Apenas Meu.
40 Animada.
Notas iniciais
You got me trippin', stumblin', flippin', fumblin'. Clumsy 'cuz I'm fallin' in love.
Você me deixa viajando, tropeçando, sacudindo, derrubando as coisas. Desajeitada porque estou me apaixonando. (Clumsy – Fergie).
- Sabe – Kate começou, resgatando outra pipoca. – eu realmente tô amando isso aqui.
Eu sorri também adorando o momento que criamos para nós duas. Fazia tanto tempo que não fazíamos algo do tipo, e era bom demais ter tempo para fazê-lo novamente. Na TV de seu quarto no apê de Cary, passava uma reprise de alguma série televisiva.
- Eu também. – Concordei, olhando-a de soslaio.
Também havia várias revistas de vestidos de noiva em torno de nós pelo tapete felpudo. Já havíamos folheado diversas, mas nunca encontrando um vestido completo para Kate. Sempre faltava uma cauda menor, ou maior. Um branco com mais prata, ou menos. Mangas com renda, ou completamente sem manga. Sem contar nas diversas opções de buquês, joias e sapatos.
Me apaixonei perdidamente por cada um dos sapatos. Eu era internamente mais ligada a eles, tanto que a maior parte do meu closet era ocupada por diversos pares, agora. Olhei cada um atentamente. Cetim, seda, strass. Joias revestidas em ouro ou prata. Saltos finos e mais largos. Altos e baixos. Era tanta diversidade, que acabava ficando vesga de tanto me concentrar em cada um deles.
- Vejo que se apaixonou por eles. Vai acabar marcando todas as páginas, baby. – Kate observou sobre meu ombro, fechando a revista com pressa e atirando-a para longe.
- Ei! – Protestei. – Eu realmente estava interessada neles.
Kate ergueu as sobrancelhas, os fios dos cabelos meramente mais longos, era um planejamento para o penteado que – por incrível que pareça – já estava escolhido. Ela sorriu, os olhos verdes brilhando. E claramente entendi que ela havia tido uma ideia.
- Eu prefiro ver esse tipo de coisa pessoalmente. – Kate disse pensativamente, fingindo que encarava o teto acima.
- Ah, não! – Recusei, me deitando sobre seu tapete felpudo, sentindo a microfibra de seu roupão cor-de-rosa acariciar minha pele. Meus cabelos presos para cima, uma meia parando na metade da canela e chinelos de dedo. Tudo bem brega. – Christian não quer me ver pela rua.
Sim, era parcialmente verdade e parcialmente desculpa para que eu não saísse de casa. Estava muito gostoso lá dentro, e confortável, para ter que se preocupar com se arrumar e ir até o centro.
- Qual é! – Mas, Kate já estava de pé, recolhendo algumas roupas da cama e atirando-as em minha direção, notei que os números serviriam em mim e suspirei. – Você está de férias. E o escritório me deu esses dias para os últimos preparativos. Podemos passar na Mansão Maddox para buscar Mia e seguir para o centro. – Kate deu de ombros, puxando o robe de cetim dos ombros e vestindo uma skinny escura.
- Me obrigue. – Murmurei, fitando-a de longe.
Mas, era tarde demais para controlar minhas palavras e as atitudes de minha amiga seminua. Antes que pudesse me erguer nos calcanhares, ela partiu na minha direção, me prendendo no chão com as pernas nas laterais do meu corpo e soltando meu cabelo, mexendo-os para todos os lados. Não precisava nem salientar que aquilo, de certa forma, me convencera.
*
Depois de ajeitar os cabelos loiros e colocar a roupa mais confortável que encontrei – e o mais lentamente possível – saímos de casa com a mercedes de Elliot. Era incrível ver que ambos tinham durado por tanto tempo e que iriam se casar em breve. O anel de noivado em seu dedo me comprovava esses fatos e reforçava a ideia em minha mente. Mas eu sempre me lembraria da Kate ótima de farra da minha adolescência. Como não esquecer? Todas as dicas para ter os rapazes que eu queria vinham dela. Mesmo com aquela aparência de macho eu conseguia ficar com alguns meninos de aplaudir de pé. Mas nenhum deles nunca chegou aos pés de Christian.
- Essas listras engordam, você sabe, não é? – Kate indagou, continuando a reclamar sobre o cardigã que eu escolhera de seu próprio guarda-roupa. – As listras têm de estar na vertical e não horizontal. Balofinha...
- Oras. Fora você quem comprou isso. Veio do seu guarda-roupa. – Contestei, olhando-a de rabo de olho.
Os carros em Manhattan não cessavam no trânsito e mesmo com o atalho que pegamos, o caminho até a casa de Mia era minimamente longo. Então, liguei o rádio em uma emissora qualquer, e deixei que músicas de diferentes gêneros tocassem ao nosso redor.
- Pegue para você então. – Ela deu de ombros, fitando a pista a sua frente, entupida de veículos. – Eu adoraria ter um helicóptero agora. – Ela lamentou, luxando os lábios e bufando com os ombros caídos.
Ri. Aquela pose era extremamente engraçada, ainda mais vindo de uma pessoa tão hilária quanto Kate. Eu era paciente quanto ao trânsito, não estava mesmo com pressa. Tirei as sapatilhas emprestadas e subi os joelhos, com as pernas dobradas para cima.
- Eu tenho algo para contar. – Kate disse repentinamente, tirando minha atenção da letra da música que tocava.
Me virei parcialmente no banco, para fitar seu perfil. Os fios louro-claros caindo ao redor dos ombros e um pouco abaixo. Uma camisa de seda cor-vermelha. E os olhos verdes fixos em um ponto distante.
- O que foi? – Indaguei, erguendo uma sobrancelha.
Tinha certeza que ela sabia que eu estava fazendo aquilo, mesmo sem me olhar.
- Eu chamei o Kyle para ser meu padrinho. – Kate disse e mordeu o lábio, provavelmente aguardando minha reação.
- Seu irmão? Você sabe que ele me irrita demais, Kate! – Protestei, me lembrando de trechos da minha infância que não gostaria de lembrar.
- Não é bem assim. Ele te adora. – Ela forçou um sorriso. – E além do mais, eu não sabia que voltaria com Christian tão rápido.
- Isso não diminui a merda que cometeu. – Aleguei séria, com os braços cruzados e ignorando o sorriso que iluminava seu rosto.
- Tá, legal. Que tal isso? Eu tinha que escolher duas pessoas importantes da minha vida. Escolhi vocês dois. – Ela disse, virando-se rapidamente para mim e piscando os cílios uma porção de vezes.
Ela sabia que aquele olhar me derretia. Minha sobrancelha erguida caiu e eu bufei, afundando no banco.
- Christian vai odiar. – Murmurei, pensando em como meu namorado era extremamente ciumento.
- Essa notícia é você quem dá. Pelo menos ele vai estar lá, como padrinho do Liot também. – Ela deu de ombros.
Mas era completamente diferente. Ele faria par com sua irmã, e não com uma gostosona que me mataria de ciúmes. Ao contrário dele, eu faria par com um rapaz de cabelos louro-dourados e olhos verdes arrebatadores.
*
- Você não está com uma cara muito boa. – Mia murmurou, fechando a porta do carro atrás de si.
Linda como sempre com seus cabelos castanho-escuros jogados ao redor do rosto claro, tornando seus olhos azuis ainda mais chocantes.
- Muito obrigada. – Murmurei com ironia, fitando-a do retrovisor. – Minha melhor amiga acabou de me dar umas notícias péssimas. – Me expliquei, falando em um tom alto e alfinetando Kate.
- Você já contou? – Mia indagou, estreitando as sobrancelhas e se apoiando nos bancos da frente, o meu e de Kate.
- Até Mia já sabia? Porque também não contou ao Chris? – Indaguei me afastando do encosto, enquanto o carro ganhava velocidade para sair dos portões altos da Mansão.
- É claro que sabia. Precisava de um jeito para contar. – Kate deu de ombros. – Você tem que contar ao seu amado. – Emendou.
- Você que deveria contar. – Disse com os lábios prensados, olhando-a de canto, transmitindo-lhe meu olhar mais ameaçador que continha em minha cota de olhares.
- Não me venha com essa olhada. Além do mais, meu irmão não é assim, tão ruim. – Kate se exasperou, estendendo as palavras mais que o necessário.
- Verdade. Eu poderia colocar uma foto dele no teto do meu quarto para dormir vendo ele e acordar com aqueles olhos verdes... – Mia suspirava no banco de trás, em típicos comentários de garotas com referência a meninos de aparência... ótima.
- Nossa. De repente me deu uma vontade de falar com o Cary. – Assim que eu o disse, Mia ficou rija atrás de mim, rindo descontroladamente sobre minha piada.
É claro que eu não faria aquilo. O clima dentro do carro estava muito gostoso para ser quebrado com uma intriga tão surreal quanto aquela. Repentinamente notei que nunca tive outra amiga mulher que não fosse Kate. E olhe só agora, Mia se tornou uma amiga. Uma grande amiga.
*
As lojas de noivas não ficavam assim tão longe do centro, só em um ponto mais afastado e reservado. E também não havia uma rua com lojas de ponta-a-ponta com vestidos de noiva. Entramos em algumas, e passamos os olhos pelos modelos e preços de aluguel. Depois vimos os modelos exclusivos para venda, que valiam quase o dobro. Kate agradecia por seus pais terem dinheiro suficiente para arcarem com aquele alvoroço dela.
Quase desistindo de tantas lojas e vestidos estranhamente parecidos – até demais – entramos em uma loja que seria a última do dia.
- Só essa última. Quem sabe? – Kate indagou, com as mãos no quadril diante da porta de entrada.
As portas se abriram automaticamente com nossa chegada próxima a ela. O ambiente tinha ar-condicionado ativado, o que me fez cruzar os braços para me esquentar parcialmente. O chão era revestido em um carpete de veludo no tom vermelho-escarlate. O que se destacava pela quantidade de peças brancas. Vestidos, véus, buquês, joias e sapatos.
- Boa tarde. Aposto que é a noiva. – A vendedora vestida de rosa-bebê se dirigiu a Kate que sorriu animada.
- Como soube? – Kate indagou, com um sorriso de canto.
Mia me puxou pelo punho e nos guiou em uma direção com os dizeres acima: “Last Night.” Eu sabia o que aquilo representava. Ao entrarmos, o ambiente era completamente o oposto do que vimos lá fora. A luz era fraca, e o que iluminava era uma luz negra no centro. As prateleiras que comportavam as peças mínimas eram da cor negra, combinando com a luz baixa.
- Ah, tive uma excelente ideia para a noite de solteira dela. – Mia disse, puxando uma calcinha pequena demais de renda azul.
- Safadinha. – Correspondi ao comentário, encontrando uma bela peça da cor preta.
- Eu andei pesquisando. Ela dividiu entre nós, você sabe, não é? – Mia indagou, caminhando entre as prateleiras e olhando as peças de longe.
- Ela comentou comigo. E agradeci mentalmente. Muito serviço. – Me queixei, mas não de forma negativa e ficava feliz por saber que Mia enxergava aquilo. – E então, qual é a ideia? – Indaguei, caminhando em sua direção e erguendo as sobrancelhas.
- Pesquisei várias. Mas gostei da prova de lingeries. Que ela reserva um lugar em que desfila com as lingeries para as garotas e nós que escolhemos as que ela vai usar na lua-de-mel e coisa e tal. – Ela disse movendo as mãos e com um sorriso de expectativa iluminando seu rosto, investigando se eu tinha gostado ou não da ideia.
- Eu adorei. – Disse com sinceridade, vendo o entusiasmo estampado em seu olhar. – Você acertou direitinho.
*
- E que tal esse? – Kate caminhou com um terceiro vestido como se estivesse em uma passarela como modelo profissional.
Eu meneei um não cansado com a cabeça. – Sinceramente, são todos lindos. Mas não ficam bons em você. – Eu dei de ombros, vendo como a saia daquele deixava a mesma rechonchuda, sendo que muito pelo contrário, ela tinha um corpo belo de demonstrar as curvas.
- Bom. O último que tenho para mostrar é o mais caro da loja. Ele veio da França, ficou pronto por um estilista francês há dois meses. Ninguém o usou ainda. – A vendedora disse, olhando de mim para Kate e então para Mia como se avaliasse nossas expressões.
Com o sorriso idêntico de animação de nós três, a vendedora foi com passos lentos em direção a uma escada bem escondida.
- Sabe. – Kate começou a dizer, enquanto fechava uma porta de madeira polida atrás de si, no vestuário. – Eu gostaria de saber o que as duas danadinhas estavam fazendo naquela ala “Last Night”. – Ela indagou sorrateiramente, coisa que Mia e eu já tínhamos ideia de que aconteceria.
- Tivemos uma ideia. – Começou Mia dando uma piscadela na minha direção e segurando um sorriso com os lábios. – Mas claro que vai ser surpresa.
Como esperado, ao dizer isso, Kate abriu a cortina impacientemente, cobrindo as partes necessárias a serem cobertas, mesmo sem ninguém por perto.
- Não mesmo, traiçoeiras! Me contem tudo ou...
- Aqui está. – A vendedora nos salvou de uma ameaça de Kate descendo a curta escada com uma caixa de formato retangular e vermelha em mãos.
Ela caminhou até Kate e abriu a caixa para a mesma. Puxando a tampa e colocando-a sob a caixa em seus braços, com delicadeza e conhecimento do que fazia. Kate tirou os papéis que protegiam o vestido e o puxou. Antes mesmo que ela colocasse diante do seu corpo eu sabia que era ideal. O casamento seria ao ar livre, Elliot estava vendo os locais, enquanto eu preparava a decoração e escolhia o buffet com a decoração no tom das roupas de Kate. Tudo se encaixava. A cauda meramente longa atrás, a saia de cetim branco límpido se avolumando nos quadris e lhe deixando com curvas bonitas e voluptuosas, e ainda assim, demonstrando suas belas curvas torneadas. O corpete era prateado, com quadradinhos que mostravam parte da pele de Kate e um busto com flores entalhas na bainha do mesmo.
Kate o vestiu e o tamanho caiu certo em seu corpo. Como a luva plástica de um médico. Tinha de ser aquele, pensei. Aquele era perfeito. Mostrava a integridade da decisão de um casamento e trazia a Kate de sempre à tona. Sem contar que Elliot, assim que colocasse os olhos dele no momento do casório, já estaria louco para arrancar suas roupas com os dentes. Ri sozinha, com minha ideia erótica.
- Está feio? – Kate indagou enquanto seu sorriso murchava.
Eu abanei a cabeça. – Não. Estou apenas pensando. – Respondi, sorrindo. – Ficou perfeito.
- Eu sei. – Kate sorriu, olhando-se no espelho e dando voltinhas em si sem tirar os olhos de seu reflexo.
- Tenho de concordar. Ficou muito lindo. – Mia abanou a cabeça em positivo.
Sorrimos juntas, como cúmplices, e por Deus, Kate esqueceu o que Mia e eu planejávamos.
*
- Como foi o dia inteiro de garotas? – Christian salientou o meio da frase.
Eu atravessei a sala da nossa (era estranho dizer isso) nova casa e o beijei no rosto. – Foi ótima.
Me sentei em seu colo e passei as mãos por seu peito coberto por uma camisa clara.
- Jullie já foi para a cama. – Ele avisou, erguendo uma sobrancelha.
Conseguia ler em seu semblante o que aquilo significava. Suspirei. Era hora de contar...
- Você tem algo para dizer. – Ele avaliou a expressão do meu rosto, e agora sua sobrancelha erguida me instigava a contar a verdade. Apenas a verdade.
Eu tentei sorrir, mas o mesmo saiu com aspecto amarelado e falsificado. – Kate escolheu um padrinho para o casamento. E ele não é você.
Ele avaliou meu rosto aguardando.
- Disso eu já sabia. Vou ir com Mia. Mas não imaginava que seria alguma outra pessoa além de Cary. – Ah, então ele já havia compreendido a minha apreensão.
Seus braços em torno da minha cintura enviavam um calor positivo para o meu corpo. Me aconcheguei mais em seu colo e passei meus braços ao redor de seu pescoço. Seus olhos verde-acinzentados estavam próximos dos meus.
- Vou com o irmão de Kate. – Revelei, aguardando sua reação.
Suas sobrancelhas estavam juntas, e o olhar impenetrável, mesmo conhecendo-o há tanto tempo, ainda era difícil passar por seu semblante imbatível e enxergar o que se passava em seu olhar. Suspirei.
- Olha. Eu não queria ir com ele. Ele me irritava muito quando eu era criança. – Bufei, amolecendo em seus braços.
Seus dedos faziam uma carícia de vai-e-vem sob a manga do cardigã, esquentando meu braço.
- Hum. – Murmurou, fitando-me com veemência.
- Diga algo. – Pedi em um sussurro, realmente preocupada com o que acharia.
- Você vai continuar sendo minha no final da noite. E quem vai ver você sem o vestido da noite do casamento, será eu e não ele. Sinto ciúmes, é lógico. Ver outro homem atado ao seu braço sem ser eu, é horripilante. Mas você ainda será minha no final de todas as noites daqui em diante.
Sorri. Imersa por suas palavras e repentinamente me esquecendo do que me incomodava tanto em Kyle. Repentinamente, Christian se ergueu estrategicamente sobre os calcanhares. Encaixou minhas pernas em torno do seu quadril e começou a caminhar pela sala, indo em direção à escada. Eu dei um gritinho de indignação, mas ele sabia que era mentira pelo sorriso estampado em meu rosto.
- Ai, meu Deus. – Me fingi de donzela em apuros, tocando exageradamente as costas da mão na testa e jogando a cabeça para trás. – O que acontecerá comigo?
Christian riu, seu peito tremendo sob o meu e meu corpo se arrepiando voluntariamente.
- Prefiro não falar antes de agir, princesa.
Fale com o autor