Notas iniciais
Bom, esse capítulo não vai ser muito longo, mas pra compensar eu coloquei uns POV's do Christian. Vocês entenderão o uso do 'uns', enfim, eu realmente espero que vocês gostem do que aprontei aqui, porque sei que irão me matar no próximo. Estamos chegando na reta dos acontecimentos finais ]:
Eu gostei de revisar esse capítulo com essa música:
Over the Love - Florence

As alças das malas estavam atadas em minhas mãos. Cary e Kate vinham logo atrás, acompanhando meus passos. Cary carregava a mala maior. O dia estava ensolarado lá fora, aquecendo minha nuca livre de cabelos, que estavam atados em um rabo-de-cavalo-alto. O carro negro me aguardava ao lado de fora do edifício. Earl tocou seu quepe, mostrando-me que estava a espera. Mesmo ao ligar para papai e pedir que o mesmo viesse me buscar para me levar a casa da praia, eu sabia que ele chamaria Earl, e provavelmente alguma moça de confiança para compras e afins.

A realidade escorregou por meus ombros, enquanto meus olhos se embaçavam. Me virei e abracei Cary, ficando nas pontas dos pés para afundar meu rosto em seu pescoço. Eu não precisava lhe contar a verdade. De alguma forma, eu sabia que ele sabia o que estava acontecendo de verdade. Suas mãos pressionaram minha cintura, mantendo-me próxima a ele. Eu tive vontade de chorar e lhe contar toda a verdade. Vontade de leva-lo comigo, pois companhia melhor não havia.

Kate se mostrou emotiva do outro lado, enquanto tocava sua mão em meu ombro e sorria de canto, tentando afastar as lágrimas que escorreram por sua face. Ainda relutante, me soltei do calor de Cary e me agarrei a felicidade que Kate sempre emanava. Ah, amiga se você soubesse a verdade de tudo. Ela imaginava que eu ficaria por lá apenas por alguns dias. Beijei seu rosto, e arrumei seus cabelos, sorrindo em sua direção.

- Tchau, pessoal. – Disse com voz embargada, olhando de Cary para Kate.

- Da próxima vez, vamos com você. – Cary disse, dando-me uma piscadela e estendo a mala para Earl, assim que o mesmo se aproximou.

Earl pegou todas as malas e as levou em direção ao carro, abrindo o porta-malas e organizando-as lá dentro. Bom, estava tudo feito. Despedida simples feita. Um vulto me chamou a atenção do lado direito dos meus olhos. Eu não precisava me virar para saber quem era. Eu não queria me virar para ver que Christian estava lá e para saber que de alguma forma ele sabia o que estava ocorrendo de verdade.

O choro tomou conta do meu corpo todo de novo. Lágrimas escorreram livres e depressa e Cary olhou para o lado, notando a presença de Christian. Eu sabia que se ficasse um segundo a mais, ele me convenceria a ficar.

Corri.

Corri em direção ao carro que me aguardava. Corri em direção ao futuro que impus a mim mesma. Corri o mais depressa que pude, com toda a tristeza me embalando em um abraço glorioso. Abri os lábios em um grito mudo, não querendo passar por aquilo. Lembrando-me de suas palavras calculadas e doces. Não vou sair da sua vida com muita facilidade. Ah, Christian, eu estou te enxotando dela. Mesmo sem querer, mesmo sem realmente conseguir. Será que me afogarei em uma depressão profunda novamente? Será que as memórias de tempos bons me pressionarão a fazer algo que não agrade a ninguém? O passado nos impedia de começar ou continuar. Eu não podia lhe contar toda a absoluta verdade. Não podia contar que fora abusada e estuprada quando criança. Não podia lhe contar ao caminho que todo aquele acontecimento constrangedor me levou.

Era por isso que estava partindo por sabe Deus quanto tempo. Eu queria distância do que me levasse de volta para Nathan, mas, ao mesmo tempo, eu não queria me distanciar de Christian como
Corinne me obrigou a fazer. Bati a porta do carro atrás de mim e fitei Christian correndo com pressa incontida em direção ao carro e mesmo quando Earl deu partida e acelerou pela cidade, ele continuou correndo até Cary agarra-lo pelo ombro, segurando-o.

Chorei pelo caminho todo, até cair em um profundo sono. Sonhos e pesadelos o rodearam.

Duas semanas mais tarde...

Acreditei que aquele tempo seria suficiente. Mas me dei conta que não. Depois de me estabilizar na casa e me divertir com os dois moradores, eu consegui colocar meus pensamentos em ordem. É claro que noites acordada me acompanharam.

Para ajudar a pensar eu tirei a bateria do celular e pedi que Earl o escondesse de mim, para que eu não tivesse a mínima vontade de voltar a toca-lo. Memórias boas e ruins me invadiram por aquele tempo.

As imagens transcorriam por meus olhos, enquanto os mesmos estavam focados no teto branco da casa conservada. O som do mar próximo fazia meu corpo divagar pelas imagens. Reviver as sensações. Ouvir as vozes com a mesma clareza que as escutei no instante. Ah, estava com tanta saudade daqueles que me aguardavam em Manhattan, mas ainda não estava inteiramente preparada para sequer pensar em voltar.

Meu pai decidiu me ligar uma vez por semana, para se certificar de que estaria tudo bem. Não podia negar que era ótimo e que me separava um pouco da solidão. A pedido do mesmo, Earl comprou alguns livros interessantes para que eu ocupasse as horas e caramba, quanto tempo mesmo fazia que eu não lia por horas seguidas? Que ótima sensação. Se preocupar com o futuro das personagens e não com o seu próprio.

Liberei a internet a mim mesma, e quando não lia, olhava blogs e páginas interessantes. Às vezes encontrava coisas que gostaria de compartilhar com Kate, mas que infelizmente não podia. Não apenas pela distância, mas por simplesmente não querer tanta proximidade com o bom da vida.

Christian

Christian sabia que Ava não voltaria nem tão cedo para Manhattan. Ele não precisou de duas semanas para compreender tal fato. Precisou apenas unir a noite do pub com suas especulações. Foi por isso que correu até seu edifício o mais cedo possível. Não esperava vê-la correndo dele de maneira tão fugaz e ficou impressionado com como aquilo lhe desmoronou por dentro. Era constrangedor lutar por algo que não sabia realmente se poderia ter.

Repentinamente, Chistian começou a se perguntar se Ava realmente voltaria. Será que ela não encontraria alguém por lá? Será que não o amaria com tamanha intensidade? Será que não passaria por sua mente a probabilidade da construção de uma família? Os simples pensamentos levavam Christian à loucura extrema. Corinne ainda dormia empoleirada ao lado de seu corpo. Era doloroso ter que se submeter a algo do tipo para lhe arrancar provas de quem fotografara sua irmã. Seus documentos ficavam trancados na primeira gaveta da cômoda de seu quarto e Corinne era a única que conhecia a sede de vingança de Christian. Por isso sabia que tinha de se afastar de Ava. Aquela fora sua escolha, afastar-se de algo bom, para se vingar de algo horrível que acontecera no passado. Era isso que lhes impedia de continuar ou começar: o passado.

Dois meses se arrastaram. Eu estava melhor que quando cheguei a essa casa. Agora conversava com meus companheiros todos os dias. Depois de exatos dois meses, descobri que estava fazendo aquilo não para tomar uma decisão, mas para me descobrir e descobrir meus mais profundos sentimentos. Eu li uns cinco livros em dois meses. Longos romances, alternando-se entre finais felizes e tristes.

Earl comprou um rádio para mim e comecei a escutar as músicas de que gostava. Às vezes o laptop também ajudava neste fato, mas não havia nada melhor que um som em que você não escolhesse a música que viria a seguir. Assim era a vida, trazendo surpresas a cada segundo constante. Algumas músicas me lembravam de Christian, mas eu não ficava tão pra baixo quanto antes. Eu já sabia o que fazer.

Na verdade, eu sempre soube.

Christian.

Ainda abalado com a distância que teve de Ava – obrigatoriamente – Christian andava de moto por Manhattan. Era o que mais fazia nos últimos dias. Ou sair com Mia, algo que lhe estalara na mente e lhe fizera muito bem. Sair com Mia lhe proporcionava algo difícil de ser explicado. Foram ao cinema juntos, a lanchonetes ou, às vezes, apenas caminharam pela cidade. Ele fez compras junto com a mesma e chorou com ela quando relembraram memórias nada agradáveis.

No meio de algumas conversas ela introduzia Ava, fazendo com que o momento perturbador lhe adentrasse a mente. Ah, como era doloroso se lembrar da mesma correndo em direção ao carro. Ou lembrar-se da mesma beijando a boca de outro homem, não que ele lhe tirasse esse direito, mas nem esse fato amenizava a dor que se instalou na memória. Enquanto dirigia seus olhos se embaçaram, lembrando-se da estória que tiveram juntos. Ainda tinham tanto a descobrir um do outro, mas não tinham a oportunidade de sequer pensar no assunto. Bem que sua mãe dizia que mesmo quando encontrasse sua verdadeira paixão, seria difícil se entregar a ela.

Sua mãe teve razão. A razão mais dolorosa de toda sua vida. Nunca levou aquela conversa que tiveram há anos tão a sério, como estava levando naquele momento. Ele pensava e repensava nas palavras. Em como ela sorriu ao dizer que era apaixonada por seu pai, mas que deixara seu verdadeiro amor para trás. Christian não queria que aquilo ocorresse com ele. Casar-se com alguém que não fosse seu verdadeiro amor, ou seja, não se casar, ou realmente construir algo bom com Ava.

Mas, bem no fundo, ele sabia que eles, provavelmente, não terminariam juntos.

Quatro meses mais tarde...

Decidi que aquele era o momento de retomar minha vida. Chega de parada absurda e de tempo para pensar. Como já havia chegado à conclusão, eu não viera a esse lugar para descobrir o que fazer. Eu viera aqui, para poder continuar da estaca zero. Eu derrotaria minhas inseguranças. Passaria por Corinne sem piedade e continuaria meu relacionamento com Christian. Eu tinha a capacidade de fazê-lo feliz, assim como ele exercia esse fardo sobre mim. Éramos a metade um do outro, e eu nunca poderia negar aquilo a ninguém. Eu lhe devia a verdade da minha história para começar a nossa. Para darmos adeus ao passado e seguir juntos no futuro. Eu o abraçaria em suas dores, assim como fez comigo, mesmo sem saber os meus demônios resguardados. Meu corpo se idolatrava em arrepios ao reviver nossas ótimas e péssimas memórias. Quando eu mergulhava em lembranças de nossas noites de amor. Ah, como era bom.

Então, chamei Earl e lhe informei sobre tal fato. Ele ligou para meu pai, avisando-lhe que logo mais estaríamos lá. Mas, antes de qualquer coisa, eu tinha uma parada no caminho. Aquele local sempre me chamara a atenção. Eu sabia que teria de ir lá antes de finalmente partir para a realidade.

Nossa parada foi curta num salãozinho simples, mas aconchegante. Meu corte novo de cabelo impressionou Earl, mas o mesmo me elogiou com suas forças e com uma felicidade imensa. Ele disse que aquele era um ótimo passo. Ficar loura e de cabelos curtos, com meus fios ondulados retomados. E eu me sentia inteiramente bem com aquilo.

Notas finais
Gostaram do novo estilo? Espero que sim!!! E no que acham que vai dar essa volta?!?!?!?!? Bom, até os comentários!!!
Sejam bem vindas, novas leitoras! E aos 71 leitores presentes, cadê vocÊs ao final de cada capítulo? E obrigada aos 20+ que favoritaram a estória! Eu adoro, eu me amarro! hahahaha