Apenas Meu.
6 Revelações.
Notas iniciais
- Vocês vão à festa da piscina de hoje à tarde? – Leila perguntava ao telefone para Christian deitado no sofá com a cabeça apoiada em meu colo.
Fazia algumas semanas depois de nossa conversa. Todos na Jimks nos olhava torto esperando o momento em que Christian me daria um pé na bunda por já ter transado comigo, mas tentávamos ao máximo provar para todos que éramos amigos, pois não queríamos criar falsa fama de má conduta.
— Espera. – Christian mais ordenou do que pediu.
Nossa série de todo início de manhã de sábado estava no volume mudo, devido à ligação repentina de Leila. Christian se ergueu do meu colo e se sentou no sofá. – Vamos?
— Não. – Respondi séria, olhando-o de soslaio. O sábado estava tão gostoso e a maciez do sofá gritava “Deite em mim, Ava!”.
— Sim. Vamos sim. – Ele disse sorrindo.
— Você pode ir, eu não vou, Chris. – Sussurrei para que Leila não escutasse.
Ele pressionou mais o bocal do aparelho telefônico e aproximou seu rosto do meu. Maldito costume.
— É uma chance. Podemos ir e mostrar que somos apenas amigos. – Ele sussurrou de volta, sua respiração vindo contra meu rosto.
— Ontem mesmo você disse que não se importava com a opinião das outras pessoas. – Lhe relembrei com as sobrancelhas erguidas. Lembrando-me de seu ataque de raiva repentino em uma conversa durante o jantar.
— É só pra apagar. Por você. Vamos. – Ele implorou e enrugou as sobrancelhas com os lábios prensados. Ele já sabia uma face que tocasse meu ponto fraco e estava usando muito deste artifício ultimamente.
Revirei os olhos. – Tudo bem.
- Ah! – Gritou Kate me abraçando e saltitando, me levando junto. – Você vai mesmo!
Ela havia feito uma entrada como um furacão, com alguns pares de biquínis nas mãos, e enxotando Cary do quarto.
— Vai escolhe logo. – Sorri e me sentei na cama, aguardando seu mini desfile.
Ela sumiu porta adentro do banheiro e voltou logo depois com um par simples e negro. Ela deu algumas voltinhas, olhando em um espelho apoiado contra uma parede vaga. Seus lábios se prensaram e ela me olhou. Acenamos em negativo.
Depois de se trocar novamente, voltou com um de onça em corte simples. Ela fez beicinho e rebolou com o rosto sério. Rimos juntas e eu tentava ao máximo não prestar atenção nas curvas que – infelizmente – me davam certa inveja. Como falar que uma pessoa ficaria linda com qualquer biquíni? Meneamos com a cabeça.
Retornou com a peça no tom de rosa perfeito para seu tom de pele. Tomara que caia, aumentando seus seios não muito avantajados e com uma fivela dourada em uma das laterais da parte de baixo da peça.
Fizemos positivo, com os dedos, juntas.
— É este! – O coro reverberou pelo quarto.
Ela saiu do quarto ainda com o biquíni e voltou arrastando Cary pelo braço. Ele retesava os músculos e rolava os olhos para sua atitude.
— Está na hora de escolher o biquíni da sua melhor amiga! – Cantarolou Kate fechando a porta atrás de si.
Meu sorriso se desmanchou quando as palavras tomaram sentido em minha mente.
— Não, Kate! – Disse me levantando e enrugando as sobrancelhas.
— Ah sim, Ava. É uma festa na piscina. Vai ir de jeans? – Indagou balançando o pescoço e apoiando uma mão na cintura, em sua posição de quem quer algo e de quem vai conseguir.
— Vou usar o de sempre e porque diabos você chamou o Cary? – Disse movendo os braços e apontando para o mesmo que olhava confuso para a situação.
— Me senti ofendido. – Cary choramingou.
— Não, Cary. – Pedi olhando-o de relance. – Vou usar aquele de sempre.
— Não mesmo. Primeira festa. Use um meu. – Ela pediu escolhendo um par do amontoado restante em uma poltrona no canto do quarto.
— Os seios da Ava são maiores. – Cary deu de ombros. Eu ri.
Kate me desferiu um olhar ameaçador e ergui os braços em redenção.
— Ele tem razão. – Dei de ombros ainda fitando seus olhos verdes e meigos.
— Tudo bem! Vista aquele de onça ridículo. – Explodiu pegando todas as peças com as mãos e formando um monte dentre os braços.
— Ridículo? Foi você quem escolheu. – Cary disse com desdém.
— Como você sabe? – Indagou a ele e me olhou, pois havia sido uma tarde apenas para garotas.
— É bem óbvio que Ava não compraria aquele tipo de biquíni. – Ele disse saindo do quarto e sendo seguido por Kate e suas indagações ríspidas.
Após a saída de ambos, tranquei a porta atrás de suas costas.
Fui até o closet e abri uma das gavetas em que sabia que havia deixado o biquíni. Me despi vagorosamente e coloquei as peças rapidamente, amarrando os laços de cima de um modo bem firme, em uma tentativa de arredondar os seios e como sempre, dera certo. Coloquei a parte de baixo com um short de cintura alta clássica e uma camiseta preta por dentro do mesmo com um par de chinelos.
Saí do quarto em busca de Kate, quando uma visão me parou no canto do corredor. Christian deixara o celular no braço do sofá e lutava para colocar uma bermuda preta para cobrir uma sunga vermelha, e lá estava a perfeição em corpo, suas costas se retesando junto com os músculos dos braços enquanto subia a bermuda. Logo depois prendendo-a de um modo frouxo na cintura fina em contraste com os ombros largos. Era definitivo, minha cor preferida para peças intimas de Christian era vermelha, pois todos os dias ele andava relaxadamente para lá e para cá de cueca boxer. Uma conversa interrompeu meus devaneios.
— Então a menina-macho vai? – A voz de Leila saia do telefone de Christian e se espalhava pela sala. Parei no meu local, pronta para ouvir tudo o que ela pudesse falar de mim. – Empresta uma sunga sua pra ela, Christian! – Risadas soaram do outro lado do fone e alguns gritos também, ela provavelmente já estava na casa com piscina de Jason? Jack? Joe? Não lembrava o nome do jogador do time de futebol.
— Se ela não for, eu não vou, simples assim. – Decretou. Aquelas palavras de alguma forma mexeram com algo dentro de mim, mas a sensação foi tão rápida, que depois de um segundo não consegui identifica-la novamente.
— Então tudo bem, baby. – Eu já conseguia imaginar a expressão de nojenta de Leila: um beicinho nada meigo carregado de gloss com uma cara repleta de maquiagem, mesmo quando não havia tanta necessidade.
Desviei do ponto do corredor e meu rosto bateu contra o torso de Cary apenas de bermuda como Christian, assim também como Elliot que veio logo atrás. Um enjoo me subiu e eu sabia que todas as garotas tirariam sarro das minhas roupas perto de Kate com apenas um short jeans de cintura baixa deixando seu abdômen liso a vista. Sorri torto para Cary que percebeu minhas feições desanimadas, em parte pelas palavras de Leila.
— Não quero mais ir. – Sussurrei para ele que sempre me apoiava em meus pedidos. Eu era quase mimada por Cary. – Não vou aguentar aquele pessoal esperando algo de mim que não posso dar agora. – Ergui meus olhos para os seus e sei que ele me entendeu, mas eu também sabia que se ficasse sozinha me relembraria de tudo o que ocorrera comigo e a dor voltaria instantaneamente.
Trinquei o maxilar em busca de uma parede negra que interrompesse as lágrimas que poderiam ousar cair. As pessoas na Jimks me faziam lembrar um passado nada amistoso, do qual eu fugia ardentemente. Escondida dentre as pessoas com aparência de garoto, tentando me esconder como um menino de uma figura feminina que fora há um tempo.
Todos os meus devaneios diluíram como sal em água quando braços musculosos tomaram minhas pernas e meus olhos se depararam com as costas de Christian.
— Vamos pessoal. – Ele disse e me deu um tapa leve no bumbum. Aquilo serviu para estancar as lágrimas e me fez sorrir. Chutei o ar tentando me soltar enquanto os outros três soltavam risadinhas companheiras.
— Ah não! Christian! Me coloca no chão! – Pedi batendo em suas costas com o punho cerrado.
— Ah não, princesa. – Ele respondeu. Mesmo na posição em que me encontrava meu estômago sofreu uma queda livre com seu apelido.
Entramos no elevador.
— Olha, se eu não morasse aqui, diria até que vocês parecem um casal. – Kate disse de algum canto, tentei levantar o rosto em sua direção, mas meus cabelos cobriram a visão.
— Eu também. – Cary concordou, sua voz batendo nas paredes e voltando.
— Fiquem quietos! Seus traidores psicopatas. – Acusei.
— Já te falaram que seus apelidos são ridículos, princesa? – Christian indagou andando levemente pelo estacionamento, enquanto os beijos de Kate em Elliot estalavam pelas paredes.
— Agora vai me chamar assim? – Ignorei sua pergunta.
Ele me colocou no chão e me entregou seu capacete.
— Decidi alterar a versão das coisas. – Ele se aproximou e ergueu uma mão em direção ao meu rosto. Seus dedos tocaram a pele da minha bochecha, afastando uma mecha negra de cabelo. Um sorriso se espalhou pelo seu rosto e vi nos seus olhos o motivo para me chamar daquele jeito.
— Nunca chamou ninguém assim, né Chris? – Indaguei e antes que sua mão abandonasse minha pele, esfreguei meu rosto contra seus dedos.
— Nunca, princesa. Você merece essa consideração. – Sorrimos e ele subiu na moto colocando o capacete, subi atrás e abracei sua cintura morna.
O porsche de Cary rasgou a nossa frente com Elliot no comando. Christian se animou e acelerou ainda mais quando saímos do estacionamento e demos “olá” ao sol de Manhattan. Ele cortava caminho dentre os carros e logo deixamos o porsche para trás abrindo caminho pelos semáforos. Atualmente eu estava mais confiante mesmo em alta velocidade com ele no controle. Ele me transmitia uma confiança que nunca encontrara em alguém em tão pouco tempo, depois de todo o acontecido. Meus cabelos já estavam para fora do capacete tomando uma brisa gélida e se misturando e embaraçando.
Christian diminuiu a velocidade quando chegamos a uma mansão branca de um bairro de classe alta de Manhattan, estacionou a moto em um espaço reservado para tal e descemos juntos enquanto tirávamos os capacetes. Entreguei o meu a ele e desembaracei os fios com os dedos.
— Me deixa ajudar. – Ele pediu me puxando pelo cotovelo e tirando minhas mãos dos meus cabelos.
Seus dedos se apoiaram no meu coro cabeludo e, em uma velocidade enorme, ele embaraçou ainda mais meus fios, esfregando as mãos para lá e para cá. Segurei seu pulso enquanto ria e quando me certifiquei de que ele havia parado empurrei seu ombro de leve. Uma de minhas mãos ainda segurava seu pulso e quando ele tentou se segurar com os pés, meu corpo foi de encontro ao dele. Nossas risadas próximas e as respirações se unindo, nossas barrigas se contraindo com as gargalhadas. Chris se soltou de meu aperto e arrumou meus cabelos enquanto nossas risadas cessavam. – Agora arrumei.
— Christian! – Ouvi a voz de Leila e me encontrei com a mesma de óculos escuros com um drinque em mãos e um biquíni da cor da pele, se ela ficasse muito longe, poderia dizer que estava nua. Eu tinha de salientar que as peças quase não cobriam nada?
Christian – sem me olhar, nem nada parecido – virou as costas e enlaçou a cintura de Leila enquanto lhe beijava ruidosamente.
O som do porsche me desviou da imagem. Elliot saiu do volante com Kate batendo palminhas, provavelmente animada pela viagem e Cary bastante bravo, era fácil de notar, pois suas sobrancelhas estavam arqueadas e a testa enrugada.
Kate entrou puxando Elliot logo atrás.
— Vamos? Só sobrou você, dama. – Cary brincou tomando meu braço no seu, como se estivéssemos em algum evento importante. Sorri para a situação, me esquecendo dos olhares que tinha certeza que receberia. Passamos por um portão pequeno na lateral esquerda da entrada, que seguia por um corredor ladeado por arbustos bem podados. Passamos por um portão e seguimos por um corredor ladeado por paredes brancas bem pintadas e gessos adornando as laterais de cima das mesmas, depois chegamos aos fundos da casa e já era possível ouvir o punts, punts, punts da música eletrônica, também alguns gritos de meninas que eram jogadas obrigatoriamente por meninos na água da piscina. Cary avistou a paisagem ao longe e soube que queria mergulhar.
— Vai lá, amor. – O incentivei. Ele acenou em positivo e tirou a bermuda e me entregou, ficando apenas com uma sunga branca que contrastava bem – até demais – com seu bronzeado.
Passamos por um grupo de pessoas com copos plásticos vermelhos nas mãos. Um dos garotos me ofereceu um dos copos e o aceitei dando um bom gole. Não consegui identificar a bebida, talvez uma mistura? Mas ela descia rasgando e chegava ao estomago em um estalo, era gostosa.
Vários corpos estavam na piscina quando Cary se jogou chamando a atenção de várias garotas. Encontrei, próxima a beira da piscina escorregadia, uma espreguiçadeira com um guarda-sol, me sentei e dobrei a bermuda de Cary no meu colo. Puxei meu Smartphone e decidi mergulhar em um universo distinto ao que estava ao meu redor.
O mundo se desligou e comecei a ler alguns livros que Christian havia me indicado, o que era incrível de início, mas uma coisa a qual eu havia me acostumado. Li e fui para outro mundo, um mundo criado pelo autor da estória maravilhosa. Com personagens completos, nos ensinando outras perspectivas de vida.
Não sei quanto tempo me hipnotizei na escrita despojada, mas acordei com um coro “Agarra! Agarra!” de vozes masculinas ao meu redor, só então notei Christian pingando ao meu lado, pronto para me carregar de alguma forma até a piscina.
Fiquei em pé na espreguiçadeira empurrando seu ombro e deixando o smartphone cair sobre a bermuda que escorregou de minhas pernas.
— Nem vem! Você me carregou até aqui! – Disse apontando um dedo em sua direção exasperada pela situação.
— Então sou obrigado a te carregar até a piscina! Vem, princesa! – Ele chamou e estendeu um dedo movimentando-o para frente e para trás, convidando-me a chegar mais perto.
— Sai daí, que eu saio daqui e entro na piscina. Satisfeito? – Indaguei cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha.
— Estou louca pra ver a menina-macho com uma sunga do Christian! – Leila gritou atrás de mim.
Virei-me para fita-la encharcada com duas amigas empoleiradas em seus ombros. Os biquínis pequenos também as cobriam, só o necessário, ao menos para elas. As conversas pararam e estouraram em gargalhadas. Todos estavam esperando eu tirar a roupa? Ah, ótimo.
— Christian? – Chamou Kate em um tom de deboche. Todos se viraram para sua voz. – Você usa biquínis? E de onça? Nossa, que sensual. – Ela disse e deu uma piscadela.
Todos os rostos viraram-se curiosos para mim. Fechei os olhos e pressionei a ponte dos olhos com os dedos. Mas que merda! Como ela conseguia fazer isso? Como conseguiu piorar as coisas? Respirei fundo.
— Vamos, Ava! Estamos esperando sua roupa de banho. – Leila estava mais próxima agora e nenhum dos rostos deixou de me fitar.
Que se dane, pensei. Entraria na piscina, apenas para que Christian não me carregasse à força até lá.
Desci da espreguiçadeira e afastei os cabelos apenas para um ombro tirando a blusa preta pela cabeça e dobrando-a em cima da bermuda de Cary. Chutei os chinelos para o lado e desci o short pelas pernas, dobrando-o e colocando ao lado da blusa.
Um assobio de quem acha algo bonito reverberou ao meu redor. Era Cary, sempre reconheceria seu timbre preso por um sopro.
Minha pele estava pinicando, e soube o motivo quando olhei a expressão curiosa de Christian, fitando-me de cima abaixo por diversas vezes.
— Até que para um macho você é bem gostosa. – Algum garoto disse de uma das rodinhas ao nosso redor.
Christian se ergueu em um salto, procurando o autor da fala, com os punhos cerrados, ninguém se prontificou.
— Gente, o cara treina luta livre! E é craque na coisa! – Elliot gritou da piscina. – Vão arriscar, mesmo? – Ele estava encharcado, com os cabelos bagunçados.
Algumas das conversas já haviam voltado e Leila nem sequer ficou para dizer mais alguma gracinha. Mas eu era apenas uma garota de biquíni, o que tinha de mais nisso?
Fui arrancada de meus devaneios quando Christian me tomou em seus braços. Costas em seu braço esquerdo; pernas no direito.
— Não! – Gritei e bati em seu peito.
— Você pensa demais. – Ele disse.
Abri a boca para responder, mas engoli água quando Christian pulou junto comigo na piscina, sem soltar meu corpo, emergimos com as respirações aceleradas. Tossi tentando retirar a água que havia engolido.
Christian abanou os cabelos e soltou meu corpo. Espirrei água em sua cara com as mãos. Ele fez o mesmo.
Repeti o gesto e ele segurou meus pulsos me puxando de encontro ao seu peito, prensou-me contra a borda da piscina e pressionou seu corpo contra o meu. Ele estava por todas as partes. Pernas, barriga, braço. Quadril contra quadril, minha respiração acelerada ainda pelo salto inesperado.
— Olha isso. – Ele disse e desviei meus olhos para o ponto que olhava, era uma rodinha de meninos cochichando e me olhando de soslaio. – Eles estão loucos pra te comer.
— Que horror! – Assustei-me e empurrei seu torso. – Não sou uma bala.
— Não mesmo, princesa. – Christian piscou.
— E me solta, já pulei na piscina. Ou melhor, você pulou comigo. Obrigatoriamente! – Disse ríspida batendo com as palmas da mão na água, espirrando-a por todos os lados. Três garotas ao nosso lado nadaram para longe, incomodadas.
— Já disse: Você pensa demais. – Ele arqueou uma sobrancelha.
— Você nem me dá tempo de pensar, Chris!
— Vai dizer que não gostou? – Indagou e arqueou apenas uma sobrancelha. Um sorriso escondido em suas palavras.
Sorri. Era impossível de negar algo com aquele olhar e mesmo que fosse mentira, meus olhos estariam dizendo a verdade: sim, eu havia gostado.
— Isso não está ajudando. – Dei de ombros.
— Em que? – Ele indagou mexendo os braços de um lado para o outro, movendo a água translucida ao nosso redor.
— Você disse que viríamos hoje para provar que somos apenas amigos. – Disse me aproximando.
— Somos amigos. E isso ficou evidente. Fiquei com Leila na sua frente. – Ele disse enrugando as sobrancelhas em uma dúvida oculta.
— Beijar uma garota na minha frente não significa nada. – Dei de ombros.
— Acredite: para eles, sim. – Ele disse e insinuou o grupo de meninos com um meneio de cabeça.
Nossa conversa foi interrompida por Kate me convidando para ficar com ela, pois, conforme suas palavras, não conversávamos há milhares de dias, o que era um exagero, já que morávamos juntas.
A corrente de assuntos nos assolou e tomou conta da nossa tarde toda. Vários assuntos vieram e foram, e fiquei feliz por nenhum ter chegado perto do assunto que aflorava meu passado. Kate sempre soube como se esquivar de assuntos que me incomodavam.
Saímos da piscina depois de algumas horas e nos deitamos em espreguiçadeiras, tomando um drink sem álcool. A conversa se prolongou. Um assunto dava a ponta para iniciar um novo e risadas selavam a conversa.
Kate tinha razão, havia algum tempo que não conversávamos daquela maneira.
Ela falou sobre seu relacionamento com Elliot e em como estava feliz pelo mesmo. Me disse sobre as qualidades dele e que ele e Christian se conheciam desde quando eram crianças, assim como Kate, Cary e eu. Era incrível algumas semelhanças em nossas vidas e histórias.
— Ei! A pista improvisada foi liberada. – Uma garota nos informou.
Kate me agarrou pelo punho e chegamos a um circulo, como área de lazer daquele ambiente, com luzes de baladas e um balcão próximo repleto de bebidas.
Kate foi puxada pela blusa rosa pelos dedos de Elliot e ambos começaram a dançar juntos.
Me afastei da pista e me sentei em uma das banquetas livres.
Peguei mais um copo de plástico vermelho e bebi o conteúdo, agora eu tinha certeza, o líquido era uma mistura de bebidas alcoólicas. Minha cintura e cabeça começaram a ir, involuntariamente, de um lado para o outro no ritmo da batida da música que tocava em algum ponto não identificado por mim. Senti mãos abraçarem minha cintura e me deixei levar, o toque era tão delicado e tocava nas partes certas do meu corpo, que me hipnotizei. O rapaz me virou na banqueta e aproximou seu rosto do meu sem cerimonias, gostava disso, nada de identificações, aquilo sempre me deixara mais segura.
Quando dei por mim, sua língua já estava dentro da minha boca, percorrendo cada ponto. Ele beijava bem. Pressionava sua língua contra a minha da maneira correta, movendo os lábios lentamente. Ainda me beijando tirou meu copo de minha mão e colocou-o no balcão, depois me ergueu e pressionou seu corpo contra o meu, prensando-me contra o balcão.
Suas mãos desceram para minha coxa, apertando-a e roçando seu corpo no meu. Sua mão puxou o cabelo da minha nuca e seus lábios sugaram minha língua. Ele interrompeu o beijo e sugou meu lábio inferior, soltando-o logo em seguida e seguindo pela pista de dança, só soube que era louro pelos fios descendo por sua nuca. Fiquei sem ar, mas não me senti usada, era bom me sentir desejável, coisa que não acontecia comigo há algumas semanas.
Era um pouco perturbador não ver nenhum garoto lhe olhando de maneira intimidadora, com desejo percorrendo suas pupilas. Me sentia mal por isso, então o beijo do garoto desconhecido serviu para descontrair meus sentimentos ofensivos.
Ouvi palmas e me virei para ver Christian sentado em uma banqueta ao meu lado.
— Há quanto tempo está aí? – Indaguei engolindo em seco e arrumando os cabelos bagunçados pelos dedos habilidosos do rapaz.
— Tempo suficiente, pegadora. – Christian disse com uma risada, piscando um olho só.
— Ah, não. Por favor, diga que não viu tudo. – Pedi pressionando os olhos e despencando o corpo na banqueta.
Não que fosse ruim, ou que eu me sentisse mal por ele, mas era chato ter um amigo – sem que você soubesse – vendo você beijar alguém.
— Tudinho. – Respondeu coçando o queixo.
— Ai, que merda. – Disse cobrindo o rosto.
— Eu poderia ter impedido. – Levantei os olhos a tempo de ver o mesmo dando de ombros.
Não sei se foi impressão minha, mas vi arrependimento carregado de um resquício de dor com essência de desejo em seus olhos. Ciúmes?
— Não, Chris. Não poderia. – Disse séria. – Você é muito persuasivo.
— Com certeza. – Ele disse e deu uma piscadela.
— Eca. – Murmurei entendo o que se passava em seu olhar. Já estávamos tão próximos, que quando passávamos lado-a-lado pelos corredores da Jimks, sabia, apenas olhando em seus olhos, quando estava chateado ou muito feliz.
— Venha, vamos dançar comigo. – Ele disse me pegando pelo pulso, levantando-me e carregando-me para o centro da pista de dança improvisada.
— Vai dançar com a Leila. – Sugeri enquanto ficávamos frente-a-frente e suas mãos enlaçavam minha cintura, levando meu corpo a uma combustão errada.
— Ela veio me chamar, mas estava esperando a “pegação” terminar pra te chamar. – Ele deu de ombros e sorriu.
Toquei minha mão em seu ombro, empurrando-o de leve enquanto dava risada.
Me deixei levar por seus braços e pela música que tocava de fundo. Estávamos ridículos dançando perto dos outros casais. Me virei e fiquei de costas para o mesmo. Suas mãos se apossaram de minha cintura, pressionando nossos corpos em uma maneira distinta de qualquer outra. Nossos quadris acompanhando as batidas em uma forma unida. Direita e esquerda. Senti algo crescer no meu bumbum, mas decidi deixar de lado. Suas mãos pressionaram minha cintura e a direita subiu por meu braço, colocando-o ao redor de seu pescoço. Apoiei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos, deixando as emoções me levarem, talvez pela bebida também. Minhas costas contra seu peitoral e sua respiração acariciando meu pescoço. Com uma das mãos ele retirou o cabelo do meu pescoço e desceu com beijos pelo mesmo. Meu coração se acelerou, o que era aquilo?
Quando chegou a base do meu pescoço, a ponta de sua língua tocou minha pele e subiu até a parte de trás da orelha, parou e mordiscou de leve o lóbulo da mesma. Pressionou sua ereção em mim, com certeza mostrando a situação em que havia deixado o mesmo. Sua mão, ainda em minha cintura, apertou-me contra seu quadril e nossos quadris continuaram em um movimento alucinante para o desejo de qualquer corpo. Um arrepio inofensivo percorreu minha pele, eriçando todos os pelos por onde passava. Ele suspirou próximo ao meu ouvido e deu um beijo molhado no meu pescoço.
Só então a verdade me abateu. Era Christian! Um de seus melhores amigos! E eu vim a esta festa em uma tentativa de provar para todos que éramos amigos, mas, com este ato, seria impossível.
Me soltei do desejo e de seus braços e segui com passos vacilantes para longe da pista e dos corpos suados, dançando sem parar.
Cheguei às proximidades da piscina aos tropeços, tentando colocar, de qualquer maneira, na minha cabeça, que aquilo nem chegava perto de um abuso, era apenas Christian e estávamos dançando, principalmente porque ambos queríamos.
Christian me puxou pelo cotovelo e apoiei minha testa em seu peito com a respiração acelerada.
— Ei, o que houve? – Ele indagou acariciando minha cabeça.
— Você, simplesmente, passou dos limites, Chris! – Disse apoiando meu queixo em seu peito. – Não foi certo! Como quer que as pessoas acreditem que somos amigos, com aquilo?
— Foi só uma dança. – Ele deu de ombros, espantado.
— Só uma dança. – Tentei imitar sua voz balançando os ombros e me afastando do mesmo. – Você lambeu o meu pescoço! – Aumentei a voz empurrando o peito de Christian com ambas as mãos. A raiva me consumindo.
— Tá, tudo bem...
— E ficou de pau duro! – O interrompi.
— Você é linda, tá legal? – Ele disse gesticulando com as mãos tentando explicar, a qualquer custo, toda a situação que se formou.
Parei estática com a pronúncia de suas palavras. Linda? Meneei com a cabeça.
— Você me acha linda? – Indaguei escondendo um sorriso com os lábios.
— Todo mundo acha. – Deu de ombros.
— Ótimo! Estragou o que tinha concertado. – Disse me virando e caminhando até as nossas coisas em uma das mesas próximas às espreguiçadeiras. Peguei as chaves da moto de Christian e um dos capacetes.
— Aonde vai? – Ele indagou caminhando apressado atrás de mim.
— Dormir. Você me estressou. – Informei com meus pertences em mãos e seguindo pelo corredor pelo qual havia entrado.
— Tudo bem. Eu acho você linda e não preciso de comprovação pra isso. Nós dormimos no mesmo apartamento. Vejo você quando acorda mal-humorada. Quando se arruma e quando vai pra faculdade e aturo aquela coisa nojenta que você come no café. – Ele falava desesperado acompanhando meus passos apressados.
Seus dedos macios se fecharam na altura do meu cotovelo. – Desculpa.
Suspiramos com as testas coladas e fechei os olhos, abalada pela aproximação. Eu não estava brava com ele pelo que fez, mas sim pelo o que me causou. Primeiro a raiva que consumiu todas as minhas emoções e depois eu vi que tinha gostado, mesmo sabendo que era errado. Ele fez certo comigo, me deixando sem reação e me guiando pelo caminho do desejo.
— Tudo bem. – Murmurei. – Vai ir comigo?
— Claro, está indo com a minha moto. Eu dirijo. – Ele tentou tomar as chaves da minha mão.
— Não mesmo. Você está bêbado, Chris! – Abri os olhos encarando seu par de olhos verdes, tão próximo.
— Adoro quando me chama assim. – Ele confessou e sorriu.
Notas finais
E aí? O que acharam disso tudo? E me comentem se acham que tá demorando demais!!!! hahahaha. Até depois de amanhã! *-*
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