Apenas Meu.
7 Meu Salvador.
Notas iniciais
Personagem novo vai aparecer, ein? Beijins
PS.: Estou com um trailer simples que montei, vocês querem ver? hm
- Docinho? – Cary me chamou colocando a cabeça pela pequena fresta da porta.
— Pode falar. – Eu disse sorrindo.
Estava bem humorada nos últimos dias, as coisas estavam indo muito bem desde a festa. Me recuperei da abstinência de conversa com Kate; eu e Elliot nos entendíamos cada vez melhor; Christian estava sendo o amigo perfeito que toda garota deseja; e Cary estava sendo perfeito, como sempre fora.
— Tenho algo para contar. – Ele disse fechando a porta atrás de si e cedendo o colchão com seu peso, enquanto se sentava na beira da cama.
Só então desviei os olhos das pesquisas para a Jimks do notebook e fitei os olhos de Cary. Parecia ser algo sério.
— Arranjei um apartamento. – Ele disse aguardando minha reação.
— Mas por quê? Aconteceu algo aqui? – Perguntei me preocupando se o clima do apartamento estava lhe incomodando de alguma forma.
— Não, docinho. Não se preocupe, é que arranjei um apartamento temporário para me concentrar nos papéis que tenho recebido, como não sei quanto tempo vai render a reforma lá na nossa cobertura. – Ele deu de ombros.
Cary fazia teatro nas horas vagas e estava ensaiando para algumas peças em que estava escalado, por isso poderia entender seu lado, em um apoio moral.
— Cadê o endereço? – Indaguei sorrindo.
— Pra que? – Ele indagou, estranhando e remexendo as sobrancelhas.
— Para eu te visitar, oras!
Cary havia ido há alguns instantes, então me tranquei no quarto, aguardando o ritual de todas as noites: Christian gemendo acompanhado por Leila ou uma garota qualquer.
Eu havia dito a Cary que ficaria tudo bem, mas ficaria tudo bem entre nós e não comigo. Sempre gostei de dormir acompanhada, talvez, porque este fato me afastava dos pesadelos, na verdade dos piores. As lágrimas embaçaram minha visão e deixei que viessem e lavassem minhas bochechas. Ouvia risadas distantes de Elliot e Kate, e logo depois a voz de Christian acompanhou a conversa. Talvez eles entendessem que eu queria ficar sozinha, mas eu queria mesmo? Não! Eu não queria, só queria que alguém fizesse como Cary, chegasse de fininho e me abraçasse me embalando em seus braços como um irmão mais velho, afastando minhas lembranças horríveis da infância. Do dia em que decidi fazer o cabelo em um corte reto ridículo, do dia em que desisti de parecer uma garota por sentir medo dos homens, tudo por conta de apenas um! Um homem que destruiu minha vida, que, apesar de algum tempo, com as lembranças, tenta destruir meu futuro, era disso que eu tinha medo: de cair na depressão novamente. Na depressão profunda que me levasse, novamente, a pensamentos obscuros de modos inoportunos de acabar com os problemas.
Tentei me relembrar das palavras reconfortantes do Dr. Flynn, o doutor que me acompanhou na pior jornada da minha vida. Pensei em suas palavras e em seus modos de afastar os pensamentos, o primeiro conselho sempre fora para eu não me isolar, mas minha mente precisava do descanso de muitas vozes ao meu redor. Eu precisava ficar sozinha, mesmo assustada.
Não sei quanto tempo se passou, enquanto eu fitava o teto branco do quarto tentando dar sentido a todos os acontecimentos. Aos pontos valiosos da sorte, mas, que de alguma maneira, me afastava de uma formação de um futuro.
Tentava não me abarrotar de coisas que me deixassem para baixo, mas seria complicado. Sempre seria complicado.
A noite caiu lá fora e ouvi quando as três vozes se despediram. Peguei um lençol e um travesseiro e optei por dormir na sala, por ser um local mais arejado e que me deixasse mais tranquila. Com passos leves cheguei ao cômodo e me deitei sorrateiramente no sofá, cobrindo-me até o queixo.
Achei que demoraria, mas o sono tomou conta dos sentidos do meu corpo. Meu corpo pesou e fui submersa pela escuridão dos sonhos.
Não! Não! Pare com isso!
Mas Nathan não parava, ele forçava minha entrada, fazendo com que tudo ardesse, meus olhos, meu sexo... aquilo acabava comigo interna e externamente.
Minha respiração estava descontrolada, e quanto mais eu resistia, mais ele investia contra mim. As lágrimas transbordavam de meus olhos e a raiva me aflorava, empurrava seu peito, tentando mantê-lo longe.
— Ava! Ava! – Eu conhecia aquela voz.
Me tire daqui. Eu pedia, mas as palavras se prendiam em minha garganta, o cenário ao meu redor quis tomar forma, mas tentei me retirar das memórias que me aterrorizavam.
— Vamos, Ava. Acorde. Acorde, princesa. – Aquelas palavras, com aquele apelido carregado por uma forte emoção foram o desfecho para me retirar de meu pesadelo.
Pulei para os braços de Christian, seus dedos afagaram meu cabelo e os meus limparam minhas lágrimas. Meu corpo tremia. Eu não encontrava a razão dos fatos, dos ocorridos. Eu tremia de medo, desesperada pelo vislumbre do passado que enclausurei o mais fundo possível. O medo retornou, me assustando, corroendo-me de dentro para fora. Agarrei Christian com força, tentando, a qualquer custo, mantê-lo o mais próximo possível.
Ele era minha salvação, sua voz me tirou de todo o medo de um pesadelo.
— Ela está assim porque está dormindo sozinha. Eu disse para você, Elliot! – Podia ouvir o lamurio de Kate ao longe, lamentando e sabia que ela se sentia culpada, como quando ocorreu no passado.
Minha cabeça ficou indo de um lado para o outro, tentando parar a discussão que cresceu entre o casal. Não, não, não! Não discutam como meus pais fizeram quando descobriram. Não façam isso! Eu queria gritar e pedir, mas minha garganta abarrotada de choro não deixou. Tossi, tentando afastar não só a coceira na área interna do pescoço, mas também a dor acumulada.
Christian me afastou de seu peito o suficiente para enxugar minhas lágrimas de maneira rude e logo depois colocar meus cabelos atrás dos ombros. Seus lábios tocaram minha testa, minhas pupilas, ambas minhas bochechas, a ponta de meu nariz, o canto de minha boca e meu queixo. Aquele era um modo de me acalmar? Se era, ele havia conseguido... ele sabia como agir com alguém que fora abusada. Mas ele não sabia. Ninguém havia contado. Nem Kate, nem Cary e muito menos eu, ele se afastaria de mim, me abandonaria. Ele provavelmente só me ouviu gritar e foi retirado da transa da noite.
Christian sumiu das minhas vistas e não sei se demorou muito, mas quando reabri os olhos ele estava diante de mim com um copo d’água.
Bebi tudo em goladas rápidas, e depois daquele instante, Kate e Elliot não estavam mais na sala. Minha respiração se apaziguou e Christian se agachou diante de mim pegando minhas mãos entre as suas.
— Tudo bem? – Indagou.
Acenei vagorosamente em positivo.
Antes que eu pudesse impedir, ele me pegou no colo de modo protetor, embalando minhas pernas e minhas costas de maneira afetuosa. Chegamos ao seu quarto e só naquele dia notei um mural improvisado de fotos. Meus olhos continuaram por lá, até que reparei em nossa foto no evento de Gala no Palace Maddox.
Ele me colocou na cama e me cobriu com edredons quentes e vermelhos, que indicavam que ele havia estado ali. Cadê a garota?
— Cadê a menina da noite? – Consegui indagar com voz fraca, enquanto ele se deitava ao meu lado, me aconchegando entre seus braços.
— Eu estava sozinho, Ava. – Informou em tom cético, o que me fez acreditar. Respirei fundo. – Você podia ter vindo dormir comigo, se sabia que iria ter um pesadelo.
— Posso ser inteiramente sincera? – Indaguei erguendo o rosto em sua direção. Seus dedos fazendo movimentos circulares no centro de minhas costas. Prossegui quando ele fez um sinal em positivo. – Pensei que estaria com alguém, mas nem me lembrei do seu quarto.
Rimos hesitantemente juntos. Nossas respirações mais leves.
— Se – Eu iniciei fitando seus olhos que me olhavam com preocupação absurda. – eu soubesse que sua cama é tão gostosa, teria vindo antes.
— Nossa cama. – Ele me corrigiu com um sorriso e selou a promessa com um beijo no centro da minha testa.
Não sei se foram suas palavras, ou seus braços quentes que indicavam um porto seguro, só sei que caí no sono sem receio algum e não houve pesadelos novamente.
Acordei sozinha na cama de Christian e me lembrei da noite passada. Das emoções em seu olhar. Do fato de não ver nenhuma garota aqui há um bom tempo. De ouvi-lo dizendo que aquela era nossa cama. A lembrança das palavras ainda transmitia um calor reconfortante por minhas entranhas.
Permaneci no calor da cama, pois era sábado, o que significava nada de aulas.
Levantei os olhos quando a porta fez um rangido estranho e Cary surgiu com uma bandeja de café da manhã com uma rosa vermelha apoiada ao lado do copo de suco de laranja natural. Apenas uma, como gosto.
— Kate ligou te culpando? – Indaguei sentando-me na cama quando ele se aproximou.
— Não. – Fez um movimento com a cabeça confirmando suas palavras. – Ela foi até o apartamento novo.
Rimos juntos e então ele selou minha testa com um beijo reconfortante e sentou-se diante de mim, incentivando-me a comer o que havia sobre a bandeja.
Encontrei meu sanduíche preferido.
— Verdade que você fez para mim? – Indaguei segurando o pão entre as mãos.
— Para mim que não foi, gata.
A tarde com Cary passou como um jato e Kate nos acompanhou vendo filmes pela tarde inteira e senti um clima tenso entre ela e Elliot, mas deixei de lado, falaríamos sobre aquilo mais tarde.
Cary foi embora com a sugestão que fossemos à um pub mais tarde. Kate adorou a ideia e percorreu o apartamento com combinações distintas de roupas como se a noite fosse importante demais.
Ela optou por um vestido verde claro e colado, que realçava suas curvas – como qualquer peça de roupa.
— Aonde vão? – Elliot irrompeu pela porta de entrada da sala, olhando diretamente para Kate.
— Vamos a um pub com Cary. – Ela deu as costas e seguiu para o quarto que dividiam.
— Vai lá. – Christian aconselhou fechando a porta atrás de si. Elliot saiu atrás de Kate, chamando-a.
— Eles brigaram? – Perguntei virando-me em direção a Christian que se sentou ao meu lado.
— Pelo o que ele me disse, ela brigou com ele. – Rimos.
— Vai ao pub também? – Seus olhos estavam me olhando com atenção. Concordei com a cabeça, seus dedos segurando minha mão na sua. – Então eu também vou.
— Viu como você é fácil! Ninguém chamou você. – Disse fingindo-me de impressionada.
— Mas eu vou. – Decretou e deu um beijo no meu rosto seguindo para seu... nosso quarto.
Fui até meu antigo quarto e peguei algumas roupas simples. Tomei um banho relaxante e me vesti com uma camisa azul escura, uma skinny e coturnos beges.
Sai do quarto ajeitando meus cabelos com os dedos.
— Ai que horror. – Exclamou Kate quando me avistou.
Ela estava maquiada e com um par de saltos beges claros.
— Pare de falar assim dela. – Christian tocou seu ombro no dela, empurrando-a de leve.
— Estavam me esperando? – Indaguei erguendo as sobrancelhas.
— Estávamos esperando Kate que começou a se arrumar a umas duas horas. – Elliot brincou e Kate riu, o que indicou que haviam feito as pazes.
— Vamos. – Christian chamou, tomando minha mão na sua.
Saímos com passos rápidos, pois, conforme Kate, Cary nos aguardava e iríamos todos em seu carro.
— Oi, docinho. – Cary me cumprimentou com um beijo no rosto quando chegamos perto do porsche.
Entramos no carro e Cary deu partida com Kate falando sem parar no banco de trás.
Eu não sabia se era o momento ou a voz de Kate acompanhada das risadas daqueles que amo, só sabia que naquele instante me senti segura externa e internamente.
Cary estacionou o porsche em uma vaga apertada próxima a entrada do pub. Ainda do lado de fora podíamos escutar as batidas que o DJ fazia em alguma cabine. Meus músculos se animaram e a música possuiu meus sentidos me dizendo: dance, dance e dance!
Descemos do veículo e Kate enlaçou seu braço no meu, com o quadril em movimento constante.
Os rapazes apresentaram nossos documentos e pegaram nossas comandas para a noite.
Entramos no interior do pub e exatas três meninas servindo bebidas chegaram aos três rapazes que nos acompanhavam. Kate enrugou a sobrancelha e me puxou para perto de Elliot expulsando qualquer garota que chegasse perto.
— Aqui. – Cary chamou balançando um braço quando encontrou – por incrível que pareça – uma mesa vaga.
Christian não se sentou conosco, saiu e depois de alguns instantes voltou com cinco doses de tequilas em uma bandeja.
Nos preparamos com os copos em mãos.
— Um. Dois. Três. – Contou Christian e viramos os copinhos.
A bebida queimou na língua e rasgou em sua descida pela garganta.
— É isso aí, docinho! – Cary disse e bateu sua mão na minha em soco no típico gesto de garotos.
Kate não parava de se chacoalhar, inquieta.
— Vamos, baby. Dance comigo. –Chamou Elliot que acenava em negativo.
— Eu vou com você, Kate. – Informei.
— Você não vai aguentar nem cinco minutos na pista com essa camisa que é superquente!
— Você pode tirá-la. – Christian deu de ombros. Empurrei seu ombro levemente.
Decidi mudar o jogo. Ele achava que me intimidaria, não é mesmo?
— Exatamente, se ficar muito quente eu tiro a camisa, estou de top mesmo.
— Assim que se fala, gata. – Cary gritou em meu ouvido.
Kate sorriu e me puxou pelo punho até o centro – muito quente – da pista de dança.
Chegamos ao centro desejado empurrando as pessoas com os ombros.
— Ótimo. Beyonce! – Kate cantarolou com os braços para cima seguindo o ritmo constante da música.
Ah, uma maravilha. Vou esquentar rápido demais e suar muito, coisa que odeio.
Me entreguei à dança com Kate ao meu lado. Cantávamos trechos da música enquanto dançávamos alegremente, com os quadris, braços e pernas.
Fazia tempo que não me sentia tão bem ao som de uma música, mas me deixei levar. O DJ fez com que a música acelerasse mais que o normal e aceleramos nosso ritmo em uma dança improvisada. Os rapazes olhavam de soslaio, pois no viram chegar acompanhadas. As meninas tentavam imitar e algumas se exibiam para os garotos que nos olhavam.
Cary sempre disse que não importava como, Kate e eu sempre dançávamos melhor juntas, pois, quando nos separávamos, era um tremendo desastre.
O suor começou a molhar minha camisa e meus coturnos começaram a derrapar pelo chão, o que indicava que era hora de descansar, mas Kate não parecia nada cansada, passando as mãos pelas laterais do corpo e olhando fixamente para um ponto distante, segui seu olhar e encontrei uma pequena passagem com Elliot olhando para a mesma da nossa mesa, ele estava engolindo em seco ao som de uma antiga música de Brtiney Separs, o que indicava muita sensualidade nos passos de Kate.
Saí da pista, abrindo espaço com os ombros dentre os corpos suados que se chocavam, e Elliot se levantou indo ao encontro de Kate. Era incrível como ela sempre conseguia aquilo que queria, poderia não ser no momento do primeiro pedido, mas, uma hora ou em outra, conseguiria.
Me sentei no meu lugar de costume ao lado de Christian. Olhei ao redor a procura de Cary, mas não o encontrei.
— Cadê o Cary? – Me virei para Christian que apontou em direção ao bar, mostrando Cary aos beijos com uma ruiva de corpo esbelto e maquiagem de gato. – Uau. Ele é rápido. – Murmurei.
— Rápido? Vocês ficaram rebolando, lá na pista, durante uma hora mais ou menos. – Christian reclamou.
— Deixe de ser um velho rabugento. – Brinquei olhando-o de soslaio.
— E você está suada feito uma porca. – Indignou-se.
— Não sabia que porcas suavam, Chris. – Sorri sem mostrar os dentes.
— Claro que sua, aqui está a prova. – Ele apontou em minha direção.
— Se fosse Leila sentada aqui, eu poderia concordar. – Joguei a cabeça para um lado, me fazendo de inocente.
— Daqui a pouco ela deve vir aqui no mesmo estado que você. – Ele arqueou as sobrancelhas.
— Como? – O que aquela vaca, vai vir fazer aqui?
— Ela disse que iria dançar um pouco e iria vir me chamar. – Ele deu de ombros.
— Tire sua jaqueta, para não ficar como uma porca suada. – Soltei um sorriso amarelo.
— Boa ideia. – Ele disse passando os dedos pela lapela de sua jaqueta de couro e tirando-a pelos braços. Os músculos de seus braços se retesando, até que ele jogou a jaqueta no meu rosto.
Dobrei a mesma e coloquei-a no canto do estofado. Christian se levantou.
— Vai lá, garanhão. – Disse e dei um tapa leve no seu bumbum.
Ele pareceu exasperado pelo toque intimo e se virou com os olhos arregalados, apenas por alguns instantes, pois Leila chegou em um vestido vermelho que não cobria todo seu bumbum, com as costas nuas e um decote em ‘v’ até o umbigo.
Era melhor ter vindo sem roupa, pensei.
E lá estavam todos se beijando, se amassando, se chupando, fazendo tudo de bom para uma noite, que como todos disseram era para mim, onde estava minha noite boa?
Sim, eu estava com as pessoas que adorava. Elliot sempre tão atencioso comigo e bom demais com Kate, o que me deixava feliz em vê-la alegre. Minha melhor amiga feliz como sempre, me transmitindo uma paz que nenhuma outra pessoa era capaz apenas com um sorriso. Cary, sempre mostrando o lado bom de todas as coisas. E Christian, fazendo-me acreditar em segundas chances. Suas palavras doces e seus gestos carinhosos...
Mas eu não queria desistir de nossa amizade, até então estava indo tudo tão bem. Queria dar tempo ao tempo, as coisas lentas são mais prazerosas atualmente. Pois, as coisas apressadas, sempre darão errado, sempre. Não importa como, onde ou porque, elas sempre darão errado.
— Vem gata! – Cary me arrastou pelo punho afastando meus pensamentos.
Uma música animada do The Wanted cantava em meus ouvidos.
Chegamos próximo a Elliot e Kate dançando e sorrindo, e Christian beijando Kirby, se é que podíamos chamar de beijo. As mãos dele possuíam o bumbum dela que se esfregava loucamente contra ele, náuseas subiram por meus poros e me senti enganada quanto aos meus sentimentos por Christian.
Cary me girou pelo punho fazendo com que eu ficasse de costas para ele. O mesmo subiu as mangas da minha camisa, notando o suor que percorria ela por inteiro. Começamos a dançar alegremente no ritmo da música, nossos quadris indo juntos de um lado para o outro, enquanto cantávamos loucamente a letra viciante da música que terminou e deu espaço novamente a Beyonce por todos os cantos.
A música era mais agitada e Cary adorou, passando suas mãos pelas laterais de meu corpo, enquanto rebolávamos no mesmo ritmo. As pessoas ao redor olharam desconfiadas, e Elliot e Kate nos imitaram. Leila me olhava indignada junto a um olhar de desespero de Christian, ou fora só impressão.
Prendi meu cabelo em um coque frouxo que logo se soltou. O calor subindo por todas as partes do meu corpo. O jeans colando loucamente por toda a extensão das pernas, o suor escorrendo pela minha costela e minha nuca escorrendo água corporal.
Comecei a abanar o ar ao meu redor, em uma tentativa falha de me refrescar.
Abri um a um o botão de minha camisa azul escura, tirando-a de dentro do jeans. Uma brisa gélida me atingiu na barriga e aquilo foi muito bom para todo o calor que eu estava sentindo. Até o suor pareceu diminuir.
Cary pegou meu punho me girando nos calcanhares e me puxando pela multidão até as banquetas do bar. Ele fez um sinal de dois com os dedos e logo depois dois copos chegaram com gelo.
— Beba. – Ordenou entregando-me o conteúdo.
Bebi tudo, deixando apenas o gelo tilintando no copo.
— Isso está ótimo para se refrescar. Feche a camisa. – Ordenou olhando em direção ao meu abdômen.
— Está parecendo meu pai, não vou fechar, estou morrendo de calor, Cary. – Teimei.
— Christian estava te comendo com os olhos! – Exasperou-se.
— Ele é homem, é normal esse tipo de coisa. – Contradisse, dando de ombros.
— Não quando se está com uma gostosa como a Kirby.
Joguei a cabeça para trás inconformada. — Ah, você também não!
— Escuta, docinho. – Cary puxou meu queixo com os dedos, fazendo-me fitar seus olhos. – Você é linda quando acorda; quando vai dormir; quando está nervosa; quando se veste como homem e quando é você mesma. É essa beleza que aprecio em garotas e não alguém que usa o corpo para coisas horríveis como Kirby. – Informou e me deu um beijinho na ponta do nariz. Sorri, animada com suas palavras que aliviaram ainda mais o estresse presente em mim.
— Tá legal! Você já falou isto para as últimas cinquenta músicas, Kate! – Cary gritou por sobre a música quando Kate exclamou que amava aquela música.
Eu já havia bebido algumas doses, então achei aquilo muito engraçado o que me fez cair em uma gargalhada constante. Cary era o único que havia bebido apenas duas doses, pois iria dirigindo para casa.
— Isso não é assim tão engraçado. – Leila disse balançando o pescoço e arqueando uma sobrancelha.
— Cala a merda da boca. – Reclamei em sua direção revirando os olhos e enrolando a língua.
Christian riu ao meu lado e eu ri desesperadamente junto. Aquele sentimento era incontrolável.
Kirby beliscou o braço de Christian para que ele parasse com as risadas.
Christian parou, mas não por aquele motivo, algo na entrada do pub – que estava próxima a nossa mesa – chamou sua atenção. Elliot pareceu entender o que era sem nem ao menos olhar para o local, pois fez um barulho engraçado na hora, mas não tive vontade de rir quando vi o que era.
Uma garota de cabelos castanhos claros entrava no recinto. A iluminação batia diretamente em seu corpo, como se fosse tudo programado. Seus olhos eram verdes escuros, o que ficava evidente mesmo a distância. Ela tinha um corpo esguio, mas bem durinho o que indicava que fazia pilates como eu. Os músculos de suas pernas se retesavam por estar usando um salto de mais ou menos quinze centímetros. Sua pele era sedosa, assim como o comprimento liso e depois ondulado de suas madeixas. As maçãs de seu rosto se levantavam em um sorriso doce com lábios pintados de rosa, mesclando-se com o azul bebe do vestido levemente rodado. Ela era... Linda.
— Não acredito que é ela. – Kate reclamou olhando de mim para Christian. Não entendi o que ela queria dizer com aquela passada de olhos, ou a quantidade de álcool estava muito grande? Eu não sabia.
Só sabia que o motivo do silêncio de Christian era a aparição repentina daquela garota.
— Ela quem? – Indaguei olhando para todos. Até Cary parecia saber quem era. Seria a irmã tão falada de Christian? Mas, pelas informações, a mesma tinha o cabelo curto e aquela garota, diante dos meus olhos, tinha os cabelos longos, indo até a cintura.
Ninguém me respondia.
— Quem é ela? – Indaguei.
Só Leila pareceu notar minha reação, pois virou no mesmo instante na minha direção.
– Concorrência forte, macho. É a ex-namorada de Christian, ou prefere ex-noiva, Christian?
Ex-namorada? Ex-noiva? Mas, Christian não era novo, ao menos aos meus olhos, para se casar?
As pessoas ao redor da mesa me olharam com desespero, como se eu fosse me sentir incomodada com aquilo. Como se o momento fosse errado, ou como se eu fosse chorar.
Eu realmente estava sentindo aquilo que eles achavam?
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