Apenas Meu.

45 (II) Inacreditável.


Notas iniciais
Esse é um capítulo que eu chamaria de inesperável. Escrevi em momentos diferentes e acho isso muito bom, pq nossa mente, em determinados e distintos momentos, está mais aberto à algo que à alguma outra coisa, enfim, boa leitura!

It’s obvious, when he’s holding me, it’s only natural that I’m so affected.
É óbvio, quando ele está me abraçando, é natural que isso me afete tanto. (DNA – Little Mix).

Então, à partir daquele mês, eu comecei a receber surpresas interessantes a cada final de mês. Sempre quando fazia trinta dias que tinha ganhado algo, eu ganhava algo mais dele. Mesmo não sendo ele com as flores em mãos, era ele quem as escolhia. Com cada um dos presentes marcando os meses vinha um cartão branco com sua caligrafia bem cursada sobre o papel limpo.

Eu quase o estava perdoando com os pequenos, simples e perfeitos presentes. Mas era só eu ficar diante da porta trancada que a minha raiva retornava, junto com a minha indignação. Jullie fazia perguntas recorrentes de onde seu pai poderia estar, a cada mês era complicado de se explicar.

Poderia dizer que inicialmente os meses passaram se arrastando. A presença de Kyle pela casa foi ficando cada vez mais constante. E comecei a ter uma pequena desconfiança. Ele sempre conversava muito com Taylor e entrava na sala de segurança e ficava por lá durante minutos intermináveis. Nunca comentei ou indaguei algo, porque não queria mesmo saber e porque não queria afasta-lo. Não queria mais ninguém longe de mim. Se fosse para ter, que fosse perto e não longe.

Fazia trinta dias que havia recebido o enorme buquê de flores de Christian. Durante o jantar improvisado, enquanto assistíamos filmes infantis com Jullie, a campainha tocou. Tentei segurar o sorriso, já esperando por algo, e não consegui segurá-lo quando Taylor veio com uma caixa com um embrulho vermelho resplandecente.

Eu o tomei em minhas mãos, e – sem raiva – o analisei. Eu adorava aquela cor, e é claro que Christian sabia disso. Rasguei o papel do embrulho da caixa longa e fina. E dentro havia uma caixa de bombons. Todos eles eram redondos, mas algo me chamou a atenção. Antes de analisa-los, tomei o cartão branco e encontrei a palavra “salvou” escrita com sua bela letra em tinta preta. Mais tarde, eu iria guarda-la junto com o outro cartão, para assimilar as palavras e chegar a uma frase.

Agora, meu foco e atenção total estavam nos bombons. Eu retirei o plástico de proteção e vi meu nome inscrito com letras cursivas em cada bombom. AVA STEELE. Foi impossível não sorrir. Não era algo simples, mas era lindo e fiquei com pena de sequer comer o doce. Caminhei até a cozinha com a caixa contra o peito, e guardei-a atrás dos recipientes com comidas estocadas.

- O que era aquilo, mamãe? – Jullie perguntou sem retirar os olhos da tevê, enquanto eu voltava para o sofá e embalava-a em meus braços.

- Um presentinho do papai. – Respondi, beijando seus cabelos.

Ela acenou em positivo e continuou a assistir. Jullie estava diminuindo com as perguntas, porque eu sempre respondia que seu pai estava a serviço, mas que voltaria em breve. Na verdade, nem eu sabia onde ele estava, ou porque estava nesse lugar.

- Você o perdoou. É notável pelo sorriso bobo. – Kyle comentou ao meu lado no sofá.

Eu sorri, virando discretamente para ele e acenando em positivo.

*

Mais trinta dias se passaram. E dessa vez eu não estava ansiosa para saber o que viria naquela noite. Eu não queria que fosse algo... queria que fosse ele. Olhar para aquela porta só me derrotava ainda mais. Aquele era o final de semana em que Jullie iria passar a noite com os avós. Estaria completamente sozinha se os seguranças não estivessem perambulando pela casa. Suspirei, sentada diante da porta e encarando-a.

Sextos sentidos devem ser seguidos. E meu sexto sentido gritava para que eu desse qualquer jeito de abrir a bendita porta, mas havia um anjinho sobre o meu ombro que dizia que eu devia esperar. E não sabia por qual lado optar. Por isso passava a maior parte do tempo encarando-a, tentando adivinhar o que tinha lá atrás.

Coisas boas ou ruins? Eu gostaria do que aquilo guardava com tanto fervor? Temia que não. O som da campainha cortou o silêncio da casa. Não corri para atender. O som soou novamente e dessa vez me levantei sem animação. Andei lentamente até a porta, enquanto alguém insistia em tocar. Taylor não estava em nenhum lugar, mas não me preocupei com isso. Havia muitas câmeras e muitos seguranças pela casa para que eu me preocupasse.

Abri a porta.

- Cary? – Indaguei, fitando seu rosto cansado, os cabelos bagunçados e os lábios entreabertos.

Ele passou desesperadamente pela porta entreaberta e eu a fechei atrás de mim.

- O que aconteceu? Fizeram algo com você? – Indaguei alarmada.

Me aproximei de seu corpo em estado de choque e toquei seus ombros. Ele me abraçou em desespero. Eu conseguia sentir seu peito tremendo por conta das lágrimas reprimidas. Quis chorar junto, mas estava com medo de saber o motivo e me perder ainda mais em lágrimas. Abracei seus ombros, oferecendo meu consolo de certa forma.

- Pode contar para mim. – Sussurrei próximo ao seu pescoço.

Seus braços estavam atados com força em volta da minha cintura. Quase me deixando sem ar.

- A Jullie...

Foi então que minha mente divagou por milhares de acontecimentos envolvendo o rosto da minha pequena. Acidente de carro, queda de do alto de alguma escada ou tropeçando e batendo a cabeça contra o chão.

- O que tem ela? – Consegui perguntar.

- Ela tomou algum produto de limpeza. Guardaram na geladeira e ela... ela simplesmente bebeu...

Ele não precisava terminar e também não queria que terminasse. Ela precisava estar naquele instante em um hospital para fazer os procedimentos necessários e urgentes. O desespero estava dominando minhas ações estáticas. Eu não chorei descontroladamente, como achei que faria. Fiquei intacta, agora sendo acolhida pelos braços fortes de Cary. Minhas pernas não estavam fazendo seu trabalho de me segurar. Não estavam. Meus olhos estavam focados no nada. Meu corpo e minha existência estariam no nada sem ela.

*

A ida até o hospital passou em negro nas minhas lembranças, não me lembrava de como havia chegado lá e nem de como fui parar ao lado de Jullie em estado de repouso no hospital. Ela estava dormindo por conta dos remédios que lhes deram. Caminhei pelo quarto, agradecendo por ela estar bem e pelos pais de Corinne terem sido rápidos para leva-la ao hospital, caso contrário... não conseguia nem pensar na possibilidade. Eles me contaram que ela estava caminhando pela cozinha e que quando viram, ela estava com uma garrafa emborcada na boca, com um gole de cloro, ela largou o recipiente no chão. Seu avô foi rápido em estourar dois ovos crus em sua boca para proteger seus órgãos, depois correram com a mesma até o hospital e os médicos cuidaram do resto.

Me sentei ao chão no canto mais afastado da maca em que Jullie dormia profundamente. O chão e a parede eram texturas gélidas contra a minha pele, e apoiei a cabeça na parede atrás de mim, fechando os olhos e empurrando os cabelos para trás das orelhas. Foi quando ouvi o som da porta se movendo que abri os olhos.

A tristeza foi substituída por uma enxurrada de sentimentos distintos e intensos. Vi-o caminhar pelo quarto, sem focar em qualquer outra coisa que não fosse o rosto de Jullie. Ele soltou a mala no chão, quase imperceptivelmente e continuou a caminhar em silêncio.

Meus ruídos diminuíram enquanto eu assistia Christian chorar. Não me lembrava de tê-lo visto fazendo aquilo com tanto desespero. Minha respiração estava entrecortada por tê-lo no mesmo cômodo que o meu depois de tanto tempo. Mesmo a distância, e com ele parcialmente de lado, notei a barba por fazer. Os ombros caídos, o rosto pálido, os olhos avermelhados e os cabelos grandes.

Eu queria correr até ele. Queria abraça-lo e queria bater nele. Talvez... se ele não tivesse ido para longe sem me contar o porque e para que... talvez nada disso tivesse acontecido.

Em um súbito devaneio eu me levantei e não medi esforços até que o alcancei. Eu não sabia onde estavam as minhas forças, ou se ele estava muito fraco. Mas acabamos no chão do hospital. Ele deitado contra o chão, os olhos esbugalhados e eu sentada contra o seu abdômen, desferindo vários tapas contra seu rosto. Aquilo durou poucos segundos, mas foi satisfatório. Ele agarrou meu pulso, enquanto eu ainda fazia força para bater nele.

Aos poucos ele se sentou comigo entre suas pernas e me abraçou. A raiva prevaleceu em alguns momentos, enquanto eu cedia aos poucos. As lágrimas despejaram de meus olhos e derreti contra seus braços. Suas lágrimas molharam meu ombro e as minhas gotejaram por meu rosto, ele não estava mais chorando desesperadamente, só estava me abraçando com estranho desespero, apertando minhas costelas e afundando os dedos na minha cintura.

- Eu sinto muito. – Pediu com a voz rouca, com uma voz que não era parecida com a sua.

Acenei em positivo, incapaz de responder em palavras. Olhei para cima, como se algo me queimasse acima da cabeça e encontrei os olhos risonhos de Jullie assistindo a cena. Ela riu um pouco, deixando o som doce embalar o recinto.

Eu me levantei de seu colo. E fiquei de pé automaticamente. Passei a mão por seus cabelos.

- Como está se sentindo, anjinho? – Indaguei.

Ela estava me olhando com seus grandes olhos verdes. – Bem melhor.

Christian já estava atrás de mim, e seus olhos foram para ele. Seu sorriso aumentou e ela, mesmo ligada a fios, o puxou para um abraço.

Era incrível como Christian podia ser tão delicado àquele ponto. Seus braços grandes abraçavam-na da forma certa, embalando-a bem. Eles estavam conversando em voz baixa e rindo também.

O momento foi interrompido pela chegada de uma enfermeira.

- Olá. Seja bem vinda, Jullie. – Ela sorriu, escondendo os aparelhos que utilizaria a seguir. – Vou pedir licença aos pais, por favor.

Christian, mesmo que relutantemente, deixou Jullie dando-lhe um beijo na testa. Recolheu sua bolsa do chão e seguiu rumo à porta. Saí em silêncio e fechei a porta com delicadeza atrás de mim. Depois de andarmos por um longo corredor morbidamente branco, ele encontrou os pais de Corinne e entrou em uma conversa baixa contendo explicações e meio-sorrisos. Eu segui em outra direção. Não querendo vê-los e nem vê-lo.

Revê-lo, em tais circunstâncias, foi como ter uma ferida sendo rasgada, abrindo-a e deixando-a ainda mais machucada e sensível. Meu coração estava sensível, então caminhei pelo hospital, fitando enquanto estranhos olhos se erguiam para o meu rosto, talvez com a esperança de que no meu lugar fosse um médico qualquer, dando uma boa notícia qualquer, só para aliviar a dor que parecia eterna.

Caminhar pelo hospital parecia complicado sem ele ao meu lado. Na verdade, tudo parecia sem vida quando ele não estava comigo. Então, quando soube que eram seus dedos que me puxavam paciente e carinhosamente pelo braço, tive vontade de me entregar aos meus desejos mais profundos. Vontade de me atirar em seus braços e esquecer os problemas que havíamos criado.

Afinal, era tudo o que queríamos desde o início. Um ao outro, a paz que transmitíamos. Tínhamos de lutar, e havia chegado o grande momento.

Me virei aos poucos sob o comando suave de seus dedos, e seus olhos avermelhados nas bordas me derreteram internamente. Ele estava chorando.

- Ava. — Ele sussurrou pesadamente.

Ergui os olhos para encarar os seus verdes que abarretavam minhas entranhas.

- Faz tempo que não menciono as palavras que toda e qualquer mulher gostam de ouvir. Eu amo você, amor. — Sua voz estava fortemente embargada, levada por uma mágoa que emanava dele para mim. Acenei em positivo, absorvendo suas palavras e desejando muito que ele continuasse. — Amo você desde a primeira vez em que ouvi sua voz. Desde o momento em que te vi de costas, cochichando com Kate. Ouvia tanto ao seu respeito quando ela ia para a minha casa, mas nunca realmente acreditei que você fosse tudo aquilo. Nem nunca acreditei que seria a mulher que me libertaria de mim mesmo.

- Ah, Chris...

Mas ele me interrompeu com um movimento de cabeça, como alguém que diz em silêncio que tem mais para falar.

- Quando descobri que era você, não queria que fosse. Porque não queria magoá-la, e ainda assim fiz isso por inúmeras vezes. Eu amo você. E preciso de você. Você sempre me pede provas de amor, mas a maior prova que posso oferecer é dizer que você salvou meu coração, e que agora ele é seu. Todo seu.

Você. Salvou. Aquelas eram as palavras dos primeiros cartões, e ali estava a continuação, provindo de seus lábios.

- Aquele seu café da manhã nojento não nos atrapalha. E sempre que acordo antes que você, simplesmente te olho, tentando imaginar como seria minha vida sem a sua presença, mas nunca consigo chegar a uma conclusão, Deus sabe que não é possível.

Sem esperar mais nada, e sem pensar em nada melhor para fazer, eu me atirei em seus braços. Qual mulher não o perdoaria depois daquelas palavras?

Sentir seus braços me rodeando da forma correta a fazer era perfeita e inegavelmente bom. Era confortável. Como estar em um ambiente que nos agradece. Seus braços eram minha fortaleza. Ele era meu porto seguro. A certeza de que tudo estaria bem. Mesmo sobre quaisquer circunstâncias.

- Eu também amo você, Chris. — Sussurrei ao pé de seu ouvido.

A força de seu abraço, e da saudade que ainda nos rodeava, fez com que meus pés se erguessem do chão. Sua altura me protegia. Seu grande tamanho me deixava ainda mais afeminada. E eu gostei da sua respiração descompassada enclausurada no meu pescoço. Seu hálito quente e seu cheiro costumeiro se impregnaram em minhas narinas.

Seu corpo se encaixava perfeitamente no meu, não deixando nenhum espaço vazio, para que nenhuma leve lufada de ar nos interrompesse.

Deixamos o hospital juntos, pela primeira vez em muito tempo, permitindo que os pais de Corinne cuidassem de Jullie, precisávamos de um tempo para nós, e Cary e Mia continuavam lá, atentos.

Seguimos em seu carro, silenciados por suas palavras ditas há um momento atrás, e pelo iceberg que ainda nos separava. Eu não queria aquela pedra de gelo que esfriava as coisas entre nós, mas ela simplesmente estava lá. Imóvel.

Ele estacionou o veículo na área de entrada, e os seguranças cercaram o carro, provavelmente preocupados com algo. As portas foram abertas, e um deles me puxou pelo punho para o lado de fora, fechando a porta atrás de mim.

Senti a tensão aprisionada nos corpos deles, mas não podia afirmar nada, e nem iria. Três dos seguranças usando os ternos completos me guiaram até a porta, como se a chegada de Christian pudesse fortalecer algum ataque como o que Jullie sofreu no horário de saída da sua escolinha.

Toda aquela entrada assegurada por eles se derrubou quando a porta de entrada foi aberta, e Christian puxou sua mala para o hall de entrada.

Sabia que como a mulher dele, mesmo sem um anel pendurado no dedo como Kate, deveria cuidar dele e mimá-lo por conta da volta. Mas a iceberg ainda estava lá. Sem nenhum milímetro derretido, gelada e congelante, petrificando nossos corações.

Nos olhamos dentre a penumbra em que a sala se encontrava, e, de alguma forma, eu sabia que ele sentia o mesmo que eu. Ele também podia enxergar a distância que nos mantinha afastados.

Foi ele quem abriu caminho inicialmente, passando por um interruptor e pressionando-o apressadamente, e subindo os degraus de dois em dois, com a mesma pressa evidenciada. Eu segui atrás, como em um impulso sem que a mente trabalhasse. Só segui seus passos, ainda que subindo apenas de degrau em degrau.

Para acompanhar seus pés, eu apressei minhas passadas. Seguindo-o pela casa até que ele abriu a porta do quarto, acendendo a luz e largando a bolsa no pé da porta.

- Porque está me seguindo com tanta pressa? — Ele indagou abruptamente, parando as passadas e dando um passo rápido para trás.

Com seu movimento inesperado, eu bati contra seu corpo, sentindo-o todo colado contra mim. Rapidamente ele se virou e me segurou em seus braços. Minhas mãos voaram para seus ombros, apertando-os enquanto me apartava da queda repentina.

Nós estávamos perto demais. Nossos olhos estavam em um encontro quente. Seu corpo se encaixava perfeitamente contra o meu sem pressão demais e nem muita delicadeza. Do jeito que ele sempre fez. Do jeito que sempre gostei.

- Você não sentiu minha falta? — Ele indagou em voz baixa, andando e me empurrando para trás.

Seu corpo me prensou contra a porta, e ele a trancou. Suspirei, incapaz de não reagir ao seu corpo contra o meu.

Nossos rostos estavam tão perto. Nossas respirações se misturavam quase como se fossem apenas uma. Meus lábios formigavam em ansiedade. E meus olhos não sabiam focar apenas nos seus. Eu olhava para todo o seu rosto. Minhas mãos subiram e acariciaram as laterais do mesmo, sentindo a barba por fazer arranhar os meus dedos.

Ele passou seu nariz pelo meu e desceu sua face pela lateral do meu pescoço, sugando meu cheiro e me transferindo arrepios pelo corpo.

Seus lábios continuaram a depositar suaves beijos ao longo do meu pescoço. E seu rosto subiu, enquanto minhas mãos estavam fundas em seus cabelos, esperando o próximo movimento.

Repentinamente, ele parou os movimentos, seus olhos começaram a olhar meu rosto. Avalia-lo com calma e prazer. Ele ergueu uma mão e passou seus dedos pela minha testa, descendo pelo contorno do meu nariz e parando diante dos meus lábios. Seu rosto ficou mais próximo, Christian colou sua testa com a minha. E àquela altura eu já estava ofegante, enxergando-o com dificuldade, sem realmente vê-lo com foco, por conta da escuridão presente no nosso quarto.

- Beijo você agora? – Ele indagou em um sussurro que se irradiou por todo meu corpo. – Acho que não. – Ele respondeu por si só.

Rapidamente ele me beijou nos lábios, apenas um estalo. Um movimento em que nem pude matar a grande saudade que sentia. – Tenho um jantar de negócios. Você vai comigo.

- Não sou seu fantoche. – Respondi e cruzei os braços, enquanto o mesmo acendia as luzes de maneira opaca e tirava a camisa amassada que usava, olhando diretamente para mim.

Continue olhando para seus olhos. Não olhe par baixo. Não olhe para o peito musculoso e levemente bronzeado. Delicioso...

Abanei a cabeça ligeiramente, afastando os pensamentos que poderiam me levar por um caminho diferente. Eu ainda estava irritada, não é?

- Não mesmo. Mas vamos juntos. Já conversei com os pais de Corinne...

- A Jullie está no hospital. – Interrompi repentinamente.

Ainda estava encostada à parede, esperando sua reação e esperando o calor diminuir do meu corpo.

- Não tenho roupa também. – Murmurei baixinho, enquanto ele continuava a se despir, sem tirar os olhos do meu.

Ele só usava uma boxer vermelha. Exatamente da cor que eu gostava.

- Tem sim. – Ele afirmou, agora puxando a cueca pelas pernas, pegou as roupas do chão e colocou-as no cesto ao lado da porta do banheiro.

A resposta me balanceou um pouco e segui atrás do mesmo.

- Veio tomar banho comigo? – Ele indagou, com um sorriso de lado.

Era bom vê-lo feliz, depois das palavras ditas, das ações tomadas e do que passou por ter de voltar. Mas, mesmo por trás de todo seu semblante animado, eu conseguia enxergar que na verdade estava cansado. Que preferia descansar um pouco, e até mesmo tirar um tempo para si. Eu sentia isso.

- Vou cortar seu cabelo e fazer essa barba. Vão achar que é um mendigo. – Enruguei o nariz.

Ele sorriu com o comentário e entrou no box do banheiro já ligando a ducha. Para me ocupar, fui até o quarto e voltei com uma cadeira pendurada nas mãos e coloquei-a diante da larga pia. Depois abri gaveta por gaveta, a procura de tesoura e barbeador...

Antes que eu conseguisse puxar as coisas de que precisava da gaveta, senti braços extremamente molhados se agarrando a minha cintura. E Christian estava gargalhando, intensamente animado com sua brincadeira.

- Me solta! – Eu ordenei, mas provavelmente não seria saciada com a minha ordem cumprida, pois ele começou a caminhar em direção ao box.

- Vão achar que você é uma mendiga, também. – Ele sussurrou ao meu ouvido.

- Vamos nos atrasar! – Tentei de novo, agarrando seus braços em vão, enquanto sua força tirava meus pés do chão e eu erguia as pernas.

Ele me colocou no chão e me segurou em baixo do chuveiro, enquanto a água escorria por entre meus cabelos e molhava minhas roupas.

- Vamos. Fique nua comigo. – Ele pediu com a voz rouca, o olhar sério me encarando, o corpo formando uma muralha entre eu e a saída.

Mas eu não queria sair. Não mais.

E comecei a me despir para ele. Bem devagar, sem tirar meus olhos dos seus. Sem sorrir. Sem emitir qualquer coisa que ele entendesse algo de distinto. Nossos olhos estavam em um encontro fatal. Primeiro tirei a camiseta branca e joguei-a em meus pés. Depois desci o short jeans junto com a calcinha pelas pernas. E mesmo que rapidamente, Christian desceu os olhos junto com o short. Seus lábios estavam entreabertos, os olhos brilhavam. Lentamente abri o fecho do sutiã, e deslizei as alças pelos meus braços, até que formasse uma pequena montanha em meus pés.

A água nos dividia, mas Christian acabou com o misero espaço entre nós, tocando todo seu corpo no meu. Me arrepiando e excitando. Meus mamilos endureceram contra seu peito. E seus olhos estavam entreabertos, nós suspirávamos juntos. E sua mão se desencostou da parede atrás de mim para tocar meus lábios de novo, e eu os beijei lentamente, enquanto ele ofegou baixinho. Eu estava excitada por deixa-lo naquele ponto de tesão.

Ele desceu a mão lentamente, ainda me fitando profundamente nos olhos. Sua ereção pressionava minha barriga. Meu pescoço estava curvado para continuar a fitar seu rosto. E seus dedos me tocaram no encontro das minhas coxas. Lentamente, abrindo-me e me acariciando. Institivamente, eu joguei a cabeça para trás e ele beijou meu pescoço enquanto relacionava ambos os movimentos. Seu corpo roçando contra o meu, os dedos lentos e firmes, os beijos suaves.

Seus lábios subiram até os meus, e sua testa tocou a minha com genuína gentileza. Mas ele não me beijou, ele só gemeu contra minha boca, enquanto eu pegava sua ereção entre os dedos, e deslizava minha mão da base à ponta. Em movimentos repetitivos e cada vez mais pressionando meus dedos em torno dele. Seus lábios estavam entreabertos contras os meus. E eu estava cada vez mais perto de um orgasmo intenso, e duvidava que fosse recebê-lo ainda de pé.

Ele estava quente contra minha mão, e acelerei meu movimento repetitivo. Invertendo as velocidades e pressão dos meus dedos. Seu quadril então começou a se mover contra meus dedos, fazendo do seu jeito, a sua maneira e velocidade. E sorri, satisfeita em vê-lo de tal forma.

- Não vou penetrar você agora. – Ele sussurrou contra meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha e puxando-o entre os dentes.

E então, com suas palavras, movimentos constantes e a névoa de excitação, nós gozamos. Eu contra seus dedos, e ele contra minha barriga. E aquele foi o necessário para que a iceberg se derretesse toda.

Notas finais
Eu estava em dúvida entre duas músicas, mas essa foi a escolhida, então deixarei a outra para algum outro capítulo. Massss, o que vocês acharam? Espero MESMO que tenham gostado. Beijinhos!