Apenas Meu.

53 II - Beijada.


Notas iniciais
Eu tenho tanta coisa pra falar, gente ): Que já tô chorando. Vamos começar. Eu quero e preciso que vocês leiam com a música! Coloca pra repetir e manda bala. Certos momentos do capítulo foram meio que construídos com base no clipe, então é bem importante. Aí, quando vi a tradução, ela se encaixa perfeitamente com os acontecimentos. No cap anterior eu postei o link de A Cura do Erro, minha nova fanfic, obrigada à quem já está me acompanhando! Tenho uma notícia ruim... Esse é o último capítulo, o próximo já vai ser o epílogo e é por isso que tô toda tristinha. Eu jurava que conseguiria escrever mais alguns capítulos, mas hoje entendi que já tá no fim, que o que tinha pra acontecer, já aconteceu e que é hora de dar tchau pra vcs amores ): Bom, aí vai o cap. Ah, tenho uma notícia boa, mas não posso contar por enquanto ;)

Your love is bright as ever, even in the shadows. Baby, kiss me before they turn the lights out. Your heart is glowing and I’m crashing into you.
Seu amor está brilhando como sempre, mesmo nas sombras. Amor, me beije antes que apaguem as luzes. Seu coração está brilhando e eu estou colidindo em você. (XO – Beyoncé).

Estava frio do lado de fora. Christian não quis pegar o carro, pois era início da noite e o restaurante em que iríamos ficava na esquina do hospital em que eu estava internada.

Saímos do interior do mesmo sem que ninguém nos indagasse qualquer coisa. A enfermeira com a doce voz permitiu minha saída. Dizendo que eu já estava suficientemente melhor para um passeio e que também o merecia depois de tanto esforço.

Christian estava empurrando a cadeira de rodas pela saída dos fundos do hospital, pois a entrada principal estava repleta de paparazzi. Não queríamos nos deparar com eles. A cadeira chacoalhava por conta do chão íngreme, enquanto eu sorria com felicidade.

Emergimos pela lateral do hospital, dei uma espiada por cima do ombro e vi todos os fotógrafos sentados na calçada, conversando uns com os outros. As pessoas que passavam ao nosso lado tentavam disfarçar a curiosidade, mas se perdiam quando reconheciam Christian e, instantaneamente, desferiam o olhar para mim, avaliando-me.

Provavelmente para ver, com os próprios olhos, o estrago que a invasão causara em mim.

Quando chegamos à avenida principal, as belas luzes da cidade se acenderam em torno de mim. As mesmas deixavam minha calça cinza colorida. Dei risada. Christian já tinha notado que eu deveria estar dopada, pois ria de tudo e fazia comentários inadequados em momentos inapropriados.

Dobramos a seguinte esquina e Christian subiu pela rampa da calçada. A recepcionista do restaurante abriu a porta para que passássemos. Mas Christian se interrompeu abruptamente.

– Vocês não tem rampa? – Perguntou assustado.

Mesmo sem olhar para trás poderia saber que estava com os olhos arregalados. Eu estava olhando adiante, não queria encarar a mulher acima de nós. Principalmente porque todos sabiam o que aconteceu com a grande Empresa de Christian, e também porque todos o conheciam.

– Sinto muito, senhor. Isso ainda está em nossos planos. Geralmente os clientes carregam a cadeira para dentro, junto com nossos funcionários. – A mulher vociferou as palavras com pressa, sua voz estava em um tom de desculpas.

– Não ligue para ele. – Chacoalhei a cabeça em negativa. – Qualquer coisa o deixa bravo. – Sorri, tentando apaziguar a situação.

A mulher loira pareceu ficar mais segura e menos amedrontada. O sorriso dominou seu rosto. Talvez ela estivesse rindo de mim. Que engraçado.

Christian respirou fundo, claramente zangado. Sua mão estava no apoio da cadeira, bem próxima a mim, podia senti-a roçar em meu ombro. Me estiquei o suficiente para agarrá-la com meus dedos finos.

– Podemos ir a outro restaurante, Chris. – Ofereci com um sorriso.

Ele acenou em negativo. – Vamos nesse. Não podemos nos afastar do hospital.

Quanta preocupação...

Antes que pudesse terminar meu raciocínio, os braços de Christian me agarraram. Soltei um gritinho de espanto. Senti seu braço direito sob minhas pernas e o oposto nas costas. Ele me ergueu com facilidade, como se meu peso fosse simultâneo ao de uma pena. Passei meus braços em torno de seu pescoço. E repentinamente, com aquela imagem, todos estavam olhando para nós. A recepcionista estava suspirando. Um sorriso doce dominava seu rosto.

Ela chacoalhou a mão e um funcionário surgiu em questão de segundos. Ele fechou a cadeira de rodas e seguiu a recepcionista, assim como Christian que me carregava em seus musculosos braços. Não queria ver tantos rostos me encarando, afundei meu rosto na curva do seu pescoço, sentindo seu cheiro.

– Quer escolher a mesa? – Indagou ele ao pé do meu ouvido, depois beijou meus cabelos. Sua voz estava com uma pontinha de sorriso.

Afastei minha cabeça o suficiente para espiar seus olhos. Os mesmos verdes prateados me fitavam. Acenei em negativo.

– Faça as escolhas pelo resto da noite. – Dei de ombros.

Christian passou entre as mesas. As pessoas sorriam na nossa direção e se afastavam o suficiente para nos dar licença. Christian escolheu uma mesa mais reservada, o que significava que tínhamos de passar por todas as mesas. Com todos aqueles olhares. Com todos aqueles casais nos fitando. Com todas as crianças sorrindo alegremente.

Christian me sentou na cadeira do restaurando, diante da mesma. Mesmo com pouca força nas pernas, consegui coloca-las no chão sem muita dificuldade.

O funcionário colocou minha cadeira na área das pessoas que ali trabalhavam, Christian sentou-se diante de mim e depois a recepcionista nos passou os cardápios, se retirando em seguida.

– Não quero escolher. – Falei, espiando-o por cima do cardápio.

Seus olhos se ergueram, e assim que me atingiram, um fervor de amor perpassou por todo o meu corpo.

– Vou pegar alguma massa. Sua preferida. – Ele deu uma piscadela, um sorriso escondido nos lábios avermelhados.

– Como você sabe meu prato preferido? – Indaguei, apoiando a mão no punho cerrado.

– Tantos anos de convivência resultam nisso. – Ele deu de ombros.

Passei a admirar seu rosto. A barba por fazer deixava-o sexy. As bolsas sob seus olhos haviam desaparecido. E os cabelos longos estavam arrumados, mal dando a impressão de descuido. Enquanto eu estava tão magra quanto um palito de dentes. As roupas horrorosas, porém confortáveis. Os cabelos estavam grandes e a raiz natural mostrando-se no topo da minha cabeça. Os pontos lisos estavam despenteados, e as mechas onduladas estavam desgovernadas.

Ele ergueu uma mão, sem notar que eu o olhava com entusiasmo. Assim que o garçom chegou ao seu lado, saudando-o, ele passou a fazer os pedidos, sem querer saber se o garçom estava entendendo e acompanhando. O mesmo se retirou, e Christian agradeceu.

Só então notou que eu o olhava o tempo todo.

– Estava admirando esse tempo todo, princesa? – Indagou, olhando-me com um enorme sorriso.

Acenei em positivo bem lentamente. – Pelo menos um de nós está impecável. – Dei de ombros.

– Estou em cacos. Ao menos internamente. – Ele deu de ombros.

Apoiou os cotovelos na mesa, abandonando as regras de etiquetas. Sorri. Segurou o queixo com o punho cerrado e me olhou. Não me viu. Me olhou. Enxergou bem por dentro de mim. Olhando profundamente em meus olhos e me passando todo o desespero abandonado. Só porque eu abri os olhos.

Meus olhos se encheram de lágrimas e me levantei da cadeira. Talvez o efeito dos remédios houvesse me abandonado. Mas, eu só queria abraçar ele. Contê-lo dentre meus braços e sentir seus músculos me pressionarem contra seu corpo. Aquele seria o remédio perfeito. Eu queria comer, sim. Estava morta de fome. Mas, só de olhar para ele, eu conseguia me esquecer de tudo. Não existia ninguém a nossa volta. Para mim, não estávamos em um restaurante lotado de pessoas que pudessem ver o que fiz a seguir.

Consegui me apoiar em minhas pernas. Ele pareceu tão extasiado... arrastou a cadeira para trás, chamando a atenção de todos por conta do som de madeira contra o piso. E me joguei em seu colo, com as pernas penduradas de um lado, agarrando seu pescoço e sentindo seu cheiro.

Dizem que quando abraçamos alguém de olhos fechados, é porque a amamos. Naquele instante eu estava praticamente cega...

Continuamos naquela posição até o garçom retornar com os pedidos. Exatamente o meu preferido. Sorri e ele me apertou com mais suavidade, porém a pressão era firme.

*

Quando terminamos de comer, Christian passeou comigo por Manhattan. Ele empurrava a cadeira com insistência, mesmo depois de eu insistir que podia andar com minhas próprias pernas. Para provar e por teimosia, eu estava com as mesmas para cima e o queixo apoiado no encontro dos joelhos.

Eu amava Manhattan e amava ainda mais ter a oportunidade de passear pela cidade. As luzes para clarear a noite estavam acesas. Elas não eram de apenas uma cor. Eram de várias. Misturando-se e trazendo-nos colorações distintas. Elas piscavam nos altos dos prédios, em letreiros e iluminavam as calçadas.

A noite estava avançando e seguindo seu curso. Eu estava completamente satisfeita com a comida. Não sabia para onde Christian queria ir. Ou o que queria fazer.

Ele dobrou uma esquina e avistei um carro preto estacionado no meio fio. Ele avançou na direção do mesmo. Antes que chegasse ao lado do veículo, a porta do motorista se abriu e Taylor surgiu. Ele estava sorrindo. Não para Christian, mas para mim.

Estava com uma sacola preta em mãos e caminhou na nossa direção.

– Obrigado, Taylor. – Disse Christian, aliviado.

Eu estava intrigada, olhando para cima, na direção de ambos.

– Fico feliz que esteja recuperada, futura Sra. Maddox. – Taylor brincou com uma piscadela.

Eu dei risada. – Obrigada, Taylor. Ainda vou te pagar um sorvete por isso. Pode me cobrar.

Christian riu do que eu disse e Taylor tocou no quepe que usava, depois retornou para o carro, deu partida e foi embora.

Eu levantei da cadeira e me virei para Christian.

– Ava... – Disse em tom autoritário.

Dei de ombros. – Eu consigo ficar em pé. Consigo até dançar. Você quer ver?

– Não. Não hoje. Nem aqui. Ou agora. – Ele ergueu os olhos da sacola. – Quem sabe no nosso quarto? Com você usando apenas suas roupas íntimas? – Ele propôs e ergueu uma sobrancelha.

Ele sabia como me fazer ficar quieta. Sorri, enrubescida.

– Acho que toda mulher sonha em ver um homem ajoelhado aos seus pés. – Ele continuou. – No sentido romântico, antes que faça alguma piadinha. – Ele estava sorrindo, os olhos estavam brilhando. Os resquícios das luzes coloridas o iluminavam por trás. Os cabelos estavam desalinhados, desgovernados pela suave brisa noturna. – Então, você merece isso. E quero fazer isso.

Repentinamente, Christian estava de joelhos. Fiquei sem reação. Estática. Observando-o, sem entender aonde chegaríamos. Ele puxou uma caixinha de veludo de dentro da sacola. E entendi. Mas... não compreendi. Ele já havia feito o pedido. Vestiu-me de branco e fez uma bela festa de noivado. Para mim havia sido o suficiente.

– Ava Tramell, você aceita se casar comigo? Criar nossos filhos juntos? Aceita ter um futuro comigo? Ao meu lado? – Ele indagou, olhando-me de baixo.

Meus lábios estavam semiabertos. Eu estava confusa, mas me ajoelhei diante dele. Sabendo que aquilo era ainda melhor que o pedido diante de todos. A intimidade. O olhar sincero, as mãos erguidas com uma bela aliança dourada, uma pedra vermelha sobre ela. Olhei mais de perto e vi o formato de um coração.

– Para combinar com os dizeres da corrente. – Explicou ele. Deu de ombros e movimentou a cabeça na direção da mesma no meu pescoço.

– Você salvou meu coração. – Sussurrei, sem precisar olhar para a corrente.

– Você tem o meu coração. – Ele disse, apontando na direção do seu peito. – E aqui está ele. Para ficar sempre com você. O mais perto possível.

Ele tomou minha mão na sua trêmula. Retirou o anel da caixinha e deixou-a de lado. Depois, deslizou o pequeno círculo em torno do meu dedo fino. Perfeito.

E por fim, ele me abraçou e me beijou. E só então pude ver o quanto senti falta de seus lábios. Sobre os meus. Pressionado e espalhando seu calor por mim. Estávamos de joelhos no meio de uma rua movimentada. Beijando-nos sob as luzes de Manhattan. Com a fresca brisa adornando nossos corpos. O beijo era mais quente que um dia de verão. Mais quente que brasa. Sua língua era doce, o gosto da comida estava entre nós. E nosso sentimentalismo estava renascendo nas ações. Ele me abraçou mais forte. Contra ele. E continuou a me beijar. Como se não houvesse amanhã. Como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se enfim estivéssemos em paz.

Notas finais
O que vocês acharam? Quero todo mundo comentando, ein!!!!!!!!!! Até o próximo capítulo, minhas leitoras lindas