Apenas Meu.

35 1ª pt: Extasiada.


Notas iniciais
Bom, pra quem viu minha postagem em O Ouro do Anjo antes que essa, vai entender o que vou dizer. Lá, eu disse que seria uma autora boazinha, mas como não consigo fazer isso 100% bem, eu vou ser malvadinha aqui, ok? Não se decepcionem! É que no meu conceito, a primeira parte do capítulo terminaria bem assim. E, por favor, escutem a música. Ela é ótima, a letra é perfeita pra voz da cantora, e a música, pro momento! Aproveitem! E Feliz Aniversário, Stella. Estou te dando os presentes, tá?!?!?!

And they don't know what I've been through like you do. And I was made for you... (The Story – Brandi Carlile).

Algumas horas depois, eu estava sentada no sofá do meu apê que dividia com Cary, enquanto puxava os saltos que estavam acabando com meus pés. Christian trancou a porta atrás de si, e Cary não estava em casa. Estranhamente, meu coração estava acelerado demais, fazendo com que meu peito subisse e descesse com a respiração descompassada.

- Vou tomar um banho. – Ele informou, sentindo-se em casa e usando as roupas que deixou por lá nas vezes em que dormiu aqui com Jullie. – Não. – Ele disse repentinamente. Me virei em sua direção, ainda tonta com a bebida e as luzes da balada. – Vou comer algo, na verdade. Pode ir à frente se quiser.

Eu dei de ombros, passando por ele a caminho do meu quarto, enquanto ele seguia rumo à cozinha. Eu tirei o vestido bem lentamente, deslizando-o pelo meu corpo e lembrando-me dos pontos altos da noite. Deslizei pelo box do banheiro e liguei a ducha, me encharcando sob ela.

- Sabe. – Dei um pulo com a voz repentina e cobri minhas partes íntimas rapidamente, até notar que Christian entrava no banheiro com uma boxer escura pendurada em seu quadril fino e uma fruta em sua mão. – Sua casa está precisando de compras. Tem mais comida pra Jullie que pra você. – Ele comentou, mordiscando sua maçã e sentando-se no chão, me olhando entre o vidro que nos separava. Meu corpo correspondeu à presença do seu instantaneamente, enquanto ele não parecia me ver nua diante de si.

Ele continuou a conversar como se nada tivesse ocorrido nos últimos anos. Eu continuei a me lavar, mas eu não correspondia à conversa. Minha mente estava perdida. Perdida naquilo que eu sabia que tivemos. Naquele sentimento que escondemos por tanto tempo. Tão desnecessário. Mas era só eu me lembrar de Jullie. E saber para quê todo aquele esforço valia. Nosso afastamento tinha salvado ela.

Seja lá do que fosse. Nós tínhamos salvado nossa pequena Jullie Rose Maddox. Nós tínhamos deixado viver com quem ela merecia viver. E não nas garras de Nathan, ou nas patas de Corinne. Eu com certeza a amava como uma filha. E sorria, não para aquilo que Christian lembrava. Mas pelo nosso primeiro momento se passando por minha mente.

– Acho que é bem óbvio. – Me lembrei de sua voz murmurando naquela noite, e um arrepio intenso me percorreu no presente.

Eu não o conhecia, como os outros e me virei em um pulo, apenas para me deparar com seus olhos intensos e sua sobrancelha negra se erguendo em sua testa branquinha. – Olá, visitante. – Aquela foi a noite em que ele me apelidou para o resto da minha vida. Aquele foi o dia em que ele entrou em minha vida para ficar presente nela. Não chegar e sair repentinamente, como achei que tinha acontecido há algum tempo. Lembrar aquele momento fez a chama do novo reacender em mim. Mas agora, fingindo que tomava banho naquele box, eu estava me sentindo vazia. Me sentindo vazia por ele ainda estar falando, enquanto comia os restos da maçã.

Eu sei que tinha pedido com calma há um tempo. Mas em pé ali em baixo daquela água, eu não queria distância alguma. Eu o queria sob a água junto comigo. Meu maxilar travou em si mesmo. Oras! Corra atrás, pensei. Eu o olhei pelo vidro e vi os olhos penetrantes como naquela noite. Olhos verdes, tão claros, que eram quase cinzas prateados. Incríveis.

Ele sorriu, com os dentes a mostra, coisa que começou a fazer comigo depois de uma longa convivência.

Ainda assim, me virei para terminar de lavar meu cabelo. E continuei com as memórias que insistiam em não sair da nossa primeira noite.

Eu ri com a memória seguinte. Me lembrando como era diferente na época. Querendo apenas uma noite de sexo com ele. Cabelos amarrados, roupas masculinas, sem maquiagem e ainda assim, linda aos seus olhos.

– Tudo bem, eu solto seu braço. – Me lembrei de ele dizendo, e me lembrei de como achei estranho ele obedecer com tanta facilidade.

Lembro-me de ele sumir da minha frente, e eu encontrar seu quadril próximo ao meu rosto e depois ver meus fios negros formarem uma cortina em torno do meu rosto, por estar de ponta cabeça, apoiada em seu ombro.

– Cary! – Gritei e pedi. – Mande-o me colocar no chão! – Fora mesmo aquilo que pedi? Quão tola fui!

– Nem tente, Cary. – Christian o ameaçou com palavras e sorri com a lembrança.

- No que está pensando? – O Christian ao lado de fora do box indagou e minha atenção foi voltada para ele.

- Nada. – Eu sorri, respondendo, ainda com os resquícios das memórias.

- Ah. Você vai contar. – Ele pareceu ameaçador levantando-se do chão e vindo em minha direção. – Se não. Minhas mãos irão persuadir você... – Ele deixou a frase ameaçadora no ar. Mas eu só senti desejo. – Você sabe. Cócegas. – Ele explicou movendo seus longos dedos e eu ri.

- Não! – Me alarmei. – Por favor. – Pedi, enquanto sua mão com dedos longos já abriam a porta que nos separava, eu a segurei, pouco me importando se meus seios balançavam enquanto eu fazia aquele movimento brusco.

Eu me lembrei do nosso primeiro beijo. Que foi dado depois de uma sessão de cócegas de surpresa. E sorri.

Eu não consegui segurar a porta de vidro por muito tempo. Ela estava escorregadia, pelo creme em meus dedos e pela água em sua extremidade. Christian foi mais rápido abrindo-a com pressa e fechando-a logo depois. Me encolhi até a parede.

- Não faz isso! – Esperneei, tentando parecer séria acima das minhas risadas desesperadas. Ele me assustou, empurrando uma mão na minha direção e puxando-a de volta com meu grito.

Ele já estava todo úmido. Cabelos colados na testa, olhos piscando, rosto avermelhado e peitoral completamente úmido, deixando a visão ainda mais excitante. Ok, eu tinha de parar de pensar naquilo! Sua cueca estava pesada, mal se segurando em seu quadril. E ah, como eu torcia para que caísse ali mesmo.

Ele notou minha distração, e investiu contra mim delicadamente, me empurrando contra a parede e segurando ambos meus pulsos com uma mão. Fazendo as cócegas no ponto vulnerável da minha barriga. Ele só parou depois que eu pedi muito entre as risadas, sentindo meus seios saltitarem pelos meus movimentos de escape. Ele só parou, quando seu peito fez com que os meus parassem de saltar. Ele só parou, quando seus lábios investiram contra os meus. Eu não protestei contra aquilo.

Notas finais
E aí? Eu estava revisando o capítulo e sorrindo, eu gostei do resultado, vocês também? *-*