Apenas Meu.

47 Contraste.


Notas iniciais
Oi, pessoal! Bom, a semana do ENEM me deixou atordoada. Estou assistindo série, reescrevendo uma história pra repostagem. E escrevendo duas novas, as iniciais das três histórias são: OODA, ACDE & AD. Bom, sei que sou louca! Ano que vem terei faculdade de segunda à sábado (rezem por mim para que tudo dê certo!). Mas, AD será escrita com minha grande amiga Stella, temos gostos e ideias em comum e assim que eu estiver com as sinopses das histórias, eu posto pra vocês. Estou dizendo tudo isso pra explicar minha demora e porque jajá AM chega ao fim ))))):, porém ACDE será com base em Toda Sua, Cinquenta tons de Cinza e Belo Desastre! Ansiosos? *-*

If I talk real slowly, if I hold your hand, if you look real closely my love, you might understand.

Se eu falar bem devagar, se eu segurar sua mão, se você olhar bem perto, meu amor, você pode entender. (For You – Angus and Julia Stone).

Acordei ao som do toque do meu celular. Aquele que avisava que era minha mãe quem ligava. Passamos tantas horas conversando sobre nada em especial e fazendo amor que não me dei o trabalho de me mover. Senti o corpo de Christian se mover atrás do meu. Estávamos nus, e aquele roçar já me deixou extremamente acordada, ele se moveu lentamente até pegar o celular e atender.

- Alô? – Sua voz indagou com o timbre meramente rouco pelo sono. – Ah, olá Srª. Steele. – O que minha mãe queria? Fingia que dormia, porém estava muito atenta a conversa. – Ela ainda está dormindo. Sim, posso passar o recado. Ok, eu mesmo a levarei aí. Tchau. – Ele respondeu por fim e jogou o celular no local de antes.

Christian ficou quieto e tentei imaginar o que poderia estar fazendo. Pensando, me olhando, analisando o que minha mãe dissera...

Seus dedos me atacaram antes que eu pensasse por mais um milésimo de segundo. Os mesmos passaram habilidosos pela minha barriga, me fazendo cócegas sem pena alguma. Ele sabia o tempo todo que eu estava acordada. Minha risada saiu com um ronco e disparou a toda pelo quarto. Ele não parava e nem meus estímulos para afastar suas mãos de mim me ajudavam. Ele era mais forte que eu e maior, bem maior.

-Para! – Implorei entre uma risada e outra ainda ofegante.

Ele parou abruptamente, com o rosto iluminado pelo sorriso brincalhão. Fazia muito tempo que eu não o via de tal forma. Os cabelos bagunçados – e ainda grandes – caindo pela testa e seus olhos brilhantes olhando para mim. Cinza-prateados e profundamente verdes.

- Bom dia. – Minha cabeça pendeu para um lado enquanto eu o encarava.

Ele continuou a me olhar. Aproximou seu rosto do meu e selou nossos lábios. Eu não parava de sorrir.

- Minha mãe ligou para buscarmos a Jullie? – Indaguei um pouco mais disposta.

Ele acenou em negativo.

- Então por quê? – Indaguei novamente.

Ele deu de ombros, segurando um sorriso com os lábios. Aquele Christian sem palavras já estava me deixando peculiarmente nervosa. Empurrei seu ombro com força. Ele quase não se moveu e então começou a rir.

- Ai, ai. – Ele disse depois de um tempo rindo. – É engraçado ver você falando praticamente sozinha, futura Srª Maddox.

Sorri. – O que ela queria?

- Quer que eu te leve até lá. Disse que vocês tem um compromisso referente a uma Instituição. – Ele falou enquanto se levantava e puxava sua toalha de um gancho próximo à cama. Enrolou-a na cintura e caminhou até o banheiro. – Você vem? – Indagou.

Levantei-me puxando minha toalha e entrando no banheiro. A Instituição provavelmente era referente ao assunto de adoção. Nossa, se passara tempo demais desde quando conversamos sobre isso.

Quando entrei no banheiro ele já estava sob a água. Se lavando com movimentos rápidos e brutos, sua pele estava ficando vermelha pela força que sua mão exercia.

- Venha, princesa. Você está fedendo. – Ele sorriu ao dizer, esfregando o couro cabeludo.

- Porque está tomando banho? – Indaguei enquanto retorcia as sobrancelhas e seguia na sua direção.

- Está me enxotando? – Ele perguntou claramente se esquivando da questão.

Entrei sob a água e molhei todo meu corpo, sentindo como se a água pudesse me purificar. Então os dedos de Christian se apossaram do meu cabelo e ele começou a esfrega-los. Foi quando senti o contraste que sentia no início do nosso relacionamento, há três anos. Não havia apenas amor ardendo em desejo, havia também a amizade fortalecida entre nós. Aquele era o contraste. O agora era o contraste. O contraste era a amizade.

*

Para acompanhar meu futuro marido até a casa da minha mãe – sendo que eu nem imaginava o que realmente ocorreria lá – decidi usar um dos meus vestidos mais leves e confortáveis, mas ainda assim uma peça elegante, para o acaso de ela decidir sair ou convidar mais pessoas. Christian foi no embalo, o que me deixou surpresa e imensamente feliz. Naquele dia optamos pelo conforto de uma família... normal. Daquelas habituais que andam em seus carros não muito caros, de mãos dadas, com os vidros abaixados e ouvindo uma música ao fundo.

Fomos assim, não notei nenhum segurança nos seguindo, ou indo à nossa frente, mas duvidava que Christian fosse capaz de tirar a segurança da nossa cola depois dos acontecimentos na balada e com Nathan. Algo ainda me capturava para aquele acontecimento e algo me agonizava ao ponto de imaginar alguma coisa de muito ruim ocorrendo. Era doentio.

Os vidros estavam abertos e o calor suave do sol esquentava minha nuca desprovida dos fios por estarem amarrados em um nó frouxo. Não fazia aquela amarração há anos. Era perfeito. Como se o tempo tivesse voltado e estivéssemos revivendo tudo.

- Qual o momento mais marcante? – Indaguei repentinamente com as emoções muito a flor da pele.

- Como assim, princesa? – Ele perguntou sem retirar os olhos cobertos por óculos escuros da via.

- Um momento nosso. Seu predileto. – Expliquei, ficando meramente de lado para encara-lo de perfil.

Ele ficava perfeito ao volante. Um braço estendido para apara-lo, realçando seus músculos, os cabelos negros e meramente grandes ao vendo, a boca travada pela concentração que ele exercia ao obter tal ação.

Chegamos à área nobre de residências de Manhattan e o carro foi parando suavemente diante da mansão que meus pais tinham. Eles sabiam o risco que corriam com a exuberância que tal construção arquitetônica trazia, porém gostavam do conforto que aquela casa proporcionava. Por determinados momentos, em ocasiões especiais, paparazzi passavam por ali para fotografar a casa sempre perfeita, imune a defeitos.

Os portões se abriram, provavelmente porque a câmera reconheceu nossos rostos e Christian andou lentamente pelo longo caminho que dava na fonte que ficava no centro e diante do hall principal com um anjo esculpido.

- Você...

- Gosto do dia em que vi você pela primeira vez. De verdade. – Ele respondeu apenas.

Eu enruguei as sobrancelhas.

- Você quer dizer do dia que me arrastou para comprarmos pizza? E que arrastou a Leila para seu apê? – Indaguei, empurrando-o suavemente com o pé.

Ele acenou em negativo, claramente aborrecido com o assunto. Minha testa se enrugou e meu pé se afastou completamente. O carro estacionou suavemente diante das portas duplas e dois seguranças vieram nos receber. Eu fiquei sem respostas. Sem explicações para sua posição indiferente. Fora difícil retoma-lo de tal forma a ser o brincalhão de três anos atrás e o perdi por pouco mais de três palavras. Algum tipo de revelação... um segredo.

E estava lá. Enquanto eu caminhava, meramente desnorteada, ia encaixando pequeninos fatos que me levaram até lá. Até o segredo. Era aquele o motivo do iceberg. Havia o segredo dele, não apenas o meu. Não era apenas meu segredo de um passado humilhante que me perturbava. Era o segredo obscuro que ele escondia há tantos anos também...

Minha mãe surgiu pela porta escancarada, Jullie estava agarrada a sua mão. Rachel, como sempre elegante, estava deslumbrante em um justo, porém apropriado para sua idade, vestido vermelho. Ela acenou com a mão enquanto subíamos os degraus e tentei não demonstrar minha insegurança repentina em relação ao segredo de Christian.

Jullie se soltou dos dedos da minha mãe e correu imediatamente para meus braços. Pegando-me de surpresa, consegui ampara-la a tempo e me desequilibrei momentaneamente.

- Oi, princesinha. – Eu estava sorrindo para ela.

Seus cabelos ruivo-acastanhados estavam ao vento. Os olhos verdes tão belos me encaravam com curiosidade e as grandes bochechas estavam rosadas.

- Eu estava com saudades. – Ela me abraçou pelo pescoço com toda a força que exercia e eu a apertei entre meus braços, recebendo seu carinho.

Entrei pela porta escancarada da minha mãe, recebendo seu beijo em minha testa e me sentando em um dos sofás.

- Olá, Christian, fico feliz que tenha vindo. – Ela o cumprimentou com um beijo em seu rosto e um sorriso nos lábios. Sempre simpática.

- Venha, querida. – Minha mãe me chamou e desviei a atenção de Jullie. – A menina pode ficar...

- Não, mãe. Ela vai conosco. – Interfiri me levantando com Jullie ainda agarrada a mim. Christian se aproximou e passou os dedos por seus cabelos, parecendo um pouquinho enciumado pelo apego de Jullie. Ela sorriu para o pai e retornou a atenção para mim, ainda mencionando como fora o tempo que passou junto com minha mãe.

Jullie me contou que Rachel a levou as compras e que juntas trouxeram muitas coisas para casa. Prometeu me mostrar seus novos brinquedos. Confidenciou-me que brincou no jardim dos fundos e mergulhou – intensificou o uso de boia – junto com meu pai. A cada palavra dita por sua língua que se enrolava meu sorriso aumentava. Ela parecia cética, quase como se realmente fosse filha de Christian. É como dizem, a criação é mais forte que o sangue. Ali estava a prova.

Christian e minha mãe estavam a nossa frente, conversando baixinho e soltando alguns risinhos por comentários da parte oposta. Minha mãe abriu a porta dupla que dava para seu escritório e lá dentro havia vários papéis espalhados pelos cantos, algumas agendas telefônicas e canetas sobre as mesmas.

- Mais jantar beneficente? – Indaguei colocando Jullie ao chão que logo correu para os braços de Christian.

Sentei-me ao chão, tomando alguns papéis entre os dedos e lendo – por cima – o conteúdo.

- Sim. Porém para nossa nova causa. Por isso fiquei animada com a vinda de Christian. Gostaria da sua ajuda. – Ela murmurou, olhando-o de lado com as mãos juntas diante do corpo.

Christian acenou em positivo, ansiando por mais informações concisas.

- E com o que seria? – Indagou ele, se sentando confortavelmente em uma das poltronas.

Tentei não prestar atenção na conversa. Apenas focar nos nomes das crianças a na quantidade de tempo que estavam no orfanato, aguardando a adoção.

- Precisava de um local diferente para oferecer um jantar beneficente. Mas também precisava do apoio da sua família. – Minha mãe respondeu ao questionamento.

Ela nunca se sentia desconfortável em fazer propostas que poderiam receber um não e eu admirava sua coragem.

- E para o que a arrecadação contribuirá? – Ele indagou novamente, ficando cada vez mais interessado, ele também estava tentando desviar da tensão que se criou entre nós.

Minha mãe caminhou pelo carpete do escritório e se sentou ao lado de Christian, em outra poltrona com forro florido. Eu era a única sentada ao chão, tentando desviar a atenção. Eu sabia o que suas palavras diriam a seguir. E gostaria de sair de lá.

- Sei por que recebi o forte apoio de seus pais em uma das minhas causas. Uma das minhas fundações e apoio para a sociedade. Todas as ações que tomo e todas as arrecadações que recebo para alguma fundação são em nome de Ava. Em nome de algo pelo qual ela passa ou passou. Essa ação é revertida na causa de adoção. Não apenas de recém-nascidos, ou bebês. Mas também de crianças que estão aguardando por uma família há alguns anos. – Christian ia acenando em positivo e Jullie estava recostada em seu peito, prestando atenção, como se realmente entendesse. – Sei que esse é um dos únicos meios que minha filha tem para ter continuação de sua vida. E sempre costumo de dizer que...

-... para se ser mãe é preciso amar. – Repeti o que ela já me dissera por muitas vezes, por ironia do destino, falamos a mesma frase, ao mesmo tempo e com as mesmas palavras, no mesmo instante. Então, com isso, a emoção ficou mais evidente no cômodo.

Agora, Christian não só olhava para minha mãe, mas para mim também. Nunca chegamos ao fundo do fato de eu não ter útero e não poder gerar um bebê. Das causas e dos tratamentos pelos quais passei. Meus olhos estavam ardendo e ao fundo minha mãe continuava a contar seus motivos.

Christian ergueu uma mão, ainda me olhando, e interrompeu suas palavras. – Eu aceito. – Ele sussurrou, seus olhos estavam avermelhados ainda me fitando, estávamos nos analisando por dentro também. – Com uma condição.

Enruguei as sobrancelhas e minha mãe ficou claramente inquieta. – Qual seria ela?

- Precisamos ir a um dos orfanatos. Agora mesmo. Sei que tem seus contatos. Preciso visitar um antes, analisar a situação desses órfãos e então aceitarei sua proposta. Com imenso prazer.

*

Imediatamente minha mãe fez seus contatos, não precisou mais que três ligações e já estávamos em um carro com Earl ao comando do volante. Minha mãe estava no banco do passageiro, enquanto outro veículo nos seguia. Jullie estava na cadeirinha, que fiz questão de colocar entre Christian e eu.

Estava ansiosa e imaginando como seria o lugar em que estaríamos dali a alguns minutos. Earl estacionou o carro e aguardou enquanto minha mãe se apresentava para um segurança ao lado do longo portão. Depois de algumas trocas de palavras, o mesmo foi aberto automaticamente e entramos suavemente, passando sobre o cascalho com calma. Aquele era um largo caminho entre um jardim que se confundiria com um parque. Instantaneamente, Jullie esticou o pescoço e começou a olhar com animação para as demais crianças que brincavam entusiasmadas. Eu os olhava de soslaio, notando, somente naquele momento, a grade que os separava da rua improvisada. Diante de algumas aberturas das grades, enxergavam-se portões e uma linha de asfalto com faixas brancas de pedestre. Era seguro e aconchegante. O tipo de lar perfeito para aquelas crianças abandonadas. Era triste pensar de tal forma, porém sentia-me feliz por me guardar tanto tempo e só participar de uma causa agora.

Teria de agradecer ao Christian, mesmo após o clima repentino e triste sobre o que ele fizera por mim me levando até lá. O carro parou em um estacionamento para visitantes. Earl desceu junto a minha mãe, enquanto Christian e eu ficamos para retirar Jullie da cadeirinha. O clima tencionou-se.

- Acho que temos muito que conversar mais tarde, Sr. Maddox. – Murmurei, com a atenção voltada para as amarras que prendiam minha pequena.

Ela estava observando, curiosa enquanto Christian e eu trocávamos pequenas farpas.

- E qual seria esse assunto, futura Srª Maddox? – Ele indagou, impassível.

- Você ainda tem a cara de pau de perguntar? – Indaguei exasperada, livrando Jullie das amarras, enquanto Christian puxava-a para seu colo.

Abri a porta ao meu lado e bati com força atrás de mim, descontando na mesma todo o meu sentimento por ele. Christian e Jullie estavam em uma conversa animada. Earl estava parado ao lado do carro e sorriu para mim quando passei. Minha mãe conversava com uma mulher usando social, provavelmente a coordenadora daquele lugar. Afastei-me dos demais, sentindo minhas sapatilhas esmagando o chão sob meus pés. Olhei pelas divisórias da grade para todas as crianças lá dentro.

Muitas pessoas dizem que ao ir a um orfanato, você sempre é escolhida, você nunca escolhe uma criança. Então, olhei para cada uma com os mesmos olhos de admiração, sabendo que eu seria capaz de fazer algo por um deles. Por qualquer um deles que me escolhesse. Um sinal soou ao longe, e parecendo um ensaio de anos a fio, todas as crianças correram na mesma direção. Seus gritos cortavam o ar, enquanto o sol iluminava-os, deixando-os mais belos que o normal. Eles entraram pela lateral do edifício principal, deixando os brinquedos para trás.

- Querida? – Virei-me ao som da voz da minha mãe, ela estava sorrindo para a minha reação. – Venha. Vamos entrar e conhecer.

Ela caminhou pelo cascalho com Christian ao seu lado, à medida que Jullie ainda ria em seu colo. A mulher que usava social indicava o local a entrar e abria a pesada porta de madeira.

Algo me impediu de segui-los. Minha mãe entrou junto à mulher de social e quando me dei conta, estava atravessando o portão que separava as crianças da estrada. Eu estava ouvindo um choro. Agonizante. Desesperado. Então caminhei até o som. Mal notando os passos que me seguiam. Ou notando e ignorando-os. Não queria ver Christian atrás de mim. Ele provavelmente também escutara o som.

Abaixei-me diante do que vi. Era um menino com aproximadamente cinco anos. Ele estava agachado, as mãos cobrindo o rosto, o cabelo louro escorrendo pela testa. Estava escondido atrás de uma casa de plástico e aos seus pés estava uma bola murcha.

- Oi. – Falei com cuidado, analisando-o.

- E aí, cara. – Christian falou, também se abaixando.

Jullie apenas o observava. – Porque ele está chorando?

O menino ficou em silêncio pela aproximação. Separou os dedos que cobriam um olho e encarou Christian. Mesmo com os olhos escondidos, era possível ver o quão límpidos eram. Lembravam-me os olhos de Cary. Azuis fortes e formidáveis. Carinhosos e precisos. Ele era lindo. A pele bem branca, o cabelo louro claro e os perfeitos olhos azuis.

- Minha bola. – Ele murmurou, tentando segurar o choro.

- Não tem outra? – Jullie indagou, avaliando-o.

Ele acenou em negativo.

- Nem lá dentro, amigão? – Christian indagou, tocando seu ombro com seus longos dedos.

Só então o menino deixou de cobrir o rosto. Os olhos azuis vivos encararam Christian e pareceram brilhar. O rosto estava vermelho e os cabelos bagunçados, contudo ele continuava com sua beleza evidente. Ele me olhou de soslaio e voltou a encarar Christian novamente. Ele havia nos escolhido. Foi o que senti com seu olhar. Quando eu voltasse para casa, não me esqueceria de seus olhos.

- Qual seu nome? – Ele perguntou para Jullie que sorriu.

- É Jullie. – Ela estava animada, provavelmente por ser um novo amigo. – E o seu?

- Brad. – Ele sussurrou encarando a mim e Christian.

- Eu sou Christian. – O mesmo se apresentou tocando seu peito, depois, com a outra mão, tocou meu ombro. – E essa é Ava.

- Que nome lindo. – Brad murmurou, olhando-me.

- Bom, Brad. – Recuperei a voz. – Que tal nós irmos lá para dentro e amanhã nós voltamos com uma bola novinha para você? – Eu estava sorrindo e o sorriso em seu rosto se tornou evidente e enorme. Angelical e inocente, e compreendi que a resposta seria sim.

Ele se levantou e pegou Jullie pela mão, caminhando pelo gramado com cuidado e entrando pela porta lateral do edifício. Eu estava petrificada. Ele não só me conquistara como conseguira a amizade da minha filha. Aquilo era demais para o meu coração. Suspirei.

- Você está sorrindo. – Chritian observou. Sentia seus olhos me queimando, mas não queria encara-lo diretamente. – Está bem. – Ele suspirou, e olhei-o de canto. – Tenho muito que contar para você. Deus, como pude pensar que conseguiria...

- Esconder de mim? – Indaguei, me sentando na grama e notando que havíamos fugido das obrigações.

Ele acenou em positivo e também se sentou na grama diante de mim, as pernas esticadas diante do corpo, enquanto se apoiava com os pulsos atrás das costas.

- Você já pode começar. – Incentivei, avaliando-o.

Ele ficou quieto e senti a insegurança emanar de seus poros...

- Eu... não sei se... posso. – Ele iniciou, os olhos meramente marejados.

- Chris? – Chamei, me aproximando e encarando seus olhos, sentindo seu desespero. – Você pode me contar qualquer coisa, amor. – Animei-o.

Passei minhas mãos pelo seu rosto, sentindo sua pele quente sob a palma da minha mão. Ele fechou os olhos e inspirou fundo.

- Passei muito tempo da minha vida como um rebelde. Não sei quando começou, porém me sentia como se precisasse de algo. Como se faltasse algo, de verdade. Então eu me alistei em qualquer coisa que envolvesse violência. Eu praticava... e pratico todo tipo de luta ao meu alcance. – Seus ombros iam caindo a cada palavra que ele falava, e meu coração ia recebendo-o com cada vez mais intensidade. Eu estava acenando em positivo, não me importando que ele não tivesse me contado. – Não vou contar para você o porquê da minha viagem. Você sabe, aí no fundo do seu coração, onde vai encontrar as respostas, princesa. – Ele sussurrou.

- Termine. – Pedi. Sentei-me ao seu lado, me apoiando em seu peito e com uma das mãos em seu rosto.

- Meu pai conseguiu me tirar disso tudo. Minhas antigas amizades se foram e nos mudamos de cidade. Foi quando decidi morar com Elliot... não queria a família Maddox no meu pé. Não queria mais sermões. Um dia, minha mãe conversou comigo e eu realmente consegui me abrir com ela. Suas palavras foram puras e sensatas: “Lute por aquilo que mereça sua luta. Não faça por você, faça por quem te mereça. E quando você notar que ela é boa demais para você, é porque realmente é e porque ela merece ser sua”.

“Quando ela me contou isso, foi como a frase entrando por um ouvido e saindo por outro. Pouco me importei, não queria mais perder nada da forma que perdi minha antiga vida. As únicas mulheres com quem eu me preocupava era ela e minha irmã. E isso durou por muito tempo. Eu ficava com várias para não me lembrar do que ela me dissera. Comecei a lutar e juntar meu dinheiro para distrair minha mente. Mas tudo isso foi por água a baixo quando fui convidado a trabalhar pelo Sr. Steele. Eu seria um segurança, mas a pessoa de quem eu cuidaria não me conheceria. Eu seria o principal responsável se algo ocorresse com ela. Ela seria minha responsabilidade. Eu aceitei, não porque queria ganhar dinheiro. Mas porque minha mãe disse para lutar. E vi a oportunidade ali. E era você. Era de você que eu cuidava. Você nunca me viu dentre os outros seguranças, nem nunca soube que me apaixonei por você bem antes de você me conhecer. Também nunca soube que quando chegava chateada a sua casa, eu estava ouvindo-a. Era meu dever. Obrigação. Eu estava cumprindo com minha palavra. Com a suposição que minha mãe fez. Comecei a ficar louco, me achando sem noção por estar louco por alguém que nem sabia da minha existência. Ninguém precisava saber. Eu via você dormindo, cuidava do seu café da manhã com as cozinheiras. Sabia com quem você saia, sabia para onde saia. Não fui demitido. Eu pedi demissão. Não porque queria distância de você, mas porque eu queria você ainda mais do que já tinha e sabia que nunca seria bom o suficiente para você. Eu sempre soube do que escondia de mim. Não de tudo. Mas de que havia sido estuprada. Sabia quem era ele e conhecia seu rosto.”

“Meu pai soube o porquê de eu estar trabalhando, porém não me parabenizou, ou muito menos lamuriou por eu sair. Eu estava firme na minha antiga vida, esquecendo você aos poucos, sabendo que era insano pensar em você todo momento antes de dormir. Aí, a Kate resolveu ir morar conosco. Nunca liguei vocês duas, ela ia muito até sua casa, contudo nunca consegui olhar para ela, porque não podia despregar os olhos de você e nunca faria isso. Então, eu ouvi sua voz. Meu coração palpitou no peito. Minhas mãos tremeram e fui até o quarto para saber se realmente era você... e você estava lá. Linda, como sempre fora e como sempre vai ser. Estava ao meu alcance e eu podia tocar você. Podia sentir seu cheiro, ao mesmo tempo em que você sentiria o meu. Eu não comecei a gostar de você... porque eu já era completamente apaixonado. Só faltava você se apaixonar e quando você caiu em meus braços chorando pela primeira vez, soube que faria de tudo por você. Eu lutaria. Por você, não por mim. Porque é você a merecedora das minhas lutas. Você é a garota que minha mãe falou para eu esperar. E eu esperei. Uma eternidade.”

“Quando nos aproximamos, enxerguei que você era boa demais para mim. E que faria de tudo para ser minha... porém estava sendo injusto. Sabia que não era o suficiente para você. Por isso as coisas demoraram a acontecer. Eu queria sua atitude. Queria que você me mostrasse que me queria. Queria ver seus lábios se movendo para dizer que me amava. Eu sofri quando me afastei, sofri quando queria e não podia. Sofri na tentativa inútil de te esquecer, mas já era tarde demais. Eu já pertencia a você. Você já era meu motivo de continuar. Ou de me tornar um homem melhor. Então, é por isso que meu momento preferido é quando te vi pela primeira vez. Porque foi a primeira vez que só eu a vi. Não que nos vimos. Quando vi seus olhos verdes e grandes. Seus cabelos pretos belos, sua pele branca. Lábios vermelhos e risonhos para o Earl. Esse é meu momento preferido, porque, aceitando ou não, foi quando tudo começou.”

Ai. Meu. Deus.

- Porque escondeu isso de mim? – Indaguei em um sussurro, encarando seus olhos e suas rugas de preocupação.

Passei meus dedos por elas, suavizando-as. Ele estava inseguro. Estivera por todo aquele tempo... segurando a maior e melhor declaração que já recebera.

- Estou perdoado? – Ele perguntou, com um pequeno sorriso aumentando em seus lábios. – Ou ainda está brava comigo?

- Eu nunca fico brava com você, seu bobo. Nada em você me deixa com raiva... você é perfeito. E eu te amo pra cacete! – Eu estava rindo entre as lágrimas e o beijei nos lábios.

O sol nos atravessava enquanto ele me pegava em seus braços e pressionava seus lábios nos meus. Suas mãos me apertando, seu sorriso me inundando e meu coração palpitado por cada palavra que ele dissera. Esse é meu momento preferido, porque, aceitando ou não, foi quando tudo começou.

Notas finais
E aíííí? Gostaram? Me contem tudo!!! Nos vemos em breve. Assisti "Invasão à Casa Branca". Um dos capítulos será inspirado no filme! Aguardem! ;)