Apenas Meu.
34 Apaixonada.
Notas iniciais
Para não ficar como propaganda minha, vou perguntar quem está interessado. Eu estava lendo 'Entre o Agora e o Nunca' e postei num blogue que tenho com uma amiga. Você querem o link?
E agora, vocês, meus lindos leitores tão tristes quanto eu pelo fim... tenho uma notícia... boa!
Vou escrever a segunda parte de Apenas Meu (sim, mais de Chrisava por aí). Mas não vou criar outra fic, com outra sinopse e tudo mais. Vou continuar por aqui, belezinha? Fica mais fácil pra mim!
Boa leitura! Leiam com a música, é lida!
Now I am strong (Now I am strong). You gave me all. You gave all you had. And now I am whole. (Sia – My Love).
Eu me senti mais leve depois do que disse ontem. Eu via a parede a minha frente tomar a cor rosa que Jullie escolheu. Sempre gostei das coisas caseiras, e foi por isso que decidi pintar a única parede que teria essa cor, para depois tomar a liberdade de fazer os desenhos nas pontas das paredes em um tom bem límpido de branco.
Do que eu tinha certeza naquele momento? Que a verdade era a alteração de uma vida inteira de um relacionamento. Afinal, Christian e eu tínhamos uma história de pouco mais de três anos e aquilo era realmente incrível de se sentir. Tê-lo em meus braços era como sentir uma calmaria constante atingir meu peito. E sentir que estava em seus braços, me trazia uma sensação ainda mais... gostosa. Porque eu sabia – e sentia – que também provocava aquilo nele. Eu também provocava a calmaria de que ele necessitava e adorava provocar aquilo em quer que fosse; quanto mais se esse alguém fosse Christi... Chris. Isso, assim soa melhor dentre meus pensamentos em turbilhão.
Continuei a passar o pincel para cima e para baixo sobre a parede, fazendo o tom de rosa diferente surgir diante dos meus olhos. Meu celular estava no modo aleatório de canções. E a que começou me animou a cantar, movi os lábios delicadamente ao redor das letras cantadas e sorri ao lembrar que aquela canção me levou ao quarto que Christian fez para mim certa noite.
Lentamente, eu comecei a me mover ao som da música, bem lentamente mesmo, porque era o que a canção nos exigia. Minha voz aumentou um pouco e me virei para afundar o pincel na tinta cor-de-rosa. Só então o notei. Olhos alegres, lábios sorridentes e maçãs do rosto erguidas.
- Está ficando muito bonita... a parede. – Christian comentou, ainda olhando no fundo dos meus olhos, como se não existisse parede alguma para ser pintada.
- Vamos, tire a roupa e venha me ajudar. – Eu chamei, movimentando o pincel minimante seco.
Ele acenou em positivo e tirou os sapatos ali mesmo, junto com o blazer e a camisa, deixando tudo no pé da porta. Depois, ele caminhou na minha direção, enfiando os dedos nos fios negros e bagunçando-os como se o gel o incomodasse profundamente. Ele se abaixou e tomou um pincel em mão, afundando-o no balde de tinta, e passando nos pontos mais altos que eu não alcançaria sozinha.
Começamos a pincelar a parede com mais agilidade, nós não tínhamos palavras para dividir, mas um silêncio bom para compartilhar. E como era bom me sentir de tal forma com ele. Era a primeira vez que eu me sentia extremamente calma e sabendo que estava seguindo o caminho certo. Christian já me tinha, mas eu adorava estar sendo conquistada por ele. Cada uma das suas ações, dos seus olhares e dos seus sorrisos falava isso para mim. E como era bom saber que tinha alguém lutando por você.
*
No final do dia, a parede estava pintada com a primeira mão de tinta. Christian estava tomando banho em seu quarto, e eu lendo a mensagem de Kate: estamos indo aí!
Então, tudo bem, pensei. Fazia tempo que Kate e eu não colocávamos o papo em dia. Ela nem sabia dos últimos acontecimentos! Também, com todos os preparativos do casório que estávamos planejando, nos impedia de conversas despreocupadas.
Cinco minutos depois, Kate me mostrava diversas formas de dizer que o quarto iria ficar bonito. Ela espiou o lado de fora, escutando a conversa entre Christian, Elliot, Cary e Mia lá em baixo, e trancou a porta do quarto com odor de tinta fresca. – O que está acontecendo aqui, hum?
Ela se aproximou ameaçadoramente de mim e eu me sentei no chão. Meus ombros despencaram enquanto eu contei tudo desde o rompimento com Gideon e o acidente da família que se seguiu a morte de Corinne. Depois continuei com como me sentia em relação à Jullie. E disse para ela que contei sobre meu maior segredo. Naquele momento, suas sobrancelhas se ergueram.
- Viu? Ele não se distanciou como você achava. – Seu sorriso para transmitir confiança me atravessou, e eu a acompanhei. – Agora você precisa ser aceita por Jullie. O que não vai ser muito complicado, concorda?
Eu acenei em positivo, incapaz de responder com as imagens que tinha dela na minha cabeça.
- Bom, os preparativos com o casamento, estão uma verdadeira merda por minha parte. Eu não consigo nem fazer a lista de convidados. Você, Mia e eu escolheremos os vestidos essa semana! – Ela bateu palminhas, saltitando sentada diante de mim.
- Sério? Você já decidiu a data. Estava em dúvida entre duas, certo? – Indaguei, apoiando minhas mãos no chão com os braços esticados atrás de mim.
- Já! Mas só vou contar quando eu escolher o vestido. Preciso, mesmo, da sua ajuda. E a propósito eu trouxe um vestido hoje.
- De noiva? – Indaguei, remexendo as sobrancelhas e achando a ideia ridícula.
Kate estava vestida com um jeans muito justo e um top sem alças com suas sandálias com stress que brilhavam a qualquer luz suave.
- Claro que não, bobinha! Para irmos a um pub hoje!
*
Eu não consegui convencer Kate a não ir até um pub. Então, eu entrei em um vestido – muito justo, por sinal – de cor vermelha e calcei suas sandálias douradas. Conseguimos dar um jeito na minha imagem pós-pintora. Estávamos descendo do carro de Elliot, com Mia no colo de Cary no banco de trás. Só então notei que era o mesmo pub em que abracei Christian antes de viajar por tempo indeterminado, em uma casa próxima a praia na Carolina do Norte.
Curiosamente eu notei em que data estávamos. Estávamos uma semana antes do dia dos namorados. Por isso Kate resolveu sair com Elliot e Cary com Mia. Mas ninguém havia mencionado a intenção por trás disso. Eu olhei diretamente para meus melhores amigos de anos, e ambos esconderam seus olhares, sabendo muito bem que eu havia descoberto o plano deles.
- E se eu quisesse ir embora agora, vocês deixariam? – Indaguei, cruzando os braços e impulsionando os seios para cima.
- Claro que não. – Mia acenou com a cabeça em negativo, linda demais com seu cabelo mais longo e mostrando parte da barriga em seu conjunto cropped de cor lilás.
Eu abri os lábios em um “o” perfeito ao me dar conta de que todos estavam juntos naquela. Me virei para Christian e notei que ele também não sabia, pois se soubesse já deveria ter me jogado sobre seu ombro e me empurrado para dentro do pub à “força”.
Eu sorri com a lembrança das vezes em que ele fez isso.
- Bem, vamos logo! – Christian disse, me puxando pelo pulso, enquanto caminhávamos lado-a-lado pela curta fila que nos empurrava para dentro, ele deslizou sua mão em torno da minha e eu não impedi que ele me tomasse entre os seus dedos.
Me senti como a adolescente que era na primeira vez em que ele fez isso comigo. Havia borboletas flutuando no meu estômago, e tudo pareceu correr em câmera lenta, enquanto eu sorria e sentia minha mão gelar. Alguns minutos depois, Kate – como sempre – conseguiu uma mesa para nós e um dos barmen nos trouxe uma rodada de tequila grátis. Elliot não pegou um dos minúsculos copos, pois era o motorista da noite.
Um som de microfone sendo testado soou ao nosso redor e as altas conversas cessaram, aguardando.
- Bom, pessoal. – O cara com o microfone iniciou sua fala. – Como sabem, hoje é nossa noite de casais. E três casais ganharão alguns brindes. – O rapaz se aquietou por um instante, enquanto os urros animados surgiam em cada mesa, na nossa foi Cary quem gritou. – Então, teremos danças e outras coisas interessantes. Depois, escolheremos os casais.
- Eu quero ganhar! – Kate disse, dando um tapa leve na mesa em que nossas bebidas estavam.
Assim que terminamos as bebidas. A iluminação caiu abertamente. Nada de luzes piscando, ou as coloridas. Havia apenas um silêncio e pessoas frustradas na pista de dança. E a parede de amassos não parou com beijos e pegações.
- Como eu disse. – A voz no microfone voltou a soar alta. – A canção para os casais.
Assim que ele terminou o som subiu, trazendo-nos uma canção delicada demais. Mas todos os casais presentes se levantaram e dançaram em qualquer espaço vazio disponível. Eu sorri quando Kate arrastou Elliot – que odiava dançar – e quando Cary segurou a delicada Mia pela mão, arrastando-a para o mais fundo possível dentre os corpos. Todos os corpos se moviam em ritmo lentos, quadris colados, olhos sorridentes. Não havia outra coisa para fazer naquele momento. Engoli em seco, incomodada por só ter restado Christian e eu, sentados, fingindo estar alheios à eletricidade que ia de um para o outro. Então, a música parou, e esperamos a voz.
- Opa! – Ele começou, com uma voz de decepção, um foco em círculo de luz começou a passar pela multidão. – Estou vendo um casal sentado! – Então, o foco da luz pousou sobre meu rosto e o de Christian sentado ao meu lado.
Eu sorri encabulada por todos estarem nos olhando, e abanando as mãos, nos convidando a ir até a pista de dança, ou qualquer local disponível. – Vamos cavalheiro. – O rapaz do microfone incentivou.
Um urro de “vamos” começou a soar entre as pessoas, enquanto Kate ria abertamente do meu rosto ruborizado. Os urros não cessaram enquanto Christian levantava-se nos calcanhares e me segurava da maneira que só ele sabia segurar. As duas mãos na parte mais baixa das costas, mas nunca atingindo um ponto que me incomodasse demais. A música retornou, e dançamos entre os outros casais. Mesmo sob o tecido de sua camisa grafite, eu conseguia sentir o batimento rápido de seu coração. Eu também conseguia sentir como seus dedos faziam com que brasas atravessassem o fino tecido do vestido. Senti seu cheiro, inalando-o para o mais fundo em mim. Senti quando sua respiração bateu no contorno do meu pescoço e ombro. Ouvi seus lábios estalarem próximo ao meu ouvido, e sorri, sabendo que ele diria algo a seguir.
- Espero não estar incomodando. – Ele sussurrou, sua voz entrou junto com a música, causando arrepios pelo meu corpo.
Eu me inclinei para perto dele, pressionando meus seios com mais força contra seu peito. – De jeito algum.
*
Durante a noite nós bebemos mais alguns drinques. E cada casal se aprofundou em sua conversa. Christian e eu recuperamos a intimidade há um tanto perdida. Sua mão permaneceu na minha coxa, e quando ele achava apropriado, tocava seu lábio no meu rosto. Fez isso quando foi ao bar buscar mais bebidas, pois Cary e Elliot estavam demorando.
- Mas. Que. Maravilha! – Kate disse, se inclinando sobre a mesa com um grande sorriso.
- Verdade! – Mia concordou. – Vocês estão como aqueles dois pombinhos de três anos atrás! Falando sobre Jullie e o trabalho e tudo mais!
- Que tudo. – Kate murmurou, sua cabeça despencando para um lado, sem despregar os olhos dos meus.
Eu fiquei sem reação, claramente animada com para onde estávamos indo em nossa “conquista”.
A conversa parou assim que os rapazes chegaram com mais copos altos de drinques. Christian veio com o meu favorito, batida de abacaxi. Sorri, impressionada com sua ótima memória para pequenos detalhes.
*
A música animada tinha voltado a tocar. Kate e Mia se balançavam ao meu redor, enquanto eu impulsionava meus quadris e corpo a dançar. O problema era que meus pés estavam me matando, por estar dançando por quase uma hora completa. O suor escorria por toda pele exposta do meu corpo. E eu precisava de um refresco rapidamente. Eu segui para o bar, esbarrando com o ombro para que as pessoas saíssem do meu caminho, e suspirando quando encontrei uma alta banqueta vazia. As meninas não se importariam com meu sumiço repentino.
Eu pedi uma água com gelo, quando um dos rapazes atrás do balcão me perguntou o que eu queria. Eu me sentei no estofado frio do banquinho, sentindo como aquele leve atrito me deixava um pouquinho mais fresca. Eu senti o rapaz ao meu lado se aproximar de mim, e vi seus olhos descerem por minhas pernas, mas não queria me virar em sua direção e dar a entender que estava interessada. Só me movi, quando senti sua mão no alto da minha coxa, ousando ficar por baixo da saia do meu vestido. – Oi, amor. – O apelido dado por ele, me levou a última noite em que Nathan conseguiu me pegar no jardim da casa de Christian.
- Tchau. – Eu respondi, enquanto pegava o copo com água e gelo entre meus dedos e tentava me levantar.
Rapidamente, ele moveu sua mão para a carne acima do meu cotovelo, e me segurou ali, muito próxima dele. – Eu só quero uma dança. – Ele pediu com voz arrastada, e beijou meu braço, passando seus lábios nojentos por todos os lados.
Não resisti e virei meu copo contra seu rosto. Ele prensou os olhos e riu sem humor. Tentei me soltar de novo, mas ele me agarrou pela cintura, me deixando e me prendendo entre suas pernas, enquanto suas mãos subiam pelas minhas pernas, até encontrar minha bunda. Minha mão estalou em um tapa contra seu rosto.
- Me larga, seu porco! – Eu reagi entre dentes. Sentindo toda a ira tomar conta de mim, enquanto suas ações me lembravam algo tortuoso.
- Não quero. Não vou. – Ele respondeu.
Antes que eu pudesse responder, seu rosto foi atirado para o lado. Ele teria caído se não tivesse se segurado no balcão. Fui puxado para um par de braços e Christian estava com os pulsos erguidos na direção do homem. – Nunca mais toque nela. – Vociferou entredentes. Ele sabia agora. Me entendia agora. Eu sorri, sabendo o que ele estava fazendo, e não precisava me virar para saber que aquele que me segurava era Cary. Seus braços sempre continuariam com a mesma intensidade e calma em torno de mim. Aquilo foi suficiente. Eu não chorei. Ou desmoronei diante de todos.
O rapaz tinha cabelos castanhos sobre a testa e os olhos de cor mel, que confundiam-se com dourado ao longe. Sem palavras, ele passou por nós, com os seguranças já próximos, acompanhando-o até a porta que dava para a rua.
- Está tudo bem? – Christian indagou, aproximando-se de mim e tocando meu queixo. Cary me largou assim que ele se aproximou.
Eu acenei em positivo. – Obrigada. – Disse com voz suavemente abalada.
Ele bufou, como se o agradecimento fosse ridículo. — Ninguém, além de mim, toca naquilo que me pertence. – Ele murmurou, quase que de maneira inaudível e beijou minha testa.
Nossos movimentos eram tão cuidadosos e delicados, por estarmos naquele local. Que eu me apaixonei por ele de novo. Eu já o amava há um tempo. Mas era como quando a tatuagem precisava ser retocada. Meu amor por ele precisava ser retocado. Porque eu não conseguiria sentir paixão e amor por ele apenas com as ótimas lembranças que tinha do nosso relacionamento. Eu precisava daquilo. Daquela proximidade que ele criou entre nós novamente. E eu com certeza precisava que ele fizesse o que fez a seguir. Ele se inclinou na minha direção e beijou o canto da minha boca. Me deixando no completo: “só isso?”
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