Apenas Meu.
54 Epílogo.
Notas iniciais
I'm calling out, can you hear my voice? I'm gonna find you through all the noise. You know there's nothing that I wouldn't do, shine your light as I reach for you.
Eu estou te chamando, você pode ouvir minha voz? Vou te encontrar através de todo o barulho. Você sabe que não há nada que eu não faria, então faça sua luz brilhar para que eu te alcance. (My Heart Beats for Love – Miley Cyrus).
– Eu tenho certeza absoluta. – Dei de ombros, olhando o cabeleireiro pelo reflexo do espelho. Ele me encarava em retorno, fitando meus olhos verdes.
Estava usando aquelas peças de roupas grandes por sobre a minha roupa atual. Ainda estava sem maquiagem e mais ansiosa do que nunca. Havia se passado cinco meses após o dia em que Christian me pediu, divinamente, em casamento. Ele também deveria estar ansioso, com todos aqueles homens lhe dizendo o que fazer. Eu, a noiva, não sabia nem onde a cerimônia ocorreria.
Christian fechou um salão de beleza para mim, Jullie, as madrinhas e nossas mães. As atrações especiais e essenciais da cerimônia. Minha barriga estava cheia de borboletas voando, ansiosa. Minhas mãos estavam frias e minhas pernas estavam trêmulas.
Kate, sentada em outra cadeira com outro cabeleireiro, me espiou por sobre a revista que lia. Ela tocou o pé no meu cabeleireiro que se virou para ela.
– Imagina só. Cabelos negros contra o belo vestido branco que escolhemos, vai ficar perfeito Scott. – Como ela sabia o nome dele e eu não? Ah, sim. Ela e Christian tornaram-se muito próximos com os dias em que fiquei dormindo. Planejaram tantas coisas escondidos que ela com certeza sabia mais das coisas do que eu.
Não estava reclamando, estava admirada. Segurei meu rosto com os dedos e o cotovelo apoiado no braço da cadeira.
– Você sabe mais das coisas que eu. – Murmurei, olhando-a.
Ela deu de ombros. – Coisas da vida, Ava.
Ela jogou a revista sobre o balcão diante de si, e pude ver sua barriga já saliente. Ela ficava linda grávida. Colocava roupas para destacar a barriga e mostrar a todas que esperava uma linda menininha de Elliot. Estava com sete meses de gestação. E eu seria a madrinha de Eva.
– Christian vai amar seus cabelos pretos de novo. – Ela murmurou, arregalando um pouco os olhos.
Acenei em positivo, pois sabia que ele teria ótimas lembranças quando eu surgisse assim diante de seus olhos.
Mia se esticou em outra cadeira ao meu lado. – Eu concordo.
Seus cabelos castanho-escuros estavam meramente mais longos, logo abaixo dos ombros.
Acreditava que nada poderia destruir minha felicidade. Só acreditava mesmo que conseguiria ser ainda mais feliz. E que naquele dia, meu rosto não iria doer por estar chorando, iria estar dolorido de tanto sorrir. E, pela primeira vez em minha vida, eu estava certa.
*
Muitas horas depois, eu estava diante de um espelho com Kate atrás de mim. Conseguia ver um sorriso escondido em seus lábios pelo reflexo do mesmo. Seus curtos cabelos loiro-claros estavam atados em um coque bagunçado, que revelava mais do seu rosto.
Ela usava um vestido azul-petróleo que deixava sua barriga ainda mais delineada. As costas estavam à mostra e tinha um decote que mostrava o quanto a gravidez estava ajudando no tamanho de seus seios. Meus ombros tremeram com a minha risada.
Sei que muitas pessoas ficaram preocupadas com a minha relação com Kate. Pelo simples fato de que eu não podia engravidar e de que ela estava esperando um bebê. Achava aquilo um absurdo, mas meu psicólogo mencionou que as pessoas tinham razão e perguntou minha verdadeira opinião.
Eu achava que não era certo julgá-la porque ela podia engravidar e eu não. Deus sabe o que faz. Escreve as coisas mais certas sobre as linhas mais tortas. E ele soube o que fez quando me impediu de ter um útero. Gosto de pensar assim. Não gosto de decair para o lado nostálgico da coisa.
É claro, que em algumas noites, aquilo machucava meu coração. É claro, que durante alguns banhos, eu chorava desesperadamente. É claro, que quando eu via lindas grávidas na rua, ficava um pouco nostálgica. Mas como não sentir isso tudo? Eu não podia engravidar. Não podia dar continuidade à minha história; ou à minha árvore genealógica. Porém, me lembro das exatas palavras da minha ginecologista: “Você tem um coração. E é isso o que faz de uma mulher uma mãe. Tudo o que você precisa dar para o seu filho – seja ele adotado ou de barriga de aluguel – é amor. E você será mãe.”
Achava que encarava aquilo como um lema para a minha vida. E deveria encarar mesmo.
Kate olhou nos meus olhos e sorriu. Apoiou suas mãos em meus ombros. Estávamos usando saltos, mas ela ainda era mais alta que eu.
– Estou feliz por vocês dois. – Ela sussurrou. A aceitação de nossa melhor amiga quanto a um relacionamento era mais importante do que as pessoas tinham capacidade de entender. – Sei que no início quase não apoiava. Mas você também sabe que dei uns empurrãozinhos. Sou tecnicamente o cupido dessa relação.
Ela conseguiu me fazer dar uma gargalhada alta e espantar a vontade de chorar.
– Seu vestido é perfeito, querida. – Elogiou minha mãe ao entrar na área que os cabeleireiros disponibilizaram para nós.
– Obrigada, mamãe. — Agradeci, caminhando na sua direção e abraçando-a.
Fui novamente para diante do espelho de corpo inteiro e me deixei ser admirada pelas demais mulheres. O branco do meu vestido era pérola, o que significava que ele não era tão branco. Era difícil de entender, mas há diferença na coloração. Ele era longo, circundando minhas pernas com uma saia nada espalhafatosa. Era banhada de seda, as bordas eram costuradas por uma renda branca límpida. Os desenhos das flores se sobressaíam. As mangas eram longas e com o mesmo desenho de renda da saia, fechava nos punhos com botões de pérolas. Um corpete tomara que caia me deixava internamente segura, enquanto não havia outro decote, apenas a transparência da renda.
Meu cabelo estava em um coque alto, dessa vez negro. Uma franja estava posta de lado, cobrindo parte do meu rosto. E meu buquê era feito de rosas vermelhas. Apesar de todas as opiniões contrárias, o escolhi.
E me senti pronta. Pronta para caminhar sobre um tapete vermelho na direção do único homem que amei em toda minha vida. Pronta para caminhar em direção ao meu novo nome: Ava Maddox.
*
Fiquei impressionada quando me deparei com a mansão dos pais de Christian. Parecia outro lugar. Incomum. Luzes brancas iluminavam a casa. E todos os pontos de flash das câmeras de fotógrafos apontaram em direção à limusine em que eu estava sozinha.
Fiquei ainda mais impressionada quando caminhei de braços dados com meu pai. Sentindo meu véu deslizar pelo tapete vermelho atrás de mim. Toda a decoração era branca. As cadeiras, o altar, o arco de entrada. Tudo. Havia vasos despojados pelo corredor com orquídeas brancas.
Também fiquei boquiaberta com o pessoal da Jimks dispostos nas cadeiras ao nosso redor. Aquilo me trouxe uma lembrança cruciante de Bob. Nunca quis saber o que ocorreu com ele. Não estava nem aí se havia sido preso ou morto. Só queria esquecê-lo. Assim como queria esquecer o sofrimento que ele causou a minha filha. Tudo por vingança. Por cumprimento de promessa a um defunto.
Não precisava salientar que disse sim. E que Christian respondeu com certeza. Ele usou o terno que eu sempre disse que sonhei ver meu noivo usando. Todo de branco. Estava tão sorridente. Tão lindo sob as luzes claras. E me senti tão sortuda por tê-lo. Por finalmente tê-lo de corpo e alma. Nossos olhos diziam tantas coisas.
Tudo passou como um borrão. Ele deslizou pelo meu dedo a aliança de ouro, deixando junto com de noivado combinando com a corrente pendurada em meu pescoço.
Tiramos tantas fotos e dançamos alegremente muitas danças. Dancei com Cary, Elliot, Kyle, Gideon – sim, ele comparecera à ocasião — meu pai e o pai de Christian e, depois de fazer parte da festa, escapamos.
Os convidados jogavam pétalas brancas para cima, à medida que caminhávamos, enquanto todos nós ríamos. Enquanto todos os flashs piscavam em nossa direção, registrando o momento para sempre.
Foi Taylor que nos tirou de lá e nos levou para uma casinha ainda em Manhattan. Era escondida, provavelmente poucas pessoas sabiam de sua existência.
Ficava no fundo do bairro residencial, com árvores em volta de si e não chamando a atenção.
– Estou ficando assustada. – Murmurei, me abaixando para tirar os sapatos que estavam causando bolhas.
– Com medo, princesa? – Ele indagou, me apertando contra seu corpo.
– Ah, Chris. – Murmurei, beijando seu queixo. – Estou com você. Sei que vai me proteger.
Taylor parou o carro e olhei ao redor. Sorri. – Hum, você quis um lugar bem afastado, não é mesmo?
Ele mordiscou minha orelha, causando um arrepio por todo meu corpo, depois desceu com beijos quentes ao longo do meu pescoço. Fechei os olhos.
– Vamos respeitar o Taylor, Chris. – O repreendi empurrando-o para longe.
Assim que o fiz, Taylor abriu a porta do veículo, me amparando na descida. Não tive tempo de agradecer. Pois Christian desceu do veículo e me pegou no colo. Deixando toda a saia espalhada ao nosso redor. Berrei de susto e mordi seu ombro.
– Tome cuidado com sua noiva! – Repreendi novamente. – Quem vai abrir a porta, seu tonto?
– Taylor, é claro. Quer que eu chame algum vizinho, Sra. Maddox? – Indagou ele, erguendo uma sobrancelha.
Era óbvio que não havia qualquer vizinho próximo a nós. A área já indicava a resposta óbvia.
– Engraçadinho.
Christian caminhou pelo caminho de pedras do gramado, Taylor foi em frente e abriu a porta para que passássemos. A casa era pequena e aconchegante, com móveis novos e pintura renovada. Estava limpa e o cheiro de desinfetante ainda era evidente quando entramos.
– Tenham uma boa noite. – Taylor desejou deixando a chave com Christian e fechando a porta ao sair.
– Teremos uma bela noite, não é mesmo, princesa? – Ele indagou.
Desci de seu colo. – Não sabia que você tinha outra casa. Afastada.
– Ciúmes? – Ele indagou, afrouxando a gravata e largando-a junto ao blazer sobre o sofá cor de creme.
– Não tenho ciúmes de você. Sei que é meu. – Dei de ombros, com um sorriso vencedor.
Ele estava se aproximando lentamente, dei alguns passos para trás e toquei as costas no gélido balcão da pequena cozinha. Não tive tempo de olhar ao redor, pois Christian me alcançou antes que pudesse fazer qualquer movimento. Ele passou o polegar pelos meus lábios.
– Eu amo você. – Ele murmurou, admirando meus olhos. – E adorei seu cabelo. Não tive oportunidade de dizer que ele me trouxe ótimas lembranças. – Ele sorriu, abaixou a cabeça e passou os lábios pela base do meu pescoço.
Beijei sua orelha e murmurei: — Essa foi a intenção. Mas você prefere cabelos loiros ou negros?
– Eu prefiro você. Sempre você. – Murmurou contra meu ouvido, mordendo minha orelha. – Que cheiro bom.
Naquele momento já estávamos perdidos em mãos. Nos beijos quentes. Em apertos e vozes sussurradas. A excitação dominava o ambiente e sabia que não chegaríamos até o quarto. Que faríamos o que tínhamos de fazer ali mesmo, no balcão da cozinha. Ótima refeição.
Mordisquei seu pescoço e ele jogou a cabeça para trás. Apertou minhas pernas com mais força e me puxou para cima do balcão. Agora nos encarávamos olho-no-olho.
– Você não está sendo nada romântico. – Disse, deslizando o indicador pelo seu nariz. – Todas as noivas gostam de fazer amor em uma cama com pétalas de rosa.
– A gente pode deixar isso para depois. – Ele murmurou, perdido em desejo. Enquanto isso, seus dedos deslizam pelas minhas costas que ele ia deixando nua à medida que abria os botões de pérola.
– Está querendo dizer que há pétalas na cama? – Indaguei, surpresa, escondendo um sorriso de pura felicidade.
– Talvez.
Imediatamente desci do balcão. Pude ver a decepção estampada em seus olhos.
– Ah, não. – Bufou ele com a voz rouca de desejo. – Você não pode me deixar nessa situação. – Ele apontou para as calças.
– Ah, aguente um pouquinho. Eu só quero ver a cama com pétalas de rosa. – Dei de ombros, caminhando descalça pela casa. – Só tem um detalhe. Eu não sei onde o quarto fica.
Ele riu. – Eu poderia deixar você perdida. Enquanto admiro suas costas nuas.
Senti seus olhos em minhas costas, mas não me virei, caso contrário, desistiria de ver a cama com as prováveis pétalas.
– Qual é. Conta para mim. – Eu estava olhando ao redor, avaliando as portas fechadas. A casa não era de dois andares. Como disse anteriormente, a mesma era pequena e simples, mas ainda assim aconchegante.
– Corredor. – Ele indicou. Dei alguns passos e cheguei até o mesmo com Christian em meu encalço. – Só há três portas. Sei que é capaz de adivinhar.
E era. Seria impossível não desvendar o mistério. Havia um tapete de pétalas vermelhas. Por isso todas as portas e janelas estavam trancadas, porque, se algum vento batesse, a construção do perfeito tapete iria se acabar.
– Retiro o que disse. Você é muito romântico. – Murmurei, me aproximando da porta e abrindo-a.
O quarto tinha uma iluminação amarelada. Longas cortinas brancas, lençóis da mesma cor. Sorri ao ver as pétalas vermelhas. Mas não tive tanto tempo para admirá-las.
Christian se apressou na minha direção e me abraçou por trás. As mãos apertando minha cintura, beijos escaldantes em meu pescoço. Suas mãos se ergueram e ele abriu os últimos botões do vestido. Depois, bem lenta e suavemente, deslizou as mangas pelos meus ombros, deixando-me apenas com a peça íntima baixa.
– Isso é injusto. Não posso ficar nua sozinha. – Murmurei com os olhos fechados.
Suas mãos sabiam onde e como tocar. Virei-me e fiquei de frente para o mesmo. Encontrando seus olhos semicerrados e um sorriso no canto dos lábios carnudos. Beijei-os com urgência e felicidade, agarrando-o pelo pescoço e sentindo seus braços longos conduzirem suas mãos para minha bunda. Ele me ergueu e abracei sua cintura com as pernas. Depois, o mesmo me carregou até a cama.
Fizemos tudo tão lenta e prazerosamente. Fora novo. Diferente e ímpar. Como se nenhuma relação ou como se nenhuma outra noite de amor fosse se igualar aquele. Eu duvidava que aquilo acontecesse. Ele ficou completamente nu sobre meu corpo, enquanto eu usava apenas o véu e as longas meias brancas, só porque ele achava suficientemente sensual.
E soube, depois de todo aquele tempo, que seríamos capazes de fazer tudo e qualquer coisa pelo outro. Tínhamos dois lindos filhos. E tínhamos um futuro promissor pela frente. Trabalhando na mesma empresa, em grandes e distintos escritórios. Escapando para beijos escondidos. Para transas ardentes. Para conversas necessárias.
Teríamos nossas discussões. Sessões de ciúmes. E ele enfrentaria meu estresse. Entregaríamos as cartas de Corinne para Jullie. Criaríamos nossas crianças. E, acima de tudo, depois de muito tempo, seríamos eternamente felizes. Juntos. Compartilhando tudo o que tínhamos direito. Tudo o que esperamos ansiosamente para fazer.
Momentos. Nossa história era repleta deles. Distintos. Incomuns. Gostosos de relembrar. Nos amávamos e manteríamos a chama acesa por tanto tempo que seria inacreditável.
Assistiríamos nossos cabelos brancos surgirem. Nossas peles engomarem. A necessidade de usar óculos chegaria. E sempre estaríamos juntos ao fim de um dia cansativo. Um pelo outro. Eu só dele e ele apenas meu.
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