Apenas Meu.

18 Espinhos.


Notas iniciais
Bom, curti o nome. Postei como capítilo, mas foi cortada do capítulo inteiro, ok? Desculpas, gente! Já fiz capítulos muito melhores, mas não arranjei tempo para reescrever, me perdoem mesmo! Era por este fato o atraso da postagem, era para eu estar MUITO adiantada com vocÊs. Com muitos segredos revelados, mas não perdi meus leitores, certo? Espero que entendam! E qualquer coisa, se quiserem ler algo enquanto eu tiver essas crises leiam minha fic: Instrumentos Tempestuoso. Tem alguma Natch aqui? hahahahaha
Estava com muita inspiração nessa outra fic e com pouca nessa, então aproveitei para adiantar. Vamos com tudo agora? Beijos!

Braços e pernas me esquentavam e prendiam meu corpo contra o plástico quente da cama nova. Minha cama e de Christian. Sorri, ainda de olhos fechados. As pálpebras vermelhas, pelas luzes entrando no recinto.

Christian e eu nos aprofundamos no corpo um do outro por algumas vezes durante a noite. Me senti insaciável, assim como ele. Me ensinando, me mostrando coisas novas. E eu também o surpreendia de vez em quando, fazendo coisas que ele duvidava que eu seria capaz de fazer entre quatro paredes.

Também nos perdemos em assuntos desconexos. Em gargalhadas sem sentido, mas, durante a maior parte da noite, meus olhos não se desprendiam daquela foto lá no teto. Fitando-a e sendo embalada por seu significado do momento presenciado.

Me virei lentamente e Christian dormia de maneira apaziguada ao meu lado. Como alguém podia ser tão belo?

Admirei com demora saciada cada um de seus traços brutos. Seus cabelos negros e desgrenhados cobriam sua testa momentaneamente. Sua boca estava entreaberta, em uma tentativa de buscar ar. Seus olhos fechados e suas bochechas levemente avermelhadas. Aqueles lábios vermelhos me instigaram para mais perto, mas fiquei quieta, prensando minhas mãos e pés no lugar. Seus ombros eram largos e o quadril fino, disso eu sabia de cor.

Repentinamente, como se estivesse fingindo o tempo todo, Christian abriu os olhos e me fitou com curiosidade.

Sorri, afundando minha cabeça em seu ombro, sem quebrar a troca de olhares. Passei a ponta dos meus dedos dos pés em sua perna com pelos crespos. Um sorriso com todos os dentes a mostra surgiu em seu rosto, destruindo o homem que fora durante toda a noite. Agora ele era meu menino, com sorriso inocente e olhos verdes curiosos.

Alguém bateu a porta, interrompendo nosso “bom dia”.

— Desgrude dessa porta, garota! – Era a voz de Kate gritando, mas sendo abafada pela porta trancada.

Durante todo nosso período lá dentro ninguém ousara se aproximar da porta, ou qualquer outra coisa.

— Ah, sua vaca. Me deixe em paz, vá atrás do seu namoradinho. – Meu coração se apertou de raiva, tanto pelas palavras quanto pela pessoa que as ditava.

— Corinne? – Christian indagou, se erguendo nos quadris e vestindo uma boxer tão rapidamente, que me deixou momentaneamente tonta, me colocando de lado e jogando os pés para o chão.

Meu queixo caiu e meu sangue esquentou quando ele abriu a porta sem mais nem menos, como se fosse a visita mais preferível de toda sua vida.

— Christian. – Corinne suspirou.

Percebi quando Kate arregalou seus olhos verdes, olhando toda a cena boquiaberta.

Eu estava perdida nos lençóis que desdobramos durante a noite. Me sentia pequena e frágil naquele lugar frio agora, naquele plástico sebento em que estava deitada. Me levantei e enrolei o lençol no corpo, depois me sentei na cama novamente, sem forças para ficar em pé por muito tempo.

Que merda toda era aquela?

— O que você quer aqui? Vá embora. – Christian a enxotou, estalando a língua, frustrado.

Seus músculos estavam destacados pela força que sua mão colocava cobre a maçaneta da porta.

Corinne olhou para o interior do quarto e pareceu me notar ali pela primeira vez, depois seus olhos acompanharam as fotografias das paredes.

— Que porra é essa? – Ela indagou, passando por Christian e olhando ao redor.

Porque eu estava com vergonha?

— É nosso quarto. E quero que vá embora agora mesmo. – Christian pediu, sem olhar para trás em nossa direção.

Mova sua língua! Uma voz interior pediu. Mas eu não conseguia. A única coisa que conseguia era olhar em sua direção, fita-la com olhos arregalados e me perder em toda situação.

— Não vou embora. – Ela disse, se afastando do interior e ficando frente-a-frente com Christian. – Precisamos conversar sobre aquele assunto. – Ela ergueu as sobrancelhas, frisando sua fala.

Institivamente notei que Christian ficou desconfortável. Olhou para mim por sobre o ombro e retornou seu olhar para Corinne. Depois suspirou.

— Me aguarde na sala. – Ele pediu, fechando a porta diante do seu rosto.

Eu não tinha o que fazer ou o que falar. É claro, eu poderia gritar, ou chorar com toda aquela dor de ser trocada ali mesmo, sentada na cama nova. Como ele podia ser tão indiferente? Repentinamente, uma imagem tomou meus olhos, me mostrando Christian sem retribuir meu afeto das três palavrinhas. Aquele pensamento bastou para que eu levantasse. E vestisse as roupas da noite seguinte.

Christian saiu bem arrumado do closet, afivelando o cinto, levantou os olhos e pareceu abalado quando me viu inteiramente vestida.

— Para onde vai? – Seu tom pareceu assustado, mas também controlado.

— Vou pegar minhas coisas e voltar para o apê de Cary. – Sorri, tentando disfarçar qualquer sentimento maldoso em meu ser. Não iria para o fundo do poço novamente. Não por ele.

— Mas e o nosso quarto? – Ele indagou, se aproximando de mim.

— Ah, sim. Como eu já disse: eu amei. – Frisei a palavra, para que ele ao menos entendesse o sentindo de toda aquela atitude fula.

Ele pareceu notar. Seus ombros despencaram e seu olhar se perdeu no nada, suas mãos se chacoalharam e ele recolheu seus pertences pelo quarto.

Eu queria chorar. Queria muito chorar, mas mordi as laterais da boca, respirando fundo e segurando todo aquele choro.

— Tudo bem. – Ele concordou abrindo a porta e deixando que eu saísse primeiro.

Passei por Corinne pela sala e Kate barrou minha saída, entrando em meu caminho, como se quisesse saber o que estava ocorrendo.

— Para onde está indo? – Ela indagou, olhando-me atentamente.

— Para o apê de Cary...

— Ele foi embora ontem, na verdade nem voltou. Como pensa que irá?

— Eu posso chamar Taylor. – Christian se prontificou atrás de nós.

— Vou resolver algumas coisas no centro. Vou de táxi. – Respondi sem olhar em sua direção, pois eu sabia, que se o fizesse me renderia aos seus olhos verdes.

Como poderíamos estar tão distantes, mesmo tão próximos?

Eu preciso sair daqui.

Kate me estudou durante algum tempo e sorri para seu rosto, ela retribuiu com um sorriso torto e se afastou do meu caminho. Sai do apartamento de Christian muito mais decepcionada do que quando entrara.

Era incrível como Manhattan me fazia tão bem. Talvez ver as cores daquela bela cidade se misturando em si, colocando tantos significados diferentes juntos. Minha respiração se apaziguou durante o passeio e passei quase toda a manhã por lá, retornei – de táxi – ao apê de Cary quando minha barriga roncou em protesto por falta de comida.

Subindo de elevador, ainda me sentia melancólica profundamente, mas me sentia melhor agora, voltando do passeio.

Abri a porta do apê de Cary e a fechei atrás de mim.

— Doci...

Me interrompi com tudo. Palavras, respiração e passos.

Corinne se virou em minha direção.

— Docinho não está em casa. – Ela informou, dando de ombros.

Alguns papéis brancos estavam em suas mãos e repentinamente me senti instigada a lê-los.

— Como entrou aqui? – Engoli em seco.

— Cary abriu para mim, mas pedi para ele aguardar na esquina até que eu fosse embora. Pode olhar pela janela, para se certificar.

— Vá embora, Corinne. Não temos nada...

— Temos, sim. Tenho certeza que o assunto é de extrema importância para você. – Ela deu uma risadinha arrogante.

Minhas mãos se fecharam em punho, minha mandíbula travou. Queria espanca-la ali mesmo.

— Diga de uma vez. – Fiquei feliz por minha voz sair firme, mesmo quando minhas pernas estavam tão amolecidas quanto naquele momento.

— Não quer se sentar?

— Não, porra.

— Eu sei de tudo. – Ela iniciou. Seu braço se estendeu em minha direção, entregando-me os papéis que segurava com força.

Estava tudo lá. Tudo. Tudo o que eu escondia. A data. A hora... e por quanto tempo eu fora abusada. Havia fotos minhas. Fotos perversas de Nathan me penetrando com força, meu rosto estava torto em gritos.

Eu me lembrava daquele dia e só agora entendia porque doera mais do que o normal para mim.

— Se você não sair da vida de Christian. Conto tudo para ele. E faço ele se afastar de você. Só eu tenho a maneira. Se você permanecer por perto. Conto seu maior segredo, também. Não só de ter sido fortemente abusada, Ava. E pior, se continuar com ele, alguém nada amigável retornará a sua vida. – Ela deu de ombros sugestivamente.

Eu não tinha o que falar diante daquilo tudo. Ela faria aquilo. Era possível notar no brilho perverso dos seus olhos. Meu queixo tremeu. Não era possível.

Assimilei as coisas e encarei seu olhar.

— Você era...

Corinne me interrompeu, sua risada seca batendo nas paredes.

— Sim. Eu dei seu telefone para ele e o convidei para ir comigo no almoço na casa dos pais de Christian. Ele e você pediram por isso. – Corinne tomou os papéis dos meus dedos, guardando-os na bolsa.

— É pegar ou largar. Mas já sei sua decisão. Está estampado nas suas feições. Estou indo para o apê de Christian agora.

E foi o que ela fez, batendo a porta atrás de si. Deixando-me desamparada; sem escolha.

O mais complicado de tudo não era me afastar dele, mas sim vê-lo com ela, sabendo que a qualquer instante, ela poderia destruir tudo o que tivemos. As rosas de ontem, viraram os espinhos de hoje.

Notas finais
Ainda tem MUITO pra rolar, vocÊs não acham? Comentem me xingando e me contando tudo o que acharam do capítulo. Viram os espinhos? Vieram depois das rosas. Mas, depois vocês compreenderão a atitude de Chris, alguém tem um palpite? *-* Bjins s2