Apenas Meu.
22 Pt. 1: Reviravolta.
Notas iniciais
- O que está fazendo? – Kate indagou, colocando a cabeça entre a pequena abertura da porta.
Olhei para a quantidade de roupas espalhadas pela cama, assim como a mala aberta em que eu as colocava dobradas. Não teria como mentir para ela. Dava para notar por seus olhos que ela desconfiava de certa forma. Sobrancelha erguida, olhos atentos.
- Hum. Decidi ir passar um tempo na casa da praia, uns três dias. – Menti, olhando para a quantidade de roupas ao nosso redor.
Kate entrou no quarto, fechando a porta do cômodo atrás de si. A cama cedeu quando ela se sentou na beirada da mesma.
- Você é uma amiga e tanto, hein? Se eu não perguntasse nunca iria me contar.
Não mesmo, pensei.
- Claro que contaria. Só precisava arrumar as malas. – Dei de ombros, continuando a dobrar as peças.
Kate jogou as roupas para o lado e se deitou com as pernas penduradas, encarando o teto.
- Eu tive uma ideia tão legal. – Ela murmurou, um sorrisinho nada amistoso perambulava em seu rosto. – Sim, eu sou muito provocativa.
- Você já pode dividir a ideia, ou vou pensar que está louca. – Comentei, olhando-a de soslaio.
- Que tal ir a um pub hoje? – Seus olhos reluziram contra a luz que adentrava pela parede de vidro.
Eu poderia muito bem dizer não. E a lista a favor desta palavrinha seria gigantesca. Um dos principais fatos era que Nathan estava por aí livre, leve e solto. Mas eu também queria dar um “adeus” para Kate, mesmo sem sua consciência. Queria uma última dança juntas. Um sorriso secreto, uma piscadela que só nós conhecíamos. Eu queria aquela cumplicidade que sempre tivemos antes de finalmente partir sem lhe contar a verdade. Queria ser sua irmã por aquela noite, para no dia seguinte preencher o fardo de mentirosa.
Inconscientemente, eu acenei em positivo.
Depois de algumas horas. Após Kate deixar os nomes na lista de um pub próximo. Depois de também ligar para Cary e Elliot para convidá-los a ir, estávamos nos arrumando em meu quarto. É claro que a zona de sempre estava posta em minha cama. Eram tantas peças, de tantas cores, que parecia até um evento importante. Mas tenho de concordar que mulheres sempre tem que chegar a um lugar para arrasar, e digamos que Kate era expert nesse assunto.
Ela estava andando para lá e para cá, mas podia dizer que era um milagre o fato de ela estar em dúvida apenas entre dois vestidos. Um vermelho e um dourado. Eu, particularmente, torcia pelo dourado, talvez pelo fato de ficar bom com seu tom de pele e por realçar seus lindos olhos verdes.
Ela fechou a porta do closet, e abriu-a alguns minutos depois. Cabelos curtos e jogados sobre os ombros. E o vestido dourado modelando suas curvas, avantajando seus seios e deixando suas pernas torneadas mais longas que o normal. Ela deu uma voltinha, mostrando um decote em “V” nas costas. Dei uma piscadela, feliz pelo simples fato de animar ela.
Mesmo estando animada com a ideia de sair naquela noite, algo ainda martelava em minha cabeça, dizendo que Kate estava armando algo, mas que não queria me contar.
- O.K, chega de me admirar. – Ela abanou os dedos no ar, como quem dispensa algo. – Vamos procurar algo para você.
Voltamos à montanha de roupas.
- Sabe, cansei de vestidos...
- Também não quero vestido para você, baby.
Ela puxou duas peças iguais do amontoado e me entregou.
- Não olhe para elas, simplesmente vista. – Ela disse empurrando-me pelo ombro.
Dentro do closet, depois de estar com a maquiagem feita, eu coloquei o conjunto que ela pediu e gostei do resultado ao me fitar no espelho de corpo inteiro. As peças eram idênticas, por conta da moda que está de volta agora, as peças cropped. O top era de couro e transparente no centro, deixando o decote dos seios momentaneamente a vista. A saia era um tanto quanto curta e não deixava apenas um filete do abdômen a mostra, mas do umbigo para cima. A saia era de couro, curta, mas com uma tira transparente enganando o tamanho.
Sai pela porta do closet, ainda me fitando, um pouco impressionada com o que as roupas eram capazes de fazer conosco, até cinco minutos atrás eu parecia uma... mendiga, para ser bem exata.
Kate segurava um par de sapatos vermelhos.
- Estamos prontas. – Ela disse, fitando-me dos pés a cabeça, vendo o resultado de sua arte.
- Kate. – Eu a chamei, tomando os sapatos de sua mão. – Para que tudo isso, hein?
Seus olhos ficaram inquietos. Bingo. Ela estava – mesmo – mentindo.
- Ah... por...
- Quem vai estar lá? – Eu indaguei, semicerrando os olhos e alisando a saia, extremamente pronta.
- Ah, hoje é o aniversário de alguém que conhecemos, e... eu queria fazer uma surpresa. – Ela me olhou nos olhos, como se só aquelas palavras bastassem. – Ai, droga. Tudo bem. Hoje é o aniversário da Corinne, todos estão falando nisso e foram comemorar lá, eu quis fazer uma surpresa para ela. – Kate deu uma piscadela, acompanhada de um sorriso pentelho preenchendo os traços de seu rosto.
Kate e eu não discutimos sobre o assunto. Não que eu não tenha ficado extremamente animada com a possibilidade de encontrar Christian por lá. Só dentro do carro, com Cary, Elliot e Kate que a consciência me mandou um olá, avisando-me que Christian e eu não poderíamos dar bandeira. Não poderíamos demonstrar nada diante de Corinne.
Aquilo me desanimou momentaneamente. O caminho foi mais rápido que o previsto, e Elliot espremeu o carro em uma vaga próxima ao pub.
Descemos do carro e instantaneamente Cary agarrou minha cintura, depositando um beijo cálido no alto da minha cabeça. Entramos na gigantesca fila, e Elliot e Kate começaram com os beijos estalantes.
Cary estava quieto ao extremo, talvez pela conversa de mais cedo com minha mãe e pelo fato de ele achar que eu não sabia de nada. Mas mesmo ele sabendo, um instinto de cuidado cresceu nele. Repentinamente certos acontecimentos surgiram em meus pensamentos. A festa na casa de Chris. Kate completamente indiferente comigo. A ligação de Nathan e a confissão de Kate que este era acompanhante de Corinne. Ao final de todo o pensamento, dando passos em falso em direção à entrada, uma pergunta floresceu dentre meus pensamentos. Será que Nathan estaria aqui?
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