Apenas Meu.

25 Retomando.


Notas iniciais
Estou, tão mega, inspirada! Que já me adiantei atem mais dois capítulos! E vocês, como estão? Enfim, eu espero que vocês gostem das surpresinhas gostosas que preparei pro grande retorno. Coisas boas e ruins! Estamos quase no fim, quem não consegue dar tchau? Estou lendo 'Para Sempre Sua' terceiro volume da série Crossfire, quem aí também é viciado? Bora ler, pois certos momentos aqui, vieram da inspiração da leitura.
Músicas pra quem curte:
To Build a Home - Cinematic
Over te Love - Florence
The Scientist - Coldplay
Call it off - Tegan and Sara
Boa leitura!
PS.: O capítulo tá mais longo que o último, viu?!?!

Manhattan estava mais bela que o comum. Ou talvez tudo aquilo fosse saudades. Meu apartamento e dos meus melhores amigos estava vazio, então tomei esse tempo de brinde para mim. Me recompus e tomei um longo gole de suco natural de laranja. Consegui organizar todas as minhas coisas e tomei um longo e relaxante banho. Nenhum deles chegou nesse meio tempo.

Após o banho coloquei uma camiseta branca e uma daquelas calcinhas boxer. Fazia muito tempo que não me sentia realmente confortável, ao ponto de me vestir de tal forma. Liguei a TV da sala e perambulei pelos canais, nenhum deles tinha nada de interessante, mas desconfiava que aquilo se devia a ansiedade que passava por cada ponto do meu corpo. E como ela era dolorosa, não?

Meu coração deu um pulo e minhas costas ficaram rígidas quando uma chave se encaixou na fechadura da porta. Toda a minha fase na casa da praia se passou por meus olhos. Todas as noites acordadas e em todas as falas que ensaiei para quando esse momento chegasse. Havia muitas vozes para que as pessoas lá fora fossem apenas Cary e Kate.

A comprovação veio quando me virei e fitei seis rostos surpresos. Eu conhecia todos, mas realmente não acreditei que eles estavam todos juntos. Felizes e sorridentes. Não me importei com a roupa naquele momento. Como pensei que estaria verdadeiramente preparada? Como pude ser tão tola?

Os olhos de Kate e Mia estavam lacrimejantes, enquanto minha melhor amiga apertava mais e mais a mão de seu namorado, Elliot. Gideon parecia feliz e surpreso, tudo ao mesmo tempo. Cary, confortável como sempre. Como se realmente soubesse que eu estaria lá, despojada e feliz em recebê-los. Corinne parecia fula, e aliviada. Eu não consegui identificar

E lá estava ele. Meu sonho em pesadelo. Meu amor. Meu porto seguro. E meu maior medo de perca. Ele estava de mãos dadas com Corinne, enquanto alisava sua barriga protuberante. Minhas pernas cederam e temi cair em um profundo choro. Eu não conseguiria com todos ali. Gideon foi rápido. Encurtou nossa distância em dois passos e me pegou entre seus braços musculosos. Caminhou apressado pelo apartamento, o som de seus sapatos sendo abafado pelo carpete. Uma porta se fechou atrás de nós e ele me colocou na cama do quarto de Cary.

Eu não tinha mais ninguém ali, abracei-o junto a mim, conseguindo não chorar. Conseguindo apenas estar extremamente abalada. Suguei o ar e senti seu cheiro limpo.

- Desculpe. – Pedi sem voz abalada.

- Não há o que desculpar, Srtª Steele. Pensei que fosse desmaiar. – Brincou por fim, apertando-me ainda mais. – Ainda assim, senti saudades.

Eu também sentira sua falta, mas minha fala estava presa em minha garganta. Corinne estava grávida. Ah, minha nossa, mas que grande merda!

- Sei que o que viu foi péssimo. Sinto muito. – Ele pediu.

- Você não deve se desculpar...

Cary interrompeu a fala quando irrompeu pela porta do quarto, tentando segurar Kate. Esta atravessou o quarto em passos largos, e só se acalmou quando estávamos perdidas em braços e cabelos curtos e louros. Ah, como era bom segurá-la novamente.

- Sua cachorra! – Disse junto com um tapa em meu ombro. Um tapa forte por sinal.

Sorri, notando que realmente eu sentira falta de toda sua intensidade. Com aquele abraço, eu consegui esquecer o que vira lá fora. Eu sabia muito bem o que seu abraço dizia no fundo e não precisa repetir, ou agradecer por conta disto.

Kate me soltou, e o vazio de seu calor foi preenchido pelo corpo rijo de Cary me abraçando entre seus músculos duros. Apertei-o bem forte, mostrando que eu sentia que ele sabia.

- Obrigada por guardar meu segredo. – Sussurrei em seu ouvido, depositando um beijo ali.

- Ninguém disse nada. Mas você está linda com os cabelos curtinhos. – Ele respondeu, soltando um riso abafado e feliz ao final da frase. Como era bom escutar aquele som novamente, e não apenas pensar no mesmo, como fizera por seis meses.

- Oi, Mia. – Cumprimentei a mesma, que estava com o ombro escorado no batente da porta.

- Olá. – Ela respondeu, seus olhos brilhando de satisfação por toda a cena criada.

Elliot entrou no quarto de mansinho, provavelmente para ver se estava tudo bem com Kate. Seu “olá” dirigido a mim, foi feito quando bagunçou meus cabelos.

- Eles foram embora. – Mia disse sem alterar as feições do rosto, os braços cruzados aumentando o volume de seus seios. A primeira pergunta que passou por minha mente foi: o que ela estaria fazendo aqui sem Christian? A reposta foi dada quando Cary puxou-a pela mão e ambos entrelaçaram os dedos. – Estamos juntos, Ava. – Ela me avisou, como se aquilo fosse um pedido de autorização para que prosseguissem com o relacionamento. Meu sorriso verdadeiro foi o que ela precisou como resposta.

Kate dormiu comigo. Na verdade, nós tentamos dormir, mas tudo o que conseguimos fazer foi colocar tudo em dia. Tantas informações me foram fornecidas enquanto mergulhávamos em gargalhadas que há muito não compartilhávamos.

Ela me contou que agora dormia quase todas as noites no apê de Elliot, assim como Mia junto com Cary. Ela disse, que durante os primeiros dias de minha partida, realmente acreditou que eu voltaria dali há pouco tempo, mas que enxergou que eu não voltaria muito cedo depois da primeira semana, ela chorou por conta disso. Disse que Christian quase não parou em casa durante os dois primeiros meses, que às vezes saia pela manhã para andar de moto por Manhattan, conforme suas palavras ele disse que aquilo me recuperava de alguma forma.

Dormimos, sem saber que realmente estávamos dormindo, acordei quando a luz fraca do sol adentrou pelas paredes de vidro.

Levantei e tomei uma ducha, deixando que Kate entrasse no banho em seguida com um bom dia preguiçoso e depois partindo enrolada em uma toalha para seu quarto.

Me arrumei como em qualquer dia de aula, só me acostumando em não ter mais toda aquela cabeleira negra e sim aqueles curtos e simples cabelos louros. Eu sei que receberia muitos olhares significativos e questionadores, então me vesti a caráter. Também em uma tentativa de mostrar a Corinne que não estava inteiramente abalada, pois ela sabia do meu maior segredo para ele, e soube que quando a vi na noite passada, fiquei extremamente abalada.

Coloquei um top lilás e cropped e um short negro de cós alto, unindo tudo com um slipper negro e com tachinhas para quebrar o lance de menininha. Sai do quarto e cumprimentei os residentes da manhã.

Cary me recepcionou com um beijo na testa de sempre, Mia com um “olá” e Kate com um sorriso amistoso. Tomamos café juntos e partimos juntos para Jimks. Mia foi a única que ficou em casa naquela manhã, esperando Cary para almoçarem juntos. Devia confessar que ficara muito feliz com o relacionamento de ambos.

Descemos do carro e nos dispersamos para aulas distintas. Em uma conversa com meu pai, ele me informou que poderia seguir com as aulas normalmente, a única coisa diferente que teria seria os professores me passando atividades de compensação. Como imaginado, os olhares estavam sobre mim. Leila estava em um canto, encarando-me, provavelmente por me reconhecer mesmo com as madeixas curtas e douradas.

Decidi ir por um caminho mais privado, onde muitas pessoas não me vissem. Meus passos se interromperam com a visão que presenciei. Eu nunca mais esqueceria aquele dia. Nunca mais... os olhos de Nathan se voltaram até mim, um sorriso ergueu um canto de sua boca. Os olhos azuis sebentos. Os cabelos minimamente ruivos e músculos espalhados por seu corpo. O ar nojento ainda percorria seu corpo. Aquele era um local em que eu deveria me sentir segura de alguma forma, afinal era um dos estabelecimentos de meu pai. Aquilo deveria ter chegado de alguma forma até ele. Como ele não ficou sabendo? Como não me avisou? E que merda ele estava fazendo ali. O que ele estava fazendo em uma conversa tão... amigável com Christian? Logo com ele?

Eu não sabia se iria suportar tanta pressão em – juntando as horas – apenas um dia. Christian olhou por cima do ombro, provavelmente atraído pelo olhar de Nathan. Nossos olhares se cruzaram e aquilo foi ainda mais arrebatador que ver Nathan tão de perto. Seus olhos questionadores passaram por cada ponto de meu rosto. Pelos cabelos, pela face, ao longo do corpo e pelas pernas. Ele não sorriu, e nem aquele brilho costumeiro subiu por sua face. Nenhum reconhecimento também. Eu não tinha o que fazer por aquele caminho. Desviei, como se nunca tivesse estado lá. Virei à esquerda e entrei na biblioteca, o anexo mais próximo.

O ar frio fez com que a consciência fosse recuperada por mim. Sem pensar, disquei o número do meu pai, ele atendeu ao segundo toque.

- Ava? – Ele indagou, assim que atendeu. Meu pranto baixo se fez ouvir, engoli em seco, liberando o ar aos poucos, meu corpo inteiro tremia.

- Papai. Ele está aqui. Está na Jimks. – Sussurrei ao bocal do aparelho.

O silêncio permaneceu, algo doloroso de se escutar. Escutei uma respiração abafada e carregada de significado. Fiquei estabilizada e me apaziguei um pouco, apaguei sua cena da minha mente, afastando-o de todas as formas.

- Eu não sei o que fazer. – Me lamentei, batendo a mão na perna, decepcionada por desmoronar de forma tão abrupta. Eu olhava ao redor, ainda apreensiva de que ele entrasse ali em alguma circunstância.

- Nem eu. – Meu pai disse, para minha perdição completa.

Perdição em sentimentos. Em pensamentos nada agradáveis. Em memórias... nas memórias do peso de Nathan sobre meu corpo, pressionando-me contra o colchão. Sua mão bruta cobria minha boca, enquanto meus olhos se arregalavam cada vez mais com a dor absurda que surgia de entre as minhas pernas.

Suspirei profundamente e abri os lábios para responder meu pai. Uma mão cálida cobriu minha boca, me agarrando pelos ombros contra seu tórax musculoso. Tudo o que eu sabia é que era um homem. Eu só não sabia sua identidade.

Christian

Christian observava os movimentos de Nathan com extrema calma. Seus ombros largos e sua postura descomplicada. Conforme as informações de Corinne, aquele era um dos homens mais próximo do estuprador da irmã de Christian, o que o instigou a forçar amizade. Eles saíram juntos algumas vezes, mas ele nunca deixou que visse Mia. Nenhuma foto e muito menos pessoalmente.

Mas, na verdade, Christian não estava escutando nada do que o homem dizia. Ele se pegava vagando até o momento em que entrou no apê de Cary e encontrou Ava do jeito que sempre quis encontrar. Entregue. Ela estava lá, esperando quem quer que fosse, e mesmo que estivesse atado a compromisso eterno, ele nunca a esqueceria. Aquilo era desesperador. Saber que se ama alguém e também saber que não podem mais sequer tentar construir uma estória juntos. Seu corpo se levantou em arrepios quando ele lembrou-se dos olhos dela descendo até o ventre de Corinne e encontrando uma das maiores traições que ele podia causar. Sua fuga nos braços de Gideon, fora ainda mais dolorosa, mas ele não queria se lembrar de tudo aquilo.

Ele não queria se lembrar do cheiro percorrendo o ambiente. Almiscarado e único. Seu cheiro próprio. Ele também não conseguiria esquecer os fios cortados e pintados no tom de louro mais puro. E ele também não conseguiria esquecer o exato momento em que seus olhos se reencontraram após seis meses. Foi difícil suportar o vazio imposto de forma bruta pela própria. E mesmo estando diante de todas aquelas pessoas, tudo o que ele queria era correr para abraça-la para dizer que sentira sua falta durante todo aquele período... e para confessar, por fim, que fora até Carolina do Norte, e rondou todo o espaço possível em busca da possível cabana próxima a praia em que ela estivesse. Depois de procurar por horas incontáveis, ele voltou até Manhattan, mais decepcionado do que quando fora atrás da mesma.

Como aquilo podia doer tanto? Era apenas um sentimento. Um sentimento bom e ruim. Feliz e triste. Apaziguado e agitado demais. Aquele era o amor. Ninguém nunca conseguiria explica-lo em palavras, mas as pessoas sempre tentavam. Sempre tentavam colocar seus sentimentos em três palavras clichês, era por isso que Christian não revelava o que sentia por Ava. É claro que continha amor, mas como juntar tudo o que sentia com uma única e simples palavra? Ele preferia as atitudes, ou uma súbita troca de olhar que lhe demonstrasse isso, mas sempre se arrependeria de não ter lhe respondido com um “eu amo você”, quando ela disse aquelas três palavras – cortantes – pela primeira vez.

Eu não conseguiria agradecê-lo como sempre quis. Fora Cary quem cobrira meus lábios e me tirara da Jimks. Ele me deixou aos cuidados de Mia, sem nada a declarar, partindo de volta ao curso. Ai Deus, como doía. Como o medo podia percorrer de forma tão absurda todo o meu corpo? Aquilo era doloroso, e mais do que nunca eu sabia que algo a mais estava ocorrendo ali. Que os seis meses que eu passei longe ajudaram muito, mas que minha volta estremeceu as estruturas.

Mia não perguntou o que tinha acontecido. Ela só me pegou pelo braço e me cobriu até o queixo enquanto meu corpo se debatia em puro medo. Depois, ela trouxe algum tipo de calmante para mim e eu cai em um sono profundo, mas não repleto de pesadelos e sim de puros sonhos. Com Christian.

Abri os olhos antes mesmo de notar que estava acordando durante a noite...

Christian me fitava, empoleirado nas sombras do quarto. Eu não me assustei. Na verdade era como se, ao acordar, tão lentamente, eu soubesse que o encontraria lá. Ele estava com uma calça de moletom pendendo em sua cintura, e um casaco do mesmo tipo de tecido, com o capuz cobrindo seus cabelos negros.

Nos fitamos entre a escuridão e o silêncio. As piores coisas para um relacionamento. Seu maxilar estava escuro por falta de se barbear. Seu peito – musculoso – subia e descia por conta da respiração descompassada. E seus olhos verdes intensos perambulavam por meu rosto.

- O que está fazendo aqui? – Indaguei, sem me mover, apenas olhando em sua direção.

- Eu precisava ver você de novo. – Ele disse, realmente olhando-me, passando os olhos pelas minhas pernas meramente descobertas e voltando até meu rosto. Como era bom ter essa proximidade novamente.

Ele parecia vulnerável daquele jeito, mas lindo pra cacete também. Suas mãos estavam cerradas, em punhos firmes e ele ficava ainda mais belo com a Manhattan pontilhada de fundo. Levantei a coberta, chamando-o para um calor diferente, querendo-o o mais perto de mim. Eu não queria saber como ele entrara lá, ou como ninguém o vira. Eu só queria... ele. O mais perto possível. Transmitindo seu calor por meu corpo e tudo o mais que conseguisse.

Ele veio em passos curtos, quase ameaçador. Nossos olhos não se desgrudavam, como se aquela simples ação acabasse com o encanto. Eu tinha tanta coisa pra falar. Tanta coisa para lhe contar. Tanto o que despejar em suas costas. Eu queria dizer a verdade, mesmo que não tivesse coragem suficiente para tal. Mesmo que ele saísse aos trancos e barrancos, mesmo que me xingasse. Não importava. Eu queria uma verdade revelada a ele. Pelo menos uma das duas verdades. Dos dois segredos.

Enfim, seu calor se juntou ao meu e ele me abraçou pela cintura, puxando meu corpo de encontro ao seu. Afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro único. Abracei-o pela cintura também e enrolei-o entre as minhas pernas, temendo que ele fugisse. Um frio repentino me abateu, fazendo-me tremer. Me agarrei ainda mais, suspirando. Sem querer acreditar em onde estávamos e em qual situação nos encontrávamos. Eu só queria aquela proximidade.

- Tenho tanto pra te contar. – Ele disse, seu peito tremeu sobre o meu ao vociferar as palavras e seu hálito quente foi de encontro a minha orelha, me arrepiando toda.

- Eu também, Chris. Mas... eu não... sei se consigo te contar essas coisas depois de tanto tempo. – Disse com sinceridade, abrindo os olhos e lhe encarando como de fato deveria fazer.

- Eu quero pedir desculpas pelo que viu na sala. – Ele pediu, seus dedos se enrolaram nos meus fios curtos. – Também quero dizer que está ainda mais linda com esse cabelo. – Ele disse, abrindo um pequeno sorriso.

- Agora. Quero que conte o que guarda há muito tempo. Não conte em um momento errado. – Ele pediu, prensando um pouco os olhos.

Será que eu contava? Ou será que eu lhe pedia para esquecer? A única coisa que sabia era que meus olhos estavam cheios de lágrimas. Mesmo não tendo aberto a boca para dizer nem metade das coisas que me apavoravam. O dia em que ele me salvou de meu pesadelo passou por minha cabeça. O dia em que o peguei chorando na sala, também transbordou por minha mente. Ele sabia como era a sensação de ser violado.

- Eu já passei pelo mesmo que sua irmã. – Confessei entredentes. Prensando os olhos e deixando que lágrimas quentes banhassem minhas faces.

Minha nossa, eu estava mesmo lhe contando. Christian não precisou perguntar o que era, eu sabia, pelo seu olhar, que ele sabia do que eu estava falando.

- Fui estuprada por anos. Ele dizia que se eu sequer pensasse em contar, ele colocaria fotos minhas na internet. Agora, como uma criança pode entender a dimensão disso? – Vociferei em voz alta o que guardei para mim por tanto tempo. – Como, Chris? – Indaguei, empurrando em seu peito.

- Você não precisa contar. – Ele disse com voz áspera. O tom de seus olhos também se alterou, ficando mais escuros e com as bordas avermelhadas.

- Eu quero contar. – Disse. – Quero contar isso para você há tanto tempo. – Disse, suspirando. – Ele me estuprou tanto. Ah, Deus. Como é bom falar novamente. Ele era um amigo de Cary, e brincávamos juntos, a diferença era que ele era bem mais velho que eu na época. Por fim, eu decidi contar pro meu pai. E Gideon fez com que ele tomasse as providências necessárias. No dia seguinte, ele não estava mais pela cidade. Me atormentando com sua imagem grotesca. Mas ele permaneceu nos meus pesadelos. Fiquei em depressão profunda por meses. Tentei me matar algumas vezes, também. Não pelo quanto eu me sentia violada e humilhada. Mas pelas lágrimas que provoquei em todos que eu amava. Pelo modo como eles me olhavam quando descobriram. Do mesmo jeito que você está me olhando agora. Eu queria acabar com o sofrimento deles. Queria aliviar aquele peso dos meus ombros. Tirar todo medo que sentia de caminhar pelas ruas. Parei de usar roupas femininas e entrei na Jimks ainda assim. Foi uma reviravolta me vestir de maneira diferente... Ele provocou um inferno em tudo que possa imaginar. – Disse por fim, engolindo em seco para não lhe contar sobre as consultas e sobre o que aquilo me levou. – Eu me sentia horrível diante das outras garotas. Eu nunca soube se sua ameaça em referência a fotos era verdadeira. Eu só sei que nos mudamos para cá, para que os holofotes nos abandonassem um pouco. Meu pai gastou uma boa grana para que parassem de fazer qualquer reportagem em questão disso. Ainda há aqueles que sabem de tudo o que aconteceu. – Disse, me lembrando de Corinne e suas milhares de folhas repletas de informações. Ela podia contar agora.

- Eu sinto muito por você. Mas adoraria saber onde ele se encontra agora. – Christian disse, impassível. Seus olhos vagavam na escuridão atrás de mim, seus braços estavam mais apertados em torno da minha cintura, quase me faltando o ar.

- Ele está mais perto do que imagina. Há alguém que me chantageou por conta disso... – Eu disse, averiguando seus olhos, com medo que ele descobrisse qualquer coisa.

- Quem? – Ele ergueu o pescoço, emitindo eterno reconhecimento e parecendo já saber a resposta.

- Corinne. Mas não quero que pense o errado...

Christian

Christian não pensava o contrário, mas ainda assim pousou seu dedo indicador sobre os lábios de Ava. Não querendo mais escutar sua voz banhada em tristeza. O que aquela vadia propusera a ela? Assim como fizera com ele? Dizendo-lhe que o único que tinha as cópias das fotos de Mia era Nathan.

Ele também não sabia explicar porque tinha ido até ali. Ele só queria poder vê-la em paz. Sem ter ninguém para atazanar. E simplesmente olhar para ela. Coisa que não fazia há tanto tempo. Depois de incontáveis minutos em pé, ela abriu os olhos, como que em passe de mágica. Ele ficou paralisado, sem reação e quando ela ergueu a coberta, a culpa atingiu seus ombros. Culpa pelo sofrimento que causou nela e pelo sofrimento que ainda causaria pelo fato de estar com Corinne e pelo fato de a mesma estar grávida agora. Ele não conseguia pensar direito. E ali, naquele local, era a única maneira que conseguia pensar de forma clara.

Ele queria que todas suas palavras fossem falsas. Não queria escutar ela dizer qualquer coisa a mais sobre o homem que teve coragem de fazer aquilo. Aquelas informações eram demais para Christian e ele fortaleceu um breve pensamento que tinha em mente. Ele faria aquilo. Não só por ele e por Mia, mas também pelo seu verdadeiro amor. Pela pessoa que ele sempre gostaria de ver bem, em qualquer circunstância. Sempre devemos lutar por aquilo que era verdadeiro. E aquela garota, diante de seu olhar, debatendo-se em si por um passado tenebroso, era sua verdade.

- Eu só quero que entenda... que não posso te contar o que realmente está acontecendo. – Christian soltou, antes que desistisse, sem despregar seus olhos dos dela.

Ela acenou em positivo, passando seu polegar macio pelos lábios dele. Aquele toque enviou arrepios por todo o corpo de Christian.

- Quero dormir aqui. – Ele disse. – Vou contar, mas não conte para ninguém. Isso vai fazer bem pra gente. Corinne sabe quem tem as fotos e os vídeos de Mia. Eu preciso descartar eles, antes que o homem cruel que o fez, os publique de alguma forma. Corinne me apresentou a Nathan e é ele quem conhece o homem que provocou essa droga toda. Eu sei. Poderia falar com meu pai. Mas... não acho justo. Investigo isso há tanto tempo. – Se lamuriou. – Preciso fazer isso pra minha própria libertação também.

Ava estava paralisada diante dele. Olhos belos arregalados, bochechas rosadas e lábios prensados em uma fina linha de expressão.

- Tudo bem. – Ela disse por fim, acenando em positivo. – Acho que já entendi. Corinne disse que só lhe apresentaria ao... Nathan, se você se separasse de mim. – Ela disse, avaliando sua expressão.

- Exato. Achei que para comprovar os fatos, seria melhor que ficássemos juntos de uma vez e... – Christian sabia que não precisava terminar aquela frase de fato. Pois o término daquela encabeçava em outra.

Por isso, ergueu o rosto e depositou um beijo leve nos lábios de Ava. Mesmo realmente não estando com Corinne, não achava correto sequer trair sua confiança. E Ava também não parecia achar aquilo certo. Ao fim das verdades ditas, Ava se embolou ainda mais no corpo de Christian, fazendo com que o mesmo sentisse seu calor em todos os pontos, fazendo-o dormir com uma paz que só teve, por saber que ela estava bem e com uma esperança, de encontrar os dois homens, causadores de coisas infernais na vida de suas duas garotas.

Notas finais
E aí??????? Muito ruim? E Ava entregou parte de seu grande segredo!?!?!?! Vocês esperavam que fosse assim? o que acham que vai ocorrer agora? Me contem tudo!!! Ficou bom com a música?
Obrigada a presença de 73 leitores e agradeço as 32 pessoas que favoritaram! Isso é muito importante! (':