Apenas Meu.

48 II Porta dos Segredos


Notas iniciais
Oi, gente!!! Depois de muito tempo cá está eu. Como todos notaram o site teve alguns probleminhas e estou bem adiantada com a história. Nesse capítulo descobertas são feitas, ok? Foi difícil escolher a música, mas senti que essa se encaixou perfeitamente. Eu assisti Em Chamas na estréia (aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, estou surtando ainda com aquele filme maravilhoso!!!!) e vocês? *-*

And when our hearts meet I know you see. I do not want to be afraid, I do not want to die inside just to breathe in.
E quando nossos corações se encontram eu sei que você vê .
Eu não quero ter medo, eu não quero morrer por dentro só para respirar. (Cut Plumb).

Na ida ao orfanato, Christian notou alguns pequenos defeitos, porém ele ajudaria a concertar. Ele também investiria naquela causa e enquanto voltávamos para a casa da minha mãe, nada poderia deixa-la mais feliz. Ambos estavam conversando, enquanto se fitavam pelo retrovisor central. Um sorriso iluminava o rosto de ambos e tínhamos um pequeno compromisso amanhã, teríamos de visitar o orfanato novamente para levar uma bola para Brad. Sorri me lembrando da promessa e de como o mesmo se enturmou muito bem com Jullie.

Em alguns pontos do caminho, ela comentava sobre o que ambos fizeram e conversaram. Chegamos rapidamente à casa da minha mãe, a tarde já estava nos abandonando, dando lugar ao quase anoitecer.

Christian, Jullie e eu nos despedimos de minha mãe e tomamos o rumo da nossa casa com nosso próprio carro. Enquanto víamos o sol se pôr uma música nova com um toque antiquado preenchia o ar. A brisa estava fresca, todos os vidros do veículo estavam abaixados, a mesma abanava meus fios. Imaginei que Christian tomaria o rumo e o caminho para a área residencial. Porém seus dedos nos guiaram para um lugar diferente. Uma loja de esportes. Meu rosto se repuxou em um sorriso.

– Estamos aqui para comprar a bola do Brad? — Jullie indagou.

Christian a fitou pelo espelho retrovisor central e acenou em positivo. Ela bateu palminhas e notei que havia gostado do garoto. Assim como Christian. Assim como eu.

Descemos quando Christian estacionou o veículo no estacionamento. As pessoas o reconheciam, percebi aquilo pela primeira vez. Jullie desceu do veículo e encaixou sua mãozinha na minha. Christian se abaixou, ainda de óculos escuros, e puxou Jullie com extremo cuidado e agilidade, depois passou seu braço pelos meus ombros e entramos na loja de esportes. Ele pegou um carrinho.

– Porque isso tudo? — Indaguei, encarando enquanto ele empurrava o mesmo.

– Brad não é o único que precisa de brinquedos. — Ele comentou.

Meu coração amoleceu, tentei não deixar meu queixo cair, porém fora difícil dada a sua atitude repentina.

– Isso! — Jullie comemorou enquanto Christian colocava-a dentro do carrinho. — Eu também preciso.

Christian e eu rimos com sua atitude animada.

– Sim, meu amorzinho. Mas as crianças do orfanato precisam mais. Você vai ajudar o papai? — Ele indagou, enquanto empurrava o carrinho à medida que Jullie se segurava e eu os seguia; ainda petrificada.

– É claro, papai. — Ela acenou em positivo.

Passamos horas escolhendo muitos brinquedos esportivos. Daqueles que as crianças podiam brincar ao ar livre. Bolas de vários jogos diferentes. Patins para meninos e meninas. Cordas. Skates e patinetes. Chegamos a encontrar uma área com jogos de memória e afins. Pegamos mais algumas porções.

Seguimos até o caixa com o carrinho lotado, Jullie saíra de lá para que as compras coubessem e começou a caminhar lentamente ao nosso lado. Me abaixei e peguei-a no colo, ela apoiou sua cabeça em meu ombro.

– Pode dormir, princesinha. — Incentivei, enquanto ela acenava em positivo.

Não ouvi o valor total da compra, porém o vendedor que nos atendeu parecia claramente feliz pela provável comissão que ganharia com aquela grande compra. Alguns outros funcionários ajudaram Christian a levar tudo até o carro. Minha petrificação permanecia por sua atitude. Seus músculos realçados por estar transportando aquelas sacolas pesadas.

Continuei assim quando ele agradeceu aos homens e permaneci em silêncio até quando chegamos a casa e os seguranças descarregaram o carro enquanto entrávamos na sala. As luzes estavam apagadas.

Christian subiu as escadas, ainda não olhando na minha direção. Fiz as tarefas noturnas básicas, aquele fora um longo domingo. Coloquei Jullie na cama e corri para o quarto, pronta para tomar banho e dormir.

Algo me chamou a atenção pelo canto do olho. Eu estava cansada demais, muitas coisas aconteceram depois da noite em que fiquei fitando aquela porta trancada. Porém, naquela noite ela estava entreaberta. Agora, porque eu estava tão preocupada e em alerta com aquilo, era um completo mistério.

Repentinamente minhas pernas me levaram até a mesma. Apertei o interruptor e meu queixo se derrubou. Não soube e nunca entenderia aquela reação. Nunca conseguiria identificar se fora por surpresa, ou por reconhecer o que ele tanto queria dizer com: você sabe onde a resposta está.

Ela estava e esteve tão próxima. Por isso a porta estivera trancada por tanto tempo. Ela estava tão perto de mim. Bati a porta atrás do meu corpo, porque eu sabia que ele tinha a consciência de que eu estava lá, prestes e descobri-lo.

As paredes eram no tom de gelo e havia apenas uma fotografia pendurada. O rosto de Corinne me fitava com um sorriso que esticava toda sua face. Seus olhos pareciam me seguir, não importava qual direção tomasse. Comecei a vagar pelo quarto.

Havia caixas espalhadas pelo chão e meu corpo me levou até elas. Destampei uma delas e comecei a ver os conteúdos. Um elástico amarrava um grande bolo de envelopes. Ergui-os e vi uma caligrafia feminina e delicada na mesma.

Aos dez anos. Aos quinze anos. No dia do primeiro beijo. Aos dezoito anos. Quando perder a virgindade. Quando começar a namorar. Quando terminar um namoro. Quando souber a verdade. Quando se formar. Quando entrar na faculdade. Quando descobrir seus amigos verdadeiros. Quando se casar. Quando estiver com medo. Quando estiver com raiva. Quando brigar com Ava. Quando você contar sobre minhas mentiras. Quando você contar que tive câncer, e que soube desde o início.

Eram muitos quando. E me arrepiei ao ler cada um dos títulos. Eu não precisava abrir os envelopes para saber que lá dentro continham cartas. Cartas para Jullie em cada uma das suas fases. Fases em que a mãe biológica deveria estar junto.

O título da última carta mexeu com meu interior. Várias coisas estavam explicadas. Por isso eu era madrinha, para que eu me aproximasse antes da sua morte lenta, para que Jullie já me enxergasse com um tipo de refúgio.

Guardei as cartas, sabendo que estava invadindo algo que não era para o meu parecer.

Deixei a caixa de lado e puxei outra, naquele momento já estava sentada ao chão. Puxei o conteúdo daquela caixa e me amoleci. Nossas fotos juntos; não apenas as que eu conhecia, mas as que eu também mal sabia da existência. Tempos antes de sequer pensar em ir para Manhattan. Fotos de eu dormindo, fotos de eu tomando café, fotos de eu assistindo TV e uma foto de mim com Earl. Então fora ele que tirara. Um flash do momento se passou em minha mente. Era alguma data especial, com os sentimentos a todo o vapor não consegui me lembrar, porém Earl abanou a mão para o aglomerado de seguranças, todos os outros empurraram apenas um enquanto Earl e eu nos arrumávamos, e repentinamente o flash explodiu em nosso rosto, guardando a fotografia.

Limpei as lágrimas repentinas e respirei fundo para a próxima caixa. Eu não lia o que havia escrito por fora, pois não queria ter qualquer motivo para desistir de revirar as mesmas. Mexi no conteúdo, e puxei as milhares de folhas. Passei os olhos rapidamente, lendo anotações com as letras ostensivas de Christian nas laterais de algumas frases do documento. No fundo da caixa havia uma caixa um pouco menor e tinha muitas fotos, porém não as puxei, porque reconheci Mia e a mim em posições e situações humilhantes e desagradáveis. Não queria ver a investigação do meu estuprador e de seu pai, que deixou todas as fotos por ameaça àquelas que estupravam, inclusive Mia. Deixei aquela caixa de lado. Puxei a outra caixa ao lado... sua viagem se mostrou diante de mim.

Havia fotos também e papéis com anotações. Números e mais números... e uma camisa. Me interessei mais pela mesma, pois reconhecia o tecido refinado que a corria. Era de Christian. As mangas tinham sangue. Muito sangue. Como se ele tivesse sangrado... ou como se tivesse feito alguém sangrar.

Na tampa da caixa lia-se LAS VEGAS e vi as fotos do homem do bar, o mesmo que tentara pegar Jullie. Encontrei mais fotos, dessa vez de meninas pouco mais velhas que Jullie, algumas adolescentes e coisas que o ligavam a Nathan e seu pai. Havia CDs e... estava explicado. Repentinamente todas as respostas estavam diante de mim.

Ele fora até Las Vegas para investigar o homem, chamado Bob. Voltou perturbado, porque descobriu que ele tinha uma casa de prostituição com crianças e mulheres mais velhas. Uma casa de prostituição de mulheres que queriam estar lá e de outras que eram forçadas a tal situação. Nathan, em alguns relatos impressos, estava oferecendo três garotas para pagar uma antiga dívida. O homem, Bob, pediu coordenadas e Nathan acabou me mostrando. O homem respondeu que pegaria as duas. A minha tentativa de sequestro se mostrou diante de mim. Christian fora até lá para resolver os problemas. Os meus problemas. Outro nome conhecido me chamou a atenção. Mia. Bob estava claramente interessado na mesma.

Guardei tudo, compreendendo que havia informação demais. E chorei. Chorei porque não encontrei nada de melhor para fazer. Me agonizei e tossi entre o choro. Não escutei quando ele entrou. Mas corri até seus braços e abracei-o com as pernas e os braços. Ele se recostou na porta trancada e desceu até o chão. Automaticamente eu estava sentada em seu colo, minhas lágrimas rolavam do meu rosto para o meu ombro.

– Você o matou? — Indaguei com a voz embargada, o choro ainda presente no meu corpo. O cansaço e o medo me consumindo ao mesmo tempo.

– Não. — Respondeu apenas, seu aperto se tornou mais firme. — Porém... matei todos os seus homens. Não estou naquela empresa somente para tomar o lugar do meu pai. Estou por investigação. Sou um agente especial dessa área investigativa.

– Tipo FBI. — Sussurrei.

– Tipo FBI. — Ele respondeu, seus ombros tremeram por um riso nervoso.

– Eu te amo ainda mais. — Sussurrei contra seu ouvido.

Meu choro estava mais calmo. Não por estar com uma cicatriz formada no lugar do que acabara de ler, mas por estar entre seus braços. E porque ele me passava certa segurança.

– Amor. — Ele me chamou e pegou meu rosto entre suas mãos. Uma lágrima minha pingou contra seu rosto e a limpei com um dedo. — Não quero que fique assustada. Mas estamos em alerta. Reforçamos a segurança, mas estamos assustados. Eu estou jurado.

Se meu choro estava brando até aquele momento, se tornou arrebatador, desesperador. Passamos quase a noite inteira daquele jeito. Nos braços um do outro. Perdidos em suas próprias memórias e acontecimentos. E enclausurados em medos compartilhados.

Notas finais
E aí? O que acharam? Alguém imaginou que tudo estaria guardado lá? Me contem o que acharam e se viu Em Chamas, me conte também!!!! Beijinhos e até o próximo! *-* Ahhhhhhhhhhhh, quase me esqueci! Só eu fiquei apaixonado pelo ensaio dos atores de Ana e Chris. Como Dakota conseguiu ficar a cara da Ana, gente? Tá incrível, tô ainda mais ansiosa!