Apenas Meu.
11 Da água pro vinho.
Notas iniciais
LEIAM, LEIAM!
Awn, que nome mais lindo. KKKKKKKKKKKK. Não liguem! Estou muito - MUITO MESMO, GENTE! - ansiosa pra ir ver A Hospedeira 16h55 da tarde - sim, minha cidade é uma merda. Estou ouvindo Coldplay constantemente, pois sempre quando lia o livro lia só com as músicas deles, porque tem tudo haver. Sem contar ouvir Radioactive que me arrepia todinha!
Enfim, este capítulo tá mais longo que o outro viu?
Revisei com essas músicas:
Give me love - Ed Sheeran (fofa demais)
Us Against the World - Coldplay
Tiveram outras mescladas, mas não casou muito bem, efim.
E agora aqui vão alguns links pra quem quiser dar uma olhadinha!
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=0YaZmfbG5AA (ficou bem simples e curto, pra não ficar muito massante)
Minha nova estória: http://fanfiction.com.br/historia/346890/Instrumento_Tempestuoso/ageconsent_ok (reescritura de "sombras divinas")
Boa leitura!
Awn, que nome mais lindo. KKKKKKKKKKKK. Não liguem! Estou muito - MUITO MESMO, GENTE! - ansiosa pra ir ver A Hospedeira 16h55 da tarde - sim, minha cidade é uma merda. Estou ouvindo Coldplay constantemente, pois sempre quando lia o livro lia só com as músicas deles, porque tem tudo haver. Sem contar ouvir Radioactive que me arrepia todinha!
Enfim, este capítulo tá mais longo que o outro viu?
Revisei com essas músicas:
Give me love - Ed Sheeran (fofa demais)
Us Against the World - Coldplay
Tiveram outras mescladas, mas não casou muito bem, efim.
E agora aqui vão alguns links pra quem quiser dar uma olhadinha!
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=0YaZmfbG5AA (ficou bem simples e curto, pra não ficar muito massante)
Minha nova estória: http://fanfiction.com.br/historia/346890/Instrumento_Tempestuoso/ageconsent_ok (reescritura de "sombras divinas")
Boa leitura!
Voltar para casa não estava sendo como esperava. Eu ainda tinha tarefas a fazer e Kate já estava irritando meus tímpanos enquanto falava sobre o vestido. Como ela podia esquecer tão facilmente o fato de termos sido atacadas há alguns dias?
Cary estava oferecendo uma assistência enorme. Olhando a cada hora se a parte da minha cabeça estava inchada, pois fora o que o médico pedira antes de me dar alta. Não ocorreu nada de grave com Kate, e o tiro – na verdade – passou de raspão em meu ombro. Não entendi realmente como aquilo fora possível, pela posição em que me encontrava, mas prefiro pensar que tudo foi uma dádiva de Deus, melhor assim. Enquanto isso, Cary preparava canjas e me acompanhava em toma-las diante da TV, assistindo a uma série interessante ou a um programa de entretenimento. Ríamos quando necessário, mas Cary nunca tocava no assunto do atentado, ou no estranho fato de eu estar no carro de Christian e os motoqueiros terem tanta certeza de que era eu a procurada. Também tentava – a todo custo – não pensar no acaso e mesmo em minhas ligações constantes para Christian – muitas atendidas por Corinne, ou esquecida até cair na Caixa Postal – ele nada me contava. Não me explicava o fato de saber que Kate e eu sairíamos no carro e ele não havia feito nada. Ou o fato de ter pagado minha estadia no Hospital, como se aquilo apagasse alguma atitude dele. Por vezes, a resposta me vinha como se Christian fosse culpado, ou se tivesse armado tudo aquilo. O ataque e até mesmo os tiros contra nós, mas era impossível e inimaginável. Muitas vezes, meus devaneios mais obscuros, me levavam ao nome e ao rosto de Nathan, no passado e até mesmo no presente. Meu pai acompanhava toda sua vida a distância, tinha detetives espalhados por todas as partes em busca dele, mas nenhum nunca indicava algo negativo para o meu lado. Alguns casos que poderiam o levar a cadeia, mas que duravam apenas por uma noite e não anos como comigo. — O seu vestido ficou muito lindo. – Kate repetiu exasperada, provavelmente o olhando naquele exato instante. – Aquela vaca chata não para de bater na porta, querendo ver nossas roupas. — Não deixe. – Choraminguei me jogando contra a cama que dividia com Cary. — Nunca! Depois de amanhã ela pode ver as fotos nos tabloides. — Ouvi seu sorriso acompanhando o meu. Kate sempre fora assim, animada com todos os fatos, até com os pequenos. — Vai vir para cá amanhã, não vai? A limusine da mamãe vem nos buscar aqui. — Sim, mas falando em Rachel, ela ligou para você? — Ligou e passou um sermão de nunca mais pegar o carro de outra pessoa, eu também disse que ela deveria dizer isso para você e não para mim. — E também ficou muito preocupada, pensei, com meu pai perto da mesma, perguntando e sendo recompensado por minhas respostas. Eles disseram que aceitaram a oferta de Christian e que o pai do mesmo os convidou para um almoço em pros ao meu caso, eles aceitaram por mim e os convidados de sempre: Cary e Kate. — Ficou sabendo do almoço? – Indagou Kate lendo meus pensamentos. Enruguei as sobrancelhas. – Sim, estávamos compartilhando o mesmo pensamento. – Rimos. – Enfim, precisamos de roupas. – Kate iniciou sua típica fala. — Para almoço é simples... — Que nada! Já viu a droga das roupas que eles usam nesses eventos? São ainda melhores que festa de gala. — Não exagera. — A nojenta da Leila e Corinne e a família busca-pé, também foram convidadas. — Está lendo em algum local? – Indaguei puxando a alça da gaveta e puxando o tablet de dentro. — Naquele site em que você viu uma matéria sua. Bye, bye, baby. – Kate mandou beijos pelo bocal e correspondi, desligando em seguida. Abri matérias com a casa dos pais de Christian que levavam a links de outras festas feitas lá. Decorações bem feitas, iluminando o jardim bem podado, onde apareciam os nomes dos jardineiros e paisagistas responsáveis. Também os decoradores e os pintores dos quadros ao fundo, no rodapé da reportagem continham os contatos dos mesmos. A casa dos pais de Christian era incrível, quase do mesmo tamanho da mansão de meu pai em Manhattan e da casa de férias de minha mãe em cidades distantes. Sorri encontrando uma foto de Christian sorridente de braços dados com uma garota de cabelo bem cortado e hidratado na altura dos ombros. Sua roupa estava divina, um vestido com estampa de várias flores, sendo remexido pela brisa que também deixava seus cabelos bagunçados ao vento, mas que com isso ficava deslumbrante e charmosa. Os cantos de seus olhos estavam repuxados em um sorriso alegre e notei que ele veio pelos dedos de Christian em sua barriga. Dava para notar também o rubor em seu rosto, ela não gostava de fotos, mas provavelmente tirou para deixar alguém – talvez Christian – feliz. Os nomes estavam no rodapé “Irmãos Maddox. Christian acompanhado de sua irmã mais nova, Mia, em um sorriso deslumbrante.” Só eu notava a tristeza imposta no centro de seu sorriso frágil? Ela queria que todos a vissem feliz, mas eu ainda notava uma tristeza embalando todo seu corpo. Cary abriu a porta do quarto e caminhou até mim em silêncio. Bloqueei o tablet e o deixei de lado, erguendo o cabelo da nuca e esperando por sua averiguação com um sorriso nos lábios.
— Tudo certo, doutor? – Brinquei. Seus dedos palparam meu couro cabeludo, pressionando a pele de leve em busca de qualquer inchaço, Cary suspirou aliviado ao notar que não havia inchaço algum. — Certíssimo. – Respondeu e pressionou seus lábios no topo da minha cabeça, sentando-se atrás de mim. Virei meu torso e ficamos frente a frente. — Também foi convidada para o almoço? – Ele indagou procurando algo em meus olhos. Acenei em positivo. — Eu também. Poderíamos ir juntos. – Ele deu de ombros. — Ah, assim não tem graça! Sempre vamos juntos, Cary. Você não precisa nem chamar. – Sorri. — Está melhor? – Indagou, procurando quaisquer vestígios de algo aprisionado em mim. Balancei a cabeça de um lado para o outro, negando. Eu responderia em voz alta, mas meu celular começou a vibrar ao nosso lado, desviei os olhos e atendi. – Alô? O número era desconhecido. — Não acredito que está na porcaria da lista de convidados daquele almoço! – A voz de Leila gritou pelo fone. — E também não acredito que saiba ler. — Rá! Sem gracinhas no momento, Ava. É melhor que você não vá. Droga! Você é a convidada mais esperada... — Espera. Como conseguiu meu número? – Enruguei as sobrancelhas. Eu nunca daria meu telefone para aquela vadia. Cary mexia os ombros, indagando em silêncio, em busca de um nome. “Kirby” mexi os lábios. Seu corpo tremeu em nojo. Sorri. — Às vezes, só às vezes mesmo, Christian pode ser bem fácil. – E desligou. O barulho de chamada encerrada irritava meu tímpano. Joguei o celular na cama e olhei para Cary. — Quem deu o número para ela? Não consegui escutar a resposta daqui. – Ele deu de ombros. Cary sempre fora muito curioso, especialmente desde... sempre. — Christian. Ele é um... não sei que xingamento dar neste momento. – Bufei mexendo nos cabelos. – Ele está ficando insuportável. — Ele pagou o hospital e ficou com você o tempo todo. — Ele se sentiu culpado porque Corinne contou que saímos com o carro e ele não fez nada. Iria ficar esperando, provavelmente para passar um sermão, como se fosse um bom samaritano. – Eu gesticulava com os braços, tentando explicar para Cary de todas as formas possíveis. — Você está precisando de uma sessão de amasso, docinho. Empurrei seu ombro. – Engraçadinho.Acordei animada e ansiosa. Aquela seria a primeira vez depois de muito tempo que usaria um vestido e que me vestiria como a sociedade quer ver uma garota qualquer. Com a moto eu deslizava pelos asfaltos de Manhattan, inalando o cheiro próprio da cidade. Inalando Nova York e aprisionando-me nela. Eu gostava de pilotar motos, mas sabia que assim que chegasse até Kate teria de voltar com qualquer veículo, menos moto. Passei pela cancela quando o segurança liberou minha entrada e estacionei minha moto no local vago de sempre. Subi em silêncio no elevador, depois de guardar o capacete e toquei a campainha do apartamento de Christian. Corinne abriu a porta e seu sorriso falso se desmanchou. — Preciso falar com você. – Sussurrou olhando minhas vestes masculinas de sempre. Dei de ombros, pedindo, em silêncio, para que prosseguisse. – Você não vai ao almoço na casa de Christian. – Decretou, seus braços cruzados sob os seios e as sobrancelhas erguidas. — Você também? – Me exasperei. — Eu também? — Ela enrugou as sobrancelhas, desentendida. — Leila pediu a mesma coisa, então acho que essa sua conversa é com ela. – Respondi esbarrando em seu ombro enquanto entrava no apartamento. O calor aconchegante daquilo que chamei de lar embalou meu corpo e meus olhos fitaram o torso de Christian entrando em câmera lenta na sala de estar. Uma cueca boxer vermelha pendia em seu quadril, insinuando queda livre a qualquer instante. Os músculos de sua coxa me atingiram de uma forma que jamais senti, engoli em seco afastando todo e qualquer sentimento e segui adiante. — Oi, visitante. Sua cabeça está melhor? – Christian sorria olhando-me diretamente nos olhos, como se não houvesse Corinne, mas sim somente nós, em nossa bolinha inflável; nosso mundo a parte, como sempre fomos. — Cary está cuidando. – Sorri. — Kate está desesperada. Estourando pelas costas. – Ele brincou. Sorri e segui pelo corredor. Abri a porta do quarto que Kate dividia com Elliot. — Ela é toda sua! – Ele disse passando como um furacão por mim. — Ah, mas que merda! Você não tem paciência alguma. – Kate estava com várias caixas pela cama. – Que cor de sapato pode combinar com dourado? E ele me responde prata! Prata, Ava! Até Cary sabe que não tem nada a ver misturar ambos os tons. Kate estava vermelha, abrindo as caixas com pressa e procurando algo interessante. — Use aqueles com strass nos saltos. É bonitinho. Kate parou subitamente, deixando a coluna ereta. — Tinha me esquecido dele! – Kate saiu saltitando levemente até a entrada do closet e retornou com uma caixa rosa em mãos tirando os saltos de quinze centímetros. – Obrigada, baby! As caixas dos vestidos estão ali e Christian chamou um dos seguranças dele para vir nos buscar. — Segurança? – Indaguei cruzando os braços. — Claro, Ava. – Me virei ao escutar a voz de Christian. O mesmo estava com a cabeça entre a abertura da porta. – Inclusive, Taylor já chegou, está aguardando as madames e está à disposição de ambas. – Ele sorriu e fechou a porta sem mais explicação alguma. Arfei. Ele aparentou mais idade, como um empresário preocupado com sua esposa... não, com sua irmã, isso, assim soa melhor. Mandando seguranças nos perseguir e até suas palavras estavam distintas, com um timbre diferente, uma carícia da língua mudada. Quando virei meu rosto e fitei Kate, ela estava sorridente. Como se tivesse visto algo muito lindo, ou uma cena que esperava dias para acontecer. — Eles estão meio brigados. Todos os dias discutem. – Ela informou animada, dando de ombros e com uma piscadela cúmplice. — E? – Enruguei os lábios. — E, que ela vai sair dessa casa, se Deus quiser! Ri. – Vamos Kate. Pegamos as caixas e saímos pelo quarto. Corinne estava empoleirada ao lado da porta. — Uh! As barangas vão sair hoje à noite. – Provocou Corinne. — Você e Kirby? Não entendi porque está nos avisando. – Kate deu de ombros seguindo seu caminho. Dei risada e Christian – de um ponto desconhecido – gargalhou junto. Arqueei as costas enquanto ria da cara de Corinne, aquilo ajudou meu ego a se erguer dentro de mim. Ainda rindo, segui atrás de Kate enquanto balançava a cabeça relembrando suas palavras. Corinne ficou lá atrás sem palavras. Christian surgiu da sala de estar e ergueu a mão em minha direção. Ergui a minha e um som estalante ressoou na sala quando ambas se atingiram. — Christian! – Corinne berrou lá do corredor. — O que foi? – Ele indagou desviando os olhos dos meus. — Está rindo da minha cara? – Mesmo sem olhar, soube que Corinne saiu pisando duro em direção ao quarto, esperando que Christian fosse atrás. — Está rindo da minha cara? – Christian imitou com voz fina e fazendo careta de menina. Ri ainda mais e ele me acompanhou. Há quanto tempo mesmo não compartilhávamos momentos tão... calorosos?Kate estava diante de mim com a maquiagem pronta. Seus cabelos curtos e loiros atados por uma fita banhada em ouro, penteados para trás em um coque bagunçado. Seu corpo hidratado estava com um vestido longo e vermelho. Com apenas uma alça de strass. Um corpete justo. A saia era longa com uma fenda enorme em um lado da perna de cima a baixo, deixando sua perna inteira a mostra. As costas eram nuas. Com linhas banhadas em strass, para segurar as laterais. — Está bom mesmo? – Indaguei me virando para o espelho de corpo inteiro e fitando meu rosto como jamais pensei que o veria. Kate parou atrás de mim, apoiando suas mãos em contraste com as unhas em vermelho, em meus ombros. Sorri para nossa imagem, perfeita aos olhos de todo homem. — Está perfeito. Meu vermelho combinando com o vermelho da gravata de Elliot e o seu lilás com a da de Cary. – Ela disse sorrindo. Meu vestido era simples, mas o mais feminino que consegui escolher depois de tanto tempo. Uma cabeleireira da cidade conseguiu deixar meus cabelos em cachos volumosos, arredondando meu rosto. O maquiador repuxou meus olhos com delineador, deixando em destaque o verde dos meus olhos. As bochechas pintadas de rosa claro. O vestido tinha o corpete com pérolas brancas misturadas a lilás. A parte que marcava o busto, e o deixava arredondado, estava com pequenas pedras de diamantes entalhadas. Atrás, fileiras de pérolas seguravam o vestido, deixando que minhas costas se mostrassem. Uma saia mulet, cobria as pernas atrás, e as deixava a mostra na frente e um par de sapatos negros completava o estilo. Uau, eu nunca havia me vestido de tal forma e por própria escolha, com minhas medidas e meus gostos colocados em uma única roupa, minha mãe ficaria feliz.
Sorri para minha imagem e confiei no que queria para aquela noite. Sabia que estaria abalando as estruturas que criara e que iria me expor demais com aquilo, mas há males que vem para o bem. — Vamos! Chega de te admirar. – Kate brincou, fungando um pouquinho e me puxando pelo pulso até a sala do apê de Cary. E então tudo mudou depois daquele instante. Não éramos apenas Kate e eu, havia dois rapazes que me conheciam daquele modo; do modo que eu mesma impus, me senti nervosa, sem saber o que fazer ou onde colocar as mãos. Eu estaria assim no red carpet? E porque os olhos de Cary e Elliot estavam tão arregalados? Será que estava muito exagerado? Muito pouco? Ou o vestido era de mau gosto e Kate disse que era bom para me agradar? Eu não sabia. Só soube a resposta quando um sorriso se abriu no rosto de Cary, olhando-me dos pés a cabeça. — Você é você de novo. – Seu sorriso era capaz de iluminar um quarto sem lâmpadas e janelas. Aberto, ele reluzia com a luz do final de tarde que entrava pela parede de vidro. Só então um sorriso se abriu alegre em meu rosto, senti meus olhos se marejarem e enfim, Cary estava embaçado. — Não chore! Ah, droga! Você vai estragar um trabalhão, Ava. – Kate me repreendeu, levantando meu queixo e assoprando meu rosto de leve. — Está uma gata, Ava. – Elliot elogiou com um sorriso grande no rosto e uma piscadela respeitosa. — Vamos! Antes que a mãe de Ava comece a nos ligar, ou pirar lá em baixo. – Kate disse abrindo a porta de saída do apê de Cary em uma intimidade absurda. Cary, ainda sorridente, enlaçou nossos braços e esquentou meus cabelos com um beijo carinhoso. Enquanto caminhávamos em direção ao elevador para ir até a limusine, notei que aquele afeto fora tudo o que esperava: aceitação. Ou então ele me enxergou como eu sempre fora, mas agora me libertei, mesmo em questão de vestes. Libertei aqueles resquícios do que faltava para esquecer o passado, ele não estava completamente apagado, mas estava bem no fundo das minhas memórias. Gostava da delicadeza e companheirismo que Cary passava em apenas um toque, um beijo delicado ou um sorriso e todos estes pequenos gestos, me afastavam ainda mais do passado. Os olhos da minha mãe se arregalaram, olhando-me da cabeça aos pés, mas eu sabia que ela estava me vendo mais interna que externamente. Cary se soltou lentamente da minha mão, deixando o espaço livre para minha mãe, bela como sempre em um vestido longo e branco, seus fios louros em um coque alto e argolas douradas penduradas em suas orelhas. Ela abanou o ar em torno do rosto, tentando aliviar a avalanche de lágrimas que veio com seu abraço. Seus dedos reconfortando cada ponto de minha pele, como sempre fazia e como eu gostava que fizesse. Chegar quieta, de mansinho, em uma demonstração maior de sentimento mútuo. Abraço de mãe não pode ser substituído por nenhum outro. Pois aqueles braços são mais reconfortantes do que milhares de travesseiros com penas de ganso, ou fios egípcios. Abraço de mãe envolve um sentimentalismo que nenhum outro relacionamento proporciona. Nos soltamos e seus lábios selaram um beijo leve no centro de minha testa. — Kate, você está... – A voz de meu pai se interrompeu quando ele me olhou. – Ava, você está... maravilhosa. – Ele disse e estendeu um positivo brincalhão, mas também vi a sequência de imagens que passou em seus pensamentos. As tardes de choro, o corte de cabelo repentino, as noites sem dormir e as consultas com Dr. Flynn. — Bom. Vamos antes que nos atrasemos. – Minha mãe pediu, abrindo a porta da limusine e mostrando a fenda em suas costas, mostrando sua pele bronzeada. Nos sentamos lado-a-lado de mãos dadas, olhando fixamente para o nada. Depois que todos entraram e escolheram lugares separados, a limusine tomou velocidade. Conversas e burburinhos iam e vinham, mas eu estava em minha paz única. Sem querer dizer ou demonstrar nada. E tenho certeza que nem havia necessidade. Kate estava lá com as pernas educadamente cruzadas e olhando enquanto Elliot e Cary conversavam sobre carros e riam com as velocidades de alguns, Kate parecia se divertir, mas mesmo de longe podia ver o resquício de lágrimas em seus olhos, demonstrando seu sentimentalismo e felicidade por mim. Meu pai estava ao celular, olhando para a taça de champanhe borbulhando entre seus dedos. Sorri, pois sempre tive a imagem de meu pai assim, sério e ao mesmo tempo despojado com os cabelos despenteados, apontando para todas as direções. E minha mãe estava ao meu lado, como sempre estivera, sendo momentos bons ou ruins. Sua mão cálida embalava a minha, passando os dedos para cima e para baixo, em uma carícia que significava muito para mim, muito mais do que eu poderia explicar. Senti a limusine estacionar suavemente, sem emitir qualquer ruído e só então fui acordada de meus devaneios. Os flashes já estavam lá, voltados ansiosos para a limusine. Repentinamente me virei para a minha mãe. – Vou precisar tirar fotos com alguém hoje? — Acredito que não, querida. – Minha mãe passou a ponta de seu dedo pelo contorno do meu nariz. – Mas, se houver qualquer pedido, eu te aviso. Sorri e a porta se abriu. Os flashes entrando mais depressa e fotografando minhas costas nuas, apenas com linhas de pérolas lilás e brancas cobrindo alguns trechos. Meu pai desceu primeiro dispensando o chofer e ele mesmo ajudou as mulheres do carro a descer. Primeiro sua mão bronzeada se estendeu diante de mim e eu me apoiei nela, descendo com cuidado com os saltos e a saia longa do vestido. Os flashes cessaram durante alguns instantes, indagando quem poderia ser aquela garota e então a resposta veio com a descida de minha mãe, seguida pela de Kate e caminhamos as três, lado-a-lado, em direção ao palanque para as fotos dos atores e convidados. Minha mãe, já recuperada da emoção momentânea, enlaçou minha cintura e de Kate, e sorrimos olhando em uma única direção, vários flashes vieram e várias fotos se foram. — Virem-se! – Alguém gritou e me espantei com Kate sorrindo mais abertamente. Segui os passos de minha mãe, ficando de costas para os fotógrafos. Ela olhou por cima do ombro para as lentes lá atrás, assim como Kate. Joguei meus cabelos longos e negros sobre um dos ombros e me virei, fitando as câmeras. Um repórter chamou minha mãe e ela se foi, prestando uma entrevista em conversa rápida, dando apenas alguns detalhes extras sobre a premiação de hoje. Cary chegou em silêncio ao meu lado, interrompendo os passos e me abraçando pelos ombros em uma pose de irmão mais velho e protetor. Uma risada se abriu e perfurou os sons constantes dos flashes, todos os olhos pareceram se voltar para nós quando Cary puxou meu queixo e esfregou seu nariz no meu. Havia mais do que uma carícia delicada ali, havia uma emoção guardada e requisitada durante todos os anos de minha existência com ele. Kate e Elliot se juntaram a nós e mais alguns flashes vieram. Chamaram Cary para um lado, indagando sobre seus pequenos papéis. Eu iria sair do local do red carpet, mas dedos firmes agarraram a pele próxima ao meu cotovelo. Era meu pai, sorrindo com minha mãe em um de seus braços. Seus braços se enlaçaram nos braços de suas duas mulheres e tiramos mais algumas fotos. Me preparei para sair, quando minha mãe se soltou de nós e foi para o lado de suas colegas de elenco. Conversaram durante alguns instantes, dando boas fotos para aqueles que estavam ali, apenas soltando flashes e depois ficaram uns dois segundos sorrindo para a câmera. Minha mãe era inteiramente profissional e seu lado intelectual me encantava. Meu pai sorriu para mim e estendeu seu braço, atando-o ao meu. Íamos dar as costas, quando Kate encostou ao meu lado, seu rosto vermelho e olhando fixamente para a rua. Ela umedeceu os lábios em uma tentativa de me contar algo, mas não dava mais tempo, pois uma limusine preta reluzente estacionou ao longe, na ponta do tapete vermelho e todos os flashes se viraram para o veículo. O chofer ficou ao lado da porta e a abriu por completo, revelando uma morena com bronzeamento artificial se apoiando em sua mão para descer do carro. As mãos de Corinne foram para a saia longa e colada de seu vestido branco. Ao final da mesma continha uma pequena cauda e o busto era marcado por um decote justo, deixando seus seios minúsculos um pouco maiores.Bem que ela disse que viria. Um batom vermelho retirava a seriedade do colar de pérolas, vestido branco e o cabelo em um coque alto. Christian desceu atrás da mesma, enlaçando seu braço no dela e cumprimentando-a com um selinho, como se não estivessem juntos no mesmo carro. Seu terno era verde escuro, quase negro com colete de mesma cor, camisa de linho branca e gravata cinza, com desenhos pequenos no mesmo tom, mas mais escuro. Eles caminharam em nossa direção e tentei puxar o pulso de meu pai, para que Christian não me visse daquela forma, ou talvez ele nem fosse me reconhecer, mas eu tinha de me afastar. Não entendia o porque, só sentia que precisava, mas meu pai estava fincado no chão, atado pelo sorriso grande de Christian, com todos os dentes. Seus lábios vermelhos abertos e seus olhos verdes passando de meu pai para Kate, sem olhar diretamente para mim. Corinne sorria de forma meiga em nossa direção também, divinamente empoleirada no braço de Christian. — Sr. Steele. – Christian disse e estendeu a mão em direção ao meu pai, que a pegou de bom gosto, apertando-a em um cumprimento elegante. Os flashes estavam em nós agora. Seus olhos passaram diretamente por mim e posaram em Kate. – Oi, Kate. — Christian. – Ela cumprimentou seca, sem sorrisos ou um brilho nos olhos. Preparei meu sorriso e engoli em seco, esperando que ele me cumprimentasse. — Juntem-se! – Alguém gritou em nossa direção. Nos juntamos no ato. Abraçando as cinturas de quem estava ao nosso lado e sorrindo em direção a incontáveis flashes, depois daquilo Christian não estava mais lá. Meu pai me puxou de um lado e Kate do outro. Passamos pelo lance de degraus e Kate se soltou de mim. — Vou ficar aqui. – Ela sussurrou apontando na direção de Cary e Elliot com um lugar vago entre eles. Meu pai e eu nos sentamos na primeira fileira, por conta do prêmio pelo qual minha mãe concorria. Minha mãe não estava lá, pois ela apresentaria a primeira premiação da noite. Nos sentamos e imediatamente a iluminação diminuiu, focando apenas no palco glamoroso diante de nós. Meu pai pegou em minha mão instantaneamente e virei meu rosto em sua direção, ele me fitava com seus olhos maravilhosamente no tom perfeito. Me passava paz e confiança. Sorrimos, em uma sincronia de batidas de nossos corações, no corrimento do sangue nas veias. Meu rosto se virou em direção ao palco, quando a voz da minha mãe saiu pelos altos falantes. Havia um senhor ao seu lado, todo elegante em um terno de lapela brilhante. Eles mesclavam as falas, para apresentar o prêmio de ator revelação. Algumas cenas importantes vieram dos atores, apresentando cenas ótimas em filmes distintos. Dentre aqueles eu tinha um preferido: o mais novo dentre todos. Era incrível ver como um rapaz tão novo podia e conseguia entrar em um personagem de uma maneira que se desmembrasse de si mesmo. Outro rapaz ganhou, mas ele também era bom, não podia negar. Depois do curto discurso, o palco se apagou momentaneamente e se acendeu novamente, trazendo minha mãe de volta para seu acento. Agora eu tinha a mão esquerda quente pelos movimentos constantes dos dedos do meu pai; e a mão direita morna pelo toque delicado da minha mãe. Aquele era o único lugar que eu queria estar agora. Cercada pelo porto seguro que seria durante toda minha existência. Sentindo os carinhos externos de meus pais e o sentimentalismo interno deixando um sorriso no meu rosto.
Notas finais
O próximo capítulo vai ser tãããããão romântico, que awn *-*
Bom, e aí? O que estão achando de tudo? Estão estrnhando que tá tudo muito paradinho? Beleeeeeza kkkkkk
Beijinhos gente s2
Bom, e aí? O que estão achando de tudo? Estão estrnhando que tá tudo muito paradinho? Beleeeeeza kkkkkk
Beijinhos gente s2
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