Apenas Meu.
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Notas iniciais
Não curti muito o nome do capítulo, mas foi o que restou. E aí, meu povo, tudo bom? Espero que vocês gostem e já vou pedindo desculpas caso haja erros, ok? Beijões s2
- Nossos vestidos chegam hoje! – Kate cantarolou sentando-se ao meu lado no refeitório da Jimks.
Ela já estava conformada por eu estar morando com Cary, também, já fazia exatamente uma semana desde minha mudança. — Tão rápido? – Indaguei comendo uma maçã. — Rápido? Encomendamos faz uma semana, já era para ter ficado pronto. – Kate disse e balançou o pescoço. — Olá, garotas. – Uma voz melancólica nos cumprimentou. Desviamos da troca de olhar e encontramos Corinne de braço dado com Christian. Eles haviam voltado? Ou ele tinha traído ela? — Eles voltaram. – Kate sussurrou em meu ouvido, respondendo a minha pergunta interna. – E eles vão juntos ao evento de Gala. — Eles vão? Você só pode estar brincando. – Suspirei. — Não. Nós vamos, tivemos uma briguinha, mas nada que abale as estruturas e vamos ao tapete vermelho juntos, é o que todo o tabloide aguarda. Disseram que da última vez, queriam fotos dele com uma garota vestida luxuosamente, mas que foi de skinny. – Corinne deu risada. — É mesmo, Ava! – Leila concordou da ponta da mesa. – Vai ir de skinny? Ou prefere um jeans larguinho, tipo boyfriend? As pessoas sentadas a mesa desviaram o foco do prato diante delas e deram gargalhadas pelos comentários. Um calor instantâneo percorreu meu rosto. — Não, Kirby. – Sorri. – Vou nua. Do jeito como vim ao mundo. Para ver se você larga do meu pé. – Sorri torto, olhando-a abaixar o rosto para a bandeja sobre a mesa. Cary, Elliot, Kate e até mesmo Christian foram os únicos a rir. Kirby iria responder, mas mantive meu olhar firme sobre o dela que desistiu facilmente de qualquer outra investida. Cary, Kate e eu seguimos pelo mesmo corredor, mas para salas diferentes, aquela aula seria com Christian. Me sentei em minha mesa de costume e meus momentos em aula com Christian me vieram, ele insinuando que minhas anotações eram suas e nossas risadas secretas. Corinne e Christian chegaram de mãos dadas, conversando sobre algo inaudível à distância. Eles correram os olhos pela sala e os olhos de Christian pousaram na cadeira ao meu lado. Só havia aquela e mais uma distante vagas. Christian engoliu em seco e andou em direção à mesa da Srtª Peynes. Eles cochicharam em conversa durante alguns instantes e a Srtª Peynes se levantou. — Srtª Steele? – Chamou. Ergui os olhos em sua direção. – Poderia escolher outro lugar, por favor? — Por qual motivo, professora? Desde que entrei estou aqui. – Cruzei os braços dando ênfase, sentada de um modo relaxante na cadeira. — Não há outra carteira dupla vaga. Somente a da senhorita. – É claro que ela fazia algo do tipo. O pai de Christian só podia ser dono daquele local também. Pelo desespero evidente em sua postura, era bastante perceptível. — Há outra carteira ali. – Apontei para uma ao lado de um garoto que não sabia o nome. Srtªa Peynes pareceu envergonhada pela mentira que contou. – E outra aqui. Acho que o casalzinho pode ficar separado durante alguns minutos. – Sorri. — Ou você e o garoto podem sentar juntos. – Corinne bateu o pé e colocou as mãos na cintura. — Deixa de ser infantil. – Enruguei as sobrancelhas para sua pose de criança de seis anos. — Srtª Steele, eu terei de insistir? – Srtª Peynes indagou com as mãos unidas diante do corpo. — A Srª pode parar agora mesmo, caso contrário minha mãe ou meu pai virão aqui tomar as providências cabíveis. Eu pago este lugar e vou me sentar aqui, não há quem me tire desta cadeira. – Ergui uma sobrancelha. — Por favor, Ava. – Christian pediu próximo ao meu rosto. Seu pedido mexeu com algo no fundo do meu espírito, eu deveria dar uma chance para ele. Seja lá para o que fosse. Me levantei. – Que fique claro que estou fazendo isto para que a Srtª Peynes não perca o emprego, e para que eu não fique taxada de infantil. Deixei a sala avistando um sorriso vitorioso no rosto de Corinne e então eu entendi, ela estava querendo me afastar de Christian a todo custo e, sentia muito, em reconhecer que ela estava conseguindo. Fui pelo estacionamento sem que nenhum funcionário me notasse e saí pelas catracas do local. Subi em minha moto, coloquei o capacete e dei partida na moto. Passeei pela cidade, com pensamentos aflorando minha mente. Com sentimentos passando por mim. Nem eu entendia pelo o que estava passando real e momentaneamente. Eu não sabia se sentia falta de Christian, ou se aquilo era ciúme. Percorri as ruas movimentadas de Manhattan, visualizando os pontos significativos da cidade. Nova York era linda e tinha certeza que nunca perderia sua essência incrível, inigualável. Estacionei diante do prédio de Christian, com a intenção de falar com Kate. Passei meus dados na recepção e Kate liberou minha entrada. Encontrei a mesma apoiada no batente da porta de entrada. — Oi, baby. Não encontrei você na saída. – Enrugou as sobrancelhas. — Vim buscar você para retirarmos os vestidos. Com um sorriso e sem indagações, ela fechou a porta atrás de si. Descemos juntas e seu sorriso se desmanchou quando ela encontrou a moto do lado de fora do prédio. Ela apertou o botão do elevador e quando entramos ela pressionou um dos botões da garagem.
Enruguei as sobrancelhas. – Você não tem carro. — Eu já esperava você e aquele troço. – Ela ergueu os dedos e tilintou uma chave entre eles. – Elliot saiu, então só sobrou o Audi de Christian. — Isso é roubo!- Olhei exasperada para o molho de chaves. — Que nada. Ele deixou. – Ela deu de ombros, despreocupada. Suspirei aliviada. – Nem disse nada quando peguei a chave e ele só vai poder dizer algo quando voltarmos. — Kate! – Minha voz ressoou pelo estacionamento enquanto caminhávamos em direção ao veículo prata de Christian. — Não aguento mais aquela garota! E Elliot não faz nada. O apartamento é de ambos e não somente de Christian. Eles são um casal chiclete demais. Você faz falta. — Nada de insinuações. – Pedi, erguendo as mãos em forma de redenção. Entramos no carro com a adrenalina percorrendo meu corpo. Kate me passou as chaves e dei partida no veículo. Saímos pela cancela com o cartão de liberação de Kate. Percorremos algumas ruas de Manhattan em pura paz. Em um silêncio confortável, silêncio que apenas amigos muito próximos dividiam. Era como se o ar ao nosso redor cuidasse para que uma conversa fluísse por meio de telepatia, talvez. Até que por instinto olhei pelo retrovisor central e avistei duas motos com dois passageiros atrás de nós. Um dos motoristas apontou adiante, em direção ao carro de Christian e o outro avançou pela esquerda, enquanto o que apontou, foi lentamente pela direita. Tentei acelerar, mas havia um carro diante de mim, e caso pisasse fundo no acelerador, bateria de encontro à traseira daquele Jeep enorme. Kate notou meu olhar. – O que está havendo? Não respondi. Transbordei meus olhos para o retrovisor ao meu lado. Minha respiração foi puxada de volta para os pulmões, e a prendi na garganta. A moto estava mais próxima, e o carona estava com a mão por dentro de sua jaqueta cara, puxando algo e olhando ao redor. Estávamos à luz do dia em um local movimentado de Manhattan, e estávamos perto do próximo sinal. Se o Jeep acelerasse só mais um pouquinho. Estaríamos quase lá, quase lá. Pressionei a buzina, mas era tarde demais. E a partir de então, tudo veio em câmera lenta. Uma lágrima escorreu, pois soube que não se tratava de assalto e sim de atentado... Uma chance ainda ressoava em minha mente, mas quando tentei utiliza-la ambas as motos me fecharam e também uma van atrás de mim. Eu estava cercada, Kate estava comigo e eu estava no carro de Christian. O prejuízo seria grande...Pá! Um tiro. Seco. Cortando o ar e o silêncio da minha mente, estilhaçando o vidro. Me abaixei por instinto, mas senti um calor pequeno emanar em meu ombro. Eu fora atingida. Pá! Outro tiro. Aquele acertou algo, mas não soube o que era. Pá! Pá! Pá! Três pontos secos em uma tarde quente de Manhattan. A única coisa que passava pelo silêncio em que me afoguei, me abaixando descontroladamente no banco do carro, eram os gritos das pessoas próximas, os pneus se chocando contra o asfalto e o grito desesperador de Kate. Ela também estava abaixada, mas sentada no chão do carro, mais protegida que eu, e provavelmente fora por aquele motivo que ela fora retirada primeiro do carro e depois, talvez uma coronhada, me desacordou. Um choque duro contra a parte de trás da minha cabeça, próximo à nuca. E lágrimas jorraram ainda mais fortes dos meus olhos. Era tarde demais.Ai. Era a única coisa que conseguia pensar. Todo meu corpo doía. Bips aceleraram junto com os batimentos do meu peito. Hospital? A resposta veio a cavalo. Engoli em seco, sentindo aquela água interna correr garganta abaixo. Sentindo-a pelo meu corpo. Mexi um dedo e depois dois. Umedeci os lábios com a ponta da língua e passos de sapatos caros chegaram mais perto, silenciosos e cuidadosos. Tentei abrir meus olhos, mas os mesmos estavam pesados demais, como se houvesse uma pedra em cima de cada um deles. — Ava? – Uma voz choramingou. – Está acordada? Diga que sim, por favor. – A mão, do rapaz que falava, se apossou da minha. Ele a fechou em seus dedos cálidos e fortes, mantendo-os quentes.Por favor, toque meus olhos. Talvez assim eu consiga mexe-los. Engoli em seco. — Vamos. Sei que está aí. – Lábios úmidos tocaram o pequeno ponto no centro da minha testa, tão delicados. Diferente de tudo que já senti, mas... espera. Já senti esses lábios neste mesmo ponto. Com o mesmo gesto, mesma velocidade e calor. O mesmo modo de sempre e mesmo sem ver, sentia que ele fechou os olhos depois do beijo na testa e mesmo antes de sentir a carne junto ao osso de sua testa contra a minha, soube que ele faria aquilo. Não era Cary, como pensei. Era Christian, só ele fazia esse ritual de toques comigo. É claro que era ele, lá estavam seus polegares em pequenos círculos nas palmas das minhas mãos. Me trazendo para a vida de uma maneira delicada, me chacoalhando ao seu modo. Mas, mesmo com todo o sentimentalismo, podia sentir sua culpa emanar de todos os poros de sua pele. Então seus lábios desceram, oscilando por todos os pontos do meu rosto. Toda a extensão da testa percorrida por beijos úmidos e não apenas pela sua saliva, mas também por lágrimas, podia senti-la pingando quente em minha pele e fazendo com que as barreiras da minha saíssem. Atentado. A resposta veio clara. Aquilo fora um atentado e você está no hospital, mas como vi Kate sendo puxada por alguém antes de desacordar? Seus lábios agora beijavam ambos meus olhos e só então consegui abri-los. Ainda em prantos puxei o rosto úmido de Christian contra o meu esfregando nossas faces, misturando nossos sofrimentos e desespero. — Kate? – Indaguei com voz rouca. Puxando do fundo da consciência, em uma tentativa de impor respeito para que alguém me respondesse. — Está no quarto ao lado. – Sua voz embargada respondeu. – Cary e Elliot estão com ela. Suspirei. – O que aconteceu? — Um atentado. – Disso eu já sabia, pensei. Sentia minha garganta queimar com o ar que ia e vinha e todos os pontos do meu corpo doíam, principalmente a parte de trás da cabeça. – Que provavelmente deveria ser meu. — Seu? — É. Meu. – Seus olhos estavam distantes em uma sequência de imagens que só o mesmo via. — Onde está Corinne? – Indaguei, desviando o assunto. — Optou por ficar em casa. — Ótimo. Assim é bem melhor. — Agora não é hora, Ava. – Christian suspirou, exasperado. – Pare de provoca-la por enquanto. Vocês duas, debaixo do mesmo teto, são uma confusão. – Ele soltou um risinho, como que para aliviar a tensão de suas palavras, mas isso não adiantou. Nem toda a sua bondade e compaixão estancaram a presença de culpa em seus traços. — Você sabia que tínhamos pegado as chaves. – Chutei em falso. – Corinne deve ter falado, ou sei lá o quê. Mas, você imune a ela, não fez porra nenhuma. Meu coração estava ritmado por batidas aceleradas. Sentia um suor quente de raiva escorrer pelo centro de minhas costas e marcar minha testa. É claro que ele sabia, a resposta ficou evidente por sua testa enrugada, frustrado. — Infeliz. – Sibilei. – Quem fez aquilo? — Passado, Ava. Olhe para frente. – Naquilo ele tinha razão. — Quanto a sermos uma confusão debaixo do mesmo teto. Graças a Deus sai daquele lugar. — Não fale assim. – Pediu com as sobrancelhas arqueadas, olhar vago. — Falo assim, sim. Estou com isso entalado na garganta há dias, semanas, sei lá, perdi as contas. – Exasperei-me. Christian segurou um riso arrogante com um ronco. — Esse quarto todo é meu? Cadê meus pais? – Eles deveriam estar pagando por aquilo. — Fiquei de ligar para eles quando acordassem. Estão viajando, a negócios. – Explicou puxando um telefone celular do bolso de dentro de sua jaqueta de couro. — Como pagaram o quarto se não estão aqui? – Procurei seus olhos, mas sua cabeça estava baixa, impossibilitando a troca de olhares por qual procurava. — Arquei com as contas. Eles concordaram, depois de muita insistência. – Ele sorriu de lado. — Meus pais nunca aceitariam. O que você fez com eles? – Brinquei com uma piscadela. — Coloquei em uma daquelas cadeiras de choque. – Respondeu brincalhão, enquanto compartilhávamos uma gargalhada há muito tempo esquecida.
Notas finais
E aí? Vocês gostaram? No que acham que vai dar tudo isso? Muito ainda tem pra acontecer. Espero que vocês continuem gostando e comentando cada uma de suas opiniões, beijão, meu amores e até depois de amanhã!
PS.: Sei que postei um dia depois, mas é que ontem meu dia tava cheio ]=
PS.: Sei que postei um dia depois, mas é que ontem meu dia tava cheio ]=
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