Apenas Meu.
21 Pedindo.
Notas iniciais
A estória tá durando, não? Ainda estamos - meio que - na metade. Enfim, curti bastante o nome do capítulo e espero que vocês gostem desta súbita virada. Não sou NADA ligada a meu pai, mas curti escrever esse capítulo. Aposto que vocês já tem uma ideia, até em baixo!
TS:
Butterfly fly Away - Miley Cyrus
For the Love of a Daughter - Demi Lovato.
Músicas extremamente ótimas!
TS:
Butterfly fly Away - Miley Cyrus
For the Love of a Daughter - Demi Lovato.
Músicas extremamente ótimas!
Christian não estava mais ao meu lado quando acordei, então foi por esse motivo que tudo pesou em meus ombros. Sua presença me acalmava de tal forma a me desligar do mundo ao meu redor. Tirando-me da tomada que me mantinha viva e alerta, ele era minha endorfina.
Me levantei pausadamente, ainda coçando os olhos, bocejando e me espreguiçando, típicos gestos ao acordar. Foi quando me aproximei da porta, que meu dia mudou e que poderia dizer que foi a partir do que escutei que tudo em torno de mim mudou. Deslizei até o chão e abracei os joelhos. — Tem certeza do que está dizendo, Rachel? – Era Cary. — Mas, é claro que sim. Paul o constatou pelas regiões e colocou espiões na cola de Nathan. Ele está atrás de Ava. Atrás de vingança com minha filha e... Assim como eu, minha mãe se derramou em um pranto baixo. Fechei os olhos, imaginando toda a cena lá fora. Os olhos de Cary marejados e minha mãe apoiando suas mãos em seus ombros. Como se aquele fosse o máximo de conforto que pudesse receber. Enterrei meus dentes no joelho para não gritar. Senti um gosto forte... sangue. Não queria olhar para comprovar. Eu sabia o que era. Pelo cheiro. Pelo gosto. Mas não queria contar pra ninguém o que senti naquele momento. Não queria contar como me senti derrotada. Nem como me senti instigada a fazer o pior para acabar com o sofrimento. Mas, o ideal agora seria falar diretamente com meu pai... só não tinha uma escapatório até que minha mãe estivesse longe daquela sala, pois caso eu passasse por lá para sair... não aguentaria. Iria querer me jogar em seus braços e chorar desesperadamente. Mas tinha de colocar em minha mente que aquela garotinha de sete anos não estava mais aqui. Eu cresci com as piores coisas em mente. Com o pior tipo de violação a uma mulher que pode existir. Cresci e ainda terei de enfrentar muito com o que carrego. Não quero que ninguém se prejudique como me sinto prejudicada no momento. Preciso fugir. Sair de perto daqueles que amo. Pra bem longe. Longe de tudo que me faz bem.Demorou um bom tempo para que as coisas do lado de fora se acalmassem. Consegui me lavar e me vestir de maneira despojada, para que nem Cary e nem Kate desconfiassem de nada. Depois disso tudo, treinei um sorriso falso diante do espelho. Daqueles bem esticados e com o centro um tanto quanto sensível. Ao sair do quarto, avistei Cary sentado ao balcão com um pote de cereais diante de si. Ele ergueu as sobrancelhas, sorrindo docemente. Retribui com uma piscadela. — Bom dia. – Ele cumprimentou quando me aproximei e belisquei um pão sobre o balcão. Toquei meus lábios em seu rosto, em um beijo matinal. – Bom dia, vou dar umas voltas. — Tudo bem. Volte para o almoço. Não sei cozinhar. – Cary pediu. Sorri, balançando a cabeça. Desci, de elevador, andar por andar, até estar na garagem e subir em minha moto. Manhattan estava fria e sorri, indignada com a emoção que senti pela compatibilidade de sentimentos. O caminho até o edifício de empresas de Steele não era muito longo, mas peguei algumas outras ruas, nas quais sempre gostava de andar e me imaginar caminhando por entre aqueles caminhos serpenteados das casas. Então eu passei por lá, desejando não ter passado. Não tinha como acelerar de uma hora para a outra, meus olhos estavam focados na imagem que encontrei... droga. Mas, que merda. Porque me machucar tanto? Eu sempre prometi a mim mesma que nunca choraria por homens e depois que conheci Christian estourei minha cota por, pelo menos, uns trezentos anos. Braços rodeados e olhos um no outro, Christian e Corinne se encaravam. O sorriso dela era tão verdadeiro, que conseguiu me derrubar, mais do que as feições de Christian. A moto zarpou por eles, e nenhum me notou... melhor assim e me certifiquei de tal olhando pelo retrovisor. Aquilo me daria mais força para continuar com o que eu tinha em mente. Estacionei a moto diante do Edifício Steele. Sua ponta tocando o mais alto possível, demonstrando um poder no centro de Manhattan. Os seguranças acenaram com a cabeça, uns aos outros, espalhados de maneiras estratégicas pelo Edifício, era nisso que dava trabalhar para um dos homens mais ricos do Mundo. A recepcionista me cumprimentou com um ‘olá’ simpático e liberou minha entrada. Um senhor no elevador me cumprimentou enquanto tocava a ponta de seu quepe e pressionava o botão sem me indagar qual o andar. Todos ali me conheciam. Fazia muito tempo que eu não ia aos negócios de papai, mas todos deveriam me conhecer por comentários. Por minha mãe e talvez se lembrem de mim, pois quando eu era pequena vinha até aqui depois da escola e ficava assistindo TV na sala de meu pai, enquanto o mesmo administrava reuniões para filiar-se com novas empresas e adquirir boa parte de uma boa grana. Sai do elevador abanando a mão para o senhor e passei pela porta de livro depois de um “creck” ser emitido por aquela recepcionista. — Seu pai está lhe aguardando. – Ela informou, com suas bochechas rosadas e as ondas de fios louros domadas por um coque no alto da cabeça.
Papai me aguardava ao pé da porta e por suas feições, eu sabia que ele já sabia da pontinha do que se tratava minha conversa. Cumprimentei-o com o beijo no rosto de sempre. — Como anda Rachel? – Indaguei enquanto me sentava no sofá grafite e confortável. — Como sempre. Ocupada com pequenos papéis e emergida em roupas com que andar em conferências. Sua mãe está mais ocupada que eu até. – Meu pai disse, sentando-se ao meu lado e deixando sua mão sobre meu joelho. — Soube que anda tendo bastante trabalho em um caso. – Sorri amarelo, medindo um pouco as palavras e deixando a garganta petrificada, para segurar o choro. As palavras de meu pai ficaram perdidas no tempo. Eu poderia tentar adivinhar o que ele iria dizer quando abriu os lábios, mas ele os fechou e eu não pude escutar um lamento ou pedido de desculpas. Meu pai nunca me respondeu aquilo. Talvez por eu ter razão, ou por ser demais para ele. — Vim aqui para tentar te ajudar. – Disse com a voz embargada. Vários momentos nossos passaram diante dos meus olhos. Tive de fecha-los para reprimir a súbita vontade de deitar em seu colo e somente chorar, deixar que seus dedos grandes deslizassem por meus fios, assim como fez quando descobriu. Assim como fazia quando eu me machucava. Assim como fez quando briguei com Kate e Cary pela primeira vez. Assim como fez quando descobriu certo triste fim. Mas eu tinha de ser forte. Mesmo me lembrando das vezes em que ele dormiu comigo, quando eu tinha pesadelos pela noite. Mesmo me lembrando de nossos momentos dentro de seu carro. Ou quando ele me carregava pela escuridão da casa até seu quarto, e eu dormia entre ele e minha mãe. Eu tinha de falar. Tinha de ser forte por ele ao menos uma vez. Mesmo que ele ali, tão perto de mim, me empurrasse para um labirinto sinuoso do sofrimento. — Vou passar um tempo longe. Na casa de praia, talvez. Escolha um segurança. Sei que Earl é o melhor. Então, peça para ele ir comigo. Só Deus sabe quanto tempo ficarei por lá. – Pedi, apertando sua mão entre meus dedos. Tentando ser forte. Meu pai ponderou em silêncio por alguns instantes e respeitei aquele seu momento. Ele sabia que seria complicado para mim. Me afastar de tudo assim, de uma hora para outra. — Tudo bem. Eu converso com a diretoria da Jimks e com sua mãe... — Não, pai. Não fale nada para a mamãe. – Daquela vez, eu me virei e fitei seus olhos azuis, perdendo-me lá dentro. – Por favor. Mais um segredo nosso, tudo bem? Deixe-a pensar que irei passar uns quinze dias. E depois se ela perguntar algo, diga até que o senhor não sabia de nada. Você faria isso por mim? Só nós dois sabendo disso? – Indaguei, procurando uma resposta pelas feições fortes de seu rosto. Ele acenou em positivo. — Obrigada. – Eu disse beijando-o no rosto. Por fim, deitei em seu colo e fiz o que jurei que não faria. Chorei como quando era sua garotinha.
Notas finais
Desculpem por estar tão curto. E aí, no que acham que isso vai dar? Próximo capítulo será animadinha e estou pensando em uma cena Chrisava. E obrigada a minha querida leitora que me deu de presente uma recomendação! Sério, esse reconhecimento é bom por demais! ♥
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