também temos que entender que tudo que aconteceu nos últimos meses mexeu muito com ele ao ponto de...

Antes que ela pudesse terminar o telefone tocou. Eu cambaleei até ele e atendi ao terceiro toque: — Alô?

- Boa tarde, gostaria de falar com Ava Steele. – A voz ensaiada da mulher, banhada em sorriso falso, falou.

- Ela mesma. Sobre o que se trata?

- Aqui é da delegacia que a Srtª prestou depoimento há alguns dias. Precisamos que a senhora compareça urgentemente aqui, para reconhecimento do corpo de Nathan Hydes.

*

Vinte minutos depois eu entrava aos trancos e barrancos na delegacia. Eu mesma queria reconhecer o corpo. Eu mesma queria ver o fim dado a quem me fez sofrer por tanto tempo. Na recepção eu informei sobre a ligação, enquanto Earl continuava na minha cola, caso algo estritamente urgente necessitasse de sua presença.

- Ah, sim. A Srtª pode me acompanhar, por gentileza. – Uma das garotas se prontificou, e sorri em agradecimento, notando seus belos cachos ruivos. Quando Earl fez menção de nos seguir, ela, com um sorriso no rosto estendeu a mão em sua direção. – O Sr. Pode aguardar aqui, por favor? Lá só se pode entrar o reconhecedor.

Eu acenei a cabeça para Earl, lhe dizendo, em silêncio, que não haveria circunstâncias maiores ali. Ele se sentou confortavelmente e recusou um café quando uma das garotas ofereceu.

- O que o corpo está fazendo aqui? – Eu sabia que lá não era o local adequado para guardar corpos já falecidos.

- Decidimos adiantar esta parte, enquanto o IML vem verificar e retirar o mesmo. – Ela foi explicando, enquanto os seguranças abriam as grades dos cárceres temporários. Quando entramos, notei um cheiro ruim, mas não imaginei que seria do corpo.

Com a cabeça ela indicou a cela a direita, e eu segui seu comando, encontrando um corpo forrado com um pano preto. Outro guarda abriu a grade e outro, sem dizer ou indagar algo, puxou o pano o suficiente para que eu visse que realmente era Nathan. Pele branca, sem vida. Lábios roxos e entreabertos. Rosto esfolado, nariz quebrado e com cortes na testa e lábios.

Eu pensei que teria força suficiente para vê-lo morto. Mas notei que nunca estivera preparada para aquele momento. Ele poderia estar guardado no fundo do baú dos meus maiores sonhos, mas eu nunca imaginei que seria tão insuportável vê-lo naquele estado. Ninguém tinha o direito de tirar a vida de outro alguém.

- Os outros presos o estupraram. Pois ficaram sabendo do crime que ele cometeu, e a senhorita deve saber que eles não tiveram piedade alguma. Mas ninguém entregou o verdadeiro culpado, talvez foram todos os três que estavam juntos na cela. – O policial que estendeu o pano murmurou, e cobriu o rosto de novo. – É ele mesmo. – Avisou para outros de prontidão e com os olhos presos no nada.

A menina que me levou até lá, me puxou pelo punho até que eu estivesse fora da cela, ela me entregou um copo com água e eu o bebi inteiramente. Eu não queria ir para casa agora, e também não queria ver Earl, mas também não tinha como dispensa-lo.

- Tem outra saída por aqui?

*

Cinco minutos depois, eu tinha escapado por uma saída somente para funcionários, e caminhava entre a vida que existia em Manhattan. Carros serpenteando nas pistas e pessoas correndo a todo vapor com pastas em mãos, enquanto alguns paravam para comprar um fast-food, ou um lanchinho preparado por aqueles carrinhos parados por ali.

Cruzei os braços sob os seios e caminhei sem rumo, pensando no quanto aquilo preocuparia a todos, mas meu celular estaria ligado e caso eu me interessasse, atenderia sem pudor. Sem que eu notasse, as lágrimas estavam rolando, mas elas não eram completamente de tristeza e pavor pelo que viram. Elas pertenciam ao alívio que se formou dentro de mim. O alívio de que ninguém nunca mais teria imagens minhas para espalha-las por aí como uma praga. O alívio de que meu estuprador barra abusador estava morto. O pavor pertencia ao fato de eu tê-lo visto morto. Aquela imagem nunca mais fugiria dos meus olhos, ou da minha mente. Ela sempre estaria perturbando meus sonos, assim como as lembranças da maldade que ele cometera.

- O que está fazendo aqui, lindinha? – Me assustei com a voz que indagava e me virei, apenas para fitar os olhos azuis de Gideon.

Naquele momento, eu suspirei de alivio e empurrei seu ombro. – Apenas passeando. – Mas minha voz saiu completamente embargada, encontrando o conforto dele e vendo que ele realmente se preocupava comigo.

Aos olhos de qualquer um, era obvio que eu sofria... mas eu gostei da sua abordagem calma e sensual e queria que ele repetisse aquilo comigo. Eu precisava da calma dele por alguns instantes.

- O que houve? – Ele indagou, abaixando seu rosto e levantando o meu com o dedo no meu queixo.

Antes de fitar seus olhos novamente, eu prensei os meus, incapaz de continuar mentindo e ao mesmo tempo fitar seus olhos.

- Nathan morreu e eu reconheci o corpo. – Eu não precisei dizer mais nada, pois cai em um choro baixinho, me lembrando da cena de novo.

Assim que ele me abraçou, eu comecei a tremer entre seus longos braços e alguns minutos depois, ele me levava para casa em seu Audi R8.

*

Naquela tarde, nós conversamos muito. Vi em Gideon completamente o oposto do que achava que ele seria. Na verdade, ele tinha algumas semelhanças com Christian. Eu gostava da parte formal dele, todo chique em um blazer escuro e com os lábios em uma linha fina. Sério, com olhos impenetráveis. Eu adorava aquela imagem máscula que ele passava apenas com seu rosto, e também gostava quando seu sorriso se iluminava, deixando qualquer dia de sol no chinelo. Quando ele sorria, a calma prevalecia em mim. Quando ele me abraçava, eu esquecia o mundo lá fora. E quando conversávamos eu me sentia boiando no mar, completamente livre dos problemas que insistiam em estar presentes na memória. Nossa relação mudou muito com os assuntos que foram abordados enquanto ele esperou eu tomar banho e depois assistíamos a um filme juntos.

E foi a partir daquele dia que começamos a nos encontrar com frequência, por vezes, ele aparecia em casa de surpresa, apenas para irmos conversar, ou ir ao cinema. E aquilo me agradou de uma forma, que me fez esquecer todos os problemas que insistiam em estarem presentes. Em me assustar, e me apavorar sobre o que viria a seguir. Gideon foi o remédio certo e estar com ele era ainda mais certo.

*

- Como está se sentindo de volta? – Kate indagou ao meu lado, no refeitório da Jimks, nosso preparatório para a faculdade.

- É meio que normal. – Eu respondi, olhando-a de soslaio enquanto procurava um determinado rosto dentre as outras dezenas.

- Para de procurar. – Kate sussurrou ao meu lado, sem olhar na minha direção. – Ele trancou a matrícula na Jimks, por conta do emprego na empresa do pai.

Como sequer pude imaginar que ela nem sonharia quem eu estava procurando? É claro que ela sabia e qualquer um que me flagrasse naquela situação, poderia apostar e levaria um bolão para casa. Mas eu tinha que manter meus pensamentos em outras coisas, em outros pontos de alegria... Como Gideon. Não que eu o amasse de paixão, mas não tinha como não gostar dele a cada dia que passava. A cada momento juntos. E a cada mensagem compartilhada. Eu gostava da intimidade sem barreiras que tínhamos. Gostava dos seus beijos e de como ele sabia onde me tocar da maneira e no momento certo.

No final de toda a comida, Kate e eu caminhamos para extremidades diferentes. E me decepcionei ao me lembrar de que Christian não estaria lá comigo. Sei que estava voltando aos pensamentos que insisti em não voltar, mas eu não podia culpar as coisas do coração. É como quando você se faz de muito linda, para um cara que não está nem aí para você, enquanto um cara bem melhor te olha de canto, esperando a vez dele de alguma forma.

Eu caminhei até a aula, e me sentei no lugar de sempre. Já fazia algumas semanas que eu tinha voltado então os olhares de todos não estavam me esmagando para dentro de mim mesma. Aquilo era assustador. Não estávamos mais no colegial para as pessoas continuarem com aquilo, cada um estava correndo atrás do futuro que queria, com pontuações boas para que seu futuro fosse promissor.

*

Meu corpo se arrepiou quando meus olhos o encontraram. Ele estava na saída no meio de toda aquela gente, mas eu sempre o reconheceria. Ele poderia estar completamente diferente do que realmente era naquele momento. Mas eu nunca esqueceria seus olhos, ou seu jeito único de caminhar. O mundo ao meu redor perdeu a cor, e ele era a única coisa colorida, enquanto tudo andava em câmera lenta.

A nossa estória juntos passou por mim. As birras. Os beijos. As noites de amor. As fugas. As separações e principalmente as verdades não contadas. O Mundo se acendeu ao meu redor quando meu rosto bateu contra o peito de Gideon e eu soube que ele estava com raiva naquele momento. Eu o estava enganado de alguma forma e me sentia injusta com ele.

Aquilo, de repente, me sufocou. Me sufocou ao ponto de eu suspirar para não ser obrigada a cair em um choro. No que eu me tornei e como me incumbi a isso? Gideon não me merecia. Ele merecia alguém que partilhasse da mesma felicidade e sentimento que ele.

Foi por isso que corri em direção ao estacionamento. E a cena pode ter ficado toda muita estranha para os outros. Mas a única pessoa que poderia me entender naquele momento, era eu mesma. Só eu sabia o que se passava no meu coração e na minha mente. E com certeza eu não estava em sã consciência quando comecei com ele por ele me fazer esquecer os problemas. E esquecer Christian. E a saudade que eu sentia dele.

Antes que eu pudesse chegar longe, uma mão forte me agarrou pelo punho e me virou com força contra seu peito, eu me afastei com todas as forças e outro alguém o afastou, puxando-o pelos ombros.

- O que está fazendo com ela? – Levantei os olhos ao reconhecer a voz de Christian.

Seus olhos estavam avermelhados, o que indicava preocupação e irritação, tudo misturado no momento errado.

- Nada. – Gideon e eu respondemos em uníssono, com vozes distintas.

Chris olhou diretamente nos meus olhos, e naquele instante eu soube que nada acabaria com o que construímos. Nem outros relacionamentos, nem outras pessoas. E ali, em pé e toda trêmula eu senti que era hora de contar. Não de contar meu único segredo guardado dele, mas de falar dos meus reais sentimentos e do porque eu estava com Gideon.

- É que... – Comecei com voz embargada. – Eu não posso sequer começar algo com você, Gideon. Eu achei que estava tudo bem, mas não está. Não está mesmo. – Fortaleci as palavras, levantando o rosto e fitando seus olhos deprimidos por minhas palavras. – Eu não mereço tudo o que você tem a me oferecer. Simplesmente por não ser apta por todo seu amor. Não podemos ficar juntos. Principalmente pelo fato de que quando estou com você, eu esqueço os problemas e acabo achando que esse é o relacionamento certo. Pode ter sido no início, mas hoje eu enxerguei que não é... não sou feita pra você. – Lamentei por fim, de cabeça baixa, sem querer fitar seus olhos como deveria ter feito. – Sinto muito.

Ele ficou lá, intacto. Seu rosto se levantou, e ele me olhou diretamente nos olhos, como se pudesse – e na verdade podia – me enxergar por dentro.

- Vou estar aqui mesmo assim, sempre quando precisar. Assim como estive naquele primeiro dia da revelação dos seus maiores medos e segredos. – Sua voz estava rouca e ele deu as costas para caminhar em uma direção muito distante da minha.

*

Eu estava sentada no conforto do carro de Christian. Eu não me lembrava exatamente de como tinha ido parar lá. Só me lembrava do acesso de desespero que tive e que consegui medir minhas palavras quando “dispensei” Gideon.

- A Corinne está no hospital. – Me virei ao comando da voz de Christian.

Ele estava alegre, dava para notar pela posição de seus ombros. E eu podia jurar que aquele era o pior dia de toda minha vida. Eu não podia dizer que foi quando fui estuprada por Nathan, pois o ato me levou àquele dia. E aquele era o pior de todos. Ver a felicidade estampada nos olhos dele, sendo causada por outra pessoa e não por mim. Sendo causada pela sua mulher que teria um filho dele. E eu tinha acabado de dispensar meu único ponto mortífero de dor. Não que estivesse arrependida, mas aquilo me faria falta quando eu por fim colocasse a cabeça no travesseiro.

- Ela vai ganhar bebê, não é? – Indaguei, sem olhar na sua direção, fitando a pista diante de nós. Não querendo ouvir as palavras que iriam vir a seguir.

- Sim. Nossa Jullie.

Notas finais
Este capítulo já estava escrito há um bom tempo, então não alterei NADA, dele, ok??!?! Raramente altero! O que acharam? Muito sofrimento? Surreal? Feio da parte dela e dele? Me contem tudo, amores! Estamos chegando ao fim ]=