Apenas Meu.
39 (II) Prólogo.
Notas iniciais
I love this place, But it's haunted without you. My tired heart, Is beating so slow.
Eu amo esse lugar, mas ele é assombrado sem você. Meu cansado coração está batendo tão devagar. (Little House – Amanda Seyfried.)
- Tá bom, vou manter os olhos fechados. – Ava jurou entre os braços de Christian, mas ainda assim ele pressionou a palma da mão contra os olhos dela.
Um sorriso animado banhava seu rosto, enquanto ele a ajudava a andar pela grama podada. As árvores com as folhas cortadas, os arbustos com flores coloridas salpicando o verde e a fachada da nova casa pintada de branco.
Calmamente, ele auxiliou Ava, enquanto ela subia os pequenos degraus da escadaria da frente. Antes de abrir a porta, retirou uma venda do bolso de trás do jeans e pousou sobre seus olhos.
- Prometa que não está olhando. – Pediu, segurando um sorriso com os lábios.
Ela acenou em positivo. – Nunca quebro minhas promessas.
E ele sabia daquilo. E sabia que ela nunca quebraria. Deixou-a parada, inquieta em um vestido preto e abriu a porta de entrada, dando de cara com a nova casa mobiliada e decorada da forma que solicitou. Os móveis bem dispostos, os quadros nos locais em que marcara um X na parede, e as mesmas pintadas em tons frescos, exatamente como pedira e pagara. Puxou Ava pela mão, ouvindo os passos dos saltos dela abafados pelo carpete grafite sobre o chão, só então ele puxou a venda dos olhos dela.
Os olhos verdes percorreram o ambiente ao redor, gravando cada detalhe, sorrindo em alguns que conhecia.
- Poderia dizer que está idêntica a minha sala. – Ela sorriu, olhando diretamente para os olhos dele. Era aquilo que o derretia, ninguém tinha a audácia de encara-lo daquela forma... tão diretamente.
Só então, ela notou um caminho de velas pelo chão da casa, seus olhos se arregalaram em surpresa contida, o queixo levemente caído. Sem que Christian dissesse nada, ela seguiu o trajeto, com Christian em seu encalço, olhando enquanto a mesma abaixava o rosto e fitava as velas.
Subiram as escadas, em um puro silêncio, e percorreram pelo corredor. A última e maior vela estava disposta diante da porta do quarto de Christian, ou pelo menos era naquilo que Ava acreditava, naquele local da casa, o som dos passos de Ava não foi cessado, ele os ouviu, toque por toque contra o assoalho laminado.
Ela parou, fitando a porta pintada de um dourado vivo, encarando-a com dificuldade.
- Eu tenho que abrir agora? – Ava indagou, virando-se em direção a Christian que não conseguia mais conter a felicidade, ele acenou em positivo e lentamente, quase com medo, Ava pousou os dedos na maçaneta, empurrando a porta para trás.
Lá dentro, Jullie segurava uma rosa enquanto ao chão, com pétalas de rosa vermelha, estava escrito: “Aceita morar conosco, mamãe?”.
As mãos de Ava cobriram os lábios, o quarto estava salpicado pelas pequenas chamas de velas espalhadas, com a qual Christian teve cuidado ao dispor em um pequeno suporte, quase invisível aos olhos. Jullie caminhou até Ava, assim como ensaiara com o pai. Ava ficou de joelhos, quase da altura da menina e tomou a rosa de seus dedos.
- Você aceita? – A pequena indagou, Christian fitou a cena ao longe, as mãos frias enfiadas nos bolsos da frente do jeans, a ansiedade no semblante.
Jullie levantou o rosto para o pai, como que para se certificar de que estivesse prestando atenção. Ele sorriu e ela sorriu de volta.
- Não tem como recusar, meu anjo. – Ava respondeu, passando o indicador da ponte do nariz de Jullie até a ponta.
Jullie sorria durante o gesto. E ambas se abraçaram. As mãos da pequena afundadas nos cabelos louros de Ava, na direção da nuca.
- Viu, papai? – Jullie indagou, sorrindo entre os cabelos de Ava, que se levantou e seguiu o caminho até ele.
Os três sorriam agora e se abraçaram por fim. No meio de velas, a cena era como de filmes. Eles sorriam.
- Eu aceito morar com vocês. – Ava respondeu por fim, diminuindo a ansiedade que Christian vinha resguardando no peito.
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