Apenas Meu.

46 (II) Acorrentados.


Notas iniciais
Olá! Tenho meus motivos pra demora, pessoal! Tinha começado esse capítulo, mas precisava de algo para o fim. Nada muito uma coisa ou outra. Enfim, espero que gostem! A música do capítulo é bem linda! Foi escrita pela Miley em 2012 e lançada como faixa 1 no seu álbum Bangerz, a música que Ava comenta no capítulo é My Love da Sia. Boa leitura!

I love lying next to youI could do this for eternity. You and me. We’re meant to be and only naturallygo to know exactly what we was doingwhen you let me to you
Eu amo deitar ao seu ladoe eu poderia fazer isso durante toda a eternidade. Você e eu. Nós fomos feitos assim e naturalmenteeu não sei o que fazerquando você vai embora. (Adore You – Miley Cyrus).

Agora, mais do que nunca, eu estava extremamente quente… Christian estava andando do quarto para o closet, recolhendo peças de roupas que usaria dali a algumas horas. E eu estava fitando o vestido branco dentro da caixa. Assim que saímos do banheiro, ele a estendeu diante do meu rosto, e disse que era para eu não me parecer com uma mendiga.

A cor entraria em contraste com seu terno escuro. Puxei a peça de dentro da caixa e fitei a renda – provavelmente feita à mão – que se estendia pelo longo vestido.

- Precisa de ajuda para colocá-lo? – Christian indagou de algum ponto do quarto.

Meus olhos e minha atenção estavam todos voltados para a peça em minhas mãos. Mangas longas e transparentes, costas completamente as mostras. E longo, rodopiando com uma saia de seda reluzente, porém delicada com um toque de romantismo.

- Eu vou precisar de ajuda para tirá-lo mais tarde. – Respondi com o desejo ainda percorrendo cada centímetro de mim.

Christian não respondeu, talvez para me deixar ainda mais... sedenta. Mal sabia ele que eu já estava suficientemente de tal forma, talvez não aguentasse todo o jantar com Christian sentado ao meu lado, conversando com sua voz rouca e com sua mão – provavelmente – colocada sobre a minha coxa. Não. Eu não aguentaria. Seria demais.

Mas, ainda assim, ainda com esses pensamentos tenebrosos, eu subi o vestido pelas pernas, enquanto os seios estavam aparados por aquele sutiã de frente única.

Havia um botão que eu tinha deixado passar na parte de trás, em um ponto estratégico em que meus punhos não tinham habilidade suficiente para prendê-lo. Eu não precisei chamar Christian para que ele caminhasse pelo quarto e prendesse o botão. Durante o trajeto, ele roçou as pontas de seus dedos nas minhas costas, e até aquele roçar fez meu coração dar um salto em câmera lenta, e voltar a bater com estranha velocidade. Engoli em seco, tentando reprimir aquilo por um tempo.

Fiz os últimos retoques enquanto Christian amarrava os fios do seu sapato. Ele estava com a barba feita, e com os fios meramente mais longos já controlados por gel.

- Pronto. – Murmurei, fitando-me diante do espelho.

Repentinamente, a imagem da porta veio aos meus pensamentos. Os dedos de Christian tocaram meus ombros, e, ao olhar novamente em direção ao espelho, seu reflexo sorria para mim e foi impossível não retribuir. Mas a pergunta insistiu em escapar dos meus lábios.

- Posso te perguntar uma coisa antes de irmos? – Indaguei, olhando-o pelo reflexo.

Vi quando ele engoliu lentamente em seco, o sorriso sumiu aos poucos, contudo seus olhos não me abandonaram, mesmo parecendo distantes.

Ele acenou em positivo e prossegui: — O que há atrás daquela porta, amor?

Tentei soar o mais doce possível com ele, percebendo que o assunto lhe trazia lembranças e pensamentos desconfortáveis.

- Você vai descobrir um dia. Mas não com as minhas palavras. Com seus olhos, princesa. – Ele sorriu quando respondeu, e senti tanta sinceridade em suas palavras, que não vi necessidade de cutuca-lo novamente com o mesmo assunto. Deixaria que a maré do novo momento e tempo nos levasse a diante. E sentia a química, não renascer, mas continuar a florescer entre nós. Éramos e sempre seríamos um casal. Isso estava tão exposto. Durante tanto tempo. Que me senti tola por reconhecer tal fato com tanto atraso.

*

O evento era no Palácio que foi passado para o seu nome. Aquele onde nos esbarramos por acidente, no evento da minha mãe em que eu usava calça... Ah, Deus, como me libertar dessa época?

Os flashes me deixaram momentaneamente cega enquanto Christian me segurava pela mão para descermos do veículo. Naquele instante, ele pareceu distante dos demais e próximo de mim. Graças ao bom Jesus meu vestido não prendia nos meus saltos, o que era algo extremamente confortável. Caminhamos pelo longo tapete, com os seguranças acenando em positivo. Não havia nenhum nome do evento, ou jantar, muito menos pessoas alojadas ao lado de fora sorrindo para os fotógrafos. Parecíamos atrasados.

Christian parou suave e rapidamente diante dos fotógrafos, dando um gostinho de quero mais com seu sorriso de canto, enquanto eu sorria abertamente mesmo, sem esconder minha felicidade por tê-lo de volta. Eu estava toda agarrada nele. Uma das suas mãos me auxiliava pelo centro das costas, enquanto eu o abraçava pela cintura, olhando para cima para ver seu belo rosto.

Christian me puxou pelos dedos e a porta dupla de madeira se abriu diante de mim... e eu nunca esqueceria o que vi atrás daquelas portas... nada – nada mesmo – seria capaz de apagar o que fora construído lá dentro. Os sorrisos das pessoas que eu bem conhecia. Todos os que estavam presentes me conheciam. Estes se levantaram e começaram a aplaudir, enquanto minha cabeça girava em todas as direções, apreciando todos os detalhes daquele lugar repleto... de fotos minhas. Fotos minhas com Christian. Enormes placas em branco com dizeres românticos e a assinatura de Christian ao final. Aquilo era... maravilhoso.

Havia placas compridas que iam do teto e chegavam ao chão com fotos tão bobas que chegavam a ser fofas. Eu mostrando o dedo pra câmera, sorrindo, rindo, nervosa, descabelada. E em algumas, Christian estava junto. E em algumas, nós não sabíamos que estávamos sendo fotografados, e outras coincidiam com os eventos aos quais fomos juntos. Havia as que estávamos com Jullie. Outra minha e dela no dia do seu nascimento. Eram tantas... tantas que ficava difícil absorver tudo de uma vez.

Fui retirada do transe com um puxão na minha mão já caída. Olhei... e desci os olhos. Jullie estava rindo para mim, também com um vestido branco e ergueu os braços na minha direção e eu a peguei no colo, com suas pernas me rodopiando a cintura para se segurar e ela me beijou no rosto, e por fim, em uma surpresa que me deixou se ar, passou seu dedo pela ponte do meu nariz. Eu sorria tanto, que minhas bochechas doíam, meus olhos esquentavam...

Minha mãe surgiu antes que minha visão se embaçasse por completo, e Christian estava cumprimentando algumas pessoas que vieram até nós, mas seus braços não deixaram de me agarrar pela cintura. E como que para me derrubar internamente, minha mãe, com lágrimas enchendo seus olhos, fez o mesmo gesto de Jullie pelo meu nariz... aquilo foi a gota d’água e as lágrimas emocionadas transcorreram pelo meu rosto. Minha mãe sorriu em meio a sua emoção e me abraçou, enquanto papai vinha por trás dela e também nos abraçava, nos guardando entre seus braços quentes e acolhedores.

- Parabéns, querida. – Minha mãe sussurrou e me beijou entre os cabelos.

Meus pais me soltaram, e ao longe Kate abanou um dos braços, correndo sem estribeiras com seu salto e me segurou em seus braços enquanto ria e dizia coisas que qualquer melhor amiga diria naquele momento. Eu sorria para suas palavras, enquanto Jullie descia do meu colo e agarrava uma das pernas de Christian.

Kate me soltou e apoiou suas mãos elegantes sobre meus ombros.

- Eu estou tão feliz por você! – Ela sorriu, estava usando um vestido longo e vermelho, e minha mãe se realçava ao seu lado, com seu vestido dourado.

Mia estava arrastando Cary para perto.

- Obrigada, Kate. – Sorri.

Ela me deu um suave peteleco no centro da testa e abriu espaço para Cary me abraçar e pressionar Mia no meio do abraço.

- Ai! – Ela dava uns gritinhos desconexos, enquanto tentava me abraçar e escapar das garras de Cary.

- Qualquer besteira dele e eu corro lá para... tortura-lo. Afinal, é mais divertido. – Ri com sua promessa e ele riu junto.

Mia, mesmo quando a ameaça foi para seu irmão, também deu risada.

E nos soltamos. Cary ficou de mãos dadas comigo e mandou um beijo com uma piscadela pelo ar.

Notei, por fim, que ao longe uma música suave tocava pelo recinto. Eu a conhecia. Era aquela; aquela que me levava a querê-lo. Aquela que me levou ao seu quarto em um momento de desespero. Aquela que tocava quando eu acordei em seus braços. Aquela em que aprendemos a dançar para seu noivado.

Fechei os olhos e me virei para Christian. Ele estava sorrindo, avaliando minha expressão. Seus dedos procuraram e prenderam os meus. E eu sorri, escutando a voz melancólica da mulher que cantava. E entendendo o que ela dizia. A vontade de chorar fechando minha garganta. Meu nariz sendo assolado por algo. Meus olhos queimando. Meu sorriso escancarado.

- Você disse que precisava de provas do meu amor. – Ele disse em voz baixa, em um sussurro que consegui entender porque acompanhei o leve movimento de seus lábios.

Eu sorri incapaz de segurar a felicidade que irradiava do meu corpo. Repentinamente, Christian estendeu as mãos para um homem que praticamente se materializou ao nosso lado. Em seus dedos estava uma caixa de veludo no tom de vinho. Ele a abriu diante dos meus olhos e lá havia uma corrente de ouro com dizeres pendurados de maneira delicada. “Você salvou meu coração.”

Lá estava o complemento dos cartões. O coração que precisava ser salvo era o dele. E eu o tinha. Eu tinha o prazer de dizer que era a responsável por aquilo. Me virei instantaneamente, erguendo meus fios louros e jogando-os por sobre um ombro, dando-lhe espaço para fechar a corrente.

A corrente em meu pescoço estava gelada, em um contraste com seus dedos quentes que roçavam em minha nuca. Ao terminar seu rápido trabalho em encaixar o fecho, ele o beijou, alcançando minha nuca e espalhou arrepios por meu corpo. Você salvou meu coração. Eu também queria dizer, mas a explosão de salva de palmas interrompeu.

*

A festa de noivado foi, na verdade, um grande jantar com todos os nossos conhecidos. A nossa era a maior mesa. Meus pais e os pais de Christian estavam nela. Ainda com os mais novos casais. Kate e Elliot. Mia e Cary. Jullie jantou no colo de seu pai, com uma colher ela pegava alguns pedaços da comida dele.

Durante o jantar, a música continuou a tocar ao fundo.

Conversas foram jogadas fora e vários cumprimentos acompanhados de parabéns me vieram aos ouvidos de muitas pessoas distintas. Amigos de Christian, amigos de parentes, alguns funcionários mais próximos de sua Empresa. Era legal. Mas, acima de tudo, minha vontade maior era de ir para casa junto com ele.

- Tchau, querida. – Papai me cumprimentou com um beijo no centro da testa.

Enquanto tal despedida ocorria, os funcionários do buffet organizavam o que foi deixado para trás pelos convidados. Os presentes para parabenizar o noivado estavam sendo colocados em um dos carros dos seguranças.

Me virei e fitei minha mãe com Jullie em seus braços. – Ela vai comigo.

E Jullie acenou positivamente com a cabeça.

Sorri, internamente agradecida pela presença de minha mãe, e sabendo o porque de ela estar fazendo aquilo. Era revigorante. Como se uma onda de felicidade tivesse vindo só para cima de mim.

- Tchau. – Minha mãe disse, me abraçando suavemente e Jullie me deu um beijo no rosto.

Com isso, meu pai deixou de cochichar com Christian e os três seguiram até Earl, que os aguardava na porta dupla de entrada.

- O que estavam conversando? – Indaguei, notando os olhos suavemente arregalados de Christian.

Ele se virou para mim, olhando-me com um sorriso brincalhão no rosto. Os dentes não estavam à mostra, mas aquele sorriso era só meu, pois, durante toda a noite, ele não sorriu de tal forma para as outras pessoas. Só para mim.

Seus braços me abraçaram, e minha cintura ficou quente com sua proximidade, assim como todo meu corpo. A espera estava me levando ao delírio, e sentir todos seus músculos pressionados contra os meus estava me deixando cada vez mais... louca.

- Assunto de homem. – Respondeu ele, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

- Fale logo. – Pedi, espalmando as mãos em seu peitoral.

Nossos olhos estavam se olhando. Em um encontro sincero de felicidade. O colar que ele me dera, já estava confortável em meu pescoço, esfriando minha clavícula com suavidade. Eu o amava. Tanto. Tanto. Que chegava a doer no fundo da minha alma. Vê-lo feliz me deixava feliz. Demos um tempo, talvez para sentir se era verdadeiro, e nos enganamos tanto com o afastamento, mas também tivemos nossos benefícios. Nossos olhos diziam a verdade, e quando meu coração se acelerava apenas por vê-lo, sabia que o amava e que ele me retribuía tal sentimento.

- Acho que temos coisas mais interessantes para fazer. – Ele respondeu, agora com a mão na minha nuca, fazendo suaves movimentos circulares com os dedos.

- Senhor, o carro está pronto. – Taylor anunciou a distância.

Christian não deixou de me olhar para responder. – Já estamos indo, Taylor. Obrigado.

- Vamos? – Indaguei, tombando a cabeça para um lado.

Um dos lados do seu lábio se ergueu em um sorriso sedutor e contido.

Ele acenou em positivo e trocou de posição, me agarrando pela cintura e andando com velocidade até a porta. Eu tinha de correr em algumas passadas para acompanha-lo. Christian notou e me ergueu com apenas um dos braços. Meus pés se ergueram do chão, e comecei a rir escandalosamente, o som reverberando e voltando contra nós, em ecos da minha voz em um acesso incontrolável de felicidade. Seu corpo me pressionando, seus músculos me erguendo e sua mão cálida e macia me segurando pela cintura.

Christian caminhou com velocidade, como se erguesse uma pasta apenas com papéis pelo braço, e não uma mulher risonha que se apoiava completamente nele.

Chegamos ao exterior do Palácio e o ar frio me pegou desprevenida. Automaticamente me arrepiei pela brisa fria, e meus risos foram diminuindo depois que Christian colocou meus pés no chão.

- Hmm. Sou eu quem quero te deixar arrepiada de tal forma, princesa. – Christian sussurrou ao pé do meu ouvido, e puxou o lóbulo da minha orelha entre os dentes.

Sorri automaticamente, e fiquei ainda mais arrepiada, só que dessa vez por um desejo incontrolável, acompanhado de um calor prazeroso.

*

Os lábios de Christian eram macios, e suas mãos eram quentes contra a minha cintura. O sexo oral tinha sido maravilhoso, mas me inibira mais um pouco do prazer final, para acompanha-lo.

Mal nos controlamos quando passamos pela porta, nossas mãos se trombavam no processo para tirar a roupa um do outro, e nos jogamos automaticamente sobre a cama e agora seus lábios estavam nos meus, enquanto eu sentia meu próprio gosto vindo da sua boca. Sua língua passava por todos os lados, e eu o acompanhava, me apertando ainda mais contra ele. Nossos músculos tremiam. Christian se afastou aos poucos para tomarmos o ar, e ele passou a beijar meu pescoço e apertar seu quadril contra o meu, foi nesse momento que abri as pernas e o abracei pela cintura com as mesmas, trazendo para mais perto de mim e suspirando pelo prazer que irradiava em todas as direções.

A única coisa que eu usava era o colar que ele me dera e nesse momento ele estava admirando-o e sorrindo.

Ainda me olhando, ele se ajeitou entre as minhas pernas e se apoiou nos joelhos. Suave e lentamente ele me penetrou com veemência. Joguei minha cabeça para trás, acompanhando seu ritmo lento que nos proporcionava maior prazer. Ele passou a beijar meu rosto, e durante o momento saía de mim e entrava com a mesma lentidão. Era tão bom senti-lo por inteiro. Tão bom estar dolorida por ele estar dentro de mim, que gemi alto seu nome. Estava suando desde nossos toques suaves e agora estava quase derretendo sob ele. Eu queria mais daquilo. Ouvir o barulho do sexo forte. Sentir seu peito pressionando o meu. Suspirei.

Christian apertou meu lábio inferior entre os dentes, puxou e soltou. Estávamos nos olhando enquanto o fazíamos. Ele passou a aumentar seu ritmo, e soube que naquele instante, estávamos fazendo amor. Não sexo. Não uma transa. Era amor. Suave e lento, absorvendo o prazer de ambos, partilhando de um sentimento memorável que poderia perdurar por toda a vida e sabia, que quando amanhecesse o dia, ainda o sentiria por inteiro. Ainda estaria o querendo por inteiro. Ele colou sua testa na minha, e passou a me penetrar com força e profundamente. Gemíamos juntos. Suspirávamos contra a boca um do outro e dizíamos palavras que nos estimulavam a chegar lá.

Seus segredos estavam sendo lentamente engolidos, assim como estava sendo facilmente absorvida para um prazer inimaginável. Gozamos juntos, no sabor do corpo um do outro. Com o cheiro do nosso amor embalando o ar.

Notas finais
O que acharam? Contem-me tudo, estou trabalhando no próximo capítulo! E podem me pedir aquilo que gostariam de ver na fic, tá? Beijos prucês *-*